Amores Proibidos

Série – Texto em Roteiro

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EPISÓDIO 11 – A DOR DA NÃO-ACEITAÇÃO

Publicado por amoresproibidos em 27/08/2009

CENA 01 – RIO DE JANEIRO – EXTERIOR – DIA

Música [I'd like to - Corinne Bailey Rae]

Está um dia ensolarado e quente, mas do nada surgem nuvens escuras no céu. Começa a ventar. Tempestade à vista. Tempo totalmente fechado. Mostrar a mudança repentina do clima em vários pontos da cidade. Corta para:

CENA 02 – SHOPPING – LOJA DE ROUPAS – INTERIOR – DIA

A mesma música

Cristian é vendedor numa loja de roupas do shopping e está atendendo a uma garota atraente, loira e alta, que exibe um decote provocador. Essa loja é uma daquelas de marca, que vende roupas para homens e para mulheres, voltada para o público jovem. Cristian vai mostrando-lhe as roupas com toda a paciência. Neste momento, vê-se que Juliana está do lado de fora da loja e não gosta nem um pouco do que está vendo. Tenta se controlar e olhar para outro lugar, mas acaba voltando a olhar para Cristian e para a tal garota. Caminha até a loja e entra. Cristian a vê e dá um sorriso, sem deixar de atender a tal garota. Juliana permanece séria, só observando.

CRISTIAN
E então, você gostou dessa blusa?

GAROTA
Não sei. Você acha que fica bem em mim?

A Garota põe a blusa na frente do corpo, como que se estivesse experimentando. Cristian acaba olhando para os seios da garota, que são bem chamativos, mas disfarça.

CRISTIAN
Acho. Você vai ficar linda nessa blusa.

GAROTA
Se você gostou eu vou levar. Vou confiar em você. Você parece ter bom gosto.

Neste momento, Juliana se aproxima, se entrometendo na conversa.

JULIANA
Bom gosto ele tem mesmo. Não é a toa que ele tá comigo!

A Garota fica sem graça.

GAROTA
(p/ Cristian)
Onde que eu pago?

CRISTIAN
(aponta para o caixa)
Ali! Brigado, hein! Meu nome é Cristian. Sempre que quiser, procura por mim.

GAROTA
(provocativa)
Com certeza eu vou te procurar.

A Garota sai. Juliana está com a cara fechada.

CRISTIAN
Que foi, Ju? Por que você tá assim?

JULIANA
Nada não. Pega suas coisas pra gente ir embora. Depois a gente conversa.

CRISTIAN
Me espera que eu já volto.

Cristian vai até atrás do balcão do caixa e pega uma mochila média.

CRISTIAN
Tchau, galera! Até amanhã!

Todos os vendedores da loja (só há uns 4: 2 homens e 2 mulheres) se despedem de Cristian.

CRISTIAN
Vamo, Ju!

Cristian e Juliana saem da loja. Corta rápido para:

CENA 03 – SHOPPING – ESTACIONAMENTO – INTERIOR – DIA

Cristian está prestes a subir em sua moto, quando percebe que Juliana continua com a cara fechada. (Cristian carrega a tal mochila nas costas).

CRISTIAN
O que tá acontecendo? Por que voce tá com essa cara? Eu te fiz alguma coisa?

JULIANA
Voce não fez nada porque não deu tempo, né? Porque eu cheguei bem na hora!

CRISTIAN
Peraí! Do que você tá falando?

JULIANA
Eu vi o jeito que você tava tratando aquela menina.

CRISTIAN
Qual foi, Juliana? É o meu trabalho! Eu preciso ser simpático com os clientes!

JULIANA
Mas não precisa ser tanto, né? Tava na cara que ela tava te dando mole! E você lá, elogiando ela! Não! Eu não aguento isso!

CRISTIAN
(perde a paciência)
Para de palhaçada! Olha aqui! Eu não to aqui de brincadeira não, tá! Eu to aqui ralando muito pra conseguir juntar uma grana boa pra gente viver junto! Só que eu não posso continuar com os seus ciúmes! Não dá! Não dá! Todo dia agora é essa palhaçada! Fixação em traição! Eu não vou te trair! Nunca! Põe isso na tua cabeça!

JULIANA
Então o meu sentimento é uma palhaçada? É isso? Você acha que o que eu sinto não tem importância alguma? É isso? Fala!

CRISTIAN
Chega! Não aguento mais discutir com você! É sempre pelo mesmo motivo! Sempre por esse ciúme doentio que você tem!

JULIANA
Ciúme doentio?!

CRISTIAN
Doentio sim! Ciúme não é prova de amor. Prova de amor é confiança! Eu confio em você, Juliana! Voce devia pelo menos tentar confiar em mim! Mas o mais engraçado… é que eu nunca, mas nunca te dei motivos pra você ter ciúmes de mim!

JULIANA
Como não? E essas suas amigas do trabalho que ficam te ligando? E essas menininhas que ficam indo à loja só pra te ver? Você acha que eu tô errada, não acha? Que eu sou doente… só porque eu amo demais…?

CRISTIAN
O seu ciume não tem fundamento algum. Eu nunca olhei pra nenhuma outra garota!

JULIANA
Duvido! Mas eu duvido muito! Sabe o que eu acho? Que você já me traiu várias vezes! Várias!

CRISTIAN
Tá bom, Juliana. Pensa o que você quiser! Pra mim, chega! Você tá cada dia pior! Insuportável! Eu não to mais aguentando voce! Quer saber? Eu que sou idiota de nunca ter te traído! Pelo menos agora, eu estaria levando a fama por algo que eu teria feito!

JULIANA
Como você é cínico! Fala como se nunca tivesse feito nada nas minhas costas!

CRISTIAN
(grita)
Chega, Juliana! Eu não quero mais ouvir a sua voz! Acabou tudo entre nós! Voce merece ficar sozinha! Você e o seu ciúme!

JULIANA
(sentida)
Você tá terminando comigo?

CRISTIAN
Tô sim. Pra mim, chega! Eu faço de tudo pra relevar, eu tenho muita paciência, mas você tá acabando com ela.

JULIANA
Mas eu vim aqui no seu trabalho só pra te ver e pra gente voltar pra casa junto…

CRISTIAN
(sem forças para discutir)
Chega, Juliana! Não dá mais!

Cristian sobe na moto e a liga.

JULIANA
Por que você tá fazendo isso comigo? Você tem alguém?

CRISTIAN
Não tenho ninguém. Mas eu juro que eu vou procurar!

Juliana começa a chorar e a bater em Cristian, que não revida.

JULIANA
Cachorro! Babaca! E eu que pensei que podia ser feliz do seu lado! Vai embora, vai! Pode ir!

CRISTIAN
Eu não vou te deixar aqui. Vem comigo que eu te deixo em casa.

JULIANA
Nunca! Eu nunca mais subo nessa moto. Eu nunca mais quero olhar na sua cara. Nunca mais!

Juliana sai correndo pelo estacionamento.

CRISTIAN
(grita)
Espera, Juliana!

JULIANA
Não vem atrás de mim!

Juliana continua correndo e quase é atropelada por um carro. Está chorando bastante e um pouco desesperada. Cristian está muito nervoso e disca no celular para Gabriel, mas ele não atende.

CRISTIAN
Droga! Mas eu vou lá assim mesmo!

Cristian põe o capacete e parte com a moto. Corta para:

CENA 04 – APTO. DE BRUNO – QUARTO DE BRUNO – INTERIOR – DIA

(Continuação da cena 27 do episódio anterior).

Bruno muito sem graça, coberto até a cintura com um edredon. Felipe cobrindo com as mãos as suas partes íntimas, muito sem graça também. Otávio, furioso, se aproxima de Felipe batendo nele com força. Otavio lhe da socos do rosto e tenta asfixia-lo também. Felipe tenta se desvicular, mas não consegue. Seu nariz está sangrando. Bruno tenta separar os dois. Muita gritaria.

OTAVIO
(vai batendo e gritando)
Vai embora daqui! Vai!! Some! Antes que eu te mate! Vai embora daqui!!!!

BRUNO
Larga ele, pai!

OTAVIO
Cala essa sua boca que com você eu já resolvo!

Otavio continua batendo, mas Felipe consegue sair, rapidamente. Só da tempo de pegar as suas roupas e sai com elas na mão. Música marcando. Otavio agora observa Bruno, com um olhar de desprezo. Bruno está nu e rapidamente veste uma cueca.

OTAVIO
Então é disso que você gosta?

BRUNO
Pai, eu nem sei o que dizer…

OTAVIO
(grita, furioso)
Não diga nada! Você não precisa dizer nada! Eu vi tudo! Eu vi o meu filho na cama com um… (pausa) dá nojo só de pensar!

BRUNO
Pai, eu já queria contar há muito tempo. Mas eu nunca consegui!

OTAVIO
Ótimo! E então você espera eu e sua mãe sairmos de casa pra você trazer… um homem pra cá?! É isso?

BRUNO
Desculpa! Não vai acontecer de novo!

OTAVIO
Mas não vai mesmo! Sabe por que, Bruno? Porque eu não aceito isso! Eu não criei filho pra isso! Não criei filho pra ele se deitar com outro homem, pra ele… (pensa bem) dar pra outro homem!

Otavio joga uns livros que estão em cima da mesa do computador no chão, furioso. Otavio anda de um lado pro outro.

OTAVIO
Eu tenho vontade de te matar! Que desgosto, meu Deus! Que desgosto!

Otavio se aproxima de Bruno.

OTAVIO
Olha pra mim! Olha nos meus olhos! Tem certeza que voce gosta disso?

BRUNO
Gosto, pai.

OTAVIO
Não! Impossível! Isso não tá certo! Por que, meu filho? Por que? Só me diz o motivo! Por que? Nunca te faltou nada! Eu e a sua mãe sempre te demos tudo o que você quis! Por que, Bruno?

BRUNO
Não tem um porquê. Eu sou assim.

OTAVIO
Não! Não! Não aceito isso como resposta!

BRUNO
Eu sempre fui assim. Sempre gostei de homem, se voce quer saber! Sempre olhei os caras que passam na rua, os caras da faculdade, os atores da tv! Sempre! Sempre senti desejo por homens, pai! E isso não vai mudar só porque você quer!

Otavio, boquiaberto, ao ouvir isso de Bruno. Chora discretamente. Treme de raiva e de nervosismo. Bruno continua falando.

BRUNO
Eu gosto de homem. Gosto muito! E isso não vai mudar!

OTAVIO
(grita)
Chega! Não quero ouvir mais nada!

BRUNO
Eu sou gay, pai! E não há nada que você possa fazer!

Otavio bate na cara de Bruno com muita força. Música marcando a todo momento. Bruno não revida e leva a mão ao rosto. Otavio está transtornado.

OTAVIO
Não repete isso de novo, senão eu te arrebento! Ouviu, Bruno?

BRUNO
(grita)

Repito sim! Eu sou gay! E voce tem que aceitar isso! Eu não vou mudar porque você quer! Eu sou assim, pai. E você tem que me aceitar do jeito que eu sou!

OTAVIO
Nunca! Não! Não vou aceitar! Eu não aceito!

BRUNO
Eu não posso mudar. Eu nasci assim, pai. Mas não mudou nada. Eu sou o mesmo Bruno de antes. Só que agora você sabe da verdade. Não preciso mais ficar me escondendo!

OTAVIO
Como que não precisa mais ficar se escondendo?! Do que você ta falando? E vai fazer o que agora? Vai sair pela rua vestido de mulher?! Ou então, vai começar a trazer homem aqui pra dentro de casa? Você é muito cara de pau! Tem a coragem de dizer que não mudou nada! Claro que mudou, Bruno! Mudou tudo! E a primeira coisa que mudou é que eu não quero mais você nessa casa!

Música marca. Bruno, surpreso e ao mesmo tempo desesperado.

BRUNO
O que?

OTAVIO
É isso mesmo que você ouviu. A partir de hoje, não quero mais você nessa casa.

BRUNO
Como assim, pai? Vai me expulsar de casa?

OTAVIO
(enfático)
Voce tá surdo? Como eu acabei de falar! A partir de hoje, você não mora mais nessa casa!

BRUNO
(se desespera)
Pai, não faz isso comigo! Por favor! Voce tá nervoso! Pensa melhor! Não faz isso comigo!

OTAVIO
Eu não tô nervoso, Bruno. Eu tô até calmo demais! E minha decisão já está tomada. Voce deixa essa casa agora.

BRUNO
Agora?! Mas, pai, eu não tenho pra onde ir! Pra onde que eu vou? Onde que eu vou morar?

OTAVIO
Se vira! Dá seu jeito! Onde é que estão os seus homens agora? Onde estão eles, Hein? Os outros que você também se deita… Vai procurar por eles! Vai viver a sua vida com eles! Aqui em casa, não! Aqui é uma casa de familia e você não merece mais ficar aqui!

BRUNO
Você tá me tratando como se eu fosse uma vagabunda! Como se eu vendesse o meu corpo…

OTAVIO
E não é isso o que voce faz?

Bruno sente muito o que seu pai lhe fala e chora, mas lhe responde, revoltadíssimo.

BRUNO
Não, pai! A diferença entre eu e uma vagabunda é que eu faço o que faço porque eu gosto! E não por dinheiro!

OTAVIO
Voce tá me provocando! Some da minha frente antes que eu te arrebente, Bruno! Eu acabo com você!

BRUNO
Não! Nunca mais você vai me encostar um dedo! Eu não vou mais deixar! Esse tapa na cara foi o último que você me deu. Eu não sou mais criança! Se você me bater de novo, voce vai levar!

OTAVIO
(grita)
Vai embora! Some dessa casa! Vai embora!

Bruno puxa uma mala de debaixo da cama e abre o guarda-roupas e vai tirando umas peças e jogando em cima da cama.

OTAVIO
O que voce pensa que tá fazendo?

Bruno para de jogar as roupas na cama.

BRUNO
Eu tô arrumando minha mala. Como você mesmo disse.

OTAVIO
Não. Eu não disse pra você arrumar mala alguma. Eu disse pra você sair dessa casa imediatamente!

BRUNO
E as minhas roupas?

OTAVIO
Você não entendeu ainda? Você não vai levar nada daqui! Nenhuma roupa! Só a do corpo! E nenhum dinheiro nem nenhum cartão! Pode deixando todos eles aqui. Anda! Não tenho todo o tempo do mundo.

Bruno está arrasado.

BRUNO
Voce vai me deixar na rua sem nada? Como se eu fosse um mendigo? Como se eu não tivesse familia? É isso?

OTAVIO
Você não tem mais familia! Vou tirar teu nome do testamento. Não vai receber um centavo do que eu tenho!

BRUNO
(se revolta)
Eu to me lixando pro teu dinheiro! Enfia ele onde voce quiser! E faça bom aproveito! Mas olha só… isso que você ta fazendo comigo, não é atitude de um pai! Você ainda vai se arrepender disso!

OTAVIO
Jamais! Nunca estive tão certo de uma decisão!

BRUNO
Voce ainda vai pedir pra eu voltar! O que você tá fazendo não se faz com ninguém! Mas eu vou embora. Agora quem não quer ficar nem mais um minuto nessa casa sou eu!

OTAVIO
Não demora! Vou abrir a porta pra voce.

Otavio sai.

Música [Stay with me - Colbie Caillat]

Sozinho

Bruno chora muito. Abre a carteira e joga os cartões em cima da mesa do computador. Veste uma calça comprida jeans, uma camisa e um tenis. Limpa as lágrimas. Quando termina, olha bem o quarto por uma última vez, e sai. Corta rápido para:

CENA 05 – APTO. DE BRUNO – SALA – INTERIOR – DIA

Bruno vem do quarto, cabisbaixo. Faz de tudo para não chorar. Otávio também está sofrendo por dentro, mas não da o braço a torcer. Abre a porta para Bruno.

OTAVIO
Boa sorte!

Bruno olha para Otavio fixamente, mas não responde nada. Sai. Otávio fecha a porta.

Música [Stay with me - Colbie Caillat]

Otavio chora muito, também desabando. Senta no sofá e fica ali chorando muito por tudo o que viu e ouviu. Está sofrendo muito. Pega seu celular e disca. Música diminui.

OTAVIO
Alô! Cancela a reunião, por favor! Aconteceu um problema de familia! Não posso viajar agora! (escuta) Obrigado!

Otavio disca de novo.

OTAVIO
Denise, vem pra casa agora! Aconteceu algo muito sério!

Música marca. Corta para:

CENA 06 – FRENTE DO CONDOMÍNIO DE BRUNO – EXTERIOR – DIA

Está um temporal. A chuva está muito forte e há muito vento também. Bruno chora muito e está arrasado.

BRUNO
O que eu vou fazer da minha vida, meu Deus?

Bruno pensa um pouco e põe a mão no bolso e descobre o celular.

BRUNO
Gabriel, voce é a minha única salvação!

Bruno disca para Gabriel. Os dois conversando.

GABRIEL
Oi, amigo! Tá tudo bem?

BRUNO
Não tá nada bem! Meu pai descobriu e me expulsou de casa!

GABRIEL
Meu Deus! E você tá onde agora?

BRUNO
Tô na frente do meu condomínio. Eu não tenho dinheiro. Ele me tirou tudo.

GABRIEL
Não tem problema. Pega um taxi e vem pra cá! Quando voce chegar, eu acerto.

BRUNO
Tá bom, to indo. Brigado.

GABRIEL
De nada. Vem logo! Vou tá te esperando!

Bruno desliga o celular, faz sinal para um taxi e entra. Corta para:

CENA 07 – RIO DE JANEIRO – EXTERIOR – DIA

Música [We are Broken - Paramore]

Temporal na cidade. Ruas começando a alagar. Chuva que não para. E muito vento. Corta para:

CENA 08 – APTO. DE PEDRO – SALA – INTERIOR – DIA

John chega da rua, todo ensopado, com aquela roupa de caminhada. Lenita está no sofá, vendo tv.

LENITA
Oi, filho! Ainda bem que você chegou. Já tava ficando preocupada com esse tempo e com você na rua!

JOHN
Pois é. Não entendi nada! Tava mó sol e do nada as nuvens apareceram e o céu ficou escuro! Parece noite lá fora! Ah! E eu ainda peguei chuva né… Eu tava lá no posto 5, não adiantava correr até aqui! Então vim caminhando mesmo.

LENITA
Toma uma banho e tira essa roupa pra você não se resfriar.

JOHN
Pode deixar. Ah! E o meu pai? Tem notícias dele?

LENITA
(sorri)
Você tava certo o tempo todo. Ele voltou. Tá lá no quarto. A gente decidiu retomar o casamento. Dessa vez vai ser tudo diferente, John. Tenho fé que vai!

JOHN
Tomara, né, mãe! Vou tomar um banho e depois vou lá falar com meu pai que eu vou aceitar o emprego na empresa do Antonio.

LENITA
(feliz)
Vai aceitar? Sério, filho? Mas que alegria receber essa notícia! E quando foi que você mudou de ideia?

JOHN
Ainda agora enquanto eu caminhava. Fiquei pensando que poderia ser uma boa oportunidade pra mim. Por isso, vou aceitar a vaga.

LENITA
Que bom, John! Fico muito feliz em saber. Nossa! De verdade. Acho que vai ser ótimo pra você! E também acho que o Pedro vai adorar a notícia.

JOHN
Assim eu espero. Já volto.

John sai em direção ao seu quarto e Lenita volta a ver a tv. Corta para:

CENA 09 – COPACABANA – EXTERIOR – DIA

Música [Stay with me - Colbie Caillat]

Chove. Cristian está dirigindo a sua moto na Av. Atlântica, em direção ao apartamento de Gabriel. Mais a frente, na mesma avenida, está o táxi que Bruno pegou na porta de seu condominio. Corta rápido para:

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CONTINUAÇÃO: a dor da não-aceitação

Publicado por amoresproibidos em 26/08/2009

CENA 10 – TÁXI / PRAIA DE COPA – EXTERIOR – DIA

Tempestade no mar

A mesma música continua. O táxi vai bem devagar por causa do trânsito e por fim, para num sinal. Bruno está sentado no banco de trás do taxi e chorando muito. Lembra-se de uma parte da discussão que teve com seu pai. FLASHBACK DA CENA 04 DESTE EPISÓDIO:

BRUNO
Eu gosto de homem. Gosto muito! E isso não vai mudar!

OTAVIO
(grita)
Chega! Não quero ouvir mais nada!

BRUNO
Eu sou gay, pai! E não há nada que você possa fazer!

Otavio bate na cara de Bruno com muita força. Música marcando a todo momento. Bruno não revida e leva a mão ao rosto. Otavio está transtornado.

OTAVIO
Não repete isso de novo, senão eu te arrebento! Ouviu, Bruno?

BRUNO
Repito sim! Eu sou gay! E você tem que aceitar isso! Eu não vou mudar porque você quer! Eu sou assim, pai. E você tem que me aceitar do jeito que eu sou!

OTAVIO
Nunca! Não! Não vou aceitar! Eu não aceito!

FIM DESTE FLASHBACK.

Bruno observa que o sinal ainda continua vermelho. Olha para o mar e vê que ele está bem agitado, com ondas muito grandes. Está pensativo e hesitante. Seu coração está acelerado. Num movimento brusco, abre a porta do taxi e sai correndo em direção a praia. O taxista se desespera.

TAXISTA
(grita)
Ei! Volta aqui! Meu dinheiro!

Bruno continua correndo pela areia da praia em direção a água. Chora muito e está fora de si, como num transe. A atitude de Bruno faz as pessoas olharem na direção do mar, que está com ondas cada vez maiores. Cristian observa tudo, preocupado. Bruno chega perto da água da praia e chora desesperadamente. Tira o tênis. As águas já tocam seus pés. As ondas são enormes, chove muito e venta também.

BRUNO
Se meus pais não me aceitam, eu prefiro morrer…

Música de suspense. Bruno entra nas águas do mar e vai nadando pra longe da areia. As ondas começam a quebrar onde ele está e ele vai perdendo as forças aos poucos. Vai tentando ir cada vez pro mais fundo possível. Cristian não aguenta ver isso.

CRISTIAN
Um cara entrou na agua com esse tempo e ninguem faz nada?!

Cristian larga a moto de qualquer jeito e corre em direção ao mar, onde Bruno está. Bruno, por sua vez, vai sendo derrubado por cada onda e afunda sempre. Sobe, pega um pouco de ar, mas não desiste em tentar se matar. Já está sem forças. Mais uma onda quebra em cima dele. Bruno afunda, mas sobe logo em seguida. Já está lhe faltando o ar. Cristian entra na agua, com roupa e tudo. Avista Bruno e vai nadando até onde ele está. Bruno não vê Cristian. Cristian nada valentemente contra as fortes ondas, afunda com algumas mas continua procurando por Bruno. O avista e vê que está perto dele. Bruno está com muito medo e nervoso e está afundando. Começa a ficar totalmente desesperado. Uma onda forte faz Bruno afundar e desmaiar. Cristian imediatamente o segura e tenta trazê-lo, com muita dificuldade, para fora da água. Cristian ainda enfrenta a correnteza que os puxa, mas vai aos poucos conseguindo e por fim, Cristian cai com Bruno na areia. Cristian está esgotadíssimo e sua respiração está muito ofegante. Bruno está desacordado. Música de suspense cessa. Cristian se desespera ao reconhecer Bruno.

CRISTIAN
Meu Deus! É o amigo do Gabriel!

Cristian olha para um lado e para outro, mas não avista nenhum salva-vidas.

CRISTIAN
(dá uns tapinhas no rosto de Bruno)
Voce precisa acordar!

Cristian tira a camisa de Bruno e escuta o seu coração. Faz respiração boca a boca em Bruno e faz pressão no seu peito. Bruno não reage. Repete o procedimento mais duas vezes. Bruno continua sem reagir. Cristian se desespera.

CRISTIAN
(desesperado)
Sempre funciona! Por que não tá funcionando dessa vez?!

Cristian tenta mais uma vez e Bruno finalmente acorda, cuspindo muita agua e tossindo muito também. Bruno está muito fraco e fica paralizado ao ver Cristian ali.

BRUNO
Cristian?! É voce?

CRISTIAN
(sorri)
Sim, sou eu. Eu te salvei.

Bruno mal consegue acreditar no que ve. Se encaram. Música marca. Corta.

ABERTURA DA SÉRIE

CENA 11 – PRAIA – EXTERIOR – DIA

(Continuação da cena anterior).
Bruno se senta um pouco com ajuda de Cristian. Está um pouco debilitado e fala devagar (vai se recuperando aos poucos).

BRUNO
Por que voce fez isso?

CRISTIAN
Isso o que?

BRUNO
Me tirar de lá… Você não devia ter ido lá me salvar.

CRISTIAN
Mas é claro que eu devia! E eu ia te deixar morrer por causa de que? De um problema? Problema todos nós temos. A gente pode superar os problemas! Não vale a pena perder a vida por causa deles!

Bruna pensa um pouco. Silêncio por alguns instantes.

BRUNO
Brigado pelo que você fez. E eu nem tenho como te agradecer direito. Você se arriscou! Podia ter morrido tentando me tirar de lá. Eu queria morrer! Você não!

CRISTIAN
Eu fiz o que eu achei que era certo. Se voce se jogar no mar de novo e eu tiver por perto, eu entro de novo e te salvo. Faria isso por qualquer pessoa. Mesmo que eu morresse, eu ia morrer fazendo o que é certo.

BRUNO
Brigado mesmo!

CRISTIAN
Para de agradecer! Não foi nada.

BRUNO
E o que você tava fazendo aqui, nessa praia, com esse tempo?

CRISTIAN
Eu tava indo pra casa do Gabriel. Sei lá. Eu queria desabafar com alguém. Terminei meu namoro hoje. Tava meio mal. E foi quando eu vi alguém, saltando desesperado do carro e se atirando no mar… com aquelas ondas… e ninguém fazendo nada pra evitar. Não tive escolha. A não ser te tirar de lá.

BRUNO
Que coincidência! Eu também tava indo pra casa do Gabriel. Mas quando eu vi o mar, pensei em acabar com tudo de uma vez… Mas foi o destino que quis que você tivesse passando por aqui. Foi Deus que te colocou no meu caminho!

CRISTIAN
Pode ter sido… Mas quando eu entrei no mar, eu não fazia ideia de quem você era. Eu nunca podia imaginar que era você, fazendo aquilo…

BRUNO
por que? Achou que eu não seria capaz?

CRISTIAN
Sei lá. Mas foi um choque muito grande saber que você era amigo de um grande amigo meu e que você podia morrer. Não sei explicar!

Bruno olha fixo pro mar e caem lágrimas dos seus olhos. Silencio novamente por alguns instantes.

CRISTIAN
Olha! Eu sei que você está passando por alguma situação dificil. E sei que provavelmente eu não vou poder te ajudar, mas se voce quiser, eu posso te ouvir.

Bruno olha para Cristian e vai limpando as lágrimas, enquanto vai falando.

BRUNO
Eu não tenho mais ninguém. Eu tô sozinho. Sem dinheiro e sem onde morar.

CRISTIAN
E a sua família? O que aconteceu com ela?

BRUNO
Meu pai me expulsou de casa…

CRISTIAN
Que chato isso, cara!

Cristian fica um pouco pensativo.

BRUNO
… Porque eu sou gay.

Cristian encara Bruno.

CRISTIAN
Foi por isso então?

BRUNO
Por isso que eu entrei no mar. O que vai ser da minha vida agora? Seria melhor ter morrido…

CRISTIAN
Não fala isso! Eu disse que só te escutaria e que nao poderia te ajudar, mas não é verdade… Eu posso te ajudar, sim!

BRUNO
Pode? Como?

CRISTIAN
Por que você não mora um tempo lá em casa?

BRUNO
(surpreso)
Eu? Na sua casa?!

CRISTIAN
É! Quê que tem? Você pode ficar lá o tempo que você precisar. E eu… posso tentar conseguir um emprego pra você lá na loja onde eu trabalho! O que você acha?

Bruno não sabe o que dizer. Apenas ri.

BRUNO
Eu nem acredito que eu to ouvindo isso!

CRISTIAN
E então, você aceita?

BRUNO
Mas você mora sozinho?

CRISTIAN
Não. Com a minha mãe. Mas ela é tranquilona! Você vai gostar dela! O Gabriel também já passou uns tempos lá em casa e ela nem ligou! E outra! A casa também é minha!

BRUNO
Jura que não tem nenhum problema?

CRISTIAN
Nenhum!

BRUNO
Então eu aceito!

Bruno puxa Cristian e o abraça forte. Cristian abraça, mas fica meio sem jeito.

BRUNO
Muito obrigado! Muito obrigado mesmo! Você tá sendo um anjo na minha vida!

CRISTIAN
Nada a ver! Eu vou te ajudar porque você é amigo do Gabriel. E se é amigo do Gabriel, é meu amigo também!

Bruno sorri e está mais feliz.

CRISTIAN
Viu? Não te falei que sempre há uma solução pros problemas?!

BRUNO
Você tá certo. Eu não devia ter feito o que eu fiz…

CRISTIAN
Deixa esse assunto pra lá.

BRUNO
Tá bom. Vou tentar esquecer.

CRISTIAN
É melhor a gente ir embora então. Ou senão vamos pegar um resfriado. Como se não bastasse o banho de mar, a gente tá conversando debaixo da chuva!

BRUNO
É verdade!

CRISTIAN
Voce tá se sentindo bem?

BRUNO
To sim.

CRISTIAN
Então, vamos.

Música [Stay with me - Colbie Caillat]

Cristian se levanta e ajuda Bruno a se levantar e vão caminhando devagar em direção à Avenida Atlantica. E a chuva continua. Corta para:

CENA 12 – APTO DE BRUNO – SALA – INTERIOR – DIA

Denise e Otavio tensos. Denise de costas para Otavio, com lágrimas nos olhos.

Briga de Casal

DENISE
Não pode ser! Não! O meu filho, não!

OTAVIO
Mas é a verdade. É exatamente como que te contei. Eu encontrei o Bruno aqui, na nossa casa, transando com um… (pensa muito) homem.

DENISE
(desesperada)
Não! O Bruno não é gay. Pode ser uma fase. Ele pode mudar. Quem garante que isso vai durar pra sempre? Vai que amanhã ele muda de ideia? Você não pode tirar essas conclusões!

Otavio altera o tom. Estão ambos muito nervosos.

OTAVIO
Eu não tô tirando conclusões, Denise. Você não estava aqui! Você não ouviu metade do que eu ouvi! Fique sabendo que o seu filho falou em alto e bom som que é gay sim e que nunca vai mudar! Nunca! Me disse olhando nos olhos que gosta de homem, desde criança! Como você acha que eu fiquei, ouvindo isso de um filho?! Eu não tô inventando nada, pelo amor de Deus! Você tem que acreditar que o Bruno não é perfeito como você insiste em achar que é!

DENISE
E onde ele tá? Eu quero falar com ele agora! (grita) Agora! (chama por Bruno) Bruno! Bruno! Vem aqui que eu quero falar com você!

OTAVIO
Ele não tá em casa.

DENISE
Como nao tá em casa? E tá aonde? Voce não devia ter deixado ele sair até eu chegar em casa!

OTAVIO
Eu não deixei ele sair. Eu o expulsei de casa.

Choque de Denise ao ouvir isso. Música marca.

DENISE
O que foi que você disse? Repete!

OTAVIO
Eu coloquei ele pra fora sim! Não quero um filho gay dentro de casa. Pra que? Pra trazer homem aqui pra dentro? Pra nos envergonhar? E os vizinhos, Denise? O que eles vão pensar, hein?

DENISE
Você não podia ter feito isso, Otavio!

OTAVIO
Então você vai agora ficar passando a mão na cabeça dele? Protegendo ele? É isso?

DENISE
Eu não tô passando a mão na cabeça de ninguém, mas não acho certo o que você fez. Você não podia ter tomado essa decisão sozinho! E eu? Eu não mando em nada nessa casa?! Não é assim que funciona! Expulsar o Bruno não vai mudar nada! Nada! Você só fez isso pra se livrar do peso, do problema… Você sempre fez isso! Um covarde. Prefere afastar os problemas em vez de resolvê-los! É você que tá preocupado com os vizinhos. Porque eu to me lixando pra eles! Eu só quero saber onde tá o meu filho!

OTAVIO
Então eu sou covarde?! (ri) Mas eu aposto que você já sabia. Tá aceitando muito fácil. Confessa, Denise! Você já sabia dessa pouca vergonha, não é? Você já sabia que o Bruno era desse jeito, né?

DENISE
Não! Eu não sabia. Juro que eu não sabia. Não pense você que eu não to chocada. Eu to sim! Mas… de certa forma, lá dentro, eu já imaginava isso, não sei explicar, mas parece que eu já pensava, mas nunca quis realmente enxergar…

OTAVIO
Então você suspeitava e nunca me disse nada?

DENISE
Como, Otavio? Se você só trabalha! Só viaja o tempo todo! Como eu ia te contar?! Em que momento eu ia falar sobre o Bruno se a gente não fala nem da gente?!

OTAVIO
Eu já sei porque ele é assim. A culpa é sua!

DENISE
Minha?! Peraí! Deixa eu ver se eu escutei direito! Você ta me acusando de que o fato de o Bruno ser gay é minha culpa?! Mas isso é um absurdo! Voce é rídículo, Otavio. Ridículo!

OTAVIO
É sua culpa, sim! Olha o jeito como você sempre tratou esse menino! Como se fosse uma moça! Sempre dava tudo na hora, cheia de cuidados… depois de adolescente continuou mimando, tratando o garoto feito criança! Olha só no que deu a sua super criação!

Denise chora ao ouvir isso, mas está revoltadíssima e vai pra cima de Otávio, e põe o dedo na cara dele.

DENISE
Escuta aqui! Eu fiz o melhor que eu pude. Ao contrário de você, que sempre foi ausente! Para de querer culpar os outros! Você é o que menos pode falar! Se pelo menos tivesse mais tempo pra ficar em casa, ia ver o que tava se passando aqui dentro. Ia poder conversar com o Bruno! Quando vocês conversaram sobre coisas de homem? Nunca! Quando foi que vocês sairam juntos, só pai e filho? Nunca! Eu acho que a culpa não é só minha. Não é justo você me acusar!

Denise vai andando, chorando, em direção ao quarto. Otavio se arrepende do que disse e está mais calmo.

OTAVIO
Denise! Desculpa! Eu não devia ter falado o que eu falei!

DENISE
Não se preocupa comigo que eu vou ficar bem. Eu só quero encontrar o meu filho. O que você fez não tem perdão! Você afastou o meu filho de mim! Onde ele tá agora? Será que tem dinheiro, fome ou frio? Nessa chuva! Você não sabe, né? Como você vai conseguir dormir, hein?! Tem que ser muito insensível pra fazer o que você fez!

OTAVIO
Eu fiz a coisa certa. Um dia você ainda vai me agradecer.

Denise se aproxima de Otavio novamente e aponta-lhe o dedo. Está revoltadíssima, mas também muito triste.

DENISE
Se acontecer alguma coisa ao meu filho, a culpa é sua! Ouviu bem?!(grita) A culpa é sua!!!

Denise sai andando para o quarto. Otavio está arrasado e pensativo. Corta para:

CENA 13 – MEIER – EXTERIOR – DIA

Música [Stay with me - Colbie Caillat]

Céu abrindo

O temporal já virou chuvisco. Cristian dirigindo sua moto e Bruno atrás de Cristian. Passam por algumas ruas, até que chegam à casa de Cristian. Cristian para a moto e eles descem. Entram na casa. Corta rápido para:

CENA 14 – CASA DE CRISTIAN – SALA – INTERIOR – DIA

Cristian e Bruno entram em casa. Bruno está um pouco sem graça.

CRISTIAN
Entra, cara! Fica a vontade! Essa é a sua nova casa!

BRUNO
Brigado! Qual o nome da sua mãe?

CRISTIAN
Beth! Mas essa hora ela não tá em casa. Tá no trabalho.

BRUNO
No trabalho?! Ainda bem!

CRISTIAN
Por que?

BRUNO
Porque ela não estando eu fico menos sem graça.

Cristian sorri.

CRISTIAN
Mas não precisa ficar sem graça não. Já te falei pra ficar a vontade!

Cristian tira a camisa. Bruno fica observando o peitoral de Cristian, mas tenta disfarçar, olhando em outra direção. Bruno está ficando excitado, mas tenta se controlar.

CRISTIAN
O Rio de Janeiro tem dessas coisas! Cai um temporal e o calor continua.

BRUNO
(sem graça)
É verdade…

CRISTIAN
Tem que tirar a roupa porque ela tá encharcada. Ficar com roupa molhada no corpo não é bom não!

Bruno nem responde nada de tão sem graça e ao mesmo tempo, de tão excitado. Cristian, alheio ao que Bruno sente, tira agora a bermuda, ficando só de cueca, sendo que esta está molhada pela chuva e ve-se nela nitidamente a marca das “partes” de Cristian. Bruno fica olhando, quase que sem ar, mas se controla ao máximo para não fazer nada.

CRISTIAN
Voce não vai tirar a roupa?

BRUNO
(sem graça – acorda do transe)
Vou… vou sim. Onde que é o banheiro?

CRISTIAN
(aponta)
Naquela direção. Depois do segundo quarto.

BRUNO
Brigado.

CRISTIAN
Cara, tira a roupa e toma um banho. É sério o que eu to falando! Voce pode pegar uma pneumonia!

BRUNO
Pode deixar.

Bruno vai em direção ao banheiro. Corta rápido para:

CENA 15 – CASA DE CRISTIAN – BANHEIRO – INTERIOR – DIA

Música [Stay with me - Colbie Caillat]

Bruno entra no banheiro, tira a roupa e entra no chuveiro, tomando um banho relaxante e demorado. Bruno vai se ensaboando e se enxaguando, mas está pensativo e sorridente. Corta para:

CENA 16 STOCK SHOT – EXTERIOR – DIA/NOITE

A mesma música…
Já não chove mais. Anoitecer no Rio de Janeiro.

CENA 17 – CASA DE CRISTIAN – SALA – INTERIOR – NOITE

Cristian e Bruno vendo tv, quando tocam a campanhia.

BRUNO
Será que é o Gabriel?

CRISTIAN
Pode ser. Ele falou que já tava vindo. Mas também pode ser a minha mãe.

BRUNO
(um pouco nervoso)
A sua mãe?

CRISTIAN
Calma, cara! Fica tranquilo!

Tocam a campanhia de novo. Cristian atende a porta e é Beth (sua mãe), que entra já falando com Cristian e nem se dá conta de que Bruno está ali.

BETH
Oi, filho! Tudo bem? Ai, hoje eu esqueci a chave em cima da mesinha de cabeceira lá do quarto. Acredita? Mas me conta! Como voce tá? E o trabalho? Como foi lá hoje?

CRISTIAN
Foi tudo bem, mãe. Mas é que eu queria falar sobre ele…

BETH
Ele?! (vê Bruno) Oi! Tudo bem?

BRUNO
Tudo otimo.

BETH
Quem é ele? Não to entendendo nada!

CRISTIAN
Ele é um amigo meu que vai passar uns tempos aqui em casa. O nome dele é Bruno.

Beth vai cumprimentar Bruno mais de perto com um beijo no rosto e um abraço.

BETH
Muito prazer, Bruno! Sou Elizabeth, mãe do Cristian. Mas ninguém me chama assim… Todos me chamam de Beth! Oh! Fica a vontade! Se o Cristian te trouxe pra cá é porque ele confia em você e é porque você é uma boa pessoa. O que ele decide, tá decidido! A casa é sua, tá, meu anjo?!

Bruno sorri. Está mais tranquilo.

BRUNO
Tá bom. Muito obrigado.

BETH
Imagina! (observa Bruno) Voce é tão bonito! Deve fazer um sucesso com as garotas! Voce deve dar trabalho hein!

BRUNO
Que nada!

BETH
Não tô te cantando não, tá? Pelo amor de Deus! Eu tenho idade pra ser tua mãe! Mas que voce é lindo, é! Ele não é uma graça, Cristian?!

CRISTIAN
Ihh! Qual foi, mãe? Vê se eu vou achar homem bonito!

BETH
Ai, tá bom! Voces homens são uns hipócritas! Não podem achar homem bonito… que mal há nisso?! Voce não vai deixar de ser homem só porque reconhece que um outro cara é bonito! Não tem nada a ver uma coisa com a outra!

BRUNO
(fala olhando p/ Cristian)
Eu concordo. Não tenho medo de achar um cara bonito. O Cristian, por exemplo, é um…

Beth ignora o que ouve e continua falando. Cristian entendeu a mensagem. Olha para Bruno, dá um sorriso e desvia o olhar.

BETH
Eu acho algumas mulheres bonitas. E meu filho, pode ter certeza que de mulher eu não gosto não! Gosto muito de homem!

Bruno só ri. Cristian, meio sem graça.

CRISTIAN
Mãe, para de falar um pouco! O garoto vai ficar tonto!

BRUNO
Deixa, Cristian! Gostei da sua mãe! Ela é divertida.

BETH
Ah! Que bom que voce gostou de mim! Também te adorei! Mas deixa eu ir pra cozinha preparar algo rápido pra gente comer. Com licença!

Beth vai para a cozinha. Cristian senta num sofá para ver tv e Bruno senta em outro, mas fica observando Cristian, que está sem camisa. Corta para:

CENA 18 – APTO. DE PEDRO – SALA – INTERIOR – NOITE

Pedro vem do quarto e encontra Lenita no sofá, vendo tv. Pedro está calmo, mas trata Lenita de maneira fria.

LENITA
Oi, meu amor! Tava aqui pensando da gente jantar fora hoje. O que você acha?

PEDRO
Pode ser. Mas então me espera. É que eu tenho que conversar com o Antonio. Tudo bem ou você já ta com fome?

LENITA
Nao! Eu te espero. Não tem pressa alguma! Aproveita então, que você vai lá e chama a Maria e o Antonio também! A gente vai prum restaurante legal… e faz um programinha diferente!

PEDRO
Ótima ideia! Já volto.

Pedro sai. Corta para:

CENA 19 – APTO. DE GABRIEL – SALA – INTERIOR – NOITE

Tocam a campanhia. Gabriel está arrumado para sair.

GABRIEL
(grita p/ Antonio)
Deixa que eu atendo, pai!

Gabriel vai até a porta e quando a abre, da de cara com Pedro. Se encaram por alguns instantes. Gabriel fica feliz em ver Pedro.

GABRIEL
Oi, Pedro! Entra! Veio falar com o meu pai?

PEDRO
Não só pra isso. Também vim porque eu queria te ver.

Gabriel sorri. Pedro e Gabriel conversam baixo, quase que sussurrando. Pedro ainda está na porta, do lado de fora.

GABRIEL
Eu também queria, Pedro. Muito! Você não sabe o quanto eu te desejo! Quando a gente vai ficar junto de novo?

PEDRO
Amanhã eu vou dar um jeito nisso. Sem falta.

GABRIEL
Tá. Vô ficar te esperando então. Queria poder te beijar agora…

PEDRO
Não dá. Teu pai não tá aí?!

GABRIEL
Tá sim. Mas tá tomando banho… Se voce me beijar rapidinho, ele não vai nem ver…

Gabriel, provocando, abre a porta e Pedro finalmente entra. Gabriel fecha a porta.

PEDRO
E a sua mãe?

GABRIEL
Tá no quarto. Me dá um beijo?

Pedro tem medo.

PEDRO
Não, Gabriel!

Gabriel, provocante, se aproxima de Pedro e vai beijando o seu pescoço bem devagar.

GABRIEL
Por que não?! Voce não quer?

Pedro resiste e se afasta de Gabriel.

PEDRO
Não é que eu não queira. Eu não posso! Alguém pode ver!

Música [Mercy - OneRepublic]

Gabriel se aproxima de Pedro novamente, abraçando-o e o beija. Estão os dois excitadíssimos, beijando-se desesperadamente. De repente, Pedro para de beijar e se afasta rapidamente de Gabriel. Música cessa. Segundos depois, Antonio aparece na sala. Estão os dois sem graça e olham para Antonio com cara de assustados.

antonio
(surpreso)
Ué! Pedro?!

PEDRO
(sem graça)
Oi, Antonio! Vim aqui pra conversar com você.

Antonio olha para Gabriel.

ANTONIO
(p/ Gabriel)
Por que voce não me disse que era o Pedro e que ele queria falar comigo?!

Gabriel está paralizado, sem saber o que dizer. Está sem graça e com medo. Pedro observa tudo discretamente. Música marca. Corta.

FIM DESTE EPISODIO

CREDITOS FINAIS

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EPISÓDIO 10 – A PRIMEIRA NOITE DE AMOR

Publicado por amoresproibidos em 04/08/2009

AMORES PROIBIDOS

CENA 01 – APTO. DE PEDRO – QUARTO DE LENITA – INTERIOR – NOITE

Música [Crystal Ball – Pink]

Lenita está deitada na cama, chorando muito. Está totalmente desarrumada e desajeitada, arrasada. Vai chorando enquanto vai vendo as fotos do álbum de seu casamento. Lembra-se do dia de seu casamento:

CENA 02 – CASA DE PEDRO (NEW YORK) – SALA – INTERIOR – DIA

Há 20 anos atrás. Pedro entra em casa carregando Lenita, que está vestida de noiva, no colo. Estão muito felizes, os dois.

LENITA JOVEM
Pedro, seu louco! Me põe no chão!

PEDRO JOVEM
De jeito nenhum! Vou te levar
assim, no meu colo, até o quarto!
Sempre vi essa cena nos filmes e
não vou perder essa oportunidade!

LENITA JOVEM
Seu bobo!

Lenita e Pedro se beijam, apaixonados, e Pedro a leva para o quarto.
Corta.

CENA 03 – APTO. DE PEDRO – QUARTO DE LENITA – INTERIOR – NOITE

Lenita continua na cama, olhando seu álbum de fotos e encontra uma foto que tirou com Pedro num bar. Ela aparece grávida na foto. Lembra-se da ocasião:

CENA 04 – BAR – INTERIOR – NOITE

Pedro e Lenita estão sentados numa mesa. Lenita, grávida de uns 5 meses. Bebem suco e comem batata frita. Há uma câmera de fotos em cima da mesa.

LENITA JOVEM
Amor, temos que escolher o nome
do bebê!

PEDRO JOVEM
Deixa eu escolher?

LENITA JOVEM
Deixar, eu deixo! Mas vê lá o
nome que você vai por no nosso
baby!

PEDRO JOVEM
Eu já tenho um nome.

LENITA JOVEM
Qual é?

PEDRO JOVEM
John. É perfeito! Simples e
bonito. O que acha?

LENITA JOVEM
John? Ah! Não sei! Não é um nome
muito comum por aqui?!

PEDRO JOVEM
Mas e daí? Pode ser até comum,
mas você não pode negar que é um
nome bonito!

LENITA JOVEM
É sim. Eu gosto de John. Só tinha
pensado em outro… sei lá…
Bryan, talvez… Mas por que
John?

PEDRO JOVEM
Você vai rir se eu te falar?

LENITA JOVEM
Não! Fala!

PEDRO JOVEM
É que eu sou fã do John Travolta.
Desde aquele filme que ele fez,
que ele dançava o tempo todo.

Lenita começa a rir.

PEDRO JOVEM (ri também)
Eu sabia que você ia rir de mim.
Mas é verdade!

LENITA JOVEM
Não imaginava que você tinha
gostado tanto daquele filme! Mas
então, tá. O nosso filho vai se
chamar John. Sem Travolta, hein?

PEDRO JOVEM
Pára de me sacanear! Me da um beijo?

LENITA JOVEM
Quantos você quer? Só um?

Lenita e Pedro se beijam, apaixonadamente. Um garçom se aproxima.

GARÇOM
Querem beber mais alguma coisa?

PEDRO JOVEM
Eu não. E você, Lenita?

LENITA JOVEM
Também não.

PEDRO JOVEM
Você pode nos fazer um favor?

GARÇOM
Claro!

PEDRO JOVEM
Pode tirar uma foto nossa?

GARÇOM
Posso sim.

Pedro entrega a máquina de fotos para o Garçom, e faz pose para a foto junto com Lenita, os dois sorridentes. O garçom tira a foto e quando sai o flash, a imagem congela.

Corta.

CENA 05 – APTO. DE PEDRO – QUARTO DE LENITA – INTERIOR – NOITE

Música [Crystal Ball – Pink]

Lenita continua olhando a tal foto do bar, mas guarda todas as fotos, joga o álbum no chão e chora desesperadamente. Corta para:

CENA 06 – APTO. DE GABRIEL – QUARTO DE GABRIEL – INTERIOR – NOITE

Música [All we are – OneRepublic]

Pedro e Gabriel estão se beijando, os dois loucos de desejo. Se beijam como se estivessem desesperados um pelo outro. De repente, Gabriel para de beijar. Musica diminui.

GABRIEL
Espera!

Gabriel vai até à porta e a tranca e volta para junto de Pedro. Continuam se beijando. Sem parar de beijar um segundo, Pedro o joga na cama e ali ficam. Pedro, que já está nu, por cima de Gabriel. Se encaram.

PEDRO
Eu não sei o que tá acontecendo
comigo… Nem sei se eu devia
fazer o que eu to fazendo… Mas
eu só sei que você me deixa louco…

GABRIEL
Faz o que você quer fazer! Sem medo…

Música sobe. Pedro beija Gabriel mais um pouco. Depois de algum tempo beijando, Pedro tira a camisa de Gabriel e o ajuda a tirar a calça, ficando os dois nus. Pedro vai beijando todo o corpo de Gabriel, começando pelo pescoço e descendo por todo o abdômen. Gabriel, excitadíssimo. Pedro sobe e volta a beijá-lo e se atracam na cama, muitos beijos e amassos até que finalmente se amam, de maneira bem ardente. Os dois estão loucos de tesão e se encaram enquanto transam. Sussurram de prazer. Câmera lenta em Gabriel arranhando as costas de Pedro. Tela escurece.

Corta.

ABERTURA DA SÉRIE

CENA 07 – RIO DE JANEIRO – EXTERIOR – DIA

Música [O barquinho – Maysa]

Imagens da cidade. Um sol maravilhoso e praias lotadas.

CENA 08 – APTO. DE GABRIEL – SALA – INTERIOR – DIA

Maria e Antonio tomando café, arrumados para o trabalho. Antonio comendo rápido.

MARIA
Toma o café devagar, Antonio! Pra
que essa correria toda?

ANTONIO
Meu amor, hoje a gente tem muito
trabalho. Tem uns clientes que
ficaram de passar lá hoje pra dar
uma olhada em alguns carros,
enfim, não podemos perder essas
vendas!

MARIA
Calma, Antonio! Muito trabalho a
gente tem todo dia! Mas toma seu
café com calma senão você vai
acabar passando mal e aí não vai
poder atender cliente algum! Vai
perder a venda do mesmo jeito!

ANTONIO
Tá bom, tá bom! E a Letícia?
Daqui a pouco vou ter que demitir
ela!

Letícia vem do seu quarto, senta-se à mesa e vai se servindo.

LETICIA
Bom dia, pai! Bom dia, mãe! Que é
que você já tá falando aí, hein,
pai?

ANTONIO
Tava aqui comentando com a sua
mãe que to pensando seriamente em
te demitir.

LETICIA (não o leva a sério)
E por qual motivo?

ANTONIO
Porque você vive chegando
atrasada. Pensei que hoje você
nem iria trabalhar. Passou a
noite fora!

LETICIA
Ih, pai! Eu tava com o Edu, o meu
noivo, ta?! E você nunca iria me
demitir! Você sabe que eu sou a
cabeça daquela empresa. Ninguém
administraria aquilo lá melhor do
que eu.

ANTONIO
Agora você vê, Maria! Já tá se
achando já!

MARIA
Ah! Mas ela pode se achar! A
Letícia é ótima!

ANTONIO
Ah, filha! Falando de empresa e
tudo mais, acabei me lembrando de
uma coisa… Sabe o filho do
Pedro, o John?

LETICIA
O que tem ele?

ANTONIO
O Pedro andou conversando comigo
que seria bom pra ele trabalhar
na nossa empresa.

LETICIA
Na nossa empresa? Por que isso, pai?

ANTONIO
Porque ele é inteligente. A gente
podia aproveitá-lo. Ele fala
inglês e português perfeitamente.
Já podemos manter negócios com
gente lá de fora. O John é uma
mina de ouro! É um garoto
excepcional! Dá pra ver isso de
longe! Ele só precisa de um
incentivo!

LETICIA
E você acha que nós é que temos
que dar esse incentivo pra ele?

ANTONIO
Claro! E por que não daríamos?
Por que? Você não gostou da
ideia?

LETICIA
Sei lá, pai. Não acho uma boa
ideia. Pra dizer a verdade, eu
nem fui muito com a cara dele.
Mas você que sabe.

MARIA
Não implica com o John, Letícia.
Ele nunca te fez nada!

LETICIA
Tá bom. Façam o que quiserem. Eu
não vou me meter nisso! Agora,
deixem eu tomar meu café em paz!

ANTONIO (debochando)
Ih, acordou nervosinha!

Letícia somente ri e toma seu café. Antonio e Maria ficam conversando.

MARIA
E o Pedro? Será que ele vai
acordar melhor? Ontem ele tava um
caco!

ANTONIO
Pois é, nem me fale! Coitado do
Pedro! Ele não merecia tá
passando por tudo isso. Acho que
ele precisa de alguém, sabe? Um
novo amor! Nada do que uma nova
mulher na vida de um homem pra
resolver os problemas dele!

MARIA
Então, você acha que é assim que
se resolve um problema no
casamento? Arrumando mulher na
rua? Então eu to cheia de chifre,
né! Se você tem essa teoria…

ANTONIO
Você não, meu amor! Eu nunca
precisei de uma nova mulher
porque eu tenho a melhor mulher
do mundo do meu lado!

MARIA
Me engana que eu gosto…

ANTONIO
Você sabe que é verdade. Mas
agora, falando sério… o Pedro
tá muito mal. Depois vou
conversar com ele sobre os
problemas que ele tá passando com
a Lenita. Mas outra hora, com
calma! Deixa ele dormir, ele
precisa descansar.

LETICIA
Como assim? Do que vocês tão
falando?

MARIA
É que o Pedro tá dormindo lá no
quarto do Gabriel. Ele teve uma
briga com a Lenita.

LETICIA
Ah tá.

ANTONIO
E o Gabriel? Deu sinal de vida?

MARIA
Deve tá dormindo lá no quarto
também. Você não foi lá no quarto ver?

ANTONIO
A porta tá trancada. Deve ser por
causa do ar condicionado. Deixa
eles descansarem. (olha o relógio
de pulso) Garotas, sinto
informar-lhes, mas é hora de ir
pro trabalho!

MARIA
Vamos.

Antonio e Maria se levantam. Rita, a empregada, vem recolher as louças sujas.

LETICIA
Pai, vai indo na frente. Daqui a
pouco eu to lá!

ANTONIO
Tudo bem. Mas não demora!

Antonio e Maria saem. Letícia termina de tomar seu café.

Corta para:

CENA 09 – APTO. DE PEDRO – QUARTO DE JOHN – INTERIOR – DIA

John está sentado na cama, vestido com uma bermuda, uma camiseta que deixa a amostra o seu braço, meio definido, e está terminando de por o tênis, quando Lenita entra. Lenita está um pouco abatida.

LENITA
Bom dia, filho!

JOHN
Bom dia! Tudo bem?

LENITA
Não, John. Não ta nada bem. Mas
depois eu converso com você…
Não queria falar disso agora.

JOHN
É o meu pai, não é?

LENITA
É sim, John. Eu o expulsei de
casa. Só que eu to arrependida.
To sofrendo demais… Eu não
consigo viver sem o Pedro!

Lenita tenta se controlar, mas não consegue e desaba a chorar.

JOHN
Senta aqui, mãe!

Lenita se senta na cama, ao lado de John. John limpa as lágrimas de Lenita.

JOHN
Não chora! Não adianta chorar se
foi você quem mandou ele embora!
Vai atrás dele e pede pra ele
voltar. Se isso for te fazer
feliz, é o que você deve fazer.

LENITA
Eu nem sei pra onde ele foi…
Desculpa, filho! Eu não quero te
alugar com os meus problemas.
(observa John) Por que você tá
vestido desse jeito?

JOHN
Eu vou caminhar um pouco pela
praia. Todo mundo vai! Deve ter
algo de bom nisso!

LENITA (sorri)
Fico feliz que você tenha
decidido aproveitar a cidade!

JOHN
Vem comigo, mãe!

LENITA
Não! Vai você sozinho! Você vai
ver como caminhar pela praia de
Copa é algo maravilhoso! Eu vou
ficar aqui mesmo com o meu
sofrimento…

JOHN
Tenta ficar bem. Eu não demoro.

John se levanta e da um beijo na testa de Lenita. Caminha até a porta, mas de repente para e se vira para Lenita.

JOHN
Fica tranqüila, mãe. Ele vai
voltar.

LENITA
Como você pode saber?

JOHN
Ele sempre volta.

John fala isso e sai. Lenita fica pensando no que acabou de escutar. Corta para:

CENA 10 – CONDOMINIO COPA – CORREDOR / ELEVADOR – INTERIOR – DIA

John sai de casa e Letícia sai segundos após. Se encaram, mas Letícia está sem graça.

JOHN
Oi, Letícia!

Letícia não tira os olhos do corpo de John, mas tenta disfarçar.

LETICIA
Oi, John! Ta tudo bem com você?

JOHN
Ta tudo ótimo. Melhor agora que
eu to falando com você.

LETICIA
Para, John! Por favor! (muda de
assunto) Então, vai caminhar um
pouco?

JOHN
Isso aí.

LETICIA
Não sabia que você caminhava.
Nunca te vi vestido assim. Sempre
te vi com roupas mais largas e
cobertas…

JOHN
Pois é. Mas morando no Rio eu to
mudando um pouco meu modo de
vestir. Tenho que ficar mais ou
menos como um carioca, né? Pelo
menos assim, eu não sou visto
como “o gringo”!

LETICIA
Entendi.

JOHN
E você? Indo pro trabalho?

LETICIA
Isso mesmo.

Se entreolham. Estão os dois sem graça.

LETICIA
Você não vai chamar o elevador?

JOHN
Ah é! Claro! Eu tinha me
esquecido.

John chama o elevador.

JOHN
Mas diz aí… Você trabalha em que?

LETICIA
Eu trabalho com o meu pai. Eu
administro todas as concessionárias que ele tem aqui no Rio.

JOHN (pensativo)
Interessante!

O elevador chega. John abre a porta do elevador, deixando Letícia passar primeiro e entra logo após. As portas se fecham. Estão os dois novamente em silencio, sem assunto. John, repentinamente, aperta um botão e para o elevador. Letícia se surpreende.

LETICIA
Por que você fez isso?

JOHN
Eu não to aguentando mais. Eu
preciso fazer isso.

LETICIA
Fazer o que?

Música [We are broken - Paramore]

John beija Letícia, segurando seus cabelos com força. Letícia tenta resistir, mas sua expressão mostra que ela está louca de desejo. John encosta Letícia na parede do elevador e ali se beijam e se amassam. Depois de alguns instantes, Letícia para de beijar. Musica diminui.

LETICIA (sem forças para resistir)
Não faz isso comigo, John! Por
favor! Não faz isso!

JOHN
Você não precisa fazer nada que
você não queira.

LETICIA
Esse é o problema. Eu quero…

Musica sobe. Voltam a se beijar, ardentemente. Depois de algum tempo, Letícia para de beijar novamente. Musica diminui.

LETICIA
Mas eu não posso! (mostra a
aliança) Eu sou noiva!

Letícia aperta o tal botão que John tinha apertado e o elevador volta a descer. Vão se ajeitando os dois. O elevador chega ao térreo e as portas se abrem. Há alguns moradores esperando para entrar no elevador. Letícia e John saem do elevador.

JOHN
Bom trabalho pra você! A gente se
fala hoje a noite!

LETICIA
A gente não se fala nem hoje a
noite nem dia nenhum! Ouviu bem?
Eu vou embora que eu tenho mais o
que fazer!

Letícia sai em direção à garagem. John fica admirando ela se afastar, com um leve sorriso no canto da boca.

Corta para:

CENA 11 – APTO. DE GABRIEL – QUARTO DE GABRIEL – INTERIOR – DIA

Pedro e Gabriel estão dormindo “de conchinha”, de modo que Gabriel está com os braços sobre Pedro e Pedro está de costas para Gabriel. Estão nus os dois, mas há uma coberta que os cobre até a cintura. De repente, Pedro abre os olhos. Vai acordando aos poucos. Percebe o braço de Gabriel sobre o seu corpo. Tira o braço de Gabriel cuidadosamente e senta-se na cama. Leva as mãos à cabeça, como se estivesse preocupado. Observa Gabriel, que continua dormindo. Olha um relógio que há na mesa de cabeceira e chama Gabriel, que acorda.

PEDRO
Gabriel! Gabriel!

GABRIEL (sonolento)
Que foi?

PEDRO (preocupado)
Acorda! Olha a hora! Já
amanheceu! E se teus pais entram
aqui e nos veem assim?!

GABRIEL
Relaxa, Pedro! (olha o relógio) A
essa hora meus pais já foram
trabalhar. E eles nunca entrariam
aqui. A porta ta trancada, eu
mesmo cuidei disso ontem. Não
lembra?

PEDRO
Mas a gente tá muito tempo aqui
dentro. Só a gente! Eles podem
pensar besteira!

GABRIEL
Eles não vão pensar nada! Fica
tranquilo!

PEDRO
Você que sabe… Só fiquei
preocupado por causa da hora. To
com uma fome! E você?

GABRIEL
Também to. Depois a gente toma
café. (sorri – muda de assunto)
Nem to acreditando!

PEDRO
No que?

GABRIEL
No que aconteceu… É tão bom te
ver aqui! Só assim eu tenho a
certeza de que não foi um sonho.

PEDRO
Pra mim é tudo tão diferente. Eu
nunca tinha feito isso antes,
Gabriel. Eu me sinto estranho.
Sei lá…

GABRIEL
Por que?

PEDRO
Eu sinto como se eu tivesse feito
algo errado, sabe? É uma sensação
muito estranha…

GABRIEL
Olha pra mim, Pedro! E presta bem
a atenção no que eu vou te dizer!
Não há nada de errado! O que a
gente fez não é errado! Sabe por
que? Porque a gente não ta
fazendo mal a ninguém. Errado é
matar, roubar, prejudicar os
outros! Amar um homem não é
errado! Errado é achar que todos
temos que ser iguais ou achar que
o que é diferente é errado.
Errado é o julgamento das
pessoas.

PEDRO
Pode ser que você esteja certo.
Mas não é tão simples assim pra
mim.

GABRIEL
Não fica pensando nisso. Só curte
o momento. Tipo esse…

Gabriel se aproxima de Pedro e o beija.

PEDRO (sorri)
Pára de me provocar! Você não
cansa nunca?

GABRIEL
Me cansar? Você ainda não viu nada!

Pedro puxa Gabriel para si e se beijam mais um pouco. Depois, Pedro se levanta.

PEDRO
Vou tomar um banho rapidinho.

GABRIEL
Vai lá.

Música [All we are – OneRepublic]

Pedro vai para o banheiro, que fica dentro do quarto de Gabriel. Deixa a porta aberta e ouve-se quando ele abre o chuveiro. Gabriel fica deitado na cama, olhando em direção ao banheiro. Corta rápido para:

CENA 12 – APTO. DE GABRIEL – BANHEIRO DO QUARTO DE GABRIEL – INTERIOR – DIA

A mesma música. Pedro tomando banho, passando sabonete no corpo. Gabriel surge na porta do banheiro e vê Pedro tomando banho. Pedro, que não o tinha visto, agora o percebe e sorri para Gabriel.

PEDRO (provocante)
Vem tomar banho comigo, vem!

Gabriel entra no box e os dois se beijam debaixo do chuveiro. Muitos beijos e amassos. E tudo começa novamente… Imagem escurece. Corta para:

CENA 13 – PRAIA – EXTERIOR – DIA

Música [We are broken - Paramore]

John caminhando pela praia de Copacabana, mas
pensando em Letícia, mais especificamente, na primeira vez
em que se beijaram.

FLASHBACK DA CENA 04 DO EPISODIO 08:

LETICIA
Me solta, seu louco! Me solta! Se
você não me largar agora eu vou
começar a gritar aqui! Quem você
pensa que é pra fazer isso? Você
passou de todos os limites!
(grita) Me solta!

JOHN
Pára de gritar! Ninguém vai
ouvir! Eu só to fazendo isso
porque eu sei que no fundo você
também quer…

John beija Letícia, segurando-a pela cintura e também pela pescoço. Letícia no inicio do beijo reluta, batendo um pouco em John, mas depois não resiste mais e se entrega ao beijo ardente.

FIM DESTE FLASHBACK.

JOHN (fala sozinho)
Você vai ser minha, Letícia!
John continua sua caminhada. Está feliz. Música sobe.
Corta para:

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continuação: EPISÓDIO 10 – A PRIMEIRA NOITE DE AMOR

Publicado por amoresproibidos em 04/08/2009

CENA 14 – APTO. DE BRUNO – QUARTO DE BRUNO – INTERIOR – DIA

Bruno acorda com o despertador tocando. Desliga o despertador e senta-se na cama. Fica pensando sobre o que aconteceu na noite anterior:

CENA 15 – BOATE – INTERIOR – NOITE

Música [Can’t stop loving you – Fellipe Guerra feat. Lorena Simpson]

Bruno, Gabriel e Henrique dançando quando um cara (Felipe) se aproxima de Bruno.

FELIPE
Tá sozinho?

BRUNO
Sozinho? Não! To com meus amigos!

FELIPE
Não é exatamente disso que eu to
falando…

BRUNO
Então eu não sei do que você ta
falando!

FELIPE
Você é sempre assim? Difícil?

BRUNO
E você é sempre assim?
Insistente?

FELIPE
Sempre. Quando eu quero alguém,
faço de tudo pra conseguir.

BRUNO
Bom saber. Gosto de quem é
determinado.

FELIPE
Felipe! (aperta a mão de Bruno)
E o seu?

BRUNO
Me chamo Bruno.

FELIPE
Adoro esse nome. Já fiquei com
vários Brunos.

BRUNO
Então você pode colocar mais um
na sua lista…

FELIPE
Só se for agora!

Felipe agarra Bruno e o beija. Corta. (Fim desta lembrança…)

CENA 16 – APTO. DE BRUNO – QUARTO DE BRUNO – INTERIOR – DIA

Bruno ainda na beira da cama, observando no seu celular o numero de Felipe, quando Denise (sua mãe) entra.

DENISE
Oi, meu filho! Bom dia! Não vem
tomar café com a gente? Seu pai
ta indo viajar, vem!

BRUNO
Já to indo, mãe.

DENISE
Vem logo, então.

Denise sai e Bruno põe o celular na cama. Corta para:

CENA 17 – APTO. DE BRUNO – SALA DE JANTAR – INTERIOR – DIA

Há uma maravilhosa mesa de café da manhã e estão na mesa Denise e Otávio (pai de Bruno), que está de terno. Há uma mala no chão, perto da mesa. Bruno chega e senta-se à mesa.

BRUNO
Bom dia, pai!

OTAVIO
Bom dia, filho! Não vai dar um
abraço no seu pai?

BRUNO
Claro!

Bruno levanta e abraça Otavio.

OTAVIO
Agora sim pode tomar seu café! A
gente quase não se vê… e eu me
sinto muito mal por isso.

BRUNO
Que isso, pai! Tá tranquilo. Eu
sei que é por causa do seu
trabalho.

Bruno senta-se novamente.

DENISE
Otavio sempre trabalhou muito.
Desde menino!

OTAVIO
Dei muito duro mesmo. Mas graças
a Deus e ao trabalho árduo, hoje
temos esse apartamento
maravilhoso e a vida que sempre
quisemos. Agora tenho que
continuar trabalhando pra manter
tudo isso, né?

BRUNO
Minha mãe comentou que você ta
indo viajar, pai. Pra onde?

OTAVIO
To indo pra Porto Alegre fechar
um contrato. Daqui a três dias eu
to de volta. Alias, nem posso
demorar porque senão perco o voo!

DENISE
Você vai sair hoje, Bruno?

BRUNO
Não pretendo não. Por que?

DENISE
É que teu pai tá indo viajar e eu
vou pra casa de uma amiga minha.
Já to devendo uma visita a ela há
muito tempo. Vou passar o dia
todo lá. Só to te avisando porque
se você for ficar em casa, terá
que tomar conta de tudo sozinho.
A empregada veio, preparou o café
mas acabou tendo um problema com
um parente dela e eu a liberei.

BRUNO
Eu fico tomando conta da casa.
Sem problemas.

DENISE
Não precisa ficar! Só to te
avisando que não vai ter ninguém
em casa. Na verdade eu até
prefiro que você arranje alguma
coisa pra fazer. Não gosto de te
deixar sozinho em casa!

OTAVIO
E qual o problema?

BRUNO (chateado)
O problema é que ela ainda me
trata como se eu fosse uma
criança.

DENISE
Não é isso. Eu só me preocupo!
Vocês tinham que ser mãe algum
dia pra saber do que eu to
falando!

OTAVIO
Para de drama, Denise! O Bruno já
é adulto!

Otavio olha seu relógio de pulso e se preocupa.

OTAVIO
Bom, eu já tenho que ir. Tchau, filho!

Otavio se levanta e beija Bruno na testa e Denise na boca.

DENISE
Tchau, meu amor! Liga quando
chegar lá, tá bom?

OTAVIO
Pode deixar que eu ligo!

Otavio sai. Denise se levanta, fecha a porta e volta para a mesa.

DENISE
Deixa eu terminar de tomar meu café…

Corta para:

CENA 18 – CASA DE ALICIA – QUARTO DE HELENA – INTERIOR – DIA

Helena dormindo quando Alicia entra e caminha até a cama. Fica observando Helena, que dorme feito um anjo. Senta-se a cama. Helena se mexe um pouco e acaba abrindo os olhos ao abrir, encontra Alicia.

HELENA
Oi, filha! Que foi? Aconteceu
alguma coisa?

ALICIA
Não aconteceu nada. Eu que vim
aqui te ver. Na verdade, vim aqui
pra saber do jantar de ontem com
o seu ex-namorado. Mas você tava
aí dormindo tão bem que eu não
tive nem coragem de te acordar!

HELENA
Ai, filha! O jantar foi horrível!

ALICIA
Horrível como, mãe? Me conta!

HELENA
Nem teve jantar nenhum. Você
acredita? Eu cheguei no
restaurante e a gente conversou
um pouco, escolhemos o que íamos
comer e tudo. Mas logo depois
chegou a mulher dele e ela fez o
maior escândalo. Derrubou a
toalha da mesa que nós estávamos,
jogando tudo o chão. Ela me
pareceu ser uma louca, ciumenta,
descontrolada! E ele muito sem
graça, teve que voltar pra casa.
A gente vai tentar se encontrar
outra vez.

ALICIA
Caramba! Mas então o cara é
casado?

HELENA
Ele é. Mas não tinha nada demais.
Só estávamos num restaurante e
segundo ele mesmo, a mulher dele
estava ciente do tal jantar. Ela
fez aquele escândalo todo porque
ela quis fazer mesmo! Ela faz o
tipo de que faz escândalo por
tudo! Odeio gente assim!

ALICIA
Poxa, que pena!

HELENA
Mas ta tudo bem. Pelo menos eu e
o Pedro pudemos conversar um
pouco depois de tanto tempo.

ALICIA
Depois me apresenta esse tal de
Pedro, hein!

HELENA
Eu te apresento sim. Pode deixar.

ALICIA
Só quero ver, hein! Tenho que ir.
Tenho aula de dança daqui a 20
minutos e eu não posso chegar
atrasada.

HELENA
Vai lá, meu amor.

Alicia abraça Helena, a beija no rosto e sai. Corta para:

CENA 19 – APTO. DE GABRIEL – QUARTO DE GABRIEL – INTERIOR – DIA

Pedro está pondo uma bermuda e uma camiseta. Gabriel já está vestido.

PEDRO
Eu tenho que voltar pra casa. Eu
discuti feio com a Lenita. Ela me
colocou pra fora de casa, mas
isso não tá certo! Se ela quer o
divorcio, ela vai ter. Mas o
apartamento também é meu e ela
não pode me expulsar!

GABRIEL
Conversa com ela com calma. Pensa
no que vai ser melhor pra você.

PEDRO
Eu já sei o que vai ser melhor
pra mim. Não quero mais ficar
nesse casamento. Chega! Não
aguento mais!

Pedro já acabou de se vestir.

PEDRO
Vou indo lá!

GABRIEL
Espera! E quando a gente vai se
ver de novo?

PEDRO
Quando você quiser.
É só me ligar.

Pedro da um beijo tipo “selinho” em Gabriel e o abraça forte. Pega a sua mala e sai.

GABRIEL
Tchau!

Pedro já saiu.

Música [I’d like to – Corinne Bailey Rae]

Gabriel pega o celular e disca para Bruno. Corta rápido para:

CENA 20 – APTO. DE BRUNO – QUARTO DE BRUNO – INTERIOR – DIA

A mesma música.

Celular de Bruno tocando enquanto Denise fala com ele.

DENISE
Tchau, filho. Cuida bem da casa hein!

BRUNO
Tá bom, mãe. Vai com Deus!

Denise sai. Bruno atende o celular. Os dois conversando.

BRUNO
Oi, amigo!

GABRIEL
Amigo, você não sabe o que
aconteceu!!

BRUNO
O que? Conta!

GABRIEL
Você não vai acreditar…

Música sobe. Continuam conversando. Close em Bruno, boquiaberto com o que está ouvindo. Corta para:

CENA 21 – APTO. DE PEDRO – SALA – INTERIOR – DIA

Pedro abre a porta e entra. Lenita vem do quarto. Está calma.

LENITA
Que bom que você voltou! Já tava
ficando preocupada!

PEDRO (não entende)
Como é que é? Você tava
preocupada? Que brincadeira é
essa, Lenita? Você mesmo me
mandou embora! E agora vem dizer
que tava preocupada?!

LENITA
Me perdoa! Por favor! Olha, eu
errei! Tava de cabeça quente! Eu
não devia ter feito o que eu fiz!

PEDRO
Eu já to de saco cheio das suas
desculpas! É sempre assim! Você
faz o que você quer e depois vem
pedir desculpas! Como se somente
isso adiantasse…

Lenita se aproxima de Pedro e tenta beijá-lo, mas ele vira o rosto. Lenita se ressente.

LENITA
Você não vai me beijar?

PEDRO
Não! Nem hoje nem nunca mais.
Acabou tudo entre a gente. O
nosso casamento não tem mais
jeito! Eu quero o divórcio!

Música marca. Lenita está sem chão.

LENITA (se desespera)
Divorcio? Não! Não pode ser
assim! Deve ter outro jeito! Tem
que ter outro jeito da gente
resolver os nossos problemas! Eu
não quero o divórcio! Eu não
aceito essa separação!

PEDRO
Lenita, por favor! Colabore! Eu
não quero brigar mais! A gente
resolve isso rapidamente. A gente
volta pra Nova York e entramos na
justiça com o pedido de divorcio.
Quero que seja um processo rápido
pra que cada um possa seguir a
sua vida.

LENITA
Não!! Eu não aceito isso! Não é
possível que você não sinta mais
nada por mim! Por que, Pedro?
Você tem alguém? Tem outra mulher
na historia, não tem? É a Helena,
não é?

PEDRO
Não tem nada disso, Lenita. O
problema somos nós! Não dá mais!
A gente briga o tempo todo. E não
é de hoje!

LENITA
Mas quantos casais não brigam,
Pedro! Isso é normal! É até
saudável! Um casamento sem brigas
é sem graça, não há o mínimo de
amadurecimento da relação!

PEDRO
Olha o absurdo que você tá
falando! Eu só voltei pra te
avisar isso. Vou ligar pro meu
advogado amanhã mesmo!

LENITA
Você não pode fazer isso! Não sem
eu concordar! E eu to te avisando
que eu não vou assinar o
divórcio!

PEDRO
Por que você sempre complica
tudo?

LENITA
Eu não to complicando nada. Eu só
acredito no nosso amor.

PEDRO
Que amor, Lenita? Que amor?

LENITA
Eu te amo, Pedro. Será que você
não enxerga que se eu só faço
burrada é por causa de você? Eu
te amo mais que tudo nessa vida.
Eu preciso de você do meu lado.

PEDRO
Isso não é amor. Isso é doença!

Lenita chora.

LENITA
Você chama o meu amor de doença
porque você não sente mais nada
por mim! É por isso! Claro! Não
se pode amar sozinho! O amor tem
que ser recíproco. Pelo menos é
isso que a gente espera de um
casamento. Quando foi que você
deixou de me amar? Hein, Pedro!
Quando foi?

PEDRO
Você só tá tornando as coisas
mais difíceis! Eu já falei tudo o
que eu tinha pra te falar! To
indo embora!

Lenita se desespera e se ajoelha diante de Pedro, impedindo a sua passagem.

LENITA
Não vai embora! Fica aqui! Por
favor!

PEDRO
Levanta, Lenita! Isso tá
ridículo!

LENITA
Se você quiser, eu peço desculpas
a Helena pelo o que eu fiz ontem.
Me perdoa, meu amor! Me da mais
uma chance! Só mais uma chance!
Eu vou te mostrar que eu sou
capaz de mudar e que eu posso te
fazer feliz. Me da mais uma
chance, por favor!

Pedro levanta Lenita e fica segurando-a firme pelos braços. Encaram-se. Pedro também tem lágrimas nos olhos, mas as segura ao máximo.

PEDRO
Quantas vezes você já não me
disse isso?! Quantas vezes eu não
acreditei?! Por que eu to aqui no
Brasil? Por você! Porque o que eu
mais queria era que a gente se
entendesse! Mas to quase
convencido de que é um sonho a
gente voltar a ser feliz como
éramos no inicio do nosso
casamento! A gente tinha tudo pra
dar certo. Tudo!

LENITA
Ainda pode dar. Me da mais uma
chance que eu te mostro!

Pedro fica pensativo, está hesitante. Seus olhos cheios de lágrimas, mas tenta segurá-las. Larga Lenita e anda de cabeça baixa pela sala, de um lado para o outro. Mudo e ao mesmo tempo inquieto. Decide-se e se aproxima de Lenita.

PEDRO
Tá bom. Eu fico.

Música [Mercy – OneRepublic]

Lenita chora de felicidade e abraça Pedro, que tem um olhar distante, pensativo. Depois do abraço, Pedro encara Lenita, meio abatido.

PEDRO
Preciso ficar um pouco sozinho.

LENITA
Tudo bem.

Pedro pega a mala e vai para o quarto. Corta rápido para:

CENA 22 – APTO. DE PEDRO – QUARTO DE LENITA – INTERIOR – DIA

A mesma música. Pedro entra e fecha a porta. Joga a mala num canto e senta-se na cama. Leva as mãos ao rosto e chora muito, de maneira desesperadora. Corta para:

CENA 23 – APTO. DE GABRIEL – SALA – INTERIOR – DIA

Gabriel vem do quarto e senta-se à mesa para tomar café da manhã. Rita põe uma xícara na mesa.

GABRIEL
Bom dia, Rita!

RITA
Bom dia!

GABRIEL
Todo mundo já saiu?

RITA
Já foi todo mundo pro trabalho.

GABRIEL
E o Pedro? Não tomou café quando
saiu?

RITA
Eu ofereci, mas ele não quis.
Posso arrumar o seu quarto agora?

GABRIEL
Tudo bem. Pode ser.

RITA
Com licença.

Rita sai em direção ao quarto de Gabriel. Gabriel fica alguns instantes parado, lembrando da sua noite com Pedro.

FLASHBACK DA CENA 12 DESTE EPISODIO:

Música [All we are – OneRepublic]

Pedro tomando banho, passando sabonete no corpo. Gabriel surge na porta do banheiro e vê Pedro tomando banho. Pedro, que não o tinha visto, agora o percebe e sorri para Gabriel.

PEDRO (provocante)
Vem tomar banho comigo, vem!

Gabriel entra no box e os dois se beijam debaixo do chuveiro. Muitos beijos e amassos. Corta.

FIM DESTE FLASHBACK.

Gabriel continua tomando seu café, tranquilamente, quando de repente se lembra de algo.

GABRIEL (desesperado)
A camisinha tá no lixo!

Gabriel levanta correndo e vai em direção ao seu quarto.

Corta rápido para:

CENA 24 – APTO. DE GABRIEL – QUARTO DE GABRIEL / BANHEIRO – INTERIOR – DIA

Música de suspense. Rita termina de fazer a cama e vai tirar o lixo do banheiro do quarto de Gabriel, quando de repente vê dentro da cesta de lixo uma camisinha usada. Rita já entendeu o que aconteceu e fica chocada.

RITA
Meu Deus! Não pode ser!

Neste momento, chega Gabriel, apressado e nervoso. Tenta disfarçar.

GABRIEL
Rita!

Rita também se assusta ao ver Gabriel ali. Se encaram por alguns instantes. Música marcando.

GABRIEL
Deixa que eu jogo o lixo pra
você!

Rita fica olhando para Gabriel, incrédula; mas tenta disfarçar e mostrar naturalidade.

RITA
Claro. Você é que sabe! Só
faltava o lixo do banheiro mesmo.
A cama já tá arrumada. Com
licença.

Rita o encara mais uma vez e sai. Gabriel vai até a cesta de lixo, retira o saco e o amarra. Gabriel respira aliviado.

GABRIEL
Graças a Deus! Acho que ela não
viu nada…

Música marca. Corta para:

CENA 25 – APTO. DE BRUNO – SALA – INTERIOR – DIA

Tocam a campanhia. Bruno abre a porta e é Felipe.

BRUNO
Entra!

Felipe entra e Bruno tranca a porta.

FELIPE
Tem certeza que ninguém vai
chegar?

BRUNO
Tenho. Meu pai viajou e minha mãe
vai passar o dia todo fora. Temos
o dia todo e a casa inteira só
pra gente.

FELIPE (malicioso)
Bom saber.

Música [One of the boys – Kate Perry]

Felipe puxa Bruno pela cintura e o beija. Bruno tira a camisa e Felipe também e continuam se beijando. Bruno alisa o abdômen de Felipe enquanto vai beijando o seu pescoço. Bruno encosta Felipe na parede e vai beijando todo o abdômen de Felipe e vai descendo perigosamente até ficar abaixado na direção da calça de Felipe. Bruno então, tira a calça de Felipe, que fica só de cueca. Bruno olha para Felipe, que delira de tanto tesão. Música diminui.

FELIPE
Você é rápido, hein!

BRUNO
Eu não tenho tempo a perder… E
você?

Música sobe. Felipe só abre um sorriso. Close em Felipe da cintura para cima (não vemos o que Bruno está fazendo, mas vemos que Felipe está gostando e muito pelas caras que faz). Corta para:

CENA 26 – RUA – EXTERIOR – DIA

Otavio está dentro de um táxi, super nervoso. Conversa com o taxista.

OTAVIO
Você faz planos mas não adianta
nada! Sempre dá algo errado!

TAXISTA
Que foi, doutor?

OTAVIO
Esqueci a merda de um documento
importantíssimo em casa. Você
pode retornar? A gente passa na
minha casa rapidinho. Você me
espera e me leva pro aeroporto.

TAXISTA
O senhor é quem manda!

O táxi faz o retorno e segue para o apartamento de Otávio.

Música marca.

CENA 27 – APTO. DE BRUNO – QUARTO DE BRUNO / SALA – INTERIOR – DIA

TÁXI

Música [One of the boys – Kate Perry]

Em câmera lenta, Bruno e Felipe amam-se. Algo muito intenso. Muitos beijos, amassos e arranhões. Bruno e Felipe gemem bastante e alto. Corpos suados. Música cessa. Simultaneamente, Otavio chega em casa e procura pela sala o seu documento. O acha em cima de uma estante. Quando está prestes a sair, ouve gemidos vindo do quarto de Bruno. Outra música (de suspense) marcando. Otavio vai andando até o quarto de Bruno e fica ouvindo atrás da porta (a porta está fechada, mas não trancada). Otavio ouve atentamente e só escuta-se gemidos masculinos. Otavio está nervosíssimo. Pensa, hesita um pouco e finalmente, mete a mão na maçaneta da porta e a abre. E ao abrir a porta, o choque de Otavio, que encontra Bruno e Felipe transando na cama (que também se surpreendem ao ver Otavio ali e se desvinculam rapidamente). Bruno se cobre com um edredom. Felipe está muito sem graça. Otavio está furiosíssimo.

OTAVIO (grita, furioso e perplexo)
Bruno!! O que é isso??

BRUNO (surpreso)
Pai?!

Encaram-se. Olhares sucessivos entre Bruno e Otavio.

Música marca. Corta.

FIM DESTE EPISODIO
CRÉDITOS FINAIS

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EPISÓDIO 9 – O ASSASSINATO

Publicado por amoresproibidos em 10/07/2009

Assassinato

CENA 01 – ESCOLA DE DANÇA – SALA DE DANÇA – INTERIOR – DIA

Música. [Leona Lewis - Run]

Alicia está dançando conforme sua professora lhe vai ensinando. Há outros alunos também. Várias coreografias, que a professora vai ensinando e que os alunos vão repetindo. Ficamos com Alicia por alguns instantes. Do lado de fora no vidro, está Fernando, que a observa atentamente.

PROFESSORA DE DANÇA (para a música)
Gente, por hoje já tá bom. Amanhã
a gente continua. Rafael e
Tereza, muito boa a execução de
vocês! Tão de parabéns! E Alicia,
tá ótima a sua abertura de perna!
Muito bom mesmo! Podem ir!

Todos os alunos pegam suas bolsas que estão num canto da sala e vão saindo da sala de dança. Alicia vai andando e Fernando não está mais ali, está escondido e observa Alicia se afastando. Corta rápido para:

CENA 02 – ESCOLA DE DANÇA – LANCHONETE – EXTERIOR – DIA

Alicia vai até o balcão da lanchonete.

ALICIA
Me “ve” um suco de laranja. Bem
gelado, por favor!

Alicia senta numa das mesas que há por ali. Fernando continua observando-a de longe, até que finalmente cria coragem e vai até ela.

FERNANDO
Alicia!

Alicia se vira e dá de cara com Fernando. Está surpresa.

ALICIA
Você?! O homem do ônibus… O que
faz aqui? É Roberto, o seu nome,
não é?

FERNANDO (hesita um pouco)
Não. Meu nome não é Roberto. Eu
menti pra você. Meu nome é Fernando.

ALICIA
Fernando?! E por que mentiu,
Fernando? Vergonha do próprio
nome?
FERNANDO (ri um pouco)
Antes fosse…

ALICIA
Senta aí!

Fernando se senta. Está nervoso, meio constrangido.

ALICIA
E então? Bebe alguma coisa?

FERNANDO
Não, brigado.

ALICIA
Eu te fiz uma pergunta e você não
me respondeu. O que faz aqui? Não
vai me dizer que você também
dança?

FERNANDO
Não, eu não danço.

ALICIA
Então… não há motivos pra você
estar aqui…

FERNANDO
É. Talvez não haja mesmo…

ALICIA (muda o tom repentinamente – um pouco ríspida)
Olha aqui! Eu não sou idiota!

FERNANDO
Do que você tá falando?

Neste momento, o garçom traz o suco que Alicia havia pedido.

ALICIA (p/ o garçom – tom cordial)
Brigada!

O garçom sai. Alicia retorna com Fernando no mesmo tom meio agressivo de antes.

ALICIA
Você acha que eu sou boba? Você
me seguiu. Desceu do ônibus e me
seguiu. O que você quer? Gratidão
você já tem. Afinal, você me
livrou de um assalto! Mas é só
isso! Eu não sou esse tipo de
mulher que você tá achando que eu
sou!

FERNANDO (se altera também)
E eu não sou o tipo de homem que
você acha que eu sou! Como é que
você pode julgar os outros dessa
maneira? Então, eu não posso
conversar com você que significa
que eu to interessado? É isso?

ALICIA (um pouco mais calma)
Desculpa! Mas é que… sei lá.
Tem tanto louco nesse mundo!
Fernando começa a rir. Alicia não entende.

ALICIA
O que foi? Por que tá rindo?

FERNANDO
Você é igual a sua mãe. Até no
modo de falar.

ALICIA (surpresa)
Igual a minha mãe? Perai! Você
conhece a minha mãe?

FERNANDO
Conheço.

ALICIA (volta a ficar nervosa)
De onde? Que brincadeira é essa?
Você entra no ônibus que eu to,
me livra de um assalto, mente
sobre o próprio nome, me segue
até aqui e agora diz que conhece
a minha mãe… Quem é você
afinal?

FERNANDO
Eu sou o seu pai.

Música marca. Reação de Alicia, que está chocada.
CENA 03 – ESCOLA DE DANÇA – LANCHONETE – EXTERIOR – DIA

Continuação da cena anterior.

ALICIA
Não pode ser! Você tá de
brincadeira comigo! Você só pode
tá brincando!

FERNANDO
Eu não to brincando, Alicia. Eu
sou o seu pai. O pai que ficou
longe de você por 18 anos. Você
era uma garotinha quando eu te vi
pela ultima vez.

ALICIA
Você não é meu pai! Meu pai tá
preso! A minha mãe me disse. Ele
tá preso.

FERNANDO
E o que mais a tua mãe te disse,
hein, Alicia?! A tua mãe não é a
pessoa mais confiável desse
mundo. Aposto que ela inventou
varias historias a meu respeito.
Aposto que ela deve ter te
envenenado contra mim! O que mais
a tua mãe te contou?

ALICIA
Que meu pai tá preso. E que ele é
um assassino!

FERNANDO
Claro. Chegamos ao ponto central
da história. O assassinato! Pois
fique sabendo que a sua mãe te
enganou! Eu tava preso sim. Mas
já estou livre há algumas semanas
e ela, inclusive, já se encontrou
comigo. Pra me ofender, é claro!

ALICIA (chocada, perplexa)
Não pode ser! Então, você é meu
pai…

FERNANDO
Sou o seu pai, minha filha. É por
isso que eu te segui. Eu queria
te conhecer, te ver… Mas a sua
mãe não deixou. Eu cheguei a ir
até a sua casa. Mas ela nem me
deixou passar da porta!

Alicia está emocionada e chora. Mal pode acreditar no que Fernando lhe diz.

ALICIA (chora um pouco)
Meu Deus! Não acredito que isso
tá acontecendo!

FERNANDO
Posso te dar um abraço, minha filha?

Fernando, também emocionado, se levanta, sorri e abre os braços.

ALICIA (hesita um pouco)
Pode.

Música [Kelly Clarkson - Save You]

Fernando abraça Alicia bem forte. Estão os dois emocionados. Alicia chorando um pouco e Fernando também. Após o longo abraço, sentam-se novamente, um do lado do outro, mais próximos. Música diminui.

ALICIA
Eu nem consigo acreditar! É o que
eu sempre quis. Um pai!

FERNANDO
Agora você tem um. E eu vou
tentar recuperar todo o tempo perdido.

ALICIA
Eu espero… Mas eu tenho algumas
perguntas. Eu preciso saber de
algumas coisas que aconteceram no
passado.

FERNANDO
Eu vou te contar tudo. Toda a
verdade. A verdade! E não o que
andam dizendo por aí… Você pode
perguntar o que você quiser.

ALICIA (pensa um pouco antes de falar)
Desculpa tocar nesse assunto logo
de cara, mas é que a minha mãe me
contou que você foi condenado por
assassinato. Mas não quis entrar
em detalhes… Ela falou que eu
não deveria saber toda a verdade.
Mas eu preciso saber o que, de
fato, aconteceu! Você me entende?
Eu preciso saber. Minha mãe
sempre me escondeu essa historia,
mas eu preciso conhecer a
verdade!

FERNANDO
Eu vou te contar tudo. Mas antes
eu preciso te dizer uma coisa.

ALICIA
O que?

FERNANDO
Eu não sou um assassino.

ALICIA
Tudo bem, Fernando… Não precisa
se justificar…

FERNANDO
Me chame de pai. Por favor.

ALICIA (fala mas soa forçado)
Pai, eu não to aqui pra te
julgar. Não cabe a mim fazer
isso. Você já foi julgado,
condenado e já cumpriu a sua
pena. Não precisa justificar
nada. Eu só quero ouvir a
verdade. Só isso!

FERNANDO
Não. Você não tá entendendo! Eu
fui julgado, condenado e cumpri a
pena de um crime que eu não
cometi. Essa é a verdade!

ALICIA
Como assim? Como não cometeu? Que
história é essa?!

FERNANDO
Ninguém acredita. A sua mãe
também não acredita. Mas eu vou
provar, Alicia. Vou provar que eu
sou inocente. Eu não matei
ninguém e você precisa acreditar
em mim!

ALICIA
Eu não posso acreditar em você
nem muito menos duvidar se eu não
souber exatamente o que
aconteceu! Minha mãe só me disse
que você tinha assassinado um
homem…

FLASHBACK DA CENA 02 DO EPISÓDIO 05:

ALICIA
O que tem o meu pai, mãe? O que
foi que ele fez pra tá preso?
Não, porque até ontem ele tava
morto! Agora não tá mais!

HELENA (alterada)
Filha, esquece essa história! Por
favor! Finge que você não ouviu
nada! Vamos fazer de conta que
nada aconteceu. Pra que falar do
teu pai numa hora dessas? Pra
que? Ele nunca fez falta! Ou fez?
Não fui eu quem te criei? Não fui
eu que fiz tudo por você? Então!
Pra que essa palhaçada de pai?!
Pai, pai… pai uma ova! Eu sou
seu pai! Eu sou sua mãe! Eu sou
sua avó! Eu sou a sua família!
Você só tem a mim e eu a você!
Não tá bom assim?

ALICIA
Eu tenho o direito de saber, mãe!

HELENA (direta)
Teu pai é um assassino. Matou um
homem. Satisfeita? É isso que
você queria saber?

FIM DESTE FLASHBACK.

FERNANDO (surpreso)
O que? A tua mãe te disse isso?
Que eu matei um homem?

ALICIA
Disse. Qual o problema?

FERNANDO
Tem certeza que ela te disse isso?

ALICIA
Claro que eu tenho. Por que?

FERNANDO
É mais uma mentira da tua mãe!

ALICIA
Você vai continuar com essa
historia de que é inocente?!

FERNANDO
Houve um crime. Isso não se pode
negar. Mas a sua mãe errou quando
te contou sobre a pessoa que
morreu. Não foi um homem que foi
assassinado. Foi uma mulher.

ALICIA
Ah! Ela deve ter errado ou se
confundido na hora de me contar!
Isso pode acontecer com qualquer
pessoa! O que não lhe dá o
direito de chamar minha mãe de
mentirosa!

FERNANDO
Mentirosa sim! Ela te enganou!

ALICIA
E que diferença faz se foi um
homem ou uma mulher? O fato é que
você matou, não foi?

FERNANDO
A diferença que faz é que a
mulher que foi assassinada era a
irmã dela.

Música marca.

ALICIA
O quê?

FERNANDO
A mulher assassinada de que
estamos falando é a irmã da sua
mãe. Sua tia. Você acha que a
Helena esqueceria que a própria
irmã dela foi assassinada? Acha
que ela ia se confundir? Era a
única irmã! Entende agora? Ela
mentiu pra você!

Alicia fica pensando no que acabou de ouvir.

ALICIA (perplexa)
Então, você teria matado a
cunhada? A própria cunhada…
Minha mãe nunca comentou isso
comigo!

FERNANDO
Mentiu pra você esse tempo todo.
Sempre te escondeu o que
aconteceu no passado.

ALICIA (direta)
Então, me conta tudo! Agora que
começou, vá até o final! Quero
saber exatamente tudo o que
aconteceu. Chega de mentiras!9.

FERNANDO
Eu vou te contar…

Fusão para:

CENA 04 – MEIER – RUA – EXTERIOR – DIA

Música [Jack Johnson – Angel]

Estamos no passado, há 18 anos atrás. Uma rua do Méier enfeitada para um casamento que se realizará ali. Decoração bem bonita. Muitos bancos e lá na frente um altar para o padre. Muitos convidados presentes, todos muito elegantes. A cerimônia acontecerá na porta da casa de Helena, que tem dois andares.

Corta para:

CENA 05 – CASA DE HELENA – QUARTO DE HELENA- INTERIOR – DIA

(Essa casa de Helena é outra casa. Os quartos estão localizados na parte superior da casa.) Helena está vestida de noiva frente a um grande espelho, admirando-se. Não parece muito feliz e tem lágrimas nos olhos. Estela, sua mãe, está ao seu lado.

HELENA JOVEM (desanimada)
Estou bonita, mamãe?

ESTELA
Você está linda, minha filha.
Mais do que nunca!

HELENA JOVEM
Acha mesmo?

ESTELA
Mas é claro! (percebe o olhar
triste de Helena) O que foi,
Helena? Você parece triste! Até
parece que não quer mais se casar!

HELENA JOVEM
Mãe, sejamos sinceras! Tudo isso
é uma farsa! A Alicia já tem dois
anos. Já sou casada no papel. Pra
que essa festa toda?

ESTELA
Pra que? E você ainda pergunta?
Temos uma tradição nessa família!
Todas as mulheres da nossa
família sempre se casaram na
igreja, como manda o figurino. O
casamento é um sacramento, minha
filha. Você devia era estar feliz
do padre Joaquim ter aceitado
presidir essa cerimônia!

HELENA JOVEM
Eu não ligo pra isso. Tradição!
Grande coisa!

ESTELA
Não fale assim, Helena! Assim
você me ofende! E o pior, ofende
a Deus!

HELENA JOVEM (grita, chorando)
Olha pra mim! Será que a senhora
não vê que nesses dois anos de
casada com o Fernando eu não fui
feliz?! Eu não sou feliz, mamãe!
Nem um pouco!

ESTELA
Não fala isso! Daqui a pouco o
Fernando chega. Ele pode acabar
escutando! Ele tá tão empolgado
com essa história de se casar na
igreja! Não foi até ideia dele?

HELENA JOVEM
A senhora não entende. Nunca
entenderia… Por mim, eu não
casaria de novo. Pediria o divórcio!

ESTELA
Bate na boca! Nem ouse repetir
isso de novo! Você não é uma
qualquer! Você tem um marido que
te ama muito e vocês têm uma
filha, que vai precisar muito de vocês!

Batem na porta.

ESTELA
Limpa esse choro! (grita para
fora) Entra!

Fernando entra com Alicia (que tem dois anos) no colo. Ela está chorando.

FERNANDO JOVEM
Dá licença! Só vim trazer a
Alicia. Ela não vai com ninguém.
Só chora o tempo todo!

ESTELA
Me dá ela aqui! (pega no colo) E
sai do quarto! Dá má sorte ver a
noiva antes da cerimônia!

FERNANDO JOVEM
Eu já vou indo. Mas é que… (se
aproxima de Helena) Você tá linda
com esse vestido!

HELENA JOVEM (cabisbaixa)
Você também tá muito bem…

Helena, ainda um pouco abatida, encara Fernando, enquanto Estela se afasta com Alicia no colo, tentando fazê-la parar de chorar.

HELENA JOVEM
Me responde uma coisa.

FERNANDO JOVEM
Claro, meu amor. O que você quiser…

HELENA JOVEM
Você me ama?

FERNANDO JOVEM
Claro que eu te amo! Mas que
pergunta é essa?

HELENA JOVEM
Nada. As vezes eu tenho duvidas.
Mas não liga. Eu que sou insegura
mesmo…

FERNANDO JOVEM
Eu te amo mais que tudo nessa
vida!

HELENA JOVEM
Sei… (pensa um pouco) E a
Beatriz?

FERNANDO JOVEM
O quê que tem a sua irmã?

HELENA JOVEM
Não se faça de idiota! Você sabe
muito bem do que eu to falando!

FERNANDO JOVEM
Eu realmente não sei do que você
ta falando. Mas agora eu tenho
que ir. A cerimônia vai começar
daqui a pouco. Depois a gente
conversa. Acaba de se arrumar!

Fernando sai, rapidamente.

HELENA JOVEM (grita)
Fernando, volta aqui! Fernando!

Fernando já saiu. Helena, pensativa, olhando para o espelho. Corta rápido para:

CENA 06 – CASA DE HELENA – QUARTO DE BEATRIZ – INTERIOR – DIA

Beatriz (20 anos) olhando a janela quando Fernando entra, apressado.

BEATRIZ
Nossa! Que demora!

FERNANDO JOVEM
Eu preciso falar com você!
Rápido!

BEATRIZ
Não vai nem me dar um beijo antes?

FERNANDO JOVEM
Não dá! Já falei que a gente não
pode ficar se arriscando desse
jeito. Mas eu vim te falar uma
coisa.

BEATRIZ
O que foi dessa vez? Não vai me
dizer que você vai desistir do
nosso plano mais uma vez!

FERNANDO JOVEM
Não dá! Você tem que entender! A
Helena tá desconfiada. Ainda
agora mesmo ela me pareceu
estranha. Eu não quero nem pensar
se ela descobrir toda a verdade!
Se ela descobrir que na verdade é
você quem eu amo. Que na verdade
é com você que eu gostaria de tá
junto, pra sempre… Mas não dá
mais pra gente continuar nessa
situação. A Helena não merece o
que a gente tá fazendo. Hoje é o
dia do nosso casamento e eu vim
aqui te dizer que… tá tudo
acabado entre nós! Seremos só
cunhados! Como deveríamos ser!

BEATRIZ
Que casamento?! Não tem casamento
algum! Vocês já estão casados!
Você tá louco! Isso aí embaixo é
uma palhaçada que mamãe inventou!
Só pra dar satisfação aos
vizinhos! Claro! A filha querida
engravida sem tá casada na
igreja! Um absurdo pruma mãe tão
católica! Mas me admira você…
levando tão a sério esse circo!

FERNANDO JOVEM
Não fala assim! Já que tenho que
estar casado com a Helena, não
quero estar pela metade! Chega!
Por mais que eu te ame, esse
sentimento vai passar! Tem que
passar! Eu e a sua irmã temos uma
filha. E vamos criá-la juntos!

BEATRIZ
Não pode ser verdade o que você
tá me dizendo! Não pode ser! E o
que eu sinto? Não conta?

FERNANDO JOVEM
Trate de esquecer. Que eu vou
fazer o mesmo.

BEATRIZ
Já sei o porque disso tudo! É o
de sempre, não é?! É falta de
dinheiro! É isso! Você combinou
de fugir comigo pra bem longe
daqui! Mas como sempre… cadê o
dinheiro? Não tem! Isso é que dá
gostar de pobre!

FERNANDO JOVEM
Cala essa sua boca! Quando você
tiver um filho, você vai ver o
que é ter gastos… E quer saber?
Com o pouco de dinheiro que eu
tenho, a gente não chegaria nem
no Centro!

BEATRIZ
Cadê aquele seu amigo? O Antonio.
Vocês não abriram juntos uma
empresa? Um negocio de carro que
eu ouvi falar… Cadê a grana?
Não sei que tanto que você
trabalha e tá sempre sem
dinheiro!

FERNANDO JOVEM
Não fala nele! A gente brigou.
Ontem, por sinal. Não dá pra
dividir nada com o Antonio. Ele é
egoísta, quer tudo só pra ele! É
por isso que eu continuo sem
dinheiro. Enquanto ele vai
fazendo o pé-de-meia dele. Mas se
ele aparecer na minha frente, eu
acabo com esse desgraçado!

Beatriz se aproxima de Fernando.

BEATRIZ
Presta atenção! Ele tá aí
embaixo. Veio assistir ao seu casamento.

FERNANDO JOVEM (surpreso)
Não pode ser! Como é que você
sabe?

BEATRIZ
Eu vi a hora que ele chegou. Eu
tava na janela!

FERNANDO JOVEM
Eu acabo com esse desgraçado!

BEATRIZ
Deixa de ser burro! Ruim com ele,
pior sem ele! Ele não é do tipo
de amizade que se dispense!
Conversa com ele! Façam as pazes!
Volta pra essa sociedade! Faz
isso pela gente, pelo nosso amor.
Sem dinheiro, a gente nunca vai
conseguir fugir e viver a nossa
vida!

Fernando está inseguro.

FERNANDO JOVEM
Não sei… Ele é muito orgulhoso.
E eu também! E você… parece que
é surda! (grita) Acabou tudo
entre nós! Eu vou embora!

BEATRIZ
Espera! Um ultimo beijo!
Beatriz e Fernando se beijam rapidamente.

FERNANDO JOVEM
Eu tenho que ir agora. Você desce
depois.

BEATRIZ
Eu não vou descer. Vou assistir
tudo daqui de cima.

FERNANDO JOVEM
Você que sabe.

Fernando sai. Beatriz volta para a janela. Corta para:

CENA 07 – MEIER – RUA – EXTERIOR – DIA

Música [Jack Johnson – Angel]

Fernando sai de casa e está na rua onde tudo está pronto para a cerimônia. Muitos o saúdam. Fernando agradece a todos que falam com ele, rapidamente, mas está preocupado, procurando por alguém. Já há muitos convidados, praticamente todos. Encontra Estela, que está com Alicia no colo.

FERNANDO JOVEM
Dona Estela, a senhora viu o
Antonio? Aquele amigo meu que vem
sempre aqui…

ESTELA
Antonio? Aquele que abriu uma
loja contigo?

FERNANDO JOVEM
Isso. Ele mesmo. Onde que ele tá?

ESTELA
Ué! Mas você ainda não falou com ele?

FERNANDO JOVEM
Não. Por que?

ESTELA
Porque ele entrou lá em casa há
poucos minutos, perguntando por
você. Eu falei que não sabia onde
você tava. Ele falou que ia
esperar por você.

FERNANDO JOVEM
Esperar por mim? Mas eu acabei de
sair e não vi ninguém lá dentro!

ESTELA
Então vai ver ele já foi embora…

FERNANDO JOVEM
Brigado.

Fernando fica intrigado e entra de novo em casa.

Corta rápido para:

CENA 08 – CASA DE HELENA – SALA / CORREDOR / QUARTO DE BEATRIZ – INTERIOR – DIA

Fernando entra em casa e reina um silencio. Anda pela imensa sala, pensativo.

FERNANDO JOVEM (falando sozinho)
O que eu to fazendo aqui? Não tem
ninguém nessa casa!

Quando Fernando está prestes a sair novamente, ouve-se um tiro. (O tiro só foi ouvido dentro da casa, pois há música do lado de fora).

FERNANDO JOVEM
Um tiro! Lá em cima!

Música [Adele – Hometown Glory]

Fernando sai correndo, desesperado, atravessa a imensa sala, sobe as escadas quase tropeçando e entra no corredor que dá acesso aos quartos. Vê que o quarto de Beatriz é o único que está aberto e vai até ele (é o ultimo quarto do corredor). Ao chegar no tal quarto, vê Beatriz caída no chão, ensanguentada e morta, com um tiro no peito. Uma arma jogada ao lado do corpo. Fernando grita de desespero ao ver Beatriz, no chão.

FERNANDO JOVEM (gritando, desesperado)
Beatriz! Não! Beatriz!

Fernando mexe no corpo tentando animar Beatriz. Não consegue acreditar que ela está morta. (Fernando vai se sujando de sangue enquanto abraça e beija Beatriz). Chora muito, desesperadamente.

FERNANDO JOVEM
Beatriz! Meu amor! Acorda!
Acorda, Beatriz! Eu te amo! Eu te
amo! Quem foi que fez isso com
você, hein? Diz pra mim! Quem
foi? Diz pra mim! (bate no rosto
de Beatriz de leve) Fala comigo!
(grita) Fala comigo!

Fernando chora, desesperado, abraçado junto ao corpo de Beatriz. De repente, olha para o lado e vê a arma. Fernando treme de tão nervoso que está. Pega a arma e fica olhando para ela, fixamente.

FERNANDO JOVEM
Essa é minha arma! Minha! Mas
como? Como que veio parar aqui?
Não pode ser, meu Deus! Eu
escondi essa arma! A única pessoa
que sabia o esconderijo dessa
arma era… (pára e pensa – vai
juntando as peças) o Antonio!
Claro! Foi ele! (p/ Beatriz) Foi
ele que te matou, meu amor?! Foi
ele, não foi? Diz pra mim! Foi
ele? (joga a arma longe) Claro
que foi ele! (chora) Por que? Por
que ele fez isso? Por que?
Helena chama por Fernando.

HELENA JOVEM (OFF)
Fernando, cadê você? Você tá aí
em cima? Fernando!

A voz vai se aproximando cada vez mais até que Helena aparece diante do quarto de Beatriz e a vê morta no colo de Fernando. Helena se desespera.

HELENA JOVEM
Meu Deus! Beatriz! O que você
fez com ela?

FERNANDO JOVEM (em estado de choque)
Ela tá morta.

HELENA JOVEM (desesperada)
Morta?! Tem certeza? Mas o que
você fez? Assassino! Você matou
a minha irmãzinha! A minha única
irmã! Você matou a minha irmã!
Assassino! Monstro!

Fernando se levanta e se aproxima de Helena.

FERNANDO JOVEM
Não, Helena! Eu não fiz nada! Eu
juro que eu não fiz nada! Eu sou
inocente. Eu cheguei aqui e ela
já tava assim… alguém fez isso
pra me incriminar, Helena! Você
precisa acreditar em mim!,

HELENA JOVEM
Como não foi você? Olha aí você
cheio de sangue! E aquela arma?
Vai dizer que não é sua? Quantas
vezes eu já tinha te pedido pra
se livrar daquela arma! Olha o
que ela fez! Olha o que você fez
com ela! Você matou a minha irmã!
E eu nunca vou te perdoar por
isso! Eu vou chamar a polícia!

Fernando segura forte o braço de Helena. Está desesperado.

FERNANDO JOVEM
Acredita em mim, Helena! Não fui
eu quem matou a sua irmã! Você
tem que acreditar em mim!

HELENA JOVEM
Você tá me assustando! (grita) Me
solta! Assassino!

Fernando solta Helena, que desce correndo, chorando muito. Fernando chora e leva as mãos a cabeça.

FERNANDO JOVEM
Meu Deus! O que tá acontecendo
comigo?! Eu não fiz nada! Eu sou
inocente! Eu não vou ser preso!
Eu sou inocente!

Fernando, num impulso, sai do quarto correndo.

Corta rápido para:

CENA 09 – CASA DE HELENA – BANHEIRO – INTERIOR – DIA

Música [Adele – Hometown Glory]

Fernando entra rápido e tranca o banheiro. Olha para uma janela de vidro. Procura algo e encontra uma vassoura e bate umas três vezes até quebrar a janela. Sai pela janela e se corta um pouco, ficando ainda mais sujo de sangue.

CENA 10 – MEIER – RUA – EXTERIOR – DIA

A mesma música. Fernando passa pela janela com certa dificuldade e pula num quintal que dá pros fundos da casa. Pula o muro para a casa vizinha e pula outro muro um pouco mais baixo e sai já numa rua bem movimentada. Seu aspecto é feio, pois sua roupa está muito suja de sangue e está suado e cansado. Corre desesperadamente pela rua, esbarrando em algumas pessoas, até sumir de vista.

Corta.

FIM DESTA SEQUENCIA. DE VOLTA AO PRESENTE:

CENA 11 – ESCOLA DE DANÇA – LANCHONETE – EXTERIOR – DIA

Alicia atenta ao que Fernando lhe conta.

FERNANDO
A pior coisa que eu podia ter
feito foi ter fugido. Foi como
uma confissão. Quem acreditaria
que eu era inocente se eu tinha
ficado uma semana foragido?

ALICIA
Mas se você era realmente
inocente, então por que fugiu?

FERNANDO
Eu tive medo. Foi por isso que eu
fugi! Por medo! Mas quando me
acharam, me prenderam. Eu fui
julgado e condenado. Todos foram
contra mim…

ALICIA
Tá bom. Eu entendi o que
aconteceu. Mas então você ta
querendo me dizer que foi o
Antonio e não você, quem matou a
irmã da minha mãe! É isso?

FERNANDO
Como eu já te contei! A sua avó
foi a ultima pessoa que o viu e
ela me afirmou que o tinha visto
entrar na casa…

ALICIA
Mas por que ele faria isso?

FERNANDO
E por que a sua vó mentiria?

ALICIA
Olha, não mete a minha vó nessa
historia que ela nem tá mais
entre nós…

FERNANDO (sentido)
Não sabia. Me desculpa. (pensa um
pouco) Mas é a verdade. Ela viu e
me disse. Tanto que eu voltei pra
casa. Mas no dia do julgamento,
ela também foi contra mim.

ALICIA
Mas é claro! Ela achava que você
tinha matado a filha dela! Presta
atenção! Você mesmo não viu o
Antonio lá…. não foi?

FERNANDO (hesita um pouco e assume, cabisbaixo)
Foi. Eu não vi o Antonio…

ALICIA
E não passa pela sua cabeça que
não possa ter sido ele?

FERNANDO
Mas a Beatriz o viu! Ela me
disse!

ALICIA
Mas isso é um absurdo! Ele não
faria isso!

FERNANDO
E eu faria, Alicia? Faria? Eu
mataria a mulher que eu amava?

ALICIA
Não sei! Muita gente mata por
amor!

FERNANDO
Mas não eu!

ALICIA
Não há motivos para o Antonio ter
cometido esse crime… Eu repito
a minha pergunta: por que ele
faria isso?

FERNANDO
Mas não é obvio? Pra me
incriminar! Só assim ele
conseguiria assumir os negócios
sozinho! Ele sempre foi egoísta!
E ele era o amigo que eu mais
confiava! O único! E por isso
mesmo, só ele sabia do
esconderijo daquela arma!

ALICIA
E por que você tinha uma arma em casa?

FERNANDO
E eu não podia ter uma arma em
casa pra proteger a minha
família? Todos têm!

ALICIA
Você vai me desculpar… Mas o
que você ta me contando é um
absurdo! Acusar uma pessoa de um
crime depois de tanto tempo! Não!
O Antonio não é um criminoso! Não
pode ser!

FERNANDO
E eu posso? O seu próprio pai
pode ser um criminoso e o Antonio
não? Por que? Só porque ele é
rico? Só porque ele é um cara
legal, carismático? Ele pode
enganar todo mundo… Aliás, isso
ele tira de letra! Mas só eu
conheço a verdadeira face daquele
monstro! E você o defende… fala
como se o conhecesse!

ALICIA
Mas eu o conheço!

FERNANDO (surpreso)
Você o que?

ALICIA
Eu conheço o Antonio e eu
frequento a casa dele se você
quer saber… Eu sou amiga do
filho dele.

FERNANDO (ri)
Que ironia do destino! Minha
filha amiga do filho dele…

ALICIA
É tão difícil de acreditar! É
muito difícil pra mim aceitar
tudo isso de uma vez só… Você,
o pai que eu nunca tive, que eu
pensei estar até morto,
reaparece! E reaparece dizendo
que foi condenado injustamente!
Fernando, olha, eu não vô te
julgar pelo que você fez…

FERNANDO (interrompe)
Me chama de pai! Por favor! Não
me chama pelo nome…

ALICIA
É que não é fácil de se
acostumar…

FERNANDO
Eu sei. Eu entendo. Com o tempo
você consegue.

ALICIA
Espero conseguir.

O garçom vem retirar o copo de Alicia.

ALICIA
Mas o que eu tava falando é que
eu não vou te julgar pelo que
aconteceu. O que passou, passou.
Não me interessa! Vamos viver a
nossa vida daqui pra frente! Sem
remexer nessa historia. Acho que
vai ser melhor pra todo mundo.

FERNANDO
Mas eu quero mexer nessa
historia! Não estou disposto a
esquecer. Só eu sei tudo o que eu
passei!

ALICIA
Ok, você que sabe. (pensativa)
Mas então, era dela que você
gostava? E não da minha mãe…

FERNANDO
O nosso amor era proibido. Mas
não é verdade que eu não gostava
da Helena. Eu gostava. E muito!
Talvez ainda goste. E é por isso
que eu to aqui, na sua frente, te
contando toda a verdade. Acho que
podemos voltar a ser uma família
de verdade. Mas antes, preciso
provar a minha inocência. Só
assim a sua mãe vai me perdoar!

ALICIA
Talvez seja tarde demais.

FERNANDO
Nunca é tarde pra se fazer
justiça, Alicia. Nunca!

ALICIA
Olha, Fernando! Não consigo
chamar você de pai… A gente
acabou de se conhecer. Me dá um
tempo!

FERNANDO
Tudo bem.

ALICIA
Então, Fernando… Eu to muito
cansada e eu tenho que ir embora
agora.

Alicia, visivelmente abalada com tudo o que ouviu, se levanta da mesa.

FERNANDO
Vai com Deus! Toma cuidado! Mas
não conta pra sua mãe que a gente
se encontrou, ta?

ALICIA
E por que eu esconderia isso
dela?

FERNANDO
Ela não vai gostar de saber. Vai
por mim. É melhor esconder.

ALICIA
Ok. Isso depois eu decido. Tchau!

Alicia vai andando até que Fernando a chama.

FERNANDO
Espera!

Alicia para.

ALICIA
Fala!

FERNANDO
Não vai nem me dar um abraço?

ALICIA
Claro!

Alicia abraça Fernando, mas está abalada, desconfortável de certa forma.

FERNANDO
Eu te amo muito, minha filha!
Nunca esqueça disso!

Fernando pega no bolso um papel e uma caneta e anota rapidamente algo no papel.

FERNANDO (entra o papel p/ Alicia)
Toma meu telefone. Qualquer
coisa, me liga!

ALICIA
Ta bom. Tchau.

Música [Kelly Clarkson – Save you]

Alicia vai andando e se afastando, enquanto Fernando a observa de longe. Tela escurece. Corta para:

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continuação: EPISÓDIO 9 – O ASSASSINATO

Publicado por amoresproibidos em 09/07/2009

Pedro e Gabriel

CENA 12 – STOCK SHOT – EXTERIOR – DIA/NOITE

Outra música [Maysa – O barquinho]

Anoitecer no Rio de Janeiro.

CENA 13 – APTO. DE PEDRO – QUARTO DE LENITA – INTERIOR – NOITE

Pedro está frente a um espelho terminando de abotoar um botão da camisa. Está pronto para sair. Lenita entra no quarto.

LENITA
Oi, meu amor!

PEDRO (fala sem parar de se olhar no espelho)
Oi!

LENITA
Nossa! Tudo isso prum jantar?

PEDRO
Que nada! Nem to muito arrumado.

Pedro sai da frente do espelho.

PEDRO
Bom, eu já vou indo.

LENITA
Tem certeza que você tem que ir a
esse jantar?

PEDRO
Mas é claro! Por que não iria? Eu
e a Helena somos velhos amigos.
Normal que nós jantemos. Não vejo
nenhum problema nisso.

LENITA
Mas eu não posso ir com você?

PEDRO (impaciente)
Já não conversamos sobre isso?

LENITA
Ta bom, desculpa. Vai com Deus!
(pensa em não falar, mas acaba
falando) Vai voltar que horas?
PEDRO
(pensa um pouco)
Não sei. Mas não precisa se
preocupar.

LENITA
Não to preocupada. Só perguntei
por perguntar…

PEDRO (a beija na boca, rapidamente)
Tchau.

LENITA
Tchau, meu amor.

Pedro sai do quarto e ouvimos o barulho da porta da sala se fechando. Música de suspense. Lenita desfaz o ar de tranquila que tinha e fica nervosa, preocupada. Começa a andar de um lado para o outro.

LENITA
Não posso ficar aqui sem fazer
nada! Mas o que eu posso fazer,
também?! O Pedro faz o que quer,
não posso impedir! (pensa algo -
pára de andar) Quer saber? Eu vou
atrás dele!

Lenita pega uma bolsa sua que já estava em cima da cama e sai, decidida.
Corta rápido para:

CENA 14 – COPACABANA – EXTERIOR – NOITE

A mesma música da cena anterior. Lenita sai do Condomínio e vê que Pedro acabou de sair com seu carro. Imediatamente, faz sinal para um taxi que passa no momento. O taxi pára e Lenita entra.

LENITA (p/ motorista de taxi)
Segue aquele carro ali, por favor!

O taxista parte em velocidade. Corta para:

CENA 15 – CASA DE ALICIA – SALA – INTERIOR – NOITE

Alicia está pensativa, vendo tv, quando Helena aparece, deslumbrante.

HELENA
Como estou?

ALICIA
Linda como sempre! Mas confesso
que hoje você se superou! Pra
quem é tudo isso? Posso saber?
Helena ri, um pouco tímida.

HELENA
Ai, Alicia! Eu fico tão sem graça
de te contar!

ALICIA
Ah, conta!

HELENA
É que eu vou encontrar um
ex-namorado meu! Tem muitos anos
que eu não o vejo. A ultima vez
você ainda nem tinha nascido.

ALICIA
Tá explicado, então!

HELENA
Ele tá lindo. O tempo não passou
pra ele. Você tem que ver! Ele
era um homem maravilhoso, espero
que não tenha mudado… Eu já to
indo. Pareço uma adolescente te
pedindo isso… mas, me deseje
sorte!
ALICIA (sorri)
Sorte!

Helena beija Alicia na testa e percebe algo de diferente nela.

HELENA

Alicia, olha pra mim! Tá tudo bem
com você?

ALICIA
Tá sim. Tudo normal. Por que?

Helena (a observa)
Não sei. Você parece diferente…

ALICIA
Impressão sua, mãe. Vai lá.
Aproveita o jantar e depois me
conta tudo!

HELENA
Tem certeza que tá tudo bem?

ALICIA
Já falei que sim, dona Helena!
Pode ir. Eu vou ficar bem.

HELENA
Você que sabe. Qualquer coisa me liga!

ALICIA (sorrindo)
Nunca eu te ligaria! Parece até
que não me conhecesse! Não vou
estragar esse jantar por nada
nesse mundo! Pode ficar
tranquila!

HELENA
Você é muito boba! Te amo, filha!

ALICIA
Também te amo!

Helena sai. Alicia mostra finalmente sua preocupação.

ALICIA (falando sozinha)
Será que o Fernando tava falando
a verdade?

Música marca. Close em Alicia, preocupada. Corta para:

CENA 16 – APTO. DE GABRIEL – QUARTO DE GABRIEL – INTERIOR – NOITE

Gabriel está teclando com alguém no pc quando toca seu celular. É Bruno. Fusão dos dois conversando.

GABRIEL
Alo!

BRUNO
E aí, cara! Tudo bem?

GABRIEL
Ta tudo indo. O de sempre.

BRUNO
Gabriel, hoje a gente vai sair,
escutou? Hoje a gente vai dançar
horrores! Você merece se
divertir! Beijar um pouco na
boca!

GABRIEL
To tão sem ânimo, Bruno… Você
nem queira saber!

BRUNO
Que sem ânimo o que? Vai sair
comigo sim e tá decidido! Chega
de ficar curtindo fossa em casa!
Esquece esse Pedro! E liga pro
Henrique! Marca dele te encontrar
lá na boate! Vambora, amigo, você
precisa viver! A vida continua!

GABRIEL
Eu sei. Você tá certo. Você tá
sempre certo, amigo. Não sei o
que seria de mim sem você…

BRUNO
Você não seria nada!(ri) Vai, se
arruma logo! Vou ficar te
esperando aqui em casa! Beijo!

GABRIEL
Daqui a pouco eu passo aí. Beijo!

Gabriel desliga o celular. Corta para:

CENA 17 – RESTAURANTE – INTERIOR – NOITE

Música ao fundo. Pedro está sentado a mesa, esperando por Helena. Olha no relógio e continua esperando. Esse restaurante possui vidros transparentes, de modo que do lado de fora se vê tudo o que ocorre dentro do restaurante.

CENA 18 – RUA – EXTERIOR – NOITE

Do lado de fora do restaurante, dentro do taxi, se encontra Lenita (e de onde ela está, consegue ver à mesa que Pedro está sentado).

TAXISTA
É aqui que a senhora vai ficar?

LENITA
Isso. Mas espera um pouco!

Lenita fica olhando atentamente para a porta do restaurante, quando de repente, Helena chega num taxi e entra.

LENITA
É essa a vagabunda que ele veio
encontrar!

O taxista parece meio impaciente.

TAXISTA
Minha senhora, a gente vai ficar
mesmo parada aqui? Eu tenho que
fazer outros serviços essa noite!29.

LENITA
Nós vamos ficar aqui e o senhor
não vai a lugar algum!

TAXISTA
Mas, minha senhora…

Lenita rapidamente pega duas notas de 100 reais na carteira e joga em cima do Taxista.

LENITA
Eu pago! O quanto for necessário!
Só peço que o senhor fique aqui
até a hora que eu quiser!
Entendeu bem?

O Taxista pega as duas notas, sem graça.

TAXISTA
Ok. Entendi.

LENITA
Que bom! Gosto de quem entende as
coisas rápido!

Lenita continua olhando em direção ao restaurante.

CENA 19 – RESTAURANTE – INTERIOR – NOITE

Helena entra no restaurante e desperta os olhares dos homens ali presente, de tão deslumbrante que está. Com Pedro não é diferente, que quando a vê, se levanta e fica boquiaberto.

PEDRO
Nossa! Nem tenho palavras!

HELENA
Pra que?

PEDRO
Pra dizer o quanto você tá linda!

HELENA
Não começa com seus galanteios!

PEDRO
Não estou te cantando, fica
tranquila! Só estou te falando a
verdade. E a verdade tem que ser
dita.

HELENA
Sei… A verdade, nessa história
toda é que você não mudou nada!
Continua aquele garoto de alguns
anos atrás.

PEDRO
Nisso você tem razão. Ainda sou
um garoto.

Se encaram por alguns instantes e se cumprimentam com um beijo no rosto.

PEDRO
Senta!

Helena se senta e Pedro, de frente para ela. Imediatamente, o garçom traz os menus e sai. Helena e Pedro conversam enquanto vão olhando no menu o que querem comer.

HELENA
Nem sei o que eu vou querer.

PEDRO
Também não. Na verdade, pra mim,
o mais importante dessa noite é
poder te ver.

HELENA
Ah, é? Que bom! Também fico muito
feliz em te ver!

PEDRO
To falando serio! Aquele dia que
a gente se encontrou no hospital
não conta! O ambiente era péssimo
e o meu filho não tava bem,
enfim… Nem deu pra gente
conversar muito.

HELENA
Verdade. Também ali não era lugar
pra isso!

PEDRO
Mas me conta de você… Como
tá a sua vida?

HELENA
Tá indo. Depois que você embarcou
pros Estados Unidos, eu conheci
outra pessoa. Um cara. E a gente
acabou tendo uma filha e tivemos
que nos casar, no civil.

PEDRO
Então, você tem uma filha?

HELENA
Tenho sim. O nome dela é Alicia.
Ela é linda, você tem que ver!

PEDRO
Alicia! Bonito nome! Eu também
tenho um filho. Ele se chama
John, é mais novo que ela, vai
fazer 19.

HELENA
Eu vi o seu filho lá no hospital.
Vi de longe. Mas já deu pra ver
que ele herdou toda a sua beleza.

PEDRO
Assim você vai me deixar sem
graça…

HELENA
Mas é verdade. Seu filho é muito
bonito. Que nem você. Por que
seria diferente? A Alicia também
é linda, espero que você a
conheça um dia.

PEDRO
Com certeza, não faltarão
oportunidades pra isso! Mas conta
mais de você…

HELENA
Basicamente, é isso. Eu crio a
minha filha sozinha e trabalho
numa clinica de estética. E
continuo morando no Méier. E
você?

PEDRO
Minha vida tá estranha no
momento. Voltei pro Brasil com o
meu filho e com a minha mulher
pra tentar esquecer um pouco as
brigas e as discussões que
tínhamos nos Estados Unidos. Eu
pensava que aqui tudo seria
diferente. Mas vejo que pouca
coisa mudou! Pra te dizer a
verdade, meu casamento tá indo de
mal a pior…

HELENA
Nossa, que chato! Mas vai
melhorar!

Neste momento, Helena segura na mão de Pedro e fica alisando.

PEDRO
Não sei se vai. Tem dias que eu
acho que sim, mas tem outros que
eu acho que não tem mais jeito.32.

HELENA
Sempre tem um jeito! Se você ama
a sua mulher, corre atrás! Faz de
tudo pra tentar salvar esse
casamento!

PEDRO
Talvez seja esse o problema…
Talvez eu não a ame mais.

Corta pro lado de fora, dentro do taxi. Lenita, muito nervosa, continua observando Pedro e Helena, que conversam como se fosse um casal. Helena segurando a mão de Pedro por cima da mesa. O garçom se aproxima da mesa e conversa algo com eles. Lenita quase explode de tanto ódio.

LENITA
Fica aqui! O senhor não vai a
lugar algum!! Entendeu? Eu vou
entrar naquele restaurante
rapidinho! Não demoro nem cinco
minutos!

TAXISTA
Eu espero.

LENITA
Acho bom mesmo!

Lenita abre a porta do taxi e sai, batendo a porta com fúria. Atravessa correndo a rua e entra no restaurante. Enquanto isso, Pedro e Helena já acabam de fazer seus pedidos ao garçom.

PEDRO
E pra acompanhar, vamos querer
esse vinho aqui! (mostra na
carta)

O garçom anota o pedido e já sai.

HELENA
Esse vinho é o meu preferido.

PEDRO
Eu sei. Acha que eu esqueci?

HELENA
Você sempre pensando em tudo!
Helena volta a alisar a mão de Pedro. Nisso, escuta-se
palmas. É Lenita, que chega falando alto para todos
ouvirem.

LENITA (batendo palmas)
Bravo!! Bravo! Que linda cena!
Parece filme! Que romântico!

Pedro vê que é Lenita e fica surpreso. Se levanta para falar com Lenita. Helena só observa.

PEDRO
O que você ta fazendo aqui, Lenita?

LENITA
O que eu to fazendo aqui? Ah!
Então é essa a pergunta? Não,
Pedro! Não interessa o que eu
estou fazendo aqui! Interessa o
que você está fazendo aqui com
ela! Que palhaçada é essa aqui
hein, Pedro?

PEDRO
Pára de gritar, Lenita! Se acalma
que a gente conversa!

LENITA (grita)
Não! Eu não quero me acalmar! Eu
tenho o direito de sentir raiva,
não tenho? Pelo menos isso, acho
que eu ainda posso sentir! Eu só
quero saber… que palhaçada é
essa aqui? Hein? Restaurante
caro! Mãozinhas dadas! O que ta
acontecendo, Pedro? Você tá me
traindo na cara de pau? É isso!
Assim, na frente de todo mundo? É
isso? Não é? Eu to sendo feita de
palhaça!

PEDRO
Não é nada disso! Você sabe que
não é! Eu não to aqui escondido
de você! Tanto que você sabia que
eu estaria aqui, jantando com a
Helena! Pára de fazer drama! E
vai embora!

LENITA
Como é que é? Você tá me mandando
embora? (sorri, irônica) Você que
vai embora comigo e é agora!

PEDRO
Não! De jeito nenhum! Eu não
mandei você vir atrás de mim!
Veio porque quis! Então vai
embora sozinha!

LENITA
Eu não posso acreditar nisso que
eu estou escutando!

PEDRO (grita)
Vai embora! E acho bom você ir
agora mesmo! Porque se você não
sair por bem, eu vou mandar o
gerente te colocar pra fora!!

LENITA
Você ta me mandando embora pra
ficar com essa daí?

PEDRO (grita)
Vai embora, Lenita! Não vou falar
de novo!

Lenita está explodindo de ódio e chora um pouco de tanta raiva.

LENITA (finge estar calma)
Eu vou embora. Se é isso que o
senhor quer… Eu vou! Eu vou…
Lenita se aproxima da mesa que Pedro está, aparentando
calma e, impulsivamente, tem um ataque de fúria e puxa a
toalha da mesa, jogando assim tudo que está em cima da
mesa no chão, fazendo um grande barulho. Todo o
restaurante pára para ver. Pedro está sem ação.

LENITA
Agora eu vou embora. Tenha um bom
jantar com essa vagabunda!

No que fala isso, Lenita sai do restaurante. Pedro está muito preocupado, morto de vergonha. Fala com o Gerente.

PEDRO
Desculpa por tudo isso no seu
restaurante! Pode trazer a conta
que eu pago tudo que ela quebrou!
Pedro se aproxima de Helena, que está de pé.

PEDRO
Desculpe, Helena! Eu não queria
que tivesse sido assim.

HELENA
Tudo bem, Pedro. A gente se vê
outro dia.

PEDRO
Mil desculpas. Você não sabe a
vergonha que eu to sentindo…
Mas isso é pra você ter uma ideia
do que eu to vivendo há alguns
anos já! Esse é o meu casamento.
Eu não agüento mais! Chega!

Close em Pedro, decidido. Corta rápido para:

CENA 20 – APTO. DE PEDRO – QUARTO DE LENITA – INTERIOR – NOITE

Lenita chega no quarto e vai abrindo o armário. Pega uma
mala e põe todas as roupas de Pedro na mala. Vai jogando
todas as roupas. Lenita chora um pouco, mas é movida pela
raiva que está sentindo. Pedro chega logo em seguida e vem
desde a sala chamando por Lenita, que não o responde.

PEDRO (OFF)
Lenita! Lenita! Eu quero falar
com você!

Pedro entra no quarto e a encontra pondo suas roupas na mala.

PEDRO
O que você ta fazendo?
Lenita não lhe responde e continua ponto as roupas na
mala. Pedro se aproxima de Lenita e a segura pelo braço.

PEDRO
Eu to falando com você!

LENITA
Eu não tenho nada pra falar com
você!

PEDRO
Por que essa mala, Lenita?

LENITA
Porque você tá de saída dessa
casa! E eu to fazendo a sua mala!
Você vai sair dessa casa agora
mesmo!

PEDRO
Lenita, pára de palhaçada! Você
ta abusando da minha paciência!
Eu não vou a lugar algum! Pode
desfazer essa mala! Anda, Lenita!
Desfaz essa mala! Eu não vou
embora!

LENITA
Você vai embora sim! Não vai
dormir em casa essa noite! Vai
dormir com aquela vadia! Vai!
Procura a Helena! Vai pedir
abrigo na casa dela!

PEDRO
Você ta passando dos limites!

LENITA
Vai embora, Pedro! Vai embora! Eu
não quero mais olhar na tua cara!

PEDRO (chega no limite)
Pois então, fique sabendo que eu
vou! Acabou o nosso casamento a
partir desse momento! Ouviu bem?
Acabou, Lenita! Acabou essa merda
de casamento! Essa merda de vida!
Nunca mais eu vou ter que olhar
pra tua cara! Nunca mais eu vou
me sentir infeliz! Você não sabe
a alegria que eu to sentindo
nesse momento! Você só sabe
estragar tudo aquilo que você põe
a mão! Você estraga tudo! Tudo!
Peca pelo excesso! Amor demais!
Ciúme demais! Agressiva demais!
Vingativa demais! Eu não agüento
mais viver do teu lado! Eu não
agüento, juro que não agüento! E
eu que pensei que podia dar
certo… Me da essa mala! Eu vou
embora dessa casa!

Lenita chora muito ao ouvir tudo isso de Pedro. Pedro por sua vez também tem lagrimas nos olhos, mas tenta se manter forte. Lenita pega a mala ainda aberta, mas não a entrega a Pedro.

LENITA (c/ raiva e lágrimas nos olhos)
Você quer as suas roupas? Então,
vai buscar!

Lenita pega a mala, se aproxima da janela e a abre, jogando toda a roupa de Pedro na rua. Por fim, joga a mala também.

PEDRO
Olha o que você fez! Sua doente!

LENITA
Vai buscar a sua roupa! E some da
minha frente! Vai procurar a
Helena, vai! Aquela vadia! Vai
ficar com ela!

PEDRO
Eu tenho pena de você…

Pedro sai. Lenita se joga na cama e chora muito.

Corta para:

CENA 21 – COPACABANA – EXTERIOR – NOITE

Música [One Republic – All we are]

Pedro sai do Condomínio e encontra sua mala e as roupas pelo chão, todas espalhadas. Vai catando uma a uma e guardando na mala de novo. Quando finalmente termina, fecha a mala e fica olhando para a praia, pensativo, ainda com lágrimas nos olhos.

PEDRO
Preciso arranjar um lugar pra
dormir…

Corta para:

CENA 22 – BOATE – INTERIOR – NOITE

Música [Kat DeLuna feat. Elephant Man - Whine Up]

Tomada geral da boate. Bruno dançando com um cara na pista de dança e Gabriel e Henrique se beijando, freneticamente, num canto. Henrique pára de beijar e fica acariciando o rosto de Gabriel. Música diminui.

HENRIQUE
Pensei que você nem fosse vir.

GABRIEL
Por que pensou isso?

HENRIQUE
Na verdade, pensei que a gente
nem fosse ficar de novo.

GABRIEL
Mas por que?

HENRIQUE
Sei lá. Você tem me evitado esses
dias todos. Eu te chamo pra sair
direto e você nem me dá bola…

GABRIEL
Não fala isso que não é verdade!
Eu só to evitando me envolver,
entende? Eu não to num bom
momento. Preciso superar algumas
questões. O problema sou eu. Não
é você! Nem poderia! Você é
perfeito, Henrique! Lindo,
inteligente, compreensível,
carinhoso, beija bem! Que mais eu
posso querer? Você é tudo de bom!38.

HENRIQUE (sorri)
Assim eu vou começar a me achar!

GABRIEL
Mas você sabe que eu to falando a
verdade. Mas é que não rola nada
mais sério entre nós… Talvez
num outro momento. Mas não agora.

HENRIQUE
Tudo bem. Eu espero por você o
tempo que for preciso.

GABRIEL
Não, Henrique! Não me espere, por
favor! Cada um tem o seu tempo.
Eu nunca me envolvi a sério com
ninguém. Não sei se estou
preparado pra isso.

HENRIQUE
Gabriel, você gosta de outra
pessoa, não é?

GABRIEL (pensa um pouco mas disfarça)
Não! De onde você tirou isso?

HENRIQUE
Não sei. Mas você fala de um
jeito… parece que tá sofrendo.
Você gosta de alguém?

GABRIEL
Não quero falar disso. Desculpa!
Isso não importa! O que importa é
que eu quero ficar aqui com você
e curtir esse momento!

HENRIQUE
Eu também! Adorei ter te
conhecido!

Henrique beija Gabriel. Música sobe. Corta para:

CENA 23 – APTO. DE GABRIEL – QUARTO DE ANTONIO – INTERIOR – NOITE

Antonio e Maria já deitados na cama, prontos para dormir.

ANTONIO
Nossa! Hoje o dia foi corrido,
hein!

MARIA
É verdade. Mas vamos dormir que
já tá tarde e amanhã tem mais! O
trabalho não acaba,
impressionante!

ANTONIO
E o Gabriel? Onde tá?

MARIA
Saiu. Só volta amanhã de manhã.

ANTONIO
Sabe se ele tá namorando?

MARIA
Pelo que eu sei, não tá não. Mas
sei lá, mesmo se tivesse, não
ficaríamos sabendo. O Gabriel não
gosta que se metam na vida
dele… E eu, como mãe, respeito
isso, é claro! Por que?

ANTONIO
Por nada não. É que ele nunca
trouxe nenhuma namorada aqui…

MARIA
Do jeito que ele é, só vai
apresentar aquela que for para
casar. E nem quero também que ele
fique trazendo qualquer uma aqui
pra dentro de casa!

ANTONIO
É. Você tem razão. Pra família só
se apresenta aquela que vale a
pena.

Tocam a campanhia.

MARIA
Quem será uma hora dessas?

ANTONIO
Ta esperando alguém?

MARIA
Eu não! Letícia também saiu. Ta
na casa do Edu!

ANTONIO
Deixa que eu abro.

Tocam a campanhia novamente.

ANTONIO
Já vai!

Antonio sai para abrir a porta. Corta rápido para:

CENA 24 – APTO. DE GABRIEL – SALA – INTERIOR – NOITE

Antonio abre a porta e é Pedro, que está com uma mala.

ANTONIO
Pedro! Entra, meu amigo! O que
aconteceu?

Pedro entra. Está arrasado.

PEDRO
Antonio, eu preciso da sua ajuda!
Me deixa dormir aqui essa noite?
Eu e a Lenita brigamos. Dessa vez
não tem volta. E eu não tenho pra
onde ir!

Maria vem lá do quarto.

ANTONIO
Mas é claro que pode! E nem
precisava perguntar! Pode ficar
aqui em casa o que tempo que você
quiser!

MARIA
Oi, Pedro! Me da a sua mala que
eu vou guardar.

Pedro entrega a mala.

PEDRO
Brigado.

MARIA
Vai tomar um banho, Pedro. Você
vai ver como você vai relaxar!
Quer comer alguma coisa?

PEDRO
Não, brigado. To sem fome.
Brigado mesmo pela ajuda de
vocês! Eu nem sei o que seria de
mim sem vocês!

ANTONIO
Que nada, cara! Amigos são pra
essas coisas!

PEDRO
Eu posso dormir em qualquer
lugar. Aqui na sala mesmo! Só não
quero atrapalhar!

ANTONIO
Que dormir na sala, o que! Você
pode dormir no quarto do Gabriel.
Tem espaço pra você lá.

Pedro fica pensativo.

PEDRO
No quarto do Gabriel?

ANTONIO
Sim. Pra que dormir na sala
quando se tem um quarto?

PEDRO
Acho que não é uma boa ideia. Não
quero atrapalhar. O Gabriel já tá
dormindo e ele pode acabar
acordando…

MARIA
Ele não tá em casa. Só volta de
manhã. O quarto tá lá vazio. Vai
lá!

Pedro se sente aliviado por Gabriel não estar em casa, mas tenta disfarçar.

PEDRO
Tá bom, então. Onde é que é o
quarto dele?

Antonio e Maria levam Pedro até o quarto de Gabriel.

CENA 25 – APTO. DE GABRIEL – QUARTO DE GABRIEL – INTERIOR – NOITE

Pedro entra no quarto de Gabriel.

ANTONIO
Fica a vontade! Ali é o banheiro!
E aqui debaixo da cama você puxa
outra. Tem roupa de cama dentro
do armário. Mexe no que você
quiser! Já te falei que essa casa
é sua!

PEDRO
Valeu mesmo.

ANTONIO
Se quiser também ligar o ar
condicionado… Enfim, sinta-se a
vontade! Boa noite!

MARIA
Boa noite, Pedro!

PEDRO
Boa noite! Antonio, amanha eu te
conto a historia toda!
ANTONIO
Relaxa! Só descansa!

Antonio e Maria saem.

Música [One Republic – All we are]

Pedro vai observando o quarto de Gabriel. Há umas fotos de Gabriel em cima da mesa do computador, que Pedro fica olhando, por algum tempo. Lembra-se do primeiro beijo entre os dois.

FLASHBACK DA CENA 15 DO EPISODIO 04:

PEDRO
Engraçado! Eu tava pensando em
você quando tava tomando banho. E
do nada, saio do chuveiro e
encontro você no meu quarto…

GABRIEL
Eu não devia tá aqui. To indo
embora…

Gabriel vai em direção a porta do quarto.

PEDRO (direto)
Do que você tem medo, Gabriel?

Gabriel pára, pensa um pouco (está de costas para Pedro). Vira-se e volta para perto de Pedro e o encara fixamente.

GABRIEL
Quem foi que disse que eu to com medo?

Gabriel beija Pedro. Um beijo bem selvagem, como se um quisesse devorar o outro.

FIM DESTE FLASHBACK.

Pedro está sorrindo e larga as fotos de Gabriel, tira a roupa e vai pro banheiro. Ao entrar, ouvimos o barulho do chuveiro aberto. Corta para:

CENA 26 – RIO DE JANEIRO – EXTERIOR – NOITE

Música [New Kids on the Block and Ne-yo – Single]

Imagens da cidade toda iluminada.

CENA 27 – APTO. DE GABRIEL – SALA – INTERIOR – NOITE

Gabriel chega da rua, passa a chave na porta e sem fazer muito barulho vai direto para o seu quarto. Todos na casa estão dormindo. Ainda está de madrugada (não amanheceu).

CENA 28 – APTO. DE GABRIEL – QUARTO DE GABRIEL – INTERIOR – NOITE

Gabriel entra em seu quarto e a luz está apagada. Ao acender, Gabriel encontra Pedro, dormindo na cama ao lado da sua (é uma cama mais baixa, quase que perto do chão). Pedro está coberto com um edredom até a cintura. Gabriel não entende o que vê.

GABRIEL
Pedro? Dormindo no meu quarto?
Que brincadeira é essa, meu
Deus?!

Por causa da luz, que foi acesa, Pedro acaba acordando.

PEDRO
Oi, Gabriel!

Pedro se senta, deixando aparecer que está sem roupa debaixo do edredom. Gabriel se aproxima de Pedro.

GABRIEL
O que você tá fazendo aqui?

PEDRO
Quer que eu vá embora?

GABRIEL
É claro que eu não quero! O que
eu mais quero é ter você aqui
comigo! Só não to entendendo
nada… Como você entrou?

PEDRO
Pela porta! Normal. Seus pais
sabem! Depois eu te conto o que
aconteceu. Mas o que importa é
que eu to aqui.

GABRIEL (observa o corpo de Pedro)
Você tá sem roupa aí embaixo?

PEDRO
To. A minha roupa ta toda suja.
Foi jogada na rua! Enfim, depois
te conto essa história. Mas eu
também prefiro dormir assim. E
como você também é homem, achei
que não teria problema. Ou tem?
Se quiser, eu posso por um short.
Se você me emprestar algum, é
claro!

GABRIEL
Você parece que gosta de me
provocar… Não devia brincar com
o que eu sinto!

PEDRO
Mas eu não to brincando, Gabriel.

GABRIEL
Me diz! O que foi que aconteceu?
Brigou com a Lenita?

PEDRO
Não quero falar disso!

GABRIEL (desabafa)
Mas eu quero! Será que você não
percebe? Eu tenho sofrido esse
tempo todo! Por você! Não consigo
te esquecer! Em nenhum momento do
dia! Não tenha nada que eu faça
que não me lembre você! Eu tenho
te respeitado e respeitado a sua
decisão de retomar seu casamento.
Nunca mais cheguei perto de você!
Eu to fazendo a minha parte! Mas
e você? Na primeira oportunidade
que tem, você vem dormir no meu
quarto! Você acha que eu vou
aguentar essa situação?

Pedro se aproxima ainda mais de Gabriel e põe o dedo em sua boca.

PEDRO
Cala a boca! Não fala mais nada!
Se encaram por alguns instantes.

PEDRO (fala baixinho, quase um sussurro)
Eu quero você!

Música [One Republic – All we are]

Pedro puxa Gabriel para si e se beijam, desesperadamente, os dois loucos de desejo.

CORTA.

FIM DESTE EPISODIO
CRÉDITOS FINAIS

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EPISÓDIO 8 – O SONHO QUE SE TORNA REALIDADE

Publicado por amoresproibidos em 02/06/2009

copacabana123

CENA 01 – PISCINA DO CONDOMINIO COPA – EXTERIOR – DIA

Música ao fundo. Gabriel está na piscina de frente para
Pedro (continuação da última cena do episodio anterior).
Alicia, Bruno, Cristian e Juliana os observam, mas estão
um pouco mais afastados e não ouvem a conversa.

PEDRO
E aí? Como você tá? Por que não
falou comigo quando chegou?

GABRIEL (frio)
E eu tenho algo pra falar?

PEDRO
Não acredito que agora você vai
me tratar mal!

GABRIEL
Eu não to te tratando mal, Pedro!
Mas pensa bem! Que assunto nós
temos? Você é só o amigo do meu
pai! Você tem que conversar é com
ele, não comigo! Agora, se você
me der licença, meus amigos tão
me esperando…

Gabriel faz que vai se afastar, mas pára quando Pedro o chama.

PEDRO
Espera!

GABRIEL
Que foi?

PEDRO
Não queria que ficasse um clima
ruim entre a gente, entende?

GABRIEL
Fica tranquilo. Não tem clima
algum… Da licença.

Gabriel se afasta de Pedro e vai falar com seus amigos.
Pedro o observa, mas Lenita o chama de fora da piscina.

LENITA
Amor, você vai ficar aí na
piscina?

PEDRO
Eu vou. Entra também!

LENITA
Olha que eu entro mesmo, hein!

PEDRO
Então entra! Vem! A água ta
ótima!

LENITA
Tá bom, vou entrar.

PEDRO
Vem logo!

Lenita se afasta e tira a sua roupa e a põe numa cadeira
perto da mesa que John continua sentado, ficando somente
de biquíni.

Enquanto isso, Gabriel, Bruno, Alicia, Cristian e Juliana
conversam dentro da piscina.

CRISTIAN
Mas e aí, Gabriel? Quando é que a
gente vai viajar de novo pra
aquela sua casa de praia em
Saquarema?

GABRIEL
Pô, só marcar! Quando vocês
quiserem. A casa fica lá sozinha,
abandonada, à nossa disposição.

ALICIA
A gente podia ir num desses
feriados que vão vir.

BRUNO
Ou então num fim de semana
qualquer. Todo mundo pode fim de
semana?

JULIANA
Eu posso. Sem problemas!

ALICIA
Eu também. Eu fico a toa em casa.

CRISTIAN
Por mim, fim de semana tá
perfeito!

GABRIEL
Então vamos! Daqui a três semanas
as provas na facul já vão ter
acabado e aí a gente vai poder
viajar.

CRISTIAN
Lá é muito legal! Vocês vão
gostar!

BRUNO
Tu já viajou com o Gabriel muitas
vezes?

CRISTIAN
Varias vezes! A gente não se
desgruda desde a infância! Agora
que com essa historia de
faculdade a gente não tem se
visto tanto… Mas só pra você
ter uma ideia, pra casa de praia
dele eu já fui umas oito vezes…

Todos continuam conversando, mas Gabriel olha casualmente
em outra direção e vê Lenita, que entra na piscina. Lenita
mergulha e depois nada até onde está Pedro e o beija. Os
dois se beijam ardentemente. Gabriel fica olhando fixo,
sofrendo por dentro. Gabriel tenta disfarçar seu incômodo,
desviando o olhar.

GABRIEL (triste)
Galera, vou dar uma saída! Depois
eu volto…

BRUNO
Vai aonde, cara?

GABRIEL
Lugar nenhum. Fica aqui.

Gabriel sai da piscina e olha, discretamente para Pedro e
Lenita, que se beijam e trocam caricias dentro da piscina,
como se fossem dois jovens apaixonados. Bruno fica sem
entender o que aconteceu, mas continua na piscina com os
outros. Corta para:

CENA 02 – PRAIA – EXTERIOR – DIA

Música [All we are – One Republic]

Gabriel sai de seu prédio e atravessa a Avenida
Atlântica em direção à praia. Seus olhos estão cheios de
lágrimas. Senta-se na areia, numa parte ainda vazia, sem
muita gente. Leva as mãos ao rosto e chora. Chora ao mesmo
tempo que vai enxugando as lágrimas de maneira
desesperada.

GABRIEL (com um pouco de revolta)
Isso não pode tá acontecendo
comigo! Não pode!

CRISTIAN (OFF)
Gabriel!

Gabriel se vira e vê Cristian, que se aproxima rapidamente
e senta-se ao seu lado. Música diminui. Gabriel chora um
pouco, enquanto conversa com Cristian.

CRISTIAN
Que foi, cara? Por que saiu de lá
do nada e veio pra cá? Por que
você ta chorando?

GABRIEL
Porque aconteceu comigo o que eu
mais temia esse tempo todo. E ao
mesmo tempo, foi o que eu mais
desejei…

CRISTIAN
O que, cara?

GABRIEL
Eu me apaixonei. (fala sem
encará-lo) To gostando do Pedro
como eu nunca gostei de nenhum
outro cara…

CRISTIAN
Apaixonado?! Mas você nunca se
apaixonou por ninguém…

GABRIEL
Mas aconteceu! Essas coisas a
gente não controla. A gente não
manda no coração! (pausa – pensa)
O pior é que eu me sinto um
idiota, ajo como um idiota…
Tudo isso por causa dele! (encara
Cristian) Não consigo suportar
ver o Pedro aos beijos com a
mulher dele! É demais pra mim!

CRISTIAN
Mas é a mulher do cara! O que ele
vai fazer? Escuta! Esquece esse
cara, esquece essa história! Pro
teu próprio bem! Fica longe desse
cara! Ele só vai te fazer sofrer!
Ou você acha que ele vai ficar
com você? Não vai!

GABRIEL (arrasado)
Eu sei disso.

CRISTIAN
Ele só vai te usar. Como uma
diversão. Um brinquedo. Vai usar
e jogar fora. E você não pode se
submeter a isso!

GABRIEL
Eu sei disso tudo, Cristian. Mas
como, então, esquecer? Como
ignorar o que eu sinto? Como
ignorar o que eu vejo?

CRISTIAN
Evita de todas as formas! Ficar
no mesmo lugar, sabe? Essas
coisas. Evita ficar sozinho com
ele! (o encara) Não to te
reconhecendo… Foi só um beijo e
você já ficou assim…

GABRIEL
Não foi só uma vez! Mas isso não
importa… (pensa) O que importa
é que ele me disse pra esquecer
tudo, que vai tentar reconstruir
o casamento dele.

CRISTIAN
E ele não tá errado! Ele tem que
tentar! E que consiga! Você não
merece alguém assim! Você não
merece a sobra de ninguém,
Gabriel! Você sempre foi o centro
das atenções, desde a infância.
Sempre conseguiu tudo o que
queria! Você é único, cara! Você
merece muito mais! Não vale a
pena você ficar sofrendo pelos
cantos por causa desse cara!

GABRIEL (olha fixo p/ Cristian – meio inseguro)
Você acha que eu to sendo um
idiota? Acha?

CRISTIAN
Não, não acho. Idiota é quem não
te da valor, é quem te machuca…

Gabriel sorri um pouco, mas ainda está fragilizado.

GABRIEL
Você sempre levantando minha
moral… Brigado por me ouvir
mais uma vez…

CRISTIAN
Eu sou seu amigo e vou te ouvir
sempre. Não tem coisa pior do que
ver um amigo sofrendo… E pior
ainda, é ver um amigo sofrendo
por quem não merece…

Gabriel está mais tranquilo e enxuga as ultimas lágrimas.

CRISTIAN
Vamo voltar pra festa! E nada de
choro, hein!

GABRIEL
Tá bom. Vamo voltar.

Gabriel e Cristian se levantam e caminham em direção à
Avenida Atlântica. Música sobe. Corta para:

CENA 03 – PISCINA DO CONDOMINIO COPA – EXTERIOR – DIA

Música ao fundo. Maria, Antonio, Edu e Letícia numa mesa.
John está sentado sozinho numa outra mesa, mas não pára de
olhar para esta. Maria está olhando na direção que John
está.

MARIA
Tadinho do John! Tá sozinho lá na
mesa!

ANTONIO
É que o Pedro e a Lenita tão na
piscina e ele não quer ir. Ele é
meio fechado, mas daqui a pouco
ele entra no espírito carioca.
Chama ele pra cá!

MARIA (p/ John)
John, senta aqui com a gente!

JOHN (responde de longe, com um sorriso)
Não, brigado. To bem aqui.

MARIA
Você que sabe…

Neste momento, chega um amigo de Edu.

AMIGO DE EDU
Grande Edu!

EDU
Paulo! Como tu ta? Quanto tempo!
Esses são meus sogros e minha
noiva!

AMIGO DE EDU
Ola! Prazer!

EDU
E aí, como tão indo as coisas?
(p/ os que estão na mesa) Com
licença!

Edu se levanta e se afasta, indo conversar com seu amigo.

LETICIA
Ih, o Edu agora vai demorar um
ano! Quando se junta com os
amigos dele, fica horas
conversando!

MARIA
Normal. Todo homem é assim… Mas
mudando de assunto, cadê a nossa
câmera? Não to vendo ninguém
filmando nem tirando foto!

ANTONIO
Putz! Esqueci de contratar o
fotógrafo! Mas também, vocês me
falaram que seria algo simples,
só pros íntimos!

LETICIA
Mas é algo simples, pai. Ainda
bem que você esqueceu de
contratar o fotógrafo porque não
tem necessidade! Eu subo e pego a
nossa câmera.

MARIA
Então, faz isso, minha filha.
Festa sem foto não é festa, né!

LETICIA
É verdade. Já volto.

Letícia se levanta e vai andando em direção à área
interior do condomínio. John observa e quando Letícia já
sumiu de vista, se levanta e vai atrás dela. Corta para:

CENA 04 – CONDOMINIO COPA – HALL/ELEVADOR – INTERIOR – DIA

Letícia chama o elevador, ele demora alguns segundos e já
vem. Está vazio. Letícia entra e quando a porta já vai
fechando, John entra. As portas do elevador se fecham.

LETICIA (um pouco surpresa)
John?! Também esqueceu alguma
coisa em casa?

JOHN
Isso. E você?

LETICIA
Esqueci a câmera. To indo lá
pegar. Eu adoro tirar foto, não
podia faltar uma câmera logo
hoje, né?!

JOHN
Claro. (pausa) Você tá feliz?

LETICIA (entusiasmada)
Muito!

JOHN (direto)
Não parece.

LETICIA (confusa)
Como, não parece?!

JOHN
É sério! Não parece não! Sei
lá… Acho que você não ama esse
tal de Edu. Tá com ele só pra
passar o tempo.
Letícia se revolta.

LETICIA
Como é que é? Você ta louco! Quem
você pensa que é pra me falar
essas coisas? Como é que você
pode se atrever a falar sobre o
que eu sinto pelo meu noivo? Você
nem me conhece! E eu não te dou
confiança! Nunca dei! Exijo
respeito!

JOHN
Mas eu não te desrespeitei em
momento algum. Só falei o que eu
acho. Minha opinião. E você não
desmentiu… Nem falou que ama o
seu noivo… Acho que no fundo,
no fundo, pode ter um quê de
verdade no que eu to falando…

Letícia se aproxima de John, nervosíssima.

LETICIA
Escuta aqui, seu muleque! Cala a
sua boca! Dobra a língua antes de
falar de mim ou do meu noivo,
entendeu? Você é muito
prepotente! Acha o que? Que pode
ficar falando o que quiser pras
pessoas? Não se atreva a me
dirigir mais a palavra!

As portas do elevador se abrem e ficam abertas. Quando
Letícia vai sair, John a segura pela mão e a puxa para si.
Estão juntos, cara a cara. Letícia ainda mais revoltada,
faz de tudo pra se livrar dos braços de John, mas ele a
mantém imobilizada.

LETICIA
Me solta, seu louco! Me solta! Se
você não me largar agora eu vou
começar a gritar aqui! Quem você
pensa que é pra fazer isso? Você
passou de todos os limites!
(grita) Me solta!

JOHN
Pára de gritar! Ninguém vai
ouvir! Eu só to fazendo isso
porque eu sei que no fundo você
também quer…

Música [We are broken – Paramore]

John beija Letícia, segurando-a pela cintura e
também pela pescoço. Letícia no inicio do beijo reluta,
batendo um pouco em John, mas depois não resiste mais e se
entrega ao beijo ardente. Corta.

CENA 05 – CONDOMINIO COPA – ELEVADOR/CORREDOR – INTERIOR – DIA

John e Letícia se beijando, quando de repente Letícia o
empurra e bate na cara de John. Está muito nervosa.

LETICIA
Você não devia ter feito isso!
Não devia!

JOHN
E por que não devia?

LETICIA
Ainda pergunta? Estou noiva! Ah,
meu Deus! E eu ainda aqui
perdendo tempo com você… Nunca
mais me dirija a palavra!
Letícia sai do elevador, mas John a segue até a porta do
apartamento de Letícia.

JOHN
Escuta aqui! Você vai ser minha!
Eu não vou desistir! Como você
mesmo disse, você não me
conhece… Quando eu quero algo,
vou atrás e consigo!

LETICIA
Me deixa em paz! O que você quer?
Arranjar confusão? O Edu quebra a
tua cara se ficar sabendo!

JOHN
Eu não quero confusão com
ninguém! Eu só quero você! E eu
vou ter!

LETICIA
Nunca!

Música [We are broken – Paramore]

John agarra Letícia novamente e a beija, mas
Letícia rapidamente se afasta, um pouco confusa e entra em
seu apartamento. John fica em sua porta, pensativo e sorri
um pouco. Corta para:

CENA 06 – PISCINA DO CONDOMINIO COPA – EXTERIOR – DIA

Música [Single – NKOTB And Ne-Yo]

Em câmera lenta, um giro pela festa. Há um bolo
grande e confeitado com aqueles bonequinhos de noivos em
cima. Letícia e Edu sorriem para uma foto perto do bolo.
Letícia e Edu tiram foto bebendo champanhe, com os braços
entrelaçados. Vemos Gabriel, Cristian, Bruno, Juliana e
Alicia conversando entre si, mas de vez em quando Gabriel
olha na direção que Pedro está. Pedro e Lenita, por sua
vez, estão juntos e bebem champanhe. Conversam e se
beijam. Gabriel observa, mas tenta disfarçar. Há muitos
convidados por ali. John olhando de longe Letícia e Edu,
que se beijam. Tela escurece. Corta para:

CENA 07 – STOCK SHOT – EXTERIOR – DIA/NOITE/DIA

A mesma música. Imagens do Rio de Janeiro de amanheceres e
entardeceres, para mostrar a passagem de tempo.
(Alguns dias depois…)

CENA 08 – CAMPO DE FUTEBOL DO BOTAFOGO – EXTERIOR – DIA

Outra música [Air painter – CSS]

Alberto está na beira do gramado, com um
sorriso na boca, olhando para o corredor de onde saem os
jogadores. Atrás dele, no campo, há alguns homens jogando
futebol. De repente, sai do tal corredor Ricardo, que vem
vestido para entrar em campo, com um short, chuteira e uma
camisa qualquer. Aproxima-se de Alberto. Música diminui.

ALBERTO
Eu sabia que você ia acabar
vindo…

RICARDO
Eu vim, sim. Mas não esqueci o
que você fez não! Se tentar
alguma coisa novamente, você vai
ver o que te acontece!

ALBERTO
Calma! Não vou fazer nada! Eu não
falei que ia te ajudar? Pois
então. Aqui estamos. Vamos falar
com o Sérgio, que é o treinador,
você faz uns testes aí e se tudo
der certo, você fica no time.

RICARDO
Beleza. Cadê ele?

ALBERTO
Espera aqui que eu vou chamar.

Alberto vai até o campo e fala alguma coisa com o
Treinador (o nome dele é Sérgio), que vem até Ricardo.
Alberto ao seu lado. Sérgio já chega cumprimentando
Ricardo com um aperto de mãos.

SERGIO
Então, você que é o Ricardo?

RICARDO
Sou eu, sim!

SERGIO
O Alberto me falou muito bem de
você. Disse que você tem talento.
É verdade?

Ricardo olha para Alberto, mas responde a Sérgio.

RICARDO (com um sorriso)
Se ele diz que eu tenho… quem
sou eu pra desmentir?

SERGIO
Então me mostra isso lá no campo.
Joga um tempo com o time, só pra
gente ver do que você é capaz.
Depois a gente conversa mais.
Pode ir!

Música sobe.

Ricardo já vai indo pro campo, mas pára e
fica observando todo o campo. Está radiante de felicidade,
mas tenta disfarçar. Na verdade, está todo bobo pela
oportunidade que está tendo, mas aparenta um certo
nervosismo. Atrás, um pouco mais afastados, estão Alberto
e Sérgio, que pega um colete do time e dá para Ricardo.

Música diminui.

SERGIO
Toma! Veste isso! (entrega o
colete) Quero você no ataque,
junto com aquele ali! (aponta)

RICARDO
Pode deixar.

Ricardo põe o colete e corre para o campo, se juntando aos
outros jogadores. Música sobe.

Corte de continuidade.
Tomada geral da partida de futebol.
Ricardo joga muito, como sempre, faz muitos dribles e três
gols. Sempre recebe muita marcação do zagueiro do outro
time, mas se safa muito bem das marcações e por último faz
um quarto gol. Na beira do campo, estão Alberto, Sergio e
o Presidente do Clube, todos avaliando o desempenho de
Ricardo. Detalhe no rosto de Alberto, que expressa
felicidade a cada jogada ou gol que Ricardo realiza bem.
Os três demonstram gostar do que estão vendo. Corta para:

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continuação: EPISÓDIO 8 – O SONHO QUE SE TORNA REALIDADE

Publicado por amoresproibidos em 02/06/2009

CENA 09 – LANCHONETE – INTERIOR – DIA

Helena entra e procura por uma mesa específica, até que
finalmente encontra Fernando, sentado em uma delas. Helena
está impaciente. Fernando está calmo e está feliz com a
presença de Helena.

FERNANDO
Que bom que você veio! Pensei que
não viria!

HELENA (agressiva)
E não devia vir mesmo! Diz logo o
que você quer!

FERNANDO
Senta aí pra gente conversar!

Helena se senta.

HELENA
Fala logo!

FERNANDO
Por que você me trata assim? Eu
não mereço ser tratado assim.
Você sabe que eu não mereço.

HELENA
Você me chamou pra isso?

FERNANDO
Pára de agir como se nunca
tivesse havido nada entre a
gente!

HELENA
E você quer que eu aja como?!

FERNANDO
Por que você é tão fria assim?
Por que essa frieza no coração? E
o amor que você tinha por mim?
Acabou? Hein, Helena! Me diz! Diz
olhando nos meus olhos que
acabou, que você não sente mais
nada por mim!

HELENA
Eu não sinto mais nada por você!
Eu digo isso quantas vezes for
necessário! E não é novidade!
Nunca te escondi isso! Você sabe
que eu não gosto mais de você.
Você sabe que de você eu só quero
distancia! Eu tenho nojo de você!
Sabe o que é isso? Nojo!

FERNANDO
Quando foi que acabou? Não pode
ser, você era tão apaixonada por
mim!

HELENA
Como você pode ser tão cínico?! E
ainda me pergunta quando
acabou… Francamente!(pausa -
pensa um pouco) Você sabe muito
bem que o que eu sentia por você
acabou no dia que você foi preso!
Naquele dia… No dia que… Você
matou aquela mulher!

FERNANDO
Eu não matei ninguém, Helena!
Quantas vezes eu vou ter que te
dizer isso?

HELENA
Não adianta você me dizer! Eu
nunca vou acreditar em você!
Nunca! Assassino! (grita)
Helena chora um pouco, está muito nervosa e com muito
rancor.

HELENA
Por que você foi voltar? Hein?
Dezoito anos na cadeia pra você
foi pouco! Devia ter ficado mais!
Ninguém sentiu tua falta!
Ninguém! Ninguém sente falta de
um assassino!

FERNANDO (se altera também)
Você não pode me tratar assim! Eu
já cumpri a minha pena. Por mais
que você nem ninguém acredite, eu
vou morrer dizendo que eu não
matei ninguém! Escuta bem,
Helena! Eu vou provar a minha
inocência! Ta me ouvindo? Eu vou
provar! Vou provar por a mais b
que outra pessoa entrou naquele
quarto, naquele dia!

HELENA (desdenhando)
Vai provar? Provar como? Como é
que você vai conseguir provar
alguma coisa de um crime que
aconteceu há dezoito anos?

FERNANDO
Eu vou dar o meu jeito. Eu vou
fazer o culpado pagar! Por tudo
que me fez passar! Por tudo o que
eu sofri!

HELENA
Não me faça rir! Você ta louco,
sabia? Aproveita que você ta
livre, que já pagou a sua pena e
some! Vai embora, Fernando! Pra
que mexer nisso? A quem você ta
tentando enganar com essa
historia? Vai viver sua vida! E
me deixa em paz!

Helena se levanta pra ir embora, mas Fernando a segura
pela mão.

FERNANDO
Espera! Não vai embora!

HELENA
Não tenho mais nada pra conversar
com você!

FERNANDO (direto)
Mas eu tenho. Ainda não falei
tudo o que eu queria. Senta!

Helena senta, relutante. Fernando está decidido e a partir
de agora, a conversa vira uma discussão com muitos gritos.

FERNANDO
Eu quero conhecer a minha filha.

HELENA
Nunca! Não admito!

FERNANDO
Escuta, Helena! Eu sou o pai! Eu
mereço conhecer a filha que você
me escondeu durante todos esses
anos! E você vai me levar até
ela!

HELENA
Desiste dessa historia de
conhecer a Alicia! Eu não vou
permitir que você se aproxime da
minha filha!

FERNANDO
Sua não, nossa!

HELENA
Minha! (grita) Minha! Quem foi
que criou? Quem foi que sempre
teve do lado dela desde que ela
nasceu? Eu, Fernando! Eu! Não
você!

FERNANDO
Do que você tem medo? Por que não
quer que eu me aproxime da minha
filha? Por que ta escondendo ela
de mim?

HELENA
Ela não deve conhecer toda a
verdade… Ela vai sofrer! E eu
não quero que ela sofra!

FERNANDO
Que verdade você não quer que ela
saiba? A sua verdade? Mas ela vai
conhecer a verdade, sim! Sabe por
que? Porque eu vou provar que o
pai dela foi enganado, que foi
preso injustamente e que a mãe
dela sempre esteve errada todos
esses anos!

HELENA
Louco! Só falta agora você me
acusar! Vai fazer isso também?

FERNANDO
Claro que não. O culpado eu já
sei quem é.

HELENA
E quem é, então?

FERNANDO
O Antonio.

Música marca. Helena fica pensativa, um pouco mais calma.

HELENA
O Antonio? Tem certeza?

FERNANDO
Só preciso de uma prova. Só
uma… Mas não tem como não ser
ele. Ele era o único que sabia
onde tava a arma do crime. O
único! Foi ele, com certeza.

HELENA
Então, o Antonio é o assassino…
(pensativa)

FERNANDO
Acredita em mim agora?

HELENA (confusa)
Não! Só estou pensando… que
realmente poderia ter sido ele…
mas não sei, não sei de nada!
Você ta me confundindo! Como eu
posso confiar em você? Como eu
vou saber que você não tá
mentindo?

Fernando se aproxima de Helena, rosto com rosto. Está mais
calmo e fala serenamente.

FERNANDO
Você sabe que eu sou inocente. Lá
no fundo, eu sei que você sabe. E
também sei que lá no fundo, você
ainda me ama. Eu sou o mesmo
Fernando de antes. Eu errei
muito, é verdade, mas to aqui pra
consertar tudo o que eu fiz de
errado…

HELENA
Nem tudo tem conserto, Fernando.
Nem tudo.

FERNANDO
Eu vou reconquistar tudo o que eu
perdi, Helena. Você vai ver. Não
importa quanto tempo isso demore.
Um dia você vai enxergar a
verdade. E eu vou ta esperando
por você nesse dia.

HELENA
A verdade é a que eu conheço. É a
que me fez sofrer durante todos
esses anos. Essa é a verdade pra
mim.

Helena se levanta.

HELENA
Agora eu tenho que ir. Tchau.
Helena sai. Fernando fica sentado, observando Helena se
afastar. Música marca. Corta para:

CENA 10 – FACULDADE – VESTIARIO – INTERIOR – DIA

Julio, Alex, Lucas, Bruno e Gabriel estão sem camisa e
suados, preparando-se para tomar banho. Há outros caras no
vestiário também.

ALEX
Galera, não tem pra ninguém. Eu
jogo melhor que vocês!

LUCAS
Até parece!

GABRIEL
Tu ta falando isso porque o
Ricardo não veio hoje, né!

BRUNO
É mesmo! E falando nele, onde ele
tá? Você sabe, Julio?

JULIO
Pô, ele foi fazer um teste.

BRUNO
Teste? Que teste?

JULIO
Pra jogar futebol. Num clube.
Acho que foi no Botafogo. Ou
Madureira. Agora não sei ao
certo… Só sei que tem um tal de
Alberto por trás disso tudo, o
cara que arrumou esse teste pra
ele.

LUCAS
É o tal olheiro. Já vi esse cara
por aqui algumas vezes.

JULIO
Pois é. Ele mesmo. Só que esse
cara não é flor que se cheire!

GABRIEL
Ué! E por que?

JULIO (desconversa)
Nada não. Deixa pra lá!
Julio vai tomar banho, mas ouve-se um barulho de celular.

JULIO
É o meu.
Julio pega seu celular dentro da bolsa, que está ali por
perto e atende. Enquanto isso, Alex, Lucas, Bruno e
Gabriel vão tirando a roupa e indo pro chuveiro. Alterna
entre Julio e Ricardo, que está na porta do Botafogo e
louco de tanta felicidade.

JULIO
Alo!

RICARDO
Cara, você não vai acreditar!

JULIO
O que aconteceu, cara? Fala!

RICARDO
Muleque, eu passei no teste!

JULIO
O que?

RICARDO
É isso mesmo, muleque! Você tá
falando com o mais novo
contratado do Botafogo!

Julio se surpreende com a notícia.

JULIO
Que isso, cara? Ta falando
sério?!

RICARDO
To, pô. Já to indo pra casa. Avisa
aí pro pessoal da facul que a
gente vai comemorar hoje à noite!
Vô ter que desligar agora! Valeu!

Júlio desliga o celular. Júlio fala alto para todos (Alex,
Lucas, Bruno e Gabriel; que estão tomando banho)
escutarem.

JULIO
Galera, era o Ricardo no celular.
Ele passou!

Alex, Lucas, Bruno e Gabriel aparecem na porta do
compartimento onde tomam banho para poderem escutar Julio.

GABRIEL
O que? Tá falando sério?

JULIO
Sério. Ele vai jogar pelo
Botafogo! Ele conseguiu o que ele
queria!

Todos ficam muito felizes com a noticia.

ALEX
Pô. To muito feliz. O Ricardo tá
correndo atrás disso há mó
tempão!

LUCAS
E a gente não vai comemorar essa
notícia?

JULIO
Vamo sim. O Ricardo me falou que
sim. Mas ainda não sabemos o
lugar. Vocês tem alguma sugestão?

ALEX
Eu tenho. Por que não vamos lá
naquele bar novo que abriu ali na
Lapa? Me falaram que lá só dá
mulher gostosa!

LUCAS
É uma boa. Pode crer.

JULIO
Por mim, tudo bem.

ALEX (p/ Bruno e Gabriel)
E vocês, o que acham?

BRUNO
Pô, pra mim não vai dar. Tenho
que sair com meu pai hoje a
noite.

ALEX
Ah, Bruno! Tu sempre inventa uma
desculpa quando tem que sair com
a gente! Você e o Gabriel!

JULIO
É verdade. E você, Gabriel? Qual
vai ser a desculpa dessa vez?

GABRIEL
Não vô dar desculpa nenhuma.
Simplesmente não to afim de ir!

JULIO
Ah! Deixa de ser gay! Que não tá
afim o quê! A gente vai comemorar
uma conquista de um amigo nosso,
cara! E você vai fazer essa
desfeita?!

Gabriel pensa um pouco.

GABRIEL
Tá bom. Eu vou.
Bruno, surpreso.

BRUNO
Vai?

GABRIEL (p/ Bruno)
Vou! (p/ Julio) Só me diz a hora
que eu vou tá lá!

JULIO
Muito bem, Gabriel! É assim que
se fala! (p/ todos) Eu ligo pra
vocês mais tarde pra gente marcar
a hora certa.

Todos voltam a tomar banho. Júlio tira a roupa e vai pro
chuveiro também. Gabriel, que toma banho na cabine ao lado
da de Bruno, fala com ele, discretamente.

GABRIEL
Você vai também!!

BRUNO
Eu?!

GABRIEL
Sim, você!!

Gabriel decidido a levar Bruno. Música marca. Corta para:

CENA 11 – BAR – INTERIOR – NOITE

Música ao fundo. Esse é um bar de estilo rústico. Há um
grande balcão onde os barman’s fazem os drinks. Há também
um palco e aqueles canos típicos de boates (mas não há
ninguém dançando neles, ainda). É tipo um pub, mas um
pouco maior. Há no ambiente homens e mulheres, todos muito
bonitos.

Numa mesa redonda, situada mais num canto do bar, estão
Gabriel, Bruno, Alex, Lucas, Julio e Ricardo. Há algumas
latas de cerveja sobre a grande mesa e também há alguns
petiscos. Ricardo, entusiasmado. Música diminui.

ALEX
Conta pra gente, cara! Quando
você vai estrear no Botafogo?
RICARDO
Sabe como é né! A gente tá no
meio do Brasileirão! O técnico
quer que eu jogue o mais rápido
possível, mas o presidente do
clube falou que eu vou ficar um
mês me preparando fisicamente pra
poder estrear. Ele acha que eu
preciso ter ritmo de jogo, me
acostumar a jogar 45 minutos
seguidos, essas coisas.

JULIO
Mas tu ta ansioso, né?

RICARDO
Claro! Muito! Não vejo a hora de
poder jogar logo! Já imaginou eu
fazendo um gol no Maracanã?! A
galera indo à loucura! Vai ser
demais!

GABRIEL
Pô, Ricardo! Parabéns, cara! Tudo
vai dar certo e você vai fazer
muitos gols! Se bem que eu
preferia que você jogasse pelo
Flamengo, né!

LUCAS
É verdade. O mengão é o mengão,
né! Sem comparação!

RICARDO
É, galera. Eu sou flamenguista
também. Mas agora o que importa é
o clube que me deu a oportunidade
que eu queria! Infelizmente, se
eu tiver que marcar um gol no
Flamengo, eu vou ter que marcar!
Sinto muito!

BRUNO
E tu já contou pros teus pais
essa novidade?

RICARDO
Já liguei pra eles. Ficaram
felizaços! Mas, eles só vão
acreditar mesmo quando me verem
no campo jogando! Aí sim! Por
falar neles, sinto falta dos meus
velhos…

GABRIEL
Não dá pra você ir lá visitar
eles?

RICARDO
Não sei, to sem tempo por causa
da facul. E ainda mais agora. Mas
vou ver se dou um pulo lá!

JULIO
Eles nem moram tão longe! Pelo
menos ainda é dentro do Rio.

RICARDO
Eu acho longe, sim! Campos é
quase saindo do Rio. Pra mim, é
longe! Preciso de tempo. Queria
ir pra passar uma semana. Mas vai
dar tudo certo, com o dinheiro
que vou ganhar jogando futebol,
vou comprar uma casa pra eles
aqui no Rio.

BRUNO
Mas cara, deixa eu te fazer uma
pergunta indiscreta?

RICARDO
Diz ae!

BRUNO
A pergunta que não quer calar: a
grana que eles vão te pagar é
boa?

RICARDO
Bom, eu não tenho noção dessas
coisa. Por isso mesmo, que talvez
precise de algum empresário…
Mas é uma grana maneira!

A conversa continua, enquanto um garçom põe mais cervejas
na mesa. Bruno percebe nesse momento que há um homem e uma
mulher numa outra mesa (são namorados), mas o cara não
pára de encará-lo. Bruno desvia o olhar por um momento,
mas volta a olhar para a tal mesa e o homem continua
encarando-o (a mulher não percebe, é claro). O cara pisca
com um olho para Bruno, fala alguma coisa com a mulher, dá
um beijo em sua boca e se levanta. Bruno disfarça, mas vê
que o homem foi em direção ao banheiro. Música. Neste
momento, todos que estão na mesa voltam a atenção às
mulheres de corpos esculturais que sobem nos tais canos e
dançam, ao som de música bem provocante. Os homens deliram
e as mulheres que estão ali (que geralmente são namoradas
dos caras) têm reações diversas: algumas acham um pouco de
graça, outras admiram e outras fecham a cara. Ricardo,
Alex, Lucas e Júlio babam pelas mulheres dançando,
provocativamente. Gabriel também admirando as mulheres.

RICARDO
Vai ser gostosa assim lá em casa!

Bruno se levanta, falando somente com Gabriel.

BRUNO
Vou no banheiro. Já volto.

GABRIEL (olhando para as mulheres)
Tá bom.

Bruno vai em direção ao banheiro.

CENA 12 – BAR – BANHEIRO MASCULINO – INTERIOR – NOITE

Bruno entra no banheiro e encontra o tal cara mijando no
mictório. Bruno vai até a pia e lava as mãos e o rosto, e
olha no imenso espelho que há perto da pia e vê, através
do espelho, que o cara entra em uma das cabines olhando.
para Bruno. Não há mais ninguém no banheiro a não ser os
dois. Bruno vai até a tal cabine onde está o cara, entra e
fecha a porta.

A mesma música da cena anterior. Neste momento,
alternância de imagens: as mulheres dançando no cano, no
bar; e Bruno e o tal Homem, que se beijam e se amassam,
freneticamente na cabine do banheiro. As imagens vão se
alternando a medida que as ações vão se acentuando (a
dança das mulheres vai ficando cada vez mais provocativa,
enquanto que o amasso entre Bruno e o Homem se
intensifica). Ficamos por 1 min. aprox. nessa alternância
de imagens. Música cessa. No bar, as mulheres param de
dançar. Os homens aplaudem.

No banheiro, o Homem, finalmente, pára de beijar Bruno.

HOMEM (sussurrando)
Eu tenho que ir agora. Minha
esposa tá me esperando. Você é
uma delicia, sabia?

O Homem sai da cabine e quando sai finalmente do banheiro,
entra Ricardo, que vai para o mictório. Bruno, ainda sem
fôlego, sai da cabine e se surpreende ao ver Ricardo.

BRUNO
Ué! Você tava aí?

RICARDO
Vim agora no banheiro. O ruim da
cerveja é que você quer mijar o
tempo todo…

Bruno vai em direção à pia de novo e lava as mãos e o
rosto. Ricardo se aproxima e faz o mesmo.

RICARDO
Vambora, cara!

BRUNO
Vai lá que eu já vou indo.

RICARDO
Beleza.

Ricardo sai do banheiro. Bruno continua frente ao espelho,
com o rosto molhado.

BRUNO
Essa foi por pouco…

Música marca. Corta para:

CENA 13 – RIO DE JANEIRO – EXTERIOR – NOITE/DIA

Música [Single – NKOTB And Ne-Yo]

Paisagens da cidade de dia e de noite.

(1 mês depois…)

CENA 14 – APTO. DE PEDRO – SALA – INTERIOR – DIA

Pedro, Lenita e John tomando café quando toca o telefone.
Pedro está vestido com bermuda, camiseta e tênis. Lenita
também está vestida desta maneira.

LENITA
Quem será uma hora dessas?

JOHN
Hora normal, mãe. Nós é que
acordamos tarde! Já são quase
nove e meia.

LENITA
Você atende, Pedro?

PEDRO
Claro!

Pedro atende o telefone (que é sem fio).

PEDRO
Alo! (escuta) Oi! Tudo bem? Poxa
que bom que você ligou! (escuta)
Claro, claro! Que horas então?
(escuta) Tá ótimo. Beijo. Tchau.

Pedro volta à mesa. Lenita tenta controlar sua
curiosidade.

PEDRO
Era pra mim.

LENITA
Isso eu percebi.

PEDRO
Era a Helena. Aquela amiga minha
que eu te apresentei no hospital
naquele dia. Lembra?

LENITA
Vagamente. (pensa um pouco) E o
que ela queria?

PEDRO
Nada em especial. Só ligou pra
saber como eu to. Já faz um mês
que eu to no Rio e a gente ainda
nem fez nenhum programinha, não
conversamos nem nada…

LENITA
Hum… e ela te ligou… pra
conversar, então?!

PEDRO
Isso. Marcamos um encontro. Um
jantar. Você não se importa, né?!

LENITA (tentando não ser ciumenta)
Não, nem um pouco. Mas… não
poderíamos jantar todos juntos?
Eu, você, essa tal de Helena e o
marido dela?

PEDRO
Ela não tem marido. Pelo que ela
me disse, tá divorciada.

LENITA
Ah tá. (pensativa) Divorciada…

PEDRO
Por isso que vamos jantar só eu e
ela. Não tem nada demais. Fomos
amigos de infância!

LENITA
Tudo bem. Eu entendo. Não to
falando nada!

PEDRO
John, e temos que arranjar uma
ocupação pra você! Tava pensando
em te colocar lá na empresa do
Antonio.

JOHN
Trabalhar?

PEDRO
Sim. Por que não?

JOHN
Mas eu nunca trabalhei!

PEDRO
Por isso mesmo! Talvez já esteja
na hora de você começar!
Trabalhar é bom, meu filho. A
gente passa a valorizar mais o
dinheiro que a gente tem quando
ele sai do nosso bolso.

JOHN
Ta querendo dizer que eu não
valorizo o dinheiro que nós
temos?

PEDRO
Não, John. Não é isso que eu
estou falando. Por favor, não
comece botando palavras na minha
boca! Só estou dizendo que
trabalhar é bom porque a gente
passa a valorizar ainda mais o
dinheiro que temos. Acredito que
isso vai ser bom pra você. Como
crescimento pessoal.

JOHN
Você sempre acha o que é melhor
pra mim, né! Impressionante! Como
se eu fosse um boneco, um
brinquedo sem vontade própria que
só faz o que lhe mandam… Não é
assim que funciona, pai! Eu não
sou um brinquedinho seu! Eu sou
seu filho. Eu tenho as minhas
vontades. Você nem sequer me
consulta! Oh, aviso logo, eu não
vou trabalhar!

PEDRO
Tá bom, John. Eu não vou discutir
com você. Faz o que você achar
melhor. Eu só to dando uma ideia,
a minha opinião, mas como sempre
eu faço tudo errado. Eu nunca vou
conseguir te agradar, né, John!
Nunca vou fazer algo de bom pra
você, né! Mas tudo bem, eu vou
continuar tentando. (p/ John e
Lenita) Com licença.

Pedro se levanta, tira a camisa e vai em direção à porta.

LENITA
Perae, Pedro! Aonde que você vai?
Eu já to indo!

PEDRO
To te esperando lá embaixo.
Pedro sai.

LENITA
Pensa melhor sobre essa historia
de trabalhar, filho. Pensa com
calma.

JOHN
Eu não tenho que pensar, mãe. Eu
não quero e pronto!

Close em John, decidido. Corta para:

CENA 15 – PRAIA – EXTERIOR – DIA

Música [Crystal Ball – Pink]

Pedro parado no calçadão, fazendo alongamento,
olhando para a areia da praia. De repente, chega Lenita.
Beijam-se. Música diminui.

LENITA
Vamos?

PEDRO
Vamos. Até o Forte de Copacabana,
lá daquele lado. Topa?

LENITA
Nossa! Tão longe!

PEDRO
Ah, Lenita! Não acredito que você
vai desistir? Não era você quem
sempre participava da Maratona de
Nova York?

LENITA (sorri)
Sim, a que sempre participava e a
que nunca completou todo o
percurso! Sempre desisti antes do
final da prova, Pedro!

PEDRO
Vambora! Daqui até ali não é
nada!

LENITA
Tá bom, vamos. Com você do meu
lado, eu aguento qualquer distancia.

Música sobe. Pedro e Lenita se beijam novamente e começam
a caminhar, num ritmo normal rumo ao Forte de Copacabana.
Ficamos com eles. Como sempre, no calçadão há de tudo:
vendedores ambulantes, aquelas pessoas passeando com
cachorros, muitas bicicletas na ciclovia, idosos e gente
de todas as idades também por ali caminhando e correndo.
Pedro e Lenita vão caminhando, mas ao mesmo tempo vão
observando tudo o que vêem e se encantam com o que estão
vendo. Fazem comentários um com o outro que não escutamos.

Corte de continuidade.

Pedro e Lenita param num quiosque e
compram duas águas de coco. Estão suados e cansados,
parecendo já terem andado muito. Eles já chegaram até o
Forte de Copacabana.

LENITA
Até que andamos rápido!

PEDRO
É verdade, mas temos que diminuir
o nosso tempo.

LENITA
Mas to tão cansada! Que calor que
essa cidade faz, meu Deus!

PEDRO
Vamos terminar esse coco e voltar
correndo?! O que você acha?

LENITA
Você tá louco! Não consigo nem
andar! Imagina correr!

PEDRO
Eu te levo no colo. Você quer?

LENITA (toda meiga)
Ah, então você aceitar. Se você
me leva no colinho…

Pedro e Lenita se beijam.

LENITA
Eu te amo, sabia? Não quero nunca
te perder!

PEDRO
Você nunca vai me perder!

Beijam-se novamente.

PEDRO
Já acabou de beber?

LENITA
Já.

PEDRO
Então vamo voltar.

Pedro e Lenita jogam fora os cocos numa cesta de lixo e
voltam a caminhar na direção contrária. Corta para:30.

CENA 16 – MÉIER – RUA / ONIBUS – EXTERIOR – DIA

Música de suspense. Alicia sai de sua casa e caminha até
um ponto de ônibus. Fernando a está observando de longe e
a segue. Alicia entra no ônibus e Fernando consegue entrar
no mesmo ônibus, sentando-se atrás, onde pode observá-la.
De repente, entra um jovem de mais ou menos 22 anos no
ônibus, que paga a passagem normalmente, mas que logo após
passar na roleta, revela-se um assaltante, apontando uma
pistola para os passageiros numa mão e segurando uma
grande sacola na outra.

ASSALTANTE
Olha só! Isso aqui é um assalto!
Podem entregando tudo que vocês
tem! Eu vou levar a porra toda!
Relógio, celular, o caralho!
Dinheiro também, é claro!
Primeiro a senhora, minha tia,
passa tudo que é de valor!

O pânico paira no ônibus. Algumas mulheres começam a
chorar de medo e outras gritam. Algumas pessoas começam a
orar a Deus. Fernando só observa e não esboça nenhuma
reação de medo. O Assaltante não tem muita paciência com
quem demora a entregar o que tem de valor.

ASSALTANTE (grita com um passageiro)
Vambora porra! Entrega logo tudo!
Tá demorando muito!

O Assaltante vai ameaçando todos os passageiros, até que
chega na vez de Alicia, que carrega consigo uma bolsa
média.

ASSALTANTE
Passa tudo, gata!

Alicia tenta argumentar, ainda que esteja um pouco
nervosa.

ALICIA
Eu não trouxe meu celular! E na
minha bolsa só tem minha roupa de
dança! Pode olhar! (mostra)

O Assaltante se irrita.

ASSALTANTE
Como é que é? Tá achando que eu
to brincando, é? E dinheiro? Vai
dizer que não tem? Mó cara de
grã-fina! (grita) Passa a bolsa
toda! Agora!

Alicia (nervosa)
Não posso! É a minha roupa de
dança!

O Assaltante põe a arma na cabeça de Alicia, que por sua
vez se desespera e começa a chorar.

ASSALTANTE
Entrega essa merda dessa bolsa
agora, sua desgraçada!

Alicia chorando muito, desesperada.

ALICIA
Tá bom. Toma.

Neste momento, quando Alicia está prestes a entregar a
bolsa ao assaltante, Fernando se levanta e vai até onde o
Assaltante está.

FERNANDO (p/ Alicia)
Não entrega nada!

ASSALTANTE (gritando p/ Fernando)
Tá maluco? Quer tomar um tiro no
meio da cara? Eu te mato!

FERNANDO
Então, mata! Atira agora! Anda!
Atira! Me mata se tu é homem de
verdade! Nem assaltar a porra de
um ônibus você sabe! Seu merda!

Fernando dá um soco no Assaltante, que cai e bate com a
cabeça no chão do ônibus. O Assaltante está com medo de
Fernando, que está agora com arma apontada para ele.

ALICIA (p/ Fernando)
Não! Não mata ele! Por favor,
não!! Chama a policia! Mas não
mata!

Fernando continua com a arma apontada para o Assaltante,
que treme de medo de Fernando e que está com a cabeça
sangrando.

FERNANDO (p/ Alicia mas apontando a
arma para o Assaltante)
Pega a sacola no chão e devolve
as coisas que ele roubou pros
donos.

Alicia pega a tal sacola no chão.

FERNANDO
Fica tranquila que eu não vou
matar esse cara! Essa arma tá
descarregada! (começa a rir,
ironizando o bandido)
Descarregada!

Fernando aperta o gatilho e de fato não há bala.

FERNANDO (p/ Assaltante)
Você devia ter vergonha de fazer
isso com os outros! Todo mundo
aqui é trabalhador! Ninguém aqui
é vagabundo que nem você, não!
Todo mundo aqui rala o mês
inteiro pra ganhar um dinheirinho
qualquer. E pra que? Pra vir um
babaca feito você assaltar? Sorte
sua não ter bala nesse revolver,
senão eu te matava agora mesmo!

Fernando chuta o Assaltante no abdômen, deixando-o sem
forças no chão.

FERNANDO (p/ os passageiros)
Chamem a policia! Esse cara não
vai a lugar algum! Agora vai
pensar duas vezes antes de querer
assaltar alguém!

Alicia entrega a sacola aos passageiros e eles vão aos
poucos pegando os seus pertences de volta. O ônibus pára e
sobe um policial, que leva o Assaltante algemado. Os
passageiros começam a agradecer a Fernando.

FERNANDO
Eu não fiz nada demais! Só fiz a
coisa certa. (p/ motorista)

Motorista, pode continuar a
viagem!

O ônibus começa a andar e Fernando volta pro seu lugar, na
parte de trás do ônibus. Alicia vai até ele e senta-se ao
seu lado.

ALICIA
Brigada por ter me salvado!

FERNANDO
Não precisa agradecer! E eu não
te salvei coisa nenhuma! Ele não
ia te matar simplesmente porque a
arma tava descarregada! Mas nem
sempre é assim… Esse aí é sem
experiência! Se fosse um
assaltante de verdade, poderíamos
estar todos mortos agora. Porque
eles não se contentam só em nos
roubar. Eles querem roubar e
matar. Esse mundo tá perdido
mesmo!

ALICIA
Você é tão valente! Corajoso! Não
importa que ele não ia fazer
nada! Você me ajudou, sim! E eu
vou ser eternamente grata a você.
Qual o seu nome?

FERNANDO (pensa um pouco)
Roberto. Prazer! (aperta a mão de
Alicia) E o seu?

ALICIA
Alicia.

FERNANDO
Bonito nome. Eu sempre quis que
minha filha tivesse esse nome…

ALICIA
E qual o nome dela?

FERNANDO
Não sei. Não a conheci.
(disfarça) É uma longa
história…

ALICIA
Entendo.

FERNANDO
Então você dança?

ALICIAComo você sabe?
FERNANDO
Você não disse ao assaltante que
só tinha na sua bolsa a sua roupa
de dança?

ALICIA
Ah, é! Eu faço dança
contemporânea! (olha pro lado de
fora do ônibus) Aliás, eu já
tenho que descer! Foi um prazer!
Brigada mesmo! Tchau.

FERNANDO
Não foi nada. Tchau.
Alicia dá sinal, o ônibus pára e ela desce. Ainda dá tempo
de Fernando ver Alicia entrando na escola de dança. O
ônibus volta a andar.

FERNANDO (emocionado, falando
sozinho) Minha filha é linda!

Fernando, pensativo. Música marca. Corta.

FIM DESTE EPISÓDIO

CRÉDITOS FINAIS

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EPISÓDIO 7 – TENTANDO ESQUECER

Publicado por amoresproibidos em 24/04/2009

AMORES PROIBIDOS

CENA 01 – CALÇADÃO DE COPA – EXTERIOR – NOITE

Música de suspense. Fernando está sentado numa das mesas de um quiosque, tomando um ‘drink’. Parece impaciente, olha sempre no relógio quando de repente, chega Antonio. Música diminui.

FERNANDO (irônico)
Ora, ora! Até que enfim! Pensei
que eu ficar aqui mais uma hora
te esperando…

ANTONIO (revoltado)
O que você quer, seu miserável?

FERNANDO
Calma, Antonio! Relaxa! Você ta
muito nervoso! Senta! Quer uma
bebida? (p/ garçom) Garçom, traz
um desse aqui pro meu amigo!

ANTONIO
Miserável!

FERNANDO (direto)
Senta!

Antonio se senta, muito contrariado. Fernando aparenta uma calma e dá um tom de ironia ao que diz.

ANTONIO
O que você quer?

O Garçom traz a bebida para Antonio, que a ignora. Está muito nervoso.

FERNANDO (irônico)
Não vai beber? Tá uma delicia!

ANTONIO (nervoso)
O que você quer? Não vou
perguntar de novo!

FERNANDO
Tá bom, vou dizer. É muito
simples. Você sabe o porquê eu to
aqui falando com você hoje?
Porque eu to livre! Eu cumpri a
pena, cara! Dezoito anos! (numa
falsa alegria) Cumpri um a um…
Você tem noção disso? Não! Claro
que não! Duvido que saiba! O que
são dezoito anos pra quem tá aqui
fora? Mas pra mim, durou uma
eternidade…

ANTONIO
O que eu tenho a ver com isso?
Você pagou por um crime que você
cometeu! Você fez por onde!

FERNANDO
Perae! Já vai me julgar? (muda o
tom, falando sério, sem ironia)
Eu cumpri a pena, sim! Mas só
quero te dizer que agora eu vou
reconstruir a minha vida. E isso
significa que eu vou destruir a tua!

ANTONIO
Como assim?

FERNANDO
Antonio, cá entre nós, não tem
ninguém ouvindo… Você vai
continuar negando?

ANTONIO
Do que você ta falando?

FERNANDO
Somos adultos, tá legal? Podemos
conversar de homem pra homem!
Você já pode me confessar a verdade!

ANTONIO
Que verdade? Você tá louco!

FERNANDO
Eu to louco? Antonio, olha pra
mim! Você sabe muito bem quem foi
que matou aquela mulher! Chega de
mentira! Chegou à hora de todo
mundo conhecer a verdade!

ANTONIO
Você tá maluco! Não ta dizendo
coisa com coisa…

FERNANDO
Ah, não? Antonio, você é um
assassino! Você sabe muito bem
que foi você quem entrou naquele
quarto naquele dia, há dezoito
anos atrás… Você sabe que eu to
falando a verdade! Ou você acha
que eu deixaria isso barato? Você
me deixou mofar na prisão por um
crime que eu não cometi!

ANTONIO
Agora estamos falando português
claro! Então você me procura pra
me acusar? É isso? (ri) Isso é
ridículo! Não vê que teu papel ta
ridículo? Onde já se viu isso?
Você tá livre agora! Some! Vai
viver tua vida! Esquece que eu
existo! Agora vai querer ficar me
culpando pelo que você fez?
Francamente!

FERNANDO (muito alterado, mas falando baixo)
Você sabe que não fui eu! Eu vou
te desmascarar, Antonio! Todo
mundo vai saber o monstro que
você é. Eu vou provar a minha
inocência! E eu vô te colocar
atrás das grades, que era pra
onde você deveria ter ido há
muito tempo!

ANTONIO
Some da minha vida, Fernando! Pro
seu próprio bem… Some! Essa
história não vai dar em nada.
Quem vai acreditar em você? Um
pobre coitado, um ex-presidiário!
(com desprezo) Um merda! É isso
que você é! Não vai provar nada!
Nada! Até porque não há provas!
Porque eu não fiz nada!

FERNANDO
Nem que seja a ultima coisa que
eu faça em vida… eu vou provar
a minha inocência! E vou mostrar
pra todo mundo quem você é de
verdade! Porque um dia as
máscaras caem… E chegou a tua
hora!

Antonio fica muito nervoso e pega na gola da camisa de Fernando.

ANTONIO
Escuta aqui! Não cruza o meu
caminho! Senão eu acabo com você!
Tá ouvindo? Eu acabo com você!

FERNANDO
Vai fazer o que? Vai me matar? É
isso? Mata! Pode matar! Ou vai me
matar e incriminar alguém, como
você já fez comigo?

Antonio, pensativo, larga Fernando, que o encara por alguns instantes e se levanta. Fernando volta a aparentar calma.

FERNANDO
Já vou indo. Essa foi só a nossa
primeira conversa. De muitas.

Antonio encara Fernando, com cara de ódio.
Música de tensão marcando ao fundo.

FERNANDO
Ah! E eu preciso de grana. To sem
um tostão!

ANTONIO
Problema é seu! Se vira!

FERNANDO
Antonio, não faça isso com um
amigo seu! Dinheiro pra você não
é problema que eu sei… Você vai
começar a colaborar comigo.
Direitinho. Senão, entro na
justiça, faço da sua vida um
inferno! Te acuso e vai ser um
escândalo! Vai perder clientes e
dinheiro! E eu sei que dinheiro é
a coisa que você mais preza nessa vida…

ANTONIO (contrariado)
Quanto você quer?

FERNANDO
Neste momento… fico feliz com 5
mil reais.

ANTONIO (surpreso)
5 mil?

FERNANDO
5 mil. Agora. Não é muito pra
você! Não faça drama!

ANTONIO
Mas eu não tenho esse dinheiro
todo aqui agora!

FERNANDO
Tem! Tem sim! Abre a carteira e
me mostra! Eu sei que tem!

ANTONIO
Não tenho! Já falei que não
tenho! Você acha que eu ando com
essa quantia de dinheiro na
carteira?! Te dou um cheque! 5
mil! E você cala a boca e some!
Ouviu bem? Você tem que sumir!

FERNANDO
Me da o cheque!

Antonio pega um talão de cheque do bolso e preenche um cheque rapidamente com o valor de 5 mil e o entrega para Fernando. Antonio está muito contrariado. Fernando lê o cheque e dá um sorriso.

FERNANDO
Muito bom! Já estamos nos
entendendo… To indo embora! Mas
eu volto! Já sei onde você mora!
Até logo! Eu volto, hein? Pra
tratarmos de negócios… Ah! E
paga as bebidas!

Fernando vai embora. Antonio está furioso e golpeia a mesa com a mão direita.

ANTONIO
Desgraçado!

Antonio continua no bar, bebendo, pensativo. Está muito nervoso.
Música marca.

Corta para:

CENA 02 – APTO. DE GABRIEL – QUARTO DE GABRIEL – INTERIOR – NOITE

Música [All we are - One Republic]

Gabriel entra com lágrimas nos olhos, mas relutando consigo mesmo para não chorar. Limpa as lágrimas que insistem em cair. Está nervoso. Senta-se na cama e se lembra de uma parte da última discussão com Pedro.

FLASHBACK DA CENA 20 DO EPISÓDIO 06:

PEDRO
Gabriel, você precisa se afastar
de mim! Eu preciso tentar!

GABRIEL
Me afastar? Mas é impossível! A
gente mora lado a lado…

PEDRO
Você sabe do que eu to falando!
Vamos acabar com isso! Agora! Pra
sempre! Vamos apagar essa
historia da nossa mente!

Gabriel desvia o olhar de Pedro.

PEDRO
Olha pra mim! Não aconteceu nada
entre a gente! Nunca! Nunca
aconteceu nada! Ouviu bem? Você
vive a sua vida e eu vivo a
minha! Como era antes da gente se
conhecer.

FIM DESTE FLASHBACK.

Música diminui. Gabriel, com olhos vermelhos, chora e leva as mãos ao rosto.

GABRIEL
Eu não devia tá gostando assim…
O que tá acontecendo comigo?

Gabriel levanta e vai até um espelho grande que há em seu quarto. Fica olhando a sua imagem no espelho, enquanto enxuga as lágrimas com fúria.

GABRIEL
Não vou aqui sofrendo por ele.
Nem por ele nem por ninguém.

Gabriel pega seu celular e disca. Está um pouco mais calmo e com outro ânimo.

GABRIEL
Alo! Bruno? Vamos sair hoje? Me
leva pra aquela boate que você
tinha comentado! Hoje to afim de
me divertir! (escuta) Tá bom. Te
encontro lá! Valeu! (desliga)

No que Gabriel desliga o celular, corta imediatamente para:

CENA 03 – APTO. DE BRUNO – QUARTO DE BRUNO – INTERIOR – NOITE

Bruno desliga a ligação no celular e Denise (sua mãe) entra no quarto.

DENISE
Bruno, vai jantar agora?

BRUNO
Não, mãe! Vou sair! (irritado)
Aliás, se bate na porta antes de
entrar!

DENISE
Ih, calma! Desculpa! Errei! Não
faço mais!

BRUNO
Você fala isso sempre!

DENISE
Mas não sei o tanto que você
fecha essa porta desse quarto!
Não sei, parece que tem algum segredo!

BRUNO (sem paciência)
Não se trata disso, mãe! A
questão é que se eu tenho um
quarto eu devo ter privacidade
nele, né? Ou não? Acho que eu
posso fechar a porta à hora que
eu bem entender!

DENISE
Tá, tá bom. Não precisa se irritar!

BRUNO
Eu não to irritado, mãe!(mais
calmo) Meu pai já chegou do trabalho?

DENISE
Já sim! Pensei que íamos jantar
todos juntos, como uma família de
verdade, né? Mas você ultimamente
quase não tem parado em casa! Já
vai sair hoje de novo…

BRUNO
Dona Denise, não começa, tá?! Dá
um tempo hein?

DENISE
Eu falo porque me preocupo com
você, meu filho.

Denise se aproxima de Bruno, o beija na testa e fica olhando para ele, segurando o seu rosto. É uma mãe apaixonada pelo filho. Bruno se sente desconfortável com o jeito que Denise o trata.

BRUNO
Eu sei que você se preocupa. Só
precisa se preocupar menos. Não
sou mais criança…

DENISE
Eu sei que não. Mas eu te amo
muito. Não sei o que seria de mim
se algo acontecesse a você…

BRUNO
Também te amo, mãe. (sorri) Mas
eu tenho que tomar banho pra sair.

DENISE
Tá bom. E eu aqui te
atrapalhando! Vou lá!

Denise sai.

Musica [One of the boys - Katy Perry]

Bruno abre o guarda-roupa e fica escolhendo a roupa que usará.

Corta para:

CENA 04 – APTO. DE PEDRO – QUARTO DE LENITA – INTERIOR – NOITE

Pedro sai do banheiro enrolado na toalha, meio abalado e se surpreende com Lenita, que está sentada, na cama.

PEDRO
Lenita? Não sabia que você tava
aqui. Na hora que eu entrei você
não tava…

LENITA
Pedro, você tá bem?

PEDRO
Tá tudo ótimo. Pára de se
preocupar comigo sempre! Tudo vai
ficar bem agora. A gente vai ser
muito feliz aqui.

LENITA
Espero. É a coisa que eu mais
quero nessa vida.

Pedro se aproxima e beija Lenita. Ela cai na cama e ele por cima.

PEDRO
Nunca mais duvide do meu amor por
você! Eu te amo, Lenita! Te amo!

Lenita se alegra ao ouvir isso, fica sorridente e beija Pedro.

LENITA
Eu também te amo, meu amor. Como
eu queria ouvir isso de você!

Música [Devil wouldn't recognize you - Madanna]

Vão se beijando. Pedro tira a blusa de Lenita e continuam se beijando, muitos “amassos”, beijos no pescoço também. Em câmera lenta, Lenita vai tirando a roupa, peça por peça e Pedro tira a toalha, ficando os dois nus. Amam-se, mas agora há o romantismo que não houve antes.

Tela escurece. Corta para:

CENA 05 – APTO. DE GABRIEL – SALA – INTERIOR – NOITE

Antonio chega da rua, visivelmente abalado. Maria vem do quarto, preocupada.

MARIA
Ai, meu Deus! Que bom que você
voltou logo! E então? O que ele queria?

ANTONIO
Você não vai acreditar!

MARIA
Fala, Antonio! Não me
deixa mais nervosa!

ANTONIO
Ele… teve a coragem, a cara de
pau. Ele me acusa! Acredita?

MARIA
Como assim, Antonio? Te acusa de que?

ANTONIO
Ele me acusa de assassino! Ele
falou que vai provar a inocência
dele e que vai me colocar na
cadeia!

Maria, chocada. Música marca.

MARIA
Meu Deus! Assassinato! Isso é
muito sério!

ANTONIO
Ele vai infernizar a nossa vida,
Maria. Se prepara!

Neste momento, Gabriel aparece, pronto para sair, intrometendo-se na conversa.

GABRIEL
Quem, pai, que vai infernizar a
nossa vida?

Antonio e Maria se entreolham. Close em Gabriel, que espera uma resposta.

CENA 06 – APTO. DE GABRIEL – SALA – INTERIOR – NOITE

Gabriel, surpreso com a reação de Maria e Antonio.

GABRIEL
Que foi, gente? Vocês tão com
umas caras de preocupados! Quem
vai infernizar a nossa vida que
vocês tavam falando aí?
Antonio tenta disfarçar.

ANTONIO
Ah, filho! Não é nada, fica
tranquilo! (numa falsa calma) A
gente só ta falando de um…
menino de rua que toda vez que a
gente passa, ele pede dinheiro.
Eu e tua mãe sempre damos algum a
ele, mas ele já se acostumou e aí
sabe como é, né? Agora toda vez
que nos ver vai vir pedindo
dinheiro… era isso que
estávamos comentando… que ele
vai infernizar a nossa vida.
Claro que infernizar é modo de
dizer… Imagina se vamos negar
esmola a alguém! (sorri um pouco)
Só isso! Né, Maria?

MARIA
Isso, filho. Isso mesmo.

GABRIEL
Ah ta! Que susto agora! Pensei
que era algo mais serio! Enfim,
to de saída, só volto amanha de
manha, tá?

MARIA
Tudo bem, meu filho. Vai com Deus!

GABRIEL
Tchau, mãe! (a beija no rosto)
Tchau, pai!

MARIA
Tchau!

ANTONIO
Tchau!

Gabriel sai e Maria e Antonio expressam a verdadeira preocupação que sentem.

ANTONIO
Não quero que o Gabriel saiba
dessa historia! Ouviu, Maria? Ele
não pode saber!

MARIA
Claro. Também acho que não. Mas
ele não é mais criança, Antonio.
Se estamos com problemas, ele
merece saber.

ANTONIO
Tá, entendo. Mas isso não é minha
maior preocupação no momento. O
problema é que o Fernando tá
solto e que, como eu tava te
dizendo, ele vai fazer tudo pra
me destruir!

MARIA
Mas o que ele pode fazer de
concreto pra te afetar?

ANTONIO
Se ele entrar na justiça, talvez
não dê em nada, porque não há
provas de que eu matei aquela
mulher… E eu não matei ninguém!
Pelo amor de Deus! O meu medo é
que de qualquer forma, essa
especulação possa repercutir mal
sobre os nossos negócios,
entende?

MARIA
Claro, claro. Seria horrível!

ANTONIO
E eu que achava que ele ia sair
da cadeia e viver a vida dele,
normal… como qualquer um faria.
Mas não… ele sempre foi
invejoso. Sempre quis ter o que
eu tinha. Agora, acha que eu deva
assumir a culpa pelo o que
aconteceu…

MARIA
Mas Antonio, na época do crime,
ele também te acusou, lembra?
(pensativa) Agora lembro
vagamente, de que ele desde que
foi preso fala nisso. Que você é
o culpado.

ANTONIO
E dai? Não é porque ele fala que
é verdade! Ele tá mentindo! Por
que você tá falando isso?

MARIA
Nada. Só to lembrando. Ele
insiste nessa história há muito
tempo…

ANTONIO
Você tá duvidando de mim, Maria?

MARIA
Não, Antonio! Claro que não!
Claro que eu não duvido de você!
Que ideia! Só to lembrando de
algumas coisas… (pausa) Mas e
aí? Foi só isso que ele falou? Só
te acusou?

ANTONIO
E você acha pouco? (grita como um
louco) Eu podia ter acabado com
isso logo! Ter dado um tiro nele!
Mas não consigo! Não consigo,
Maria! Não consigo matar o homem
que fala na minha cara que vai
destruir a minha vida! Sabe por
que? Porque eu sou um fraco! Um
frouxo! Não consigo matar
ninguém! Como que eu sou
assassino se eu não consigo matar
ninguém? Me diz, Maria! Como?

MARIA
Calma, Antonio! Calma! Você não
matou ninguém! Deixa ele te
acusar. Vamos ver até onde ele
vai com essa história. Vai ser a
palavra dele contra a sua. Não há
provas. Já, já ele desiste dessa
ideia absurda. Ele deve ta atrás
de dinheiro. Quer te chantagear,
te extorquir! Mas não vamos
deixar que isso aconteça! Não
aceite isso!

ANTONIO (desanimado)
Já aceitei.

MARIA (surpresa)
Você o que?

ANTONIO
Ele me pediu 5 mil reais. Dei um cheque.

MARIA (nervosa)
Você não devia ter feito isso,
Antonio! Tá entrando no jogo
dele! Não dê mais nenhum dinheiro
a ele! Ele pode usar esse cheque
como prova de que você tá
tentando comprar o silencio dele,
ou sei lá… eu não entendo muito
dessas coisas, mas acho que você
não deve ceder! Processa ele!
Danos morais! Acusação sem
fundamento! Tira dele tudo o que
ele tem! Pra ele aprender a não
brincar mais com a vida dos
outros!

ANTONIO
Acho que você esqueceu com quem
estamos lidando. O Fernando não é
flor que se cheire. É perigoso.
Muito perigoso.

MARIA
Mais um motivo pra você não
ceder. E vê se joga fora essa
arma, antes que você faça uma
besteira! (o encara) Não podemos
ter medo dele. Temos que
enfrentar tudo isso!

Maria se aproxima de Antonio, segurando o rosto dele. Antonio está confuso, inseguro sobre o que vai acontecer. Maria está determinada.

MARIA
Estamos juntos nessa! Eu to do
seu lado pro que você precisar. Sempre!

ANTONIO
Eu sei, meu amor! Sei que eu
sempre posso contar com você.

Antonio beija Maria e a abraça. Ficam abraçados, Antonio com olhar distante, de preocupação.

Corta para:

CENA 07 – APTO. DE EDU – QUARTO – INTERIOR – NOITE

Edu e Letícia estão na cama, abraçados, nus. Acabaram de transar.

EDU
E ai? Ta animada pra amanha?

LETICIA
E como não estar? É a nossa festa
de noivado. Tá bom que é só pros
íntimos, mas do jeito que minha
mãe é… vai ser algo mais
grandioso, pode apostar.

EDU
Será? Ah, mas é bom! Mostrar ao
mundo o quanto somos felizes!

LETICIA
Claro. Você me faz ser a mulher
mais feliz do mundo. Sabe o que
eu mais quero?

EDU
O que?

LETICIA
Um filho.

EDU (surpreso)
Filho? Ta falando sério?

LETICIA
Serio! Por que taria brincando?
(sorri) É serio! Eu quero um
filho sim! Quero dois, um casal,
tá de bom tamanho.

Edu começa a beijar Letícia. Vai beijando enquanto vai falando com ela, no ouvido, bem provocante.

EDU
Então, já que tamos falando de
filho… Por que não fazemos o
nosso agora mesmo?

LETICIA
Só depois do casamento. (sorri)
Nossa, mas você hoje tá que tá,
hein? Esse fôlego não acaba, não?

EDU
Com você, não tem como acabar.

Música [Anjo - Banda Eva e Daniela Mercury]

Letícia sorri e eles se beijam e começam com os “amassos”.

Corta para:

CENA 08 – RIO DE JANEIRO – EXTERIOR – NOITE

A mesma música. Tomada aérea da cidade iluminada.

CENA 09 – RUA/PORTA DA BOATE – EXTERIOR – NOITE

Gabriel estaciona o carro, sai dele e procura por Bruno, na porta da boate. Há alguns caras na porta, conversando e bebendo. Como Gabriel não vê Bruno, fica parado esperando por ele. Olha no relógio, preocupado.

GABRIEL
Cheguei na hora certa. Será que
ele não vem?

Gabriel continua olhando em todas as direções para ver se encontra Bruno, quando percebe que um cara o está olhando. Gabriel também o encara e dá um sorriso. Ele retribui o sorriso, mas chega outro cara perto dele, fala algo com ele e eles entram juntos na boate. Nisso, chega Bruno.

BRUNO
Fala aí, cara! Foi mal. Me
atrasei um pouco. Tive que
jantar. Minha mãe ficou me
perturbando.

GABRIEL
Tá tudo bem, Bruno.

BRUNO
E como é que você tá? E você e o
tal Pedro?

GABRIEL
Ih, longa história! Vamo entrar
que eu te conto!

Corta para:

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continuação: EPISÓDIO 7 – TENTANDO ESQUECER

Publicado por amoresproibidos em 24/04/2009

CENA 10 – BOATE – INTERIOR – NOITE

Música eletrônica.

Boate super decorada, telões em várias partes. Muitos homens bonitos e algumas mulheres também. Todos dançando, loucamente, muitos com alguma bebida na mão. Tomada geral da boate. Bruno e Gabriel entram. Gabriel olha para tudo, meio admirado.

GABRIEL
É bonito aqui!

BRUNO
É sim! Mas vem! Vamos pegar
cerveja!

Bruno e Gabriel vão em direção ao balcão onde pagam e pegam a cerveja. Há uns banquinhos ali, e eles se sentam.

BRUNO (p/ barman)
Me vê duas cervejas aí!

O Barman entrega as duas cervejas e eles vão bebendo enquanto conversam. A música diminui, mas não pára de tocar nunca e vai mudando de vez em quando.

BRUNO
Mas fala. Que tá pegando? Você
parece meio triste…

GABRIEL
É, cara. Só um pouco. A parada do
Pedro é muito complicada. Nem deu
tempo de eu te contar… A gente
se beijou.

BRUNO (surpreso)
O que? Mentira!

GABRIEL
Sério!

BRUNO
Onde foi isso? Conta tudo!

GABRIEL
Então, eu fui a casa dele com
meu pai, minha mãe e minha irmã
pra visitarmos o filho dele, que
tinha sofrido um acidente. Mas
acabou que eu fiquei na sala
vendo umas fotos… e quando eu
decidi ir pro quarto do John, vi
que a porta do quarto dele tava
aberta, mas eu não sabia que ele
tava lá. Eu entrei e ele tava
saindo do banho, enrolado na
toalha…

BRUNO
Enrolado na toalha? Gente, que
perigo!

GABRIEL
Um perigo mesmo! Rolou, sabe? A
gente tava ali, os dois
sozinhos… Aí a gente se beijou.
Mas ele ficou cheio de culpa
depois, porque nunca beijou outro
cara, enfim… Aquelas neuras!
Hoje ele me chamou pra conversar
e disse pra eu esquecer tudo o
que aconteceu. Tudo bem, eu ate
esqueceria, mas acontece que eu
não consigo! Não consigo ver o
Pedro como o amigo do meu pai. Eu
vejo um homem… que eu quero
ter! (desanima) Mas que eu não
vou ter… Porque ele quer salvar
o casamento dele. (pensativo) Que
seja feliz, então…

BRUNO
Ei, amigo! Vai desanimar assim
tão fácil? Se você quer o cara,
corre atrás, faz alguma coisa!

GABRIEL
Não vou fazer nada, Bruno. O que
eu posso fazer? Ficar me
humilhando? Ele já falou que não
quer mais nada! Além do mais, o
cara sempre gostou de mulher a
vida dele toda! Ele é muito
complicado! O melhor é esquecer
mesmo. Eu vou tentar. O pior é
que eu gosto dele, cara. Tu
entende isso? Com tantos caras
pra eu arranjar e gostar, fui
gostar logo de um cara casado!
Fala sério! Eu me revolto comigo
mesmo! Mas é por isso que eu to
aqui, sabe? Não quero ficar
sofrendo, não! Eu quero mais é
curtir! Só assim vou esquecer!

BRUNO
Você tá certo. Homem é que nem
biscoito. Vai um, vem oito.

GABRIEL (sorri)
Pode crer.

BRUNO
Vamo dançar?

GABRIEL
Vamo!

Gabriel e Bruno se levantam, quando aquele cara que estava olhando Gabriel passa por eles e ao encarar Gabriel, dá uma piscada com um dos olhos. Ele para no balcão e pede uma cerveja. Bruno percebe e comenta baixo com Gabriel.

BRUNO
Olha só o cara te dando mole! Tá
vendo? Homem é que não falta pra você!

GABRIEL
Ele tava me olhando lá na porta,
antes de você chegar. Lindo, né? Parece um modelo.

O cara pega a cerveja e bebe, olhando para Gabriel, com um leve sorriso no canto da boca. Gabriel, mais afastado com Bruno, também olhando.

BRUNO
Vai lá, pô!

GABRIEL (tímido)
Não sei. Acha que eu devo?

BRUNO
Ah, qual foi, Gabriel? Vai bancar
o tímido agora pra cima de mim?
Claro que você deve ir. O cara tá
te comendo com os olhos. Vai lá!

Gabriel vai em direção ao balcão e fica ao lado do cara, mas pede uma bebida ao barman. (O tal cara se chama Henrique).

GABRIEL
Me vê uma cerveja!

O barman entrega a cerveja e Gabriel se vira para Henrique, que abre um sorriso.

HENRIQUE
Pensei que você não ia vir falar comigo.

GABRIEL
É que eu pensei que você falaria
comigo antes.

HENRIQUE
Qual o seu nome? Você é lindo,
cara! Já tinha te visto desde a
entrada.

GABRIEL
Que isso, cara! Que lindo o que?
(sorri) Meu nome é Gabriel. Eu
também já tinha te visto. Mas
você não tava com alguém?

HENRIQUE
Meu amigo. Tá lá na pista dançando.

GABRIEL
Ah tá.

HENRIQUE
E aquele que tá com você?

GABRIEL
Amigo também.

HENRIQUE
Que bom, Gabriel! Estamos livres
um pro outro.

GABRIEL
Verdade. (o encara) Você me chama
de lindo mas você que é… você
parece um modelo, tava até
comentando com meu amigo.

HENRIQUE
Pareço modelo? (sorri) Todo mundo
diz isso! Mas o pior é que eu sou
modelo realmente.

GABRIEL
Ah, pára! Ta brincando?

HENRIQUE
Serio! Sou modelo fotográfico e
também desfilo. Mas prefiro fazer
fotos.

GABRIEL
Tá explicado então!

Gabriel e Henrique ficam se encarando por alguns
instantes. O assunto acabou e reina um silencio entre os
dois. Henrique toma a iniciativa e beija Gabriel.

GABRIEL
E você não me disse o seu nome…

HENRIQUE
Muito prazer, Henrique…

Se beijam novamente.

GABRIEL
Vamo dançar um pouco?

HENRIQUE
Claro. Vamos sim!

Gabriel e Henrique vão em direção à pista de dança, onde encontram Bruno. Música sobe. Gabriel apresenta Henrique a Bruno e eles dançam. Bruno dança um pouco mais afastado, enquanto que Gabriel e Henrique dançam juntos. Dançam e se encaram todo o tempo. Ficamos com eles por 1 min. aprox. Beijam-se.

Corte de continuidade. Numa parte mais reservada da boate, Henrique e Gabriel se beijam e se amassam freneticamente. Henrique está sem camisa e está encostado na parede e Gabriel o beija na boca, no pescoço, enquanto Henrique delira de prazer. Muitos sussurros e respiração de ambos ofegante. E a música sempre ao fundo.

HENRIQUE
Vamos pra minha casa?

GABRIEL
Não sei. Melhor não.

HENRIQUE
Que que tem? Vamos!

GABRIEL (pensa um pouco)
Ta bom, eu vou…

Beijam-se mais. Música sobe.

Corta para:

CENA 11 – STOCK SHOT – EXTERIOR – NOITE/DIA

A mesma música. Amanhecer no Rio de Janeiro.

CENA 12 – PISCINA DO CONDOMINIO COPA – EXTERIOR – DIA

Está um dia lindo de sol. Essa área do condomínio tem uma piscina grande, uma churrasqueira e algumas mesas e cadeiras em torno da piscina. Há algumas crianças na piscina. Antonio está perto da churrasqueira, falando com o Churrasqueiro. Já há alguns vizinhos sentados, e música ao fundo. Uma festinha bem animada, mas algo informal.

ANTONIO
Oh, vai servindo o pessoal que
for chegando, tá? Minha filha já
ta descendo!

CHURRASQUEIRO
Sim, senhor.

Pedro, Lenita e John chegam e vão falar com Antonio.

PEDRO
Oi, meu amigo! Tá tudo bem por
aí? Ta precisando de ajuda com o
churrasco?

ANTONIO
Nada! Contratei um churrasqueiro
ótimo. O cara é fera. Sempre faz
os churrascos daqui de casa.
Fiquem a vontade!

LENITA
Brigada, Antonio!

ANTONIO
E ai, John? Como que você tá?

JOHN
To melhor. Já to andando sem
muleta. (rindo) To pronto pra outra!

LENITA
Nem brinca com isso! (sorri) Nós
vamos sentar.

ANTONIO
Claro, claro. À vontade.

JOHN
E a noiva? Onde tá?

ANTONIO
Ta descendo já. E o Edu também já
tá chegando.

Lenita e John sentam-se numa mesa. Pedro fica com Antonio, olhando a piscina.

PEDRO
As crianças já caíram dentro, né?

ANTONIO
Pois é. Criança é bom por causa
disso. Nada preocupa elas.
(observando elas) Mas e você? Não
vai cair na piscina não? Mais
tarde você vai ver, a maioria vai
entrar… Adulto quando bebe
perde a timidez.

PEDRO
Verdade. E… (pausa) o Gabriel?
Não vem?

ANTONIO
Deve chegar depois. Ele saiu
ontem, chegou hoje cedo. Ainda
deve tá dormindo.

PEDRO
Ah tá.

ANTONIO
Mas aí me conta. O que você tá
achando do Rio?

Pedro começa a contar para Antonio, mas não ouvimos.

Música sobe. Corta para:

CENA 13 – APTO. DE GABRIEL – QUARTO DE LETICIA – INTERIOR – DIA

Letícia na frente do espelho, somente de biquíni, e um monte de roupa na cama.

LETICIA
Ai, não sei se esse tá bom!

Maria entra no quarto.

MARIA
Vambora, minha filha! A festa já
começou. Já chegaram alguns
convidados. Até o churrasqueiro
já tá lá. E você ainda aí,
escolhendo biquíni!

LETICIA
Mas o Edu não chegou ainda! Ah,
mãe! Tenho que ta linda, né! Não
posso usar qualquer coisa! Aliás,
to achando que nem vou de
biquíni… olha o meu corpo!

MARIA
Minha filha, o que tem o seu
corpo, pelo amor de Deus? Você é
linda! Muitas mulheres gostariam
de ter o corpo que você tem!

LETICIA
Duvido. Gorda desse jeito!

MARIA
Letícia, pára de fazer drama!
Veste logo a roupa! E esse
biquíni tá ótimo, todos vão olhar
pra você! Agora se arruma logo!

LETICIA
Tá bom, mãe! Dois minutos. Me dá
dois minutos?

MARIA (ri)
Você tá falando isso há 35
minutos! Anda logo, Letícia!

Gabriel entra no quarto e vê Letícia.

GABRIEL
Que isso, hein, irmãzinha? Tá
linda demais. O Edu que não cuide
não, pra ele ver…

LETICIA
Brigada, Gabriel. Você sempre me
ilude. E eu acredito!

MARIA (p/ Gabriel)
Não conversa com ela que ela vai
demorar ainda mais.

Letícia sai da frente do espelho e vai se vestindo, enquanto Gabriel fala com Maria.

GABRIEL
Mãe, eu chamei uns amigos meus,
tá? O Cristian, a Ju, a Alicia e o Bruno.

MARIA
Tudo bem, Gabriel. Sem problemas.
Não precisava nem avisar, né!
Parece até que não me conhece!

GABRIEL
Você é a melhor mãe do mundo, sabia?

Gabriel abraça Maria e a beija no rosto.

MARIA
E você é o melhor filho do mundo.
Eu te amo! Muito!

Continuam abraçados. Maria beija Gabriel no rosto.

LETICIA
E eu? Não existo?

MARIA
Claro, minha filha. o Gabriel é o
melhor filho do mundo e você é a
melhor filha do mundo.

LETICIA
Sei… Me engana que eu gosto!

MARIA
Que garota desconfiada, meu Deus!
Já ta pronta? Acaba logo com isso!

Maria olha para Gabriel e vê uma marca roxa de chupão em seu pescoço.

MARIA
Gabriel, o que é isso aí no seu pescoço?

GABRIEL
No meu pescoço? Não sei!

Gabriel vai para frente do espelho e vê a marca em seu pescoço. Apavora-se. Passa a mão na marca.

GABRIEL
Não sei o que é isso…

Letícia já está pronta e se aproxima de Gabriel, que continua na frente do espelho, impressionado com a marca em seu pescoço.

LETICIA
Como você não sabe o que é isso?
Isso é um chupão, tá na cara!

MARIA (pensativa)
Um chupão… (p/ Gabriel) Você tá
namorando, Gabriel?

Gabriel sem graça, ainda com a mão no pescoço.

GABRIEL
Não. Não to não. Eu fiquei com
uma garota ontem, mas eu bebi
tanto… Deve ser por isso que
ela fez isso. Porque eu não
deixaria se eu tivesse bem! Como
eu vou sair agora com essa marca
no pescoço?

LETICIA
Ué! Mas e daí? Ninguém tem nada a
ver com a sua vida!

MARIA
E quem nunca levou um chupão na
vida? Não sejamos hipócritas! Já
fiz muito isso com seu pai quando
éramos mais novos!

Gabriel ri um pouco, ficando menos tenso.

LETICIA
Mãe, to pronta. Vamos descer?

MARIA
Vamos. Você vem agora, Gabriel?

GABRIEL
Daqui a pouco. Vou tomar um
banho, enquanto meus amigos não chegam.

MARIA
Tá bom. Só vê se não demora que
nem a sua irmã!

Maria e Lenita saem do quarto. Gabriel põe a mão no pescoço.

GABRIEL (revoltado)
Eu vou matar o Henrique!

Música marca. Corta para:

CENA 14 – PISCINA DO CONDOMINIO COPA – EXTERIOR – DIA

Música ao fundo. Alguns convidados vão chegando e Antonio os recepciona, encaminhando-os até as mesas. Edu chega e vai falar com Antonio. Pedro está numa mesa com Lenita e John.

EDU
E aí, seu Antonio! Cadê a Letícia?

ANTONIO
Tá descendo. Ta enrolando há mó
tempão já. To quase subindo lá
pra ver o que tá acontecendo.

Neste momento, chegam Maria e Letícia, as duas deslumbrantes.

ANTONIO
Já era hora!

Letícia e Edu se beijam. John os observa de longe.

EDU
Você tá maravilhosa! Linda é pouco!

LETICIA
Pára, Edu! Você que é um pedaço
de mau caminho!

Beijam-se novamente.

MARIA
Edu e Letícia, vamos cumprimentar
os convidados!

Maria, Edu e Letícia vão cumprimentar os convidados, enquanto Antonio senta-se na mesa que Pedro está. John continua olhando na direção que Letícia foi.

Corta para:

CENA 15 – APTO. DE GABRIEL – QUARTO DE GABRIEL – INTERIOR – DIA

Gabriel sai do banheiro que há em seu quarto, enrolado na toalha, quando toca seu celular. Gabriel o pega em cima da cama e vê o nome de Henrique no visor.

GABRIEL (surpreso)
Já tá me ligando?

Gabriel atende.

GABRIEL
Fala, Henrique!(escuta) Não sei
se vai dar pra gente se ver hoje,
tá tendo uma festa aqui, noivado
da minha irmã. Mas dependendo da
hora que acabar aqui, eu te ligo
pra gente fazer alguma coisa. Tá
legal? (escuta) Beleza. Ah! Eu
vou te matar quando eu te ver,
tá! (escuta) Por que? Você me
deixou um chupão enorme no
pescoço! Mas você me paga!
(provocativo) Pode deixar que
você me paga!

Tocam a campanhia. Gabriel ainda no celular.

GABRIEL
Cara, eu tenho que desligar
agora. Eu te ligo depois, tá bom?
Beijo, tchau. (desliga)

Gabriel vai para a sala atender a porta. Tocam a campanhia outra vez.

CENA 16 – APTO. DE GABRIEL – SALA – INTERIOR – DIA

Gabriel abre a porta e é Bruno.

GABRIEL
Oi, Bruno. Entra. Não tem ninguém.

Bruno entra.

BRUNO
Apartamento maneiro, hein?

GABRIEL
Também acho. Depois eu te mostro
todo ele, mas é que temos que
descer já. Meus amigos já devem
tá chegando. Só vou me arrumar
rapidinho. Ah! Sabe quem acabou
de me ligar?

BRUNO
O Pedro?

GABRIEL
Que Pedro! Esquece o Pedro! Aliás
ele vai tá lá embaixo. Você vai
conhecer ele. Mas não. To falando
do carinha que eu fiquei ontem. O Henrique.

BRUNO
Claro, o modelo gostosão, né?

GABRIEL
Ele mesmo. Me ligou agora. Quer
me ver mais tarde. Falei que vou
ver, não dei certeza, fiz uma
média. Mas é claro que eu vou né!
Não posso perder um cara desses!
Mas… (desanima) pra mim o mais
difícil, vai ser descer agora e
encarar o Pedro.

BRUNO
Você vai conseguir. Você é mais
forte do que pensa.

GABRIEL
Nem tanto…

BRUNO
Mas mudando de assunto, que
amigos você chamou? Eu conheço algum?

GABRIEL
Não. (lembra) Ah, sim! Um você
conhece. O Cristian. Aquele que
foi na chopada comigo.

BRUNO
Aquele teu amigo tudo de bom?

GABRIEL
Isso. Aquele meu amigo que eu já
falei que é hétero e que não
curte. Tira o cavalinho da chuva!
Até porque a namorada dele vai tá
aí também.

BRUNO
E daí que ele é hétero? Não posso
ter esperança? Gostei dele.
Queria conhecer ele melhor. Você
bem que podia me ajudar, né?

GABRIEL
Eu até te ajudaria, Bruno. Mas eu
não quero que você sofra como eu
to sofrendo agora… Não vai
cometer o mesmo erro que eu, né!
Vem! Vamos lá pro quarto que eu
vou acabar de me arrumar! Trouxe
sunga pra entrar na piscina?

BRUNO
Trouxe sim.

Bruno e Gabriel vão conversando, em direção ao quarto de Gabriel.

Corta para:

CENA 17 – PISCINA DO CONDOMINIO COPA – EXTERIOR – DIA

Música ao fundo [Single - NKOTB and Ne-yo]

Maria, Edu e Letícia chegam à mesa onde estão Lenita, Pedro, John e Antonio.

LETICIA
Ah! Vocês já são de casa! Brigada
por terem vindo!

LENITA
Nós é que agradecemos o convite.

PEDRO (p/ Edu)
Esse aqui é o John, meu filho.

Edu e John se cumprimentam com um aperto de mãos. Inicia-se uma conversa paralela entre eles. O que eles falam os outros não escutam porque estão falando sobre outros assuntos diversos.

EDU
Grande John! Como tu ta?

JOHN
To bem agora. Me recuperando.
(pausa – o observa) Você é um
cara de sorte, hein!

EDU
Sou? E por que?

JOHN
Porque vai casar com uma mulher
linda como a Letícia. Com todo
respeito, é claro!

EDU
Você tá certo. Tenho que admitir
que sou um homem de sorte.

JOHN
Pena que ela não tem uma irmã né,
cara! (ri)

EDU
Pois é. Irmã ela não tem…

JOHN
Quem sabe uma prima? To
precisando conhecer alguém, sabe?

EDU
To ligado. É só sair pô! Nessa
cidade, só fica sozinho quem
quer.

Letícia vem falar com John.

LETICIA
E ai, John! Tudo bem? (o beija no rosto)

JOHN
Tudo ótimo.

Letícia e John trocam olhares, mas Edu percebe e fecha um pouco a cara. Letícia fica sem graça.

LETICIA
Vocês tavam conversando?
Atrapalhei vocês!

EDU (sério – olhando p/ John)
Já acabamos de conversar.

Neste momento, chegam Alicia, Juliana e Cristian.

MARIA
Olha lá os amigos do Gabriel! Vou
falar com eles. Vem Letícia!

Maria, Letícia e Edu vão em direção a Alicia, Cristian e Juliana.

MARIA
Oi, gente! O Gabriel já tá vindo.
Fiquem à vontade. Querem beber
alguma coisa?

ALICIA
Não, brigada.

JULIANA
Eu aceito um pouco de água.

CRISTIAN
Eu não quero nada, brigado.

Gabriel e Bruno chegam.

MARIA
Falando nele… Olha ele aí.

GABRIEL
Foi mal a demora. Vocês chegaram
há muito tempo?

ALICIA
Que nada! Neste mesmo instante!
Gabriel cumprimenta Alicia e Juliana com um beijo no rosto
e Cristian com um aperto de mão.

GABRIEL
Deixa eu apresentar. Esse é meu
amigo, Bruno. Estuda comigo na facul.

ALICIA
Prazer.

JULIANA
Prazer.

CRISTIAN
Já nos conhecemos.

BRUNO
Isso. Da chopada.

CRISTIAN
Eu lembro.

GABRIEL (p/ Maria)
Essa é a minha mãe. Maria.
Bruno a cumprimenta com um beijo no rosto.

MARIA
Tudo bem, Bruno? Você é o
primeiro amigo da faculdade que
ele traz aqui. A casa é sua.

BRUNO
Brigado.

GABRIEL
E a todos vocês, eu apresento os
noivos, minha irmã, Letícia que
alguns já conhecem e o noivo,
Edu, meu cunhado chato.

EDU (p/ Gabriel)
Sou chato, mas você me adora, né.
Tanto adora que implica sempre comigo.

Todos se cumprimentam.

LETICIA
Alicia, você tá ótima! Nossa!

ALICIA
Brigada.

LETICIA
Depois vamos todos pra piscina hein!

ALICIA
Pode deixar. Já vim preparada pra isso.

GABRIEL
Mas por que depois? Vamos cair na
piscina agora!

CRISTIAN
Agora, cara?

GABRIEL
Por que não? A festa ta sendo
aqui por causa da piscina. A
gente pode ficar na piscina o
tempo todo, sair pra comer um
pouco e voltar.

LETICIA
Eu não vou agora não. Só depois.
Né, Edu?

EDU
Melhor depois. Mas vocês podem e
devem ir agora. As crianças já
tão lá se divertindo.

GABRIEL
Eu vou entrar neste momento.

Gabriel tira a camisa e a bermuda, as joga numa cadeira que tem ali perto e se joga na piscina. Dá um mergulho até o fundo da piscina.

GABRIEL
Tá ótima a água! Vocês não vão vir?

Alicia, Juliana, Cristian e Bruno se entreolham, sorrindo. Tiram as roupas e as põem numa cadeira, como Gabriel fez e vão até o chuveiro para poderem entrar na piscina. Na borda, ficam Maria, Edu e Letícia.

LETICIA
O Gabriel é louco, cara!

EDU
Ele puxou a você. Impulsivo. Faz
o que tem vontade. Ele que ta certo.

MARIA
Gente, eu vou voltar lá pra mesa
da Lenita e do Pedro. Com licença.

Maria sai. Alicia, Juliana e Cristian entram na piscina. Vemos do plano de visão de Edu e de Letícia.

EDU
Oh! To de olho nesse tal de John,
hein? Ele que não tente nada
contigo. Parto a cara dele!

LETICIA
Para de ser ciumento. Te amo!

Edu e Letícia se beijam.

Na mesa onde estão Pedro, Lenita, John e Antonio; Maria chega e encontra todos distraídos numa animada conversa.

MARIA
Gente, o Gabriel e os amigos dele
já entraram na piscina. Não quer
dar um mergulho, John?

JOHN
Agora não. Talvez mais tarde.

PEDRO
Eu vou dar um mergulho, então.

LENITA
Vai sim, meu amor.

Pedro tira a bermuda e a camisa e vai em direção ao tal chuveiro. Enquanto isso, dentro da piscina, Gabriel, Bruno, Cristian, Juliana e Alicia estão numa animada conversa.

GABRIEL
Fala serio! Não tinha brincadeira
melhor em piscina do que ver quem
aguentava ficar mais tempo
debaixo d’água sem respirar.

CRISTIAN
Pode crer, é verdade.

ALICIA
Já brinquei muito disso.

JULIANA
Eu também.

BRUNO
Pô, mas pro Gabriel nem vale, né!
Ele faz natação desde que nasceu,
lá na facul sempre faz o melhor tempo.

CRISTIAN
Mas eu consigo ganhar dele! Quer
apostar, Gabriel?

GABRIEL
Vamo ver então quem consegue.
Aposto uma latinha de cerveja que
eu ganho!

CRISTIAN
Apostado então. Valendo?

GABRIEL
Valendo.

ALICIA
Já!

Música sobe. Como se fossem crianças, todos mergulham prendendo a respiração. Aos poucos vão subindo um a um. Gabriel é o último que permanece debaixo d’água mas sobe, lentamente.

GABRIEL (quase sem fôlego)
Ganhei!

Neste momento, Gabriel dá de cara com Pedro, que está a sua frente. Seus amigos estão atrás dele, um pouco mais afastados. Gabriel e Pedro se encaram.

PEDRO
Você não vai falar comigo?

Close em Gabriel, que está desconcertado. Corta.

FIM DESTE EPISÓDIO

CRÉDITOS FINAIS

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