Amores Proibidos

Série – Texto em Roteiro

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EPISÓDIO 3 – AMOR E ÓDIO

Posted by amoresproibidos em 27/01/2009

CENA 01 – APTO. DE PEDRO – QUARTO DE JOHN/ QUARTO DE LENITA – INTERIOR – NOITE

John está deitado em sua cama lendo um livro. Há duas malas no chão do quarto que estão abertas e remexidas. John está muito sério e concentrado na leitura, mas ouve a voz de Lenita gritando com Pedro e perde a concentração. Larga o livro e vai até a porta do seu quarto, que está fechada; e fica ouvindo a discussão (é o mesmo diálogo da cena 14 do episódio anterior, mas em off – John só escuta).

LENITA (OFF)
Eu deveria ter deixado você vir
sozinho… Eu sou uma idiota! Sabe
por que? Porque se eu faço tudo
isso, é porque eu amo você. Eu só
queria não te amar mais… Tudo
seria mais fácil pra mim e pra
você… Você me manda embora porque
sabe que na verdade, eu não vou,
não é?! Você sabe que eu não tenho
coragem de te abandonar. Você
sabe… que eu não seria capaz de
viver longe de você… E é por isso
que você fala pra eu ir embora…

PEDRO (OFF)
Não é isso, Lenita! Pára de fazer
drama! Eu não caio mais nesse seu
joguinho melodramático! Eu vou
viver aqui agora, no Rio, no Brasil
e, repito, acho que isso vai ser
melhor pro nosso casamento e pra
nossa família. Agora, se você não
está feliz, pode voltar… Vá
embora e leve o seu filho junto!(…)

No que John escuta essa parte da briga, sai da porta imediatamente e chuta com muita fúria uma das malas que está no chão. Está furioso.

JOHN
Então ele quer que eu vá embora?!
Eu vou… e ele nunca mais vai me
ver… vou sumir dessa casa…
John escuta o barulho de uma porta se fechando. Abre a porta de seu quarto e sai.

Música: [Pink – Crystal Ball]

Vai até o quarto de Lenita e a encontra na beirada da cama chorando e um abajur quebrado no chão. (Exatamente como John a encontra na cena 14 do episódio anterior, porém agora vemos do plano de visão dele). John observa Lenita, com cara de desprezo.
CENA 02 – LOJA DE LOCAÇÃO DE CARROS – INTERIOR – NOITE

A loja já está quase fechando, com as portas sendo abaixadas quando John entra, puxando uma mala pequena. Há dois Atendentes, mas John só fala com um deles.

ATENDENTE
Meu senhor, a loja está fechada! Só
amanhã a partir das oito…

JOHN
Está fechada? Não é isso que eu to
vendo! O que eu vejo é uma loja que
está com a porta semi-aberta, um
atendente bem na minha frente e um
cliente querendo ser atendido!

ATENDENTE
Entendo, senhor, mas não vai ser
possível. O senhor pode voltar
amanhã.

JOHN
Como é que é?! Você ta pedindo pra
eu voltar amanhã? Tá louco? Eu sou
o cliente aqui e pelo que eu sei,
eu tenho sempre a razão. Não sei se
aqui no Brasil funciona assim…
Mas acho que você é pago pra me
atender e é exatamente o que você
vai fazer! (pausa) Só preciso de um
carro… agora!

O Atendente engole em seco o desaforo.

ATENDENTE
Ok, senhor. Sente-se, por favor!

O Atendente pega o livro de carros para mostrar a John, que se senta frente ao Atendente.

ATENDENTE
Nós temos os seguintes modelos…

JOHN (corta)
Qualquer um! É só por
um dia…

Musica marca. Corta para:
CENA 03 – APTO. DE GABRIEL – SALA – INTERIOR – NOITE

Close num aperto de mãos e depois vemos que trata-se de Gabriel e Pedro. Antonio por perto. Gabriel está sem graça.

GABRIEL
Muito prazer, Pedro! Eu sou o Gabriel.

Largam as mãos. Pedro continua olhando pra Gabriel, que está inquieto.

GABRIEL
Eu já venho…

Gabriel sai e volta pro seu quarto.

PEDRO
Ué! O que aconteceu?

ANTONIO
Nada. Ele é assim mesmo. Distraído.
Deve ter, como sempre, deixado o
computador ligado. Daqui a pouco
ele volta…

PEDRO
Como ele é? É um bom filho?

ANTONIO
É sim. Super inteligente,
guerreiro, sabe? É daqueles que
corre atrás do que quer… É muito
parecido com a mãe. A Leticia
também… uma ótima filha!

PEDRO
Pena que eu não possa dizer o mesmo
do John… ele é tão difícil de se
lidar! As vezes, acho que ele nem
gosta de mim…

ANTONIO
Será, Pedro?! Não… acho difícil!
Como pode um filho não gostar do pai?

PEDRO
Eu também não consigo entender! Mas
o John é assim… impulsivo,
arrogante… imaturo! Essa é a
palavra! E o pior é que a culpa
disso é minha. Eu acho que eu não
sou um bom pai… Se eu pudesse,
mudaria tudo.

ANTONIO
Você pode mudar. Se você acha que
há algo errado, ainda está em tempo
de consertar.

PEDRO
Pode ser. Pode ser… (pensativo)

ANTONIO
Onde que tá ele agora?

PEDRO
Tá em casa. Falou que não queria
vir. Por ele, estaríamos em Nova
York. Ele adorava aquela cidade.
Mas eu entendo… era o lar dele.
Foi onde ele nasceu. Não posso
culpá-lo por sentir falta de lá…

ANTONIO
Entendo. Mas, tenta se aproximar do
seu filho. Talvez seja o momento da
relação de vocês melhorar de uma
vez por todas.

PEDRO
É. Talvez…
Neste momento, chegam Leticia e Edu.

ANTONIO
Oi, Leticia! Oi, Edu! Como vai?

EDU
Vou bem, seu Antonio!

ANTONIO
Esse é Pedro, meu amigo.
Edu e Leticia cumprimentam Pedro.

LETICIA
Bem vindo, Pedro! Quando meu pai
falou que você tava vindo quase não
acreditei. Eu querendo ir pra Nova
York e você voltando pro Rio…
Pedro ri.

PEDRO
É verdade… Sou um louco mesmo!
Todos acham que lá é um paraíso, um
dos melhores lugares do mundo pra
se viver, mas eu prefiro o bom e
velho Rio!

EDU
Tá certo! Eu também!

LETICIA
Mas nossa lua de mel vai ser lá,
tá! Já vai se preparando!
Continuam conversando.

Corta para:

CENA 04 – APTO. DE GABRIEL – QUARTO DE GABRIEL – INTERIOR – NOITE

Gabriel está frente ao seu notebook, com um arquivo de word aberto (é um texto da facul). Porém está distraído, pensando em quando encontrou Pedro, na porta do elevador. FLASHBACK DA CENA 15 do episódio anterior. Gabriel ri sozinho.

GABRIEL
O cara do elevador… é o amigo do
meu pai! (pasmo) Que mundinho mais
pequeno, meu Deus!

Gabriel continua mexendo no computador.

Corta para:

CENA 05 – APTO. DE GABRIEL – COZINHA – INTERIOR – NOITE

Maria tira uma vasilha transparente do forno e a põe numa mesa que há perto. Lenita ali lavando alguns pratos.

MARIA
O nosso suflê de bacalhau
finalmente tá pronto! Eu queria
servir um prato tipicamente
brasileiro, mas eu não sei me
aventurar muito na cozinha, não!
Maria percebe, neste momento, que Lenita está lavando uns pratos.

MARIA
Lenita, não precisa lavar nada não!
Deixa que eu faço isso! Você é visita!

LENITA
Que nada! Já to terminando!

Lenita lava mais um prato e termina, fechando a torneira.

LENITA
Pronto! Acabei!

MARIA
Ai, meu Deus! Não precisava! Eu vou
levando o suflê pra sala, então…

LENITA
Tudo bem. Eu levo os pratos e os talheres.

Corta para:

CENA 06 – RUA – EXTERIOR – NOITE

Música: [Alanis Morissette – Baba]

John está dirigindo um carro em alta velocidade e com o rádio ligado. Vai dirigindo, mas sempre olhando para um mapa, que está no banco do carona. Ficamos com ele por 1 min. aproximadamente.

Corta para:

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continuação: EPISÓDIO 3 – AMOR E ÓDIO

Posted by amoresproibidos em 27/01/2009

CENA 07 – APTO. DE RICARDO – SALA – INTERIOR – NOITE

Ricardo chega da rua e joga a chave no sofá. Está revoltado. Júlio vem lá de dentro.

JULIO
Que foi, cara? Tu saiu do nada…

RICARDO
Não foi nada, não! Deixa pra lá.

JULIO
Como que não foi nada? Olha tua
cara de revoltado! Até parece que
eu não te conheço. Fala logo! Que foi?

RICARDO
Você não vai acreditar…

JULIO
Fala, pô!

RICARDO
O Alberto, o olheiro, que ia
conseguir o tal teste pra mim…

JULIO
Tá. Que que tem?

RICARDO
O cara arranjou o teste. Mas pediu
algo em troca.

JULIO
Que maneiro, cara! Mas o que ele pediu?

RICARDO
O que você acha?

JULIO
Dinheiro?

RICARDO
Antes fosse.

JULIO
O que, então?

RICARDO
O cara me chamou pra ir pra cama
com ele! Tem noção disso?

Julio começa a rir. Ricardo não gosta.

RICARDO
Ta rindo do que? Não foi nada
engraçado! Quebrei a cara dele! Não
queria deixar eu sair!

JULIO
Pô… já tinha ouvido falar no
teste do sofá… isso rola com
atores, atrizes, modelos… mas com
jogadores de futebol?!

RICARDO
É… ri mesmo! É porque não foi
contigo… (desanima) Mas acabou!
Não vou mais jogar em lugar nenhum!
Esse idiota ia me dar a única
oportunidade que eu tanto
busquei…

JULIO
Ihh… vai desanimar? Tu consegue
outro teste! Ou então… vai lá…
o Albertão tá lá te esperando pra
te testar… (debochando)

RICARDO
Deixa de ser ridículo, muleque! Nem
brinca com uma coisa dessas! (pausa
– muda de assunto) Tem algo pra
comer nesta casa?

JULIO
Tem. A sobra do almoço. Eu nem fiz
nada, tava estudando o tempo todo.

RICARDO
Pô… essa parada de fazer comida
não é comigo não.

JULIO
Nem comigo, né? Mas a gente não pode
ficar gastando dinheiro comprando
comida todos os dias. E se alguém
tem que fazer a comida, hoje é a
sua vez.

RICARDO
Que merda! Depois de tudo o que eu
passei essa noite, ainda vou ter
que ir pra cozinha, fazer comidinha
pra tu?!

JULIO
Ihh, não vem não! Tu também vai
comer! (risos) Tu achou o que? Que
morar em república era hotel cinco
estrelas?!

RICARDO
Eu acho que a gente poderia chamar
mais alguém pra dividir esse
apartamento com a gente… Que que
tu acha?

JULIO
Pode ser uma boa. Pelo menos, baixa
o custo do aluguel.

RICARDO
Amanhã eu vejo se tem alguém
interessado lá na facul.

JULIO
Ok. Agora, por favor, a cozinha te
espera.

RICARDO
É, né…

Ricardo vai pra cozinha e Julio se joga no sofá e liga a televisão.

Corta para:

CENA 08 – CASA DE CRISTIAN – SALA – INTERIOR – NOITE

Alguém toca a campanhia. Cristian atende e é Juliana.

JULIANA
Oi, meu amor! Eu vim o mais rápido
que eu pude!

CRISTIAN
Entra!

Juliana entra e Cristian tranca a porta; a agarra e a beija, ardentemente.

Música: [Lucas Santana – Mensagem de Amor]

JULIANA
Amor, pára! A sua mãe…

CRISTIAN
Ela saiu.

Eles continuam se beijando loucamente. O clima começa a esquentar e Cristian tira a sua camisa e a de Juliana. Os dois vão pro sofá. Ela embaixo e ele por cima, vão se beijando e tirando a roupa com fúria, até que encontram-se completamente nus, e se amam, de maneira bem selvagem. As imagens vão ficando mais lentas e desfocadas.

Corta para:

CENA 09 – APTO. DE GABRIEL – SALA – INTERIOR – NOITE

Estão jantando todos (Antonio, Maria, Lenita, Pedro, Edu, Leticia e Gabriel). A mesa é retangular. Gabriel está sentado em frente a Pedro. Estão conversando.
MARIA
Minha filha, não vai fazer nenhuma
festa para comemorar seu noivado?

LETICIA
Ah, não, mãe! Nada de festas! Tá
bom assim. As pessoas que deveriam
saber que estamos noivos já sabem,
então, pra que festa?

EDU
Eu queria fazer uma festa pra
gente, mas ela não quer!

LETICIA
Pra que, gente? Pensa bem… festa
é gastar dinheiro a toa! Eu gosto
de coisas simples, que não chamem
muito a atenção.

EDU
Você é uma raridade, meu amor! Uma
mulher que não gosta de festas nem
de aparecer… nem de coisas
exuberantes! É por isso que eu
gosto de você.

LETICIA
Mas você ia gostar mais de mim se
eu fosse uma daquelas loucas por
festas, que adoram gastar, né?!
Confessa, Edu! Eu sou simples
demais pra você… Olhem só o anel
de noivado que ele me deu! (mostra)

LENITA
Lindo! É diamante?

EDU
Isso!

LETICIA
Tá vendo?! Pra que diamante? Eu
tenho que tirar essa aliança quando
vou trabalhar. Porque senão me
assaltam, levam o dedo e tudo!

EDU
Mas vai dizer que você não gostou?

LETICIA
Claro que eu gostei, Edu! Amei! Só
to mostrando como que você exagera
um pouco, as vezes! Mas eu te amo
mesmo assim!

EDU
Eu sei disso! (a beija)

ANTONIO
Olha, eu tenho que concordar com o
Edu. Noivado sem festa, não é
noivado! Não tem graça alguma!

MARIA
Por que não fazemos algo no fim de
semana? Podemos fazer na beira da
piscina, algo só pros íntimos. O
que acham?

EDU
Acho uma ótima ideia!

ANTONIO
Eu também!

MARIA
Então estamos combinado!

LETICIA
É incrível como a minha palavra não
tem nenhum poder nessa casa, né!
Impressionante! (irônica)

EDU
Ah, Leticia! Vai ser legal!

LETICIA
Tudo bem! Quem sou eu pra me opor?!

LENITA
Então tem uma piscina no
condomínio?! (surpresa)

MARIA
Sim! Também há uma churrasqueira, é
um ambiente bem agradável.12.

LENITA
Curioso! Com uma praia maravilhosa
dessa bem em frente, não imaginava
uma piscina dentro do condomínio…

MARIA
Ih, mas o fato de se morar perto do
praia não quer dizer nada, não! Eu
acho que eu ia mais a praia quando
eu morava no subúrbio!

LENITA
Serio? E por que?

MARIA
A gente se acostuma. Vira rotina e
passa a não valorizar mais. Sem
falar no trabalho, no estresse do
dia-a-dia. Não adianta muito morar
em frente quando não temos tempo
nem sequer de atravessar a rua…

LENITA
Entendo. Nem imaginava isso.

LETICIA
Aqui em casa quase ninguém vai à
praia. Só o Gabriel, que não sai de lá.

GABRIEL
É verdade. Praia é comigo mesmo. To
lá sempre que eu posso.

PEDRO
Eu também adoro praia. Sempre
gostei. Nas ferias, sempre íamos a
Miami.

LENITA
Verdade. Mas a praia daqui é bem
mais bonita!

MARIA
O Gabriel surfa de vez em quando…
não é, filho?

Gabriel está desconcertado com a presença de Pedro, mas tenta disfarçar.

GABRIEL
Surfar é uma das minhas paixões.
Mas não é aqui, eu surfo lá no
Arpoador ou então vou até o
Recreio. Sempre atrás da onda
perfeita!

Lenita está encantada com Gabriel.

LENITA
Nossa! Que interessante! Você tem
que conhecer o John, meu filho! Ele
tem quase a sua idade, tem 18 e ele
iria gostar muito de surfar, de
sair com você… Você podia mostrar
a cidade pra ele, algo assim… Ele
precisa de novos amigos, sabe?! Ele
ta meio mal por ter vindo, na
verdade, queria ter ficado em Nova
York…

GABRIEL
Claro, vai ser ótimo ter mais um
amigo. E eu vou aproveitar pra
treinar meu inglês que anda um
pouco enferrujado… (risos) E onde
ele está agora?! Por que ele não
veio?

LENITA
Ficou em casa… Não tava se
sentindo muito bem. Mas daqui a
pouco eu o chamo pra te apresentar.

GABRIEL
Claro, chama sim! Você só tem ele de filho?

LENITA
Sim. Meu único filho. Pelo Pedro,
teríamos mais dois, mas eu decidi
parar em um só.

PEDRO
Queria ter dado um irmão pro John.
Acho que seria uma boa, mas a vida
não quis assim…

ANTONIO
Pedro, o Gabriel tá perguntando
isso porque você poderia ter uma
filha né… e ai ele poderia ser
amigo dela também…

PEDRO
Entendi… (ri pra Gabriel)

Gabriel ri, sem graça, para Pedro.

Corta para:

CENA 10 – RUA – EXTERIOR – NOITE

Música continua: [Alanis Morissette – Baba]

John continua com o carro acelerado e com a musica muito alta. De repente, surge um ônibus a sua frente. John freia bruscamente e roda o carro pra não atingir o ônibus mas acaba subindo a calçada e batendo, violentamente, num muro (do lado do carona). John bate com a cabeça no volante e cai desacordado. Está com o rosto ensanguentado. O carro está acabado. Pessoas se aproximam, correndo, desesperadas. Um homem chega perto do carro, e vê John desacordado.

HOMEM
Temos que tirá-lo daqui! Chamem a
ambulância!

HOMEM 2
Eu já tô chamando! (está falando no celular)

Corta para:

CENA 11 – APTO. DE GABRIEL – SALA – INTERIOR – NOITE

Continuam à mesa. Terminaram de comer e agora é hora da sobremesa. Maria vem da cozinha com duas bandejas de vidro.

MARIA
Eu fiz duas tortas: uma de limão e
uma de maracujá.

Maria põe as tortas na mesa.

LENITA
Nossa, Maria! Nem precisava! Tanto
trabalho! Depois desse jantar
maravilhoso, nem precisava de mais nada!

MARIA
Ah, mas uma boa sobremesa sempre é
bem-vinda, né?! E que bom que você
gostou do jantar.

PEDRO
Excelente! Há muito tempo não como
uma comida tão boa!

ANTONIO
Isso é porque ela não cozinha todo
dia, hein!

MARIA
É por causa do tempo, que a gente
nunca tem. Mas eu amo cozinhar. É
um prazer pra mim. Que bom que
vocês gostaram! Fico feliz! Deixa
eu servir vocês…

Maria serve um pedaço de cada torta para Lenita, Pedro, Antonio e Gabriel.

EDU
Eu não vou querer, não. Brigado.

LETICIA
Eu também, não, mãe! Tô de dieta!

MARIA
Dieta? Como se precisasse…

LENITA
Verdade. Nem precisa.

LETICIA
Preciso sim. Sempre. Me acho super gorda.

EDU
Nada a ver… Você é linda!

LETICIA
Viu? Você falou que eu sou linda,
não que eu sou magra! Por isso,
faço dieta!

ANTONIO
Sem necessidade.

Pedro recebe o prato de torta, agradece, mas não come. Lembra de algo.

PEDRO
Lenita, o que você acha de eu
chamar o John?

LENITA
Acho ótimo! Você vai lá?

PEDRO
Vou. Já volto.

LENITA
Tá bom… (olha p/ Gabriel)
Gabriel, vai com ele!

Gabriel se surpreende.

GABRIEL
Eu?

LENITA
É que o John é tímido. É bem
provável que ele não queira vir…
Mas você indo lá, pelo menos vocês
se conhecem, conversam um pouco…
Gabriel olha para Pedro, incerto.

PEDRO
Vamos, Gabriel!

ANTONIO
Vai lá, Gabriel! Daqui a pouco
vocês já tão amigos e saindo pra
pegar mulher juntos.

MARIA
Antonio! Isso é jeito de falar?

ANTONIO
Não tô falando nada demais!

LETICIA
Liga não, Lenita! Meu pai é
machista assim mesmo!

LENITA
Tudo bem… Sem problemas… (acha engraçado)

GABRIEL
Tudo bem, eu vou.

Pedro e Gabriel se levantam e saem.

Corta para:

CENA 12 – CONDOMINIO COPA – CORREDOR – INTERIOR – NOITE

Pedro pega no seu bolso a chave do apartamento. (Ele mora no apartamento ao lado). Quando vai abrir a porta, pára e olha para Gabriel.

PEDRO
E ai? Mudou de ideia?

GABRIEL
Sobre você?

PEDRO
Isso.

GABRIEL
Não sei… Ainda não te conheço o suficiente…

PEDRO
Mas pelo o que você viu… pareço
ser igual aos amigos do seu pai que
você conhece? Pareço ser, como você
disse, chato e arrogante?

GABRIEL
Parecer, não parece! Mas não sei…
Só o tempo vai dizer…

PEDRO
Com o tempo você vai ver que eu não
sou nada disso.

Silêncio. Se entreolham os dois.

GABRIEL
Foi mal pelo que eu disse!

PEDRO
Por que tá se desculpando?

GABRIEL
Eu não devia ter dito o que eu
disse. Mas também, como eu poderia
imaginar que você era o amigo do
meu pai? Logo você…

PEDRO
Logo eu? Por quê? Eu não poderia
ser amigo do seu pai?

GABRIEL
Poderia, mas é que, sei lá… Você
é diferente (o encara – pausa) dos outros.
Gabriel não consegue disfarçar sua atração por Pedro, mas está um pouco sem graça com a situação.

GABRIEL
Foi mal mesmo…

PEDRO
Tranquilo, cara! Eu só achei
engraçado porque você não me
conhecia, mas eu já sabia que você
era o filho do Antonio…

GABRIEL
Sabia? Como?

PEDRO
Seu pai já tinha falado de você. E
da sua irmã também. E como eu já
sabia do jantar, eu deduzi quem
você era.

GABRIEL
Espero que ele tenha falado bem de
mim, pelo menos.

PEDRO
E falou. Disse que você é um ótimo filho.

GABRIEL
Nossa! Na minha frente ele não diz
isso… (risos)

PEDRO
Ah, não diz não? (risos) O Antonio
é assim mesmo. É o jeito dele.

GABRIEL
Você contou a ele que a gente já
tinha se visto?

PEDRO
Não, não contei nada. Por que? Deveria?

GABRIEL
Não. Melhor que ele não saiba o que
eu realmente penso dos amigos
dele… (sorri)

PEDRO
Tá certo. (também sorri)

Pedro, finalmente, abre a porta. Entram os dois.

Corta para:

CENA 13 – HOSPITAL – EXTERIOR – NOITE

Ambulância pára bruscamente. Alguns enfermeiros abrem a porta de trás e saem com uma maca. Vemos que John está na maca, desacordado. Eles o levam para dentro do hospital.

Corta para:

CENA 14 – APTO. DE PEDRO – SALA – INTERIOR – NOITE

Gabriel e Pedro entram.

PEDRO
Fica a vontade! Só não repara a
bagunça! Como chegamos hoje, ainda
tem muita coisa pra arrumar.

GABRIEL
Beleza.

Pedro vai em direção ao quarto de John.

PEDRO (OFF)
John! Vim te chamar pra ir lá na
casa do Antonio…

Gabriel observa algumas fotos de Pedro e Lenita, nos EUA. Close nas fotos. Pedro e Lenita na Disney, em Las Vegas, em Los Angeles e em Chicago. Sempre muito felizes nas fotos. Pedro vem do quarto e está preocupado.

PEDRO
O John não tá em casa. Que
estranho! Onde será que ele foi?

GABRIEL
Ele deve ter ido dar uma volta na
praia. Daqui a pouco ele tá ai.

PEDRO
É que ele não conhece o Rio. Não
conhece nada nem ninguém aqui.

GABRIEL
Não vai acontecer nada com ele. Ele
vai ficar bem. Só deve tá
explorando a cidade. Todo mundo faz
isso quando quer conhecer um lugar
novo. Daqui a pouco ele volta.

PEDRO
Não sei… O John é imprevisível.

GABRIEL
Liga pro celular dele, então.

PEDRO
Ele ainda não tem celular aqui no
Rio. Mas ele tem o numero daqui de
casa. E também, do celular da
Lenita. Seu pai cuidou de tudo e
instalou uma linha aqui pra gente.
Espero que ele ligue… (lembra)
Espera um pouco!

Pedro volta ao quarto de John e retorna, rapidamente.

PEDRO
Ele não vai voltar! Ele levou a
mala dele.

GABRIEL
O quê?

PEDRO
Ele levou a mala com todas as
roupas. Foi embora.

GABRIEL
Mas como? Por que ele faria isso?

PEDRO
Ele tá infeliz aqui. Não quer morar
no Rio de jeito nenhum. Ele quer
voltar pra Nova York. Tenho que
avisar a Lenita!

Pedro, muito preocupado.

Corta para:

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continuação: EPISÓDIO 3 – AMOR E ÓDIO

Posted by amoresproibidos em 27/01/2009

CENA 15 – APTO. DE GABRIEL – SALA – INTERIOR – NOITE

Uma conversa animada na mesa, quando Pedro entra. Gabriel atrás.

LENITA
E ai, Pedro? Cadê o John?

PEDRO
Ele foi embora. Saiu e levou a
mala.

Lenita se desespera.

LENITA
O que? Mas como? Ele não pode ter
ido muito longe! Ele não conhece
nada por aqui!

PEDRO
Pois é. Mas ele levou a mala. Tá
tudo com ele.

Lenita levanta.

LENITA
A gente tem que procurar o John.
Ele deve ter ido pro aeroporto.

PEDRO
Vamos pra lá, então.

GABRIEL
Eu levo vocês de carro.

LENITA
Desculpa, gente, mas eu tenho que ir.

MARIA
Vai lá. Qualquer coisa liga.

ANTONIO
Pedro, eu fico de olho. Se ele
aparecer por aqui, eu te aviso.

PEDRO
Brigado.

Pedro, Lenita e Gabriel saem.

MARIA
Meu Deus, onde será que esse garoto
se meteu?

Música marca.

Corta para:

CENA 16 – RUA – EXTERIOR – NOITE

Gabriel dirigindo seu carro em alta velocidade. Pedro no banco do carona e Lenita atrás, muito nervosa.

LENITA
Ele deve ter comprado uma passagem
na hora.

PEDRO
Não sei não. Acho que não vendem
passagem a uma hora dessa no
aeroporto. E pela internet, é uma
burocracia… Por que ele iria pro
aeroporto?

LENITA
Mas então, aonde ele iria?

PEDRO
Não sei. Você sabe como é o John…
Não dá pra saber o que se passa na
mente dele.

GABRIEL
Talvez ele tenha ido pra
rodoviária. Pelo menos, é mais
fácil comprar uma passagem de ônibus
que uma de avião.

PEDRO
A gente vai até o aeroporto, só por
via das dúvidas… Se não o
encontrarmos, vamos até a
rodoviária.

LENITA
Ai, meu Deus! Por que ele faz isso
com a gente?

Neste momento, toca o celular de Lenita. No visor do celular, vemos o nome de John.

LENITA
Tomara que seja ele!(atende) Alo!
(pausa – escuta)Hospital?! Mas o
que aconteceu com ele? (escuta)

Pedro ansioso e Gabriel também preocupado.

LENITA
Ai, meu Deus! Mas ele tá bem? É
grave? (escuta) Ok… estamos indo
para aí!

Lenita arrasada.

PEDRO
O que foi, Lenita? O que aconteceu
com o John?

LENITA
Ele sofreu um acidente de carro!

PEDRO
Acidente de carro? Mas como? Ele
nem tem carro…

LENITA
Não sei como, Pedro! Mas ele tá num
hospital… o nome é… Lourenço
Jorge. Nos leve até lá, Gabriel,
por favor!

GABRIEL
Claro.

Gabriel muda de direção, pegando o caminho inverso. Pedro está muito nervoso. Lenita chora.

Corta rápido para:

CENA 17 – HOSPITAL – INTERIOR – NOITE

Lenita, Pedro e Gabriel entram, com muita pressa. Lenita está desesperada e pede ajuda a uma enfermeira que passa.

LENITA
Por favor! Você pode me ajudar?
Preciso saber do meu filho. Ele
sofreu um acidente!

ENFERMEIRA
A senhora pode pedir informação
naquele balcão, por favor!

LENITA
Mas eu to falando com você! Você
não pode me ajudar e me dizer onde
está o meu filho?

ENFERMEIRA
Sinto muito, senhora, mas a senhora
deve se dirigir àquele balcão.

LENITA
Imprestável!

Enfermeira sai. Lenita vai até o tal balcão.

PEDRO
Calma, Lenita!

LENITA
Não me peça para ter calma numa
hora dessas! (p/ atendente do
hospital) Queria saber do meu
filho, John Albuquerque, que deu
entrada na emergência essa noite.

ATENDENTE DO HOSPITAL
Vou chamar o médico para falar com
a senhora.

A Atendente pega no telefone e fala com o Médico. Após alguns instantes, aparece o Médico.

MEDICO
Os senhores são os pais de John
Albuquerque?

PEDRO
Somos.

LENITA
Como ele tá, doutor?

MEDICO
Ele vai ficar bem. Tava
desacordado, mas já está
consciente. Ele bateu com a cabeça,
teve muito sangramento no nariz,
mas não houve maiores problemas. O
nosso medo era que ele continuasse
desacordado. Fizemos todos os
exames e ele não apresentou nenhuma
fratura na cabeça, que é o maior
risco nesse tipo de acidente.
Ferimentos leves na perna e nos
braços. E uma pequena fratura, no
pulso direito.

LENITA
Ai, graças a Deus não foi nada
grave! Podemos falar com ele?

MEDICO
Podem. Mas ele ainda não recebeu
alta. Precisa de alguns
medicamentos. Ele tá muito fraco.
Ele vai ter que ficar no hospital
essa noite.

PEDRO
Ficar aqui? Não podemos
transferi-lo pra outro hospital?

MEDICO
Podem fazer a transferência. Sem
problemas. Ele acordou e pediu pra
ligar pra mãe dele. Ele deu o
número, por isso que conseguimos o
contato, porque senão, não haveria
como avisar a vocês do que ocorreu.
Dentro do carro com ele só tinha um
mapa do Rio e uma mala.

LENITA
Eu quero ver o John. Deixa eu ver o
meu filho?

MEDICO
Venha por aqui.

Lenita vai com o médico, mas percebe que Pedro está parado no mesmo lugar.

LENITA
Você não vem ver como está o seu filho?

PEDRO
Vai indo lá. Eu vou cuidar da
papelada para transferirmos ele
prum hospital particular.

Lenita não gosta, mas segue em frente com o Médico. Pedro está atordoado. Gabriel, do lado dele.

PEDRO
Tudo isso, por causa de mim…

GABRIEL
Mas não foi culpa sua o acidente.
Essas coisas acontecem.

PEDRO
A culpa é minha, sim! A minha vida
tá um inferno, Gabriel. Você não
faz idéia…

Pedro vai até o balcão e conversa com a mesma Atendente de antes.

PEDRO
Quero transferir o paciente John
Albuquerque. O médico já tá ciente.

Continuam conversando.

CENA 18 – TAKE DE LOCALIZAÇÃO – EXTERIOR – NOITE

Primeiro, tomada geral do Rio de Janeiro, todo iluminado. Depois, tomada da frente do Hospital Particular, que John foi transferido.

CENA 19 – HOSPITAL PARTICULAR – QUARTO – INTERIOR – NOITE

John está deitado, mas acordado. Ao seu lado, Lenita e Pedro.

LENITA
Você tá bem, filho? Tá sentindo
alguma dor?

JOHN
To bem, mãe! Relaxa!

LENITA
É que com essa transferência, fico
com medo de você ter quebrado mais
alguma coisa.

JOHN
Eu to bem, só to com uma dor de
cabeça muito forte. Até quando eu
vou ter que ficar aqui?

PEDRO
Até amanhã, a principio. Mas tudo
depende de você, eles estão te
analisando. Você bateu forte com a
cabeça. Precisa de cuidados
especiais. Eu pedi novos exames pra
gente verificar se tá tudo bem com você.

JOHN
Não precisava se incomodar…

PEDRO
Não começa, John! Você precisa
descansar. E eu também.

JOHN
Eu não quero descansar… Eu quero
falar com você. Mãe, você pode nos
deixar a sós?

LENITA
John, por favor! Descansa! Você tem
todo o tempo do mundo pra conversar
com seu pai depois. Agora não é hora!

JOHN
Mãe! Por favor!

Lenita sai, contrariada.

PEDRO
O que você tem pra me dizer?

JOHN
Que eu vou embora. Vou voltar pros
Estados Unidos, como você quer…

PEDRO
Como é que é? Vai embora? Vai como?
E pra onde?

JOHN
Vou voltar pra minha casa. Nova
York. Lá é o meu lugar. Não aqui.

PEDRO
John, você não vai a lugar algum.
Sabe por que? Por que eu não vou deixar!

JOHN
Quem você pensa que é pra me mandar?

PEDRO
Quem você pensa que é pra falar
assim comigo? Quem você pensa que é
pra se achar no direito de querer
viver sozinho, longe da sua
família, em outro país? Você tem
que me respeitar! Eu sou o seu pai!28.

JOHN
Antes não fosse! Você não gosta de
mim que eu sei. Pra que fingir? Pra
que essa farsa de que eu te devo
respeito? Não, pai! Eu não te devo
respeito por que você não me
respeita! Olha como você me trata?
Como se eu fosse uma criança!

PEDRO
Mas é exatamente o que você é! Uma
criança! Pior: você é um adulto com
mente imatura. Você é um mimado!
Arrogante, prepotente… Você é
igualzinho a sua mãe! Acha que
pisar nos outros é o melhor caminho
para se conseguir as coisas nessa
vida. Mas John, você não pode
fingir ser algo que você não é. E
maduro você não é! Contente-se em
ser tratado como criança porque é
isso que você merece!

JOHN
Vai embora! Larga a minha mãe!
Larga a nossa casa! Vai embora! Vai
viver a sua vida! Pede o divorcio!
Não é isso que no fundo você quer?
Fala a verdade… Confessa! No
fundo, no fundo, você quer é se ver
livre de mim e da minha mãe. Se nós
somos a causa de tanta infelicidade
na sua vida, larga tudo! Vai ser
feliz longe da gente! Vai ser
melhor pra todo mundo assim!

PEDRO
Eu não admito que você se intrometa
na minha vida. Eu sei o que eu devo
fazer ou não e isso não te diz
respeito! Veja como você é
infantil! As vezes acho que você
nunca vai crescer!

JOHN
Por que eu sou infantil? Só porque
eu te falo o que você não quer ouvir?

PEDRO
Não, John. É pelas suas atitudes.
Por que sair com uma mala num carro
pela cidade? Você tava indo pra
onde? O que você realmente queria?
Não era ir embora! Com certeza não
era! Se você quisesse ter ido
embora mesmo, você já tinha ido! O
que você quis foi aparecer! Chamar
a atenção! Você precisa disso, né!
Você precisa sempre ser notado! Mas
olha bem no que deu, a sua
irresponsabilidade! Você tá ai
numa cama de hospital, me tratando
mal, mas poderia estar pior,
poderia estar desconfigurado ou até
mesmo morto! Você acha isso atitude
de gente madura?

JOHN
Eu ia pegar um ônibus na rodoviária
e sumir. Você nunca mais ia me ver.

PEDRO
Pra que isso, John? Pra que? Você
quer me fazer sofrer?

JOHN
Eu não me importo com você. Nem um pouco.

PEDRO
Nem com a sua mãe? Ou você só se
importa com você mesmo? Tá vendo?
Você vai acabar sozinho, John. Você
já não tem quase ninguém. Se
continuar assim, você vai conseguir
não ter ninguém do seu lado. É isso
que você quer?

JOHN
Só não quero você do meu lado.

PEDRO
John, eu não quero mais discutir
com você. Mas eu não vou permitir
que você vá embora! Eu tiro o todo
o teu dinheiro, cancelo seus
cartões, te tiro tudo o que você
tem e ai você vai ter que trabalhar
pra conseguir o seu dinheiro. É
isso que eu vou fazer se você
continuar com essa palhaçada de
querer voltar pros Estados Unidos!
Você entendeu bem o que eu disse?

John está explodindo de raiva e desvia o olhar de Pedro.

PEDRO
Olha pra mim, John!

John volta a encarar Pedro, que se aproxima.

PEDRO
Entendeu bem o que eu disse? Eu
tiro tudo o que você tem!

JOHN
Eu te odeio!

PEDRO
Por que? O que foi eu te fiz pra
você ter tanto ódio de mim?

JOHN
Vai embora daqui! Não tenho mais
nada pra falar com você…

PEDRO
Por que você me odeia?

JOHN
Vai embora! (grita) Sai daqui! Sai
agora senão eu vou chamar a
enfermeira!

Pedro sai, muito abalado. John chora, em silêncio.

Corta para:

CENA 20 – HOSPITAL PARTICULAR – CORREDOR – INTERIOR – NOITE

Pedro sai do quarto e caminha apressado. Encontra Lenita e Gabriel no caminho.

LENITA
Pedro, que cara é essa? Vocês
discutiram de novo?

PEDRO
Não foi nada, Lenita. Tá tudo bem.
Eu vou pra casa. Preciso tomar um banho.

LENITA
Tá bem. Eu vou passar a noite aqui
com o John.

PEDRO
Tá bom. Qualquer coisa, me liga!

LENITA
Tá. Tchau!
Lenita vai beijar Pedro na boca, mas ele desvia e ela o beija no rosto. Gabriel observa, um pouco mais afastado. Lenita está sem graça.

LENITA
Tchau, Gabriel! Obrigada por tudo!

GABRIEL
Que isso! Não precisa agradecer.

Pedro anda em direção a Gabriel e Lenita se afasta na direção contrária, em direção ao quarto de John.

PEDRO
Vamos?!

GABRIEL
Vamos.

Corta para:

CENA 21 – RUA – EXTERIOR – NOITE

Música: [OneRepublic – All we are]

Carro de Gabriel. Gabriel dirige e Pedro, no banco do carona. Silêncio. Pedro está tenso. Gabriel percebe e o observa, de lado. Ficam assim por um tempo. Pedro decide quebrar o gelo.

Música desce.

PEDRO
Você vai trabalhar amanha?

GABRIEL
Eu não trabalho ainda. Só estudo.

PEDRO
Mas é de manhã cedo?

GABRIEL
É sim. Por que?

PEDRO
Desculpa por ter te dado tanto
trabalho. Você tendo que acordar
cedo amanha e ainda nos ajudando…

GABRIEL
Ah! Que isso, Pedro! Você faria o
mesmo pela minha família! Não tem
problema nenhum. Amigo é pra essas coisas!

PEDRO
Valeu mesmo, Gabriel! Posso abusar
só mais um pouquinho da sua boa vontade?

GABRIEL
O que foi?

PEDRO
Me deixa na praia, por favor! Eu
vou beber um pouco, olhar o mar…
To precisando relaxar.

GABRIEL
Quer relaxar mesmo? Vou te levar
num lugar que eu sempre vou quando
não estou bem. Comigo dá certo. Eu
volto de lá bem melhor.

PEDRO
Me leva até lá, então.

Corta para:
CENA 22 – MIRANTE DO LEBLON – EXTERIOR – NOITE

Música Sobe (continuação): [OneRepublic – All we are]

Gabriel pára o carro e saem do carro os dois. Pedro caminha até o Mirante e vemos do ponto de vista dele, Leblon e Ipanema ao fundo, iluminados. Uma vista lindíssima. Pedro observa a cidade iluminada. Escutamos o barulho das ondas do mar. Venta um pouco. Gabriel ao lado esquerdo de Pedro.

Música desce.

GABRIEL
Não é uma vista maravilhosa?

PEDRO
É lindo!

GABRIEL
Esse é o meu refúgio. Quando nada
dá certo, eu venho pra cá e fico
pensando na vida, nos problemas…
As vezes até encontro a solução pra
eles. Acho que vai ser bom pra você
ficar aqui um pouco… Se quiser,
eu espero no carro.

PEDRO
Não. Fica aqui.
Música sobe.

Pedro fica olhando para a paisagem, enquanto seus olhos se enchem de lágrimas. Gabriel ali com ele. Silêncio por alguns instantes.

Música desce.

GABRIEL
Você quer conversar? Se eu puder
fazer alguma coisa pra te ajudar…
Pedro olha para Gabriel, enquanto desabafa com ele.

PEDRO
Gabriel, meu filho me odeia! Você
acha isso justo? Eu quis tanto o
John! Ele foi um filho desejado,
sabe? Ele sempre foi amado, por mim
e pela mãe dele. Mas ele… não
gosta de mim. Ele me disse hoje que
me odiava. Olhou dentro dos meus
olhos e me disse isso…
Gabriel escuta. Pedro fala, ao mesmo tempo em que chora.

PEDRO
Eu só quero que o meu filho goste
de mim. Só quero que ele me ame da
mesma forma que eu o amo… Do
jeito que você ama o seu pai… Eu
não sei mais o que eu faço,
Gabriel. Ta tudo dando errado pra
mim! Meu casamento, meu filho… eu
to perdendo tudo o que eu construí
ao longo da minha vida toda… O
que eu faço, Gabriel?

GABRIEL
Reconquista o seu filho!
Reconquista o carinho e o respeito
dele. É isso que você deve fazer.
Não pode desistir. Tem que ser
forte. Tudo isso pode ser uma fase
ruim… mas que já já passa. Vai
dar tudo certo, só não desista do
seu filho!
Pedro encara Gabriel. Está pensativo. Enxuga as lágrimas.

PEDRO
Eu não devia tá te alugando com os
meus problemas…

GABRIEL
Você não ta me alugando. Tá tudo bem.

PEDRO
Você é tão maduro. Tão diferente do John…

GABRIEL
Eu não sou tão maduro assim.

PEDRO
É sim. Teu pai tem que ter orgulho
de ter um filho como você.

GABRIEL
Orgulho? Não… Com certeza, meu
pai não tem orgulho de ter um filho
como eu… não como eu…

Pedro observa Gabriel, fixamente.

GABRIEL
O que foi?

PEDRO
Nada. (enxuga as últimas lágrimas)
Melhor você ir embora. Já tá tarde.
E você tem que acordar cedo.

GABRIEL
Tem certeza que você quer ficar
aqui sozinho? Se quiser, te espero
no carro e depois te levo.

PEDRO
Brigado, mas não precisa. Você já
fez muito por mim hoje. Não quero
abusar. Vai lá. Boa aula amanhã!
Gabriel põe a mão no ombro de Pedro.

GABRIEL
Fica bem.

PEDRO
Vou ficar. Brigado por tudo!

Música aumenta.

Gabriel vem em direção ao seu carro, mas não entra nele. Observa Pedro, de longe, que continua no Mirante, olhando para o horizonte. Close em Gabriel, com cara de quem já está se apaixonando.

Tela escurece.

FIM DESTE EPISÓDIO

CRÉDITOS FINAIS

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