Amores Proibidos

Série – Texto em Roteiro

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EPISÓDIO 8 – O SONHO QUE SE TORNA REALIDADE

Posted by amoresproibidos em 02/06/2009

copacabana123

CENA 01 – PISCINA DO CONDOMINIO COPA – EXTERIOR – DIA

Música ao fundo. Gabriel está na piscina de frente para
Pedro (continuação da última cena do episodio anterior).
Alicia, Bruno, Cristian e Juliana os observam, mas estão
um pouco mais afastados e não ouvem a conversa.

PEDRO
E aí? Como você tá? Por que não
falou comigo quando chegou?

GABRIEL (frio)
E eu tenho algo pra falar?

PEDRO
Não acredito que agora você vai
me tratar mal!

GABRIEL
Eu não to te tratando mal, Pedro!
Mas pensa bem! Que assunto nós
temos? Você é só o amigo do meu
pai! Você tem que conversar é com
ele, não comigo! Agora, se você
me der licença, meus amigos tão
me esperando…

Gabriel faz que vai se afastar, mas pára quando Pedro o chama.

PEDRO
Espera!

GABRIEL
Que foi?

PEDRO
Não queria que ficasse um clima
ruim entre a gente, entende?

GABRIEL
Fica tranquilo. Não tem clima
algum… Da licença.

Gabriel se afasta de Pedro e vai falar com seus amigos.
Pedro o observa, mas Lenita o chama de fora da piscina.

LENITA
Amor, você vai ficar aí na
piscina?

PEDRO
Eu vou. Entra também!

LENITA
Olha que eu entro mesmo, hein!

PEDRO
Então entra! Vem! A água ta
ótima!

LENITA
Tá bom, vou entrar.

PEDRO
Vem logo!

Lenita se afasta e tira a sua roupa e a põe numa cadeira
perto da mesa que John continua sentado, ficando somente
de biquíni.

Enquanto isso, Gabriel, Bruno, Alicia, Cristian e Juliana
conversam dentro da piscina.

CRISTIAN
Mas e aí, Gabriel? Quando é que a
gente vai viajar de novo pra
aquela sua casa de praia em
Saquarema?

GABRIEL
Pô, só marcar! Quando vocês
quiserem. A casa fica lá sozinha,
abandonada, à nossa disposição.

ALICIA
A gente podia ir num desses
feriados que vão vir.

BRUNO
Ou então num fim de semana
qualquer. Todo mundo pode fim de
semana?

JULIANA
Eu posso. Sem problemas!

ALICIA
Eu também. Eu fico a toa em casa.

CRISTIAN
Por mim, fim de semana tá
perfeito!

GABRIEL
Então vamos! Daqui a três semanas
as provas na facul já vão ter
acabado e aí a gente vai poder
viajar.

CRISTIAN
Lá é muito legal! Vocês vão
gostar!

BRUNO
Tu já viajou com o Gabriel muitas
vezes?

CRISTIAN
Varias vezes! A gente não se
desgruda desde a infância! Agora
que com essa historia de
faculdade a gente não tem se
visto tanto… Mas só pra você
ter uma ideia, pra casa de praia
dele eu já fui umas oito vezes…

Todos continuam conversando, mas Gabriel olha casualmente
em outra direção e vê Lenita, que entra na piscina. Lenita
mergulha e depois nada até onde está Pedro e o beija. Os
dois se beijam ardentemente. Gabriel fica olhando fixo,
sofrendo por dentro. Gabriel tenta disfarçar seu incômodo,
desviando o olhar.

GABRIEL (triste)
Galera, vou dar uma saída! Depois
eu volto…

BRUNO
Vai aonde, cara?

GABRIEL
Lugar nenhum. Fica aqui.

Gabriel sai da piscina e olha, discretamente para Pedro e
Lenita, que se beijam e trocam caricias dentro da piscina,
como se fossem dois jovens apaixonados. Bruno fica sem
entender o que aconteceu, mas continua na piscina com os
outros. Corta para:

CENA 02 – PRAIA – EXTERIOR – DIA

Música [All we are – One Republic]

Gabriel sai de seu prédio e atravessa a Avenida
Atlântica em direção à praia. Seus olhos estão cheios de
lágrimas. Senta-se na areia, numa parte ainda vazia, sem
muita gente. Leva as mãos ao rosto e chora. Chora ao mesmo
tempo que vai enxugando as lágrimas de maneira
desesperada.

GABRIEL (com um pouco de revolta)
Isso não pode tá acontecendo
comigo! Não pode!

CRISTIAN (OFF)
Gabriel!

Gabriel se vira e vê Cristian, que se aproxima rapidamente
e senta-se ao seu lado. Música diminui. Gabriel chora um
pouco, enquanto conversa com Cristian.

CRISTIAN
Que foi, cara? Por que saiu de lá
do nada e veio pra cá? Por que
você ta chorando?

GABRIEL
Porque aconteceu comigo o que eu
mais temia esse tempo todo. E ao
mesmo tempo, foi o que eu mais
desejei…

CRISTIAN
O que, cara?

GABRIEL
Eu me apaixonei. (fala sem
encará-lo) To gostando do Pedro
como eu nunca gostei de nenhum
outro cara…

CRISTIAN
Apaixonado?! Mas você nunca se
apaixonou por ninguém…

GABRIEL
Mas aconteceu! Essas coisas a
gente não controla. A gente não
manda no coração! (pausa – pensa)
O pior é que eu me sinto um
idiota, ajo como um idiota…
Tudo isso por causa dele! (encara
Cristian) Não consigo suportar
ver o Pedro aos beijos com a
mulher dele! É demais pra mim!

CRISTIAN
Mas é a mulher do cara! O que ele
vai fazer? Escuta! Esquece esse
cara, esquece essa história! Pro
teu próprio bem! Fica longe desse
cara! Ele só vai te fazer sofrer!
Ou você acha que ele vai ficar
com você? Não vai!

GABRIEL (arrasado)
Eu sei disso.

CRISTIAN
Ele só vai te usar. Como uma
diversão. Um brinquedo. Vai usar
e jogar fora. E você não pode se
submeter a isso!

GABRIEL
Eu sei disso tudo, Cristian. Mas
como, então, esquecer? Como
ignorar o que eu sinto? Como
ignorar o que eu vejo?

CRISTIAN
Evita de todas as formas! Ficar
no mesmo lugar, sabe? Essas
coisas. Evita ficar sozinho com
ele! (o encara) Não to te
reconhecendo… Foi só um beijo e
você já ficou assim…

GABRIEL
Não foi só uma vez! Mas isso não
importa… (pensa) O que importa
é que ele me disse pra esquecer
tudo, que vai tentar reconstruir
o casamento dele.

CRISTIAN
E ele não tá errado! Ele tem que
tentar! E que consiga! Você não
merece alguém assim! Você não
merece a sobra de ninguém,
Gabriel! Você sempre foi o centro
das atenções, desde a infância.
Sempre conseguiu tudo o que
queria! Você é único, cara! Você
merece muito mais! Não vale a
pena você ficar sofrendo pelos
cantos por causa desse cara!

GABRIEL (olha fixo p/ Cristian – meio inseguro)
Você acha que eu to sendo um
idiota? Acha?

CRISTIAN
Não, não acho. Idiota é quem não
te da valor, é quem te machuca…

Gabriel sorri um pouco, mas ainda está fragilizado.

GABRIEL
Você sempre levantando minha
moral… Brigado por me ouvir
mais uma vez…

CRISTIAN
Eu sou seu amigo e vou te ouvir
sempre. Não tem coisa pior do que
ver um amigo sofrendo… E pior
ainda, é ver um amigo sofrendo
por quem não merece…

Gabriel está mais tranquilo e enxuga as ultimas lágrimas.

CRISTIAN
Vamo voltar pra festa! E nada de
choro, hein!

GABRIEL
Tá bom. Vamo voltar.

Gabriel e Cristian se levantam e caminham em direção à
Avenida Atlântica. Música sobe. Corta para:

CENA 03 – PISCINA DO CONDOMINIO COPA – EXTERIOR – DIA

Música ao fundo. Maria, Antonio, Edu e Letícia numa mesa.
John está sentado sozinho numa outra mesa, mas não pára de
olhar para esta. Maria está olhando na direção que John
está.

MARIA
Tadinho do John! Tá sozinho lá na
mesa!

ANTONIO
É que o Pedro e a Lenita tão na
piscina e ele não quer ir. Ele é
meio fechado, mas daqui a pouco
ele entra no espírito carioca.
Chama ele pra cá!

MARIA (p/ John)
John, senta aqui com a gente!

JOHN (responde de longe, com um sorriso)
Não, brigado. To bem aqui.

MARIA
Você que sabe…

Neste momento, chega um amigo de Edu.

AMIGO DE EDU
Grande Edu!

EDU
Paulo! Como tu ta? Quanto tempo!
Esses são meus sogros e minha
noiva!

AMIGO DE EDU
Ola! Prazer!

EDU
E aí, como tão indo as coisas?
(p/ os que estão na mesa) Com
licença!

Edu se levanta e se afasta, indo conversar com seu amigo.

LETICIA
Ih, o Edu agora vai demorar um
ano! Quando se junta com os
amigos dele, fica horas
conversando!

MARIA
Normal. Todo homem é assim… Mas
mudando de assunto, cadê a nossa
câmera? Não to vendo ninguém
filmando nem tirando foto!

ANTONIO
Putz! Esqueci de contratar o
fotógrafo! Mas também, vocês me
falaram que seria algo simples,
só pros íntimos!

LETICIA
Mas é algo simples, pai. Ainda
bem que você esqueceu de
contratar o fotógrafo porque não
tem necessidade! Eu subo e pego a
nossa câmera.

MARIA
Então, faz isso, minha filha.
Festa sem foto não é festa, né!

LETICIA
É verdade. Já volto.

Letícia se levanta e vai andando em direção à área
interior do condomínio. John observa e quando Letícia já
sumiu de vista, se levanta e vai atrás dela. Corta para:

CENA 04 – CONDOMINIO COPA – HALL/ELEVADOR – INTERIOR – DIA

Letícia chama o elevador, ele demora alguns segundos e já
vem. Está vazio. Letícia entra e quando a porta já vai
fechando, John entra. As portas do elevador se fecham.

LETICIA (um pouco surpresa)
John?! Também esqueceu alguma
coisa em casa?

JOHN
Isso. E você?

LETICIA
Esqueci a câmera. To indo lá
pegar. Eu adoro tirar foto, não
podia faltar uma câmera logo
hoje, né?!

JOHN
Claro. (pausa) Você tá feliz?

LETICIA (entusiasmada)
Muito!

JOHN (direto)
Não parece.

LETICIA (confusa)
Como, não parece?!

JOHN
É sério! Não parece não! Sei
lá… Acho que você não ama esse
tal de Edu. Tá com ele só pra
passar o tempo.
Letícia se revolta.

LETICIA
Como é que é? Você ta louco! Quem
você pensa que é pra me falar
essas coisas? Como é que você
pode se atrever a falar sobre o
que eu sinto pelo meu noivo? Você
nem me conhece! E eu não te dou
confiança! Nunca dei! Exijo
respeito!

JOHN
Mas eu não te desrespeitei em
momento algum. Só falei o que eu
acho. Minha opinião. E você não
desmentiu… Nem falou que ama o
seu noivo… Acho que no fundo,
no fundo, pode ter um quê de
verdade no que eu to falando…

Letícia se aproxima de John, nervosíssima.

LETICIA
Escuta aqui, seu muleque! Cala a
sua boca! Dobra a língua antes de
falar de mim ou do meu noivo,
entendeu? Você é muito
prepotente! Acha o que? Que pode
ficar falando o que quiser pras
pessoas? Não se atreva a me
dirigir mais a palavra!

As portas do elevador se abrem e ficam abertas. Quando
Letícia vai sair, John a segura pela mão e a puxa para si.
Estão juntos, cara a cara. Letícia ainda mais revoltada,
faz de tudo pra se livrar dos braços de John, mas ele a
mantém imobilizada.

LETICIA
Me solta, seu louco! Me solta! Se
você não me largar agora eu vou
começar a gritar aqui! Quem você
pensa que é pra fazer isso? Você
passou de todos os limites!
(grita) Me solta!

JOHN
Pára de gritar! Ninguém vai
ouvir! Eu só to fazendo isso
porque eu sei que no fundo você
também quer…

Música [We are broken – Paramore]

John beija Letícia, segurando-a pela cintura e
também pela pescoço. Letícia no inicio do beijo reluta,
batendo um pouco em John, mas depois não resiste mais e se
entrega ao beijo ardente. Corta.

CENA 05 – CONDOMINIO COPA – ELEVADOR/CORREDOR – INTERIOR – DIA

John e Letícia se beijando, quando de repente Letícia o
empurra e bate na cara de John. Está muito nervosa.

LETICIA
Você não devia ter feito isso!
Não devia!

JOHN
E por que não devia?

LETICIA
Ainda pergunta? Estou noiva! Ah,
meu Deus! E eu ainda aqui
perdendo tempo com você… Nunca
mais me dirija a palavra!
Letícia sai do elevador, mas John a segue até a porta do
apartamento de Letícia.

JOHN
Escuta aqui! Você vai ser minha!
Eu não vou desistir! Como você
mesmo disse, você não me
conhece… Quando eu quero algo,
vou atrás e consigo!

LETICIA
Me deixa em paz! O que você quer?
Arranjar confusão? O Edu quebra a
tua cara se ficar sabendo!

JOHN
Eu não quero confusão com
ninguém! Eu só quero você! E eu
vou ter!

LETICIA
Nunca!

Música [We are broken – Paramore]

John agarra Letícia novamente e a beija, mas
Letícia rapidamente se afasta, um pouco confusa e entra em
seu apartamento. John fica em sua porta, pensativo e sorri
um pouco. Corta para:

CENA 06 – PISCINA DO CONDOMINIO COPA – EXTERIOR – DIA

Música [Single – NKOTB And Ne-Yo]

Em câmera lenta, um giro pela festa. Há um bolo
grande e confeitado com aqueles bonequinhos de noivos em
cima. Letícia e Edu sorriem para uma foto perto do bolo.
Letícia e Edu tiram foto bebendo champanhe, com os braços
entrelaçados. Vemos Gabriel, Cristian, Bruno, Juliana e
Alicia conversando entre si, mas de vez em quando Gabriel
olha na direção que Pedro está. Pedro e Lenita, por sua
vez, estão juntos e bebem champanhe. Conversam e se
beijam. Gabriel observa, mas tenta disfarçar. Há muitos
convidados por ali. John olhando de longe Letícia e Edu,
que se beijam. Tela escurece. Corta para:

CENA 07 – STOCK SHOT – EXTERIOR – DIA/NOITE/DIA

A mesma música. Imagens do Rio de Janeiro de amanheceres e
entardeceres, para mostrar a passagem de tempo.
(Alguns dias depois…)

CENA 08 – CAMPO DE FUTEBOL DO BOTAFOGO – EXTERIOR – DIA

Outra música [Air painter – CSS]

Alberto está na beira do gramado, com um
sorriso na boca, olhando para o corredor de onde saem os
jogadores. Atrás dele, no campo, há alguns homens jogando
futebol. De repente, sai do tal corredor Ricardo, que vem
vestido para entrar em campo, com um short, chuteira e uma
camisa qualquer. Aproxima-se de Alberto. Música diminui.

ALBERTO
Eu sabia que você ia acabar
vindo…

RICARDO
Eu vim, sim. Mas não esqueci o
que você fez não! Se tentar
alguma coisa novamente, você vai
ver o que te acontece!

ALBERTO
Calma! Não vou fazer nada! Eu não
falei que ia te ajudar? Pois
então. Aqui estamos. Vamos falar
com o Sérgio, que é o treinador,
você faz uns testes aí e se tudo
der certo, você fica no time.

RICARDO
Beleza. Cadê ele?

ALBERTO
Espera aqui que eu vou chamar.

Alberto vai até o campo e fala alguma coisa com o
Treinador (o nome dele é Sérgio), que vem até Ricardo.
Alberto ao seu lado. Sérgio já chega cumprimentando
Ricardo com um aperto de mãos.

SERGIO
Então, você que é o Ricardo?

RICARDO
Sou eu, sim!

SERGIO
O Alberto me falou muito bem de
você. Disse que você tem talento.
É verdade?

Ricardo olha para Alberto, mas responde a Sérgio.

RICARDO (com um sorriso)
Se ele diz que eu tenho… quem
sou eu pra desmentir?

SERGIO
Então me mostra isso lá no campo.
Joga um tempo com o time, só pra
gente ver do que você é capaz.
Depois a gente conversa mais.
Pode ir!

Música sobe.

Ricardo já vai indo pro campo, mas pára e
fica observando todo o campo. Está radiante de felicidade,
mas tenta disfarçar. Na verdade, está todo bobo pela
oportunidade que está tendo, mas aparenta um certo
nervosismo. Atrás, um pouco mais afastados, estão Alberto
e Sérgio, que pega um colete do time e dá para Ricardo.

Música diminui.

SERGIO
Toma! Veste isso! (entrega o
colete) Quero você no ataque,
junto com aquele ali! (aponta)

RICARDO
Pode deixar.

Ricardo põe o colete e corre para o campo, se juntando aos
outros jogadores. Música sobe.

Corte de continuidade.
Tomada geral da partida de futebol.
Ricardo joga muito, como sempre, faz muitos dribles e três
gols. Sempre recebe muita marcação do zagueiro do outro
time, mas se safa muito bem das marcações e por último faz
um quarto gol. Na beira do campo, estão Alberto, Sergio e
o Presidente do Clube, todos avaliando o desempenho de
Ricardo. Detalhe no rosto de Alberto, que expressa
felicidade a cada jogada ou gol que Ricardo realiza bem.
Os três demonstram gostar do que estão vendo. Corta para:

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continuação: EPISÓDIO 8 – O SONHO QUE SE TORNA REALIDADE

Posted by amoresproibidos em 02/06/2009

CENA 09 – LANCHONETE – INTERIOR – DIA

Helena entra e procura por uma mesa específica, até que
finalmente encontra Fernando, sentado em uma delas. Helena
está impaciente. Fernando está calmo e está feliz com a
presença de Helena.

FERNANDO
Que bom que você veio! Pensei que
não viria!

HELENA (agressiva)
E não devia vir mesmo! Diz logo o
que você quer!

FERNANDO
Senta aí pra gente conversar!

Helena se senta.

HELENA
Fala logo!

FERNANDO
Por que você me trata assim? Eu
não mereço ser tratado assim.
Você sabe que eu não mereço.

HELENA
Você me chamou pra isso?

FERNANDO
Pára de agir como se nunca
tivesse havido nada entre a
gente!

HELENA
E você quer que eu aja como?!

FERNANDO
Por que você é tão fria assim?
Por que essa frieza no coração? E
o amor que você tinha por mim?
Acabou? Hein, Helena! Me diz! Diz
olhando nos meus olhos que
acabou, que você não sente mais
nada por mim!

HELENA
Eu não sinto mais nada por você!
Eu digo isso quantas vezes for
necessário! E não é novidade!
Nunca te escondi isso! Você sabe
que eu não gosto mais de você.
Você sabe que de você eu só quero
distancia! Eu tenho nojo de você!
Sabe o que é isso? Nojo!

FERNANDO
Quando foi que acabou? Não pode
ser, você era tão apaixonada por
mim!

HELENA
Como você pode ser tão cínico?! E
ainda me pergunta quando
acabou… Francamente!(pausa –
pensa um pouco) Você sabe muito
bem que o que eu sentia por você
acabou no dia que você foi preso!
Naquele dia… No dia que… Você
matou aquela mulher!

FERNANDO
Eu não matei ninguém, Helena!
Quantas vezes eu vou ter que te
dizer isso?

HELENA
Não adianta você me dizer! Eu
nunca vou acreditar em você!
Nunca! Assassino! (grita)
Helena chora um pouco, está muito nervosa e com muito
rancor.

HELENA
Por que você foi voltar? Hein?
Dezoito anos na cadeia pra você
foi pouco! Devia ter ficado mais!
Ninguém sentiu tua falta!
Ninguém! Ninguém sente falta de
um assassino!

FERNANDO (se altera também)
Você não pode me tratar assim! Eu
já cumpri a minha pena. Por mais
que você nem ninguém acredite, eu
vou morrer dizendo que eu não
matei ninguém! Escuta bem,
Helena! Eu vou provar a minha
inocência! Ta me ouvindo? Eu vou
provar! Vou provar por a mais b
que outra pessoa entrou naquele
quarto, naquele dia!

HELENA (desdenhando)
Vai provar? Provar como? Como é
que você vai conseguir provar
alguma coisa de um crime que
aconteceu há dezoito anos?

FERNANDO
Eu vou dar o meu jeito. Eu vou
fazer o culpado pagar! Por tudo
que me fez passar! Por tudo o que
eu sofri!

HELENA
Não me faça rir! Você ta louco,
sabia? Aproveita que você ta
livre, que já pagou a sua pena e
some! Vai embora, Fernando! Pra
que mexer nisso? A quem você ta
tentando enganar com essa
historia? Vai viver sua vida! E
me deixa em paz!

Helena se levanta pra ir embora, mas Fernando a segura
pela mão.

FERNANDO
Espera! Não vai embora!

HELENA
Não tenho mais nada pra conversar
com você!

FERNANDO (direto)
Mas eu tenho. Ainda não falei
tudo o que eu queria. Senta!

Helena senta, relutante. Fernando está decidido e a partir
de agora, a conversa vira uma discussão com muitos gritos.

FERNANDO
Eu quero conhecer a minha filha.

HELENA
Nunca! Não admito!

FERNANDO
Escuta, Helena! Eu sou o pai! Eu
mereço conhecer a filha que você
me escondeu durante todos esses
anos! E você vai me levar até
ela!

HELENA
Desiste dessa historia de
conhecer a Alicia! Eu não vou
permitir que você se aproxime da
minha filha!

FERNANDO
Sua não, nossa!

HELENA
Minha! (grita) Minha! Quem foi
que criou? Quem foi que sempre
teve do lado dela desde que ela
nasceu? Eu, Fernando! Eu! Não
você!

FERNANDO
Do que você tem medo? Por que não
quer que eu me aproxime da minha
filha? Por que ta escondendo ela
de mim?

HELENA
Ela não deve conhecer toda a
verdade… Ela vai sofrer! E eu
não quero que ela sofra!

FERNANDO
Que verdade você não quer que ela
saiba? A sua verdade? Mas ela vai
conhecer a verdade, sim! Sabe por
que? Porque eu vou provar que o
pai dela foi enganado, que foi
preso injustamente e que a mãe
dela sempre esteve errada todos
esses anos!

HELENA
Louco! Só falta agora você me
acusar! Vai fazer isso também?

FERNANDO
Claro que não. O culpado eu já
sei quem é.

HELENA
E quem é, então?

FERNANDO
O Antonio.

Música marca. Helena fica pensativa, um pouco mais calma.

HELENA
O Antonio? Tem certeza?

FERNANDO
Só preciso de uma prova. Só
uma… Mas não tem como não ser
ele. Ele era o único que sabia
onde tava a arma do crime. O
único! Foi ele, com certeza.

HELENA
Então, o Antonio é o assassino…
(pensativa)

FERNANDO
Acredita em mim agora?

HELENA (confusa)
Não! Só estou pensando… que
realmente poderia ter sido ele…
mas não sei, não sei de nada!
Você ta me confundindo! Como eu
posso confiar em você? Como eu
vou saber que você não tá
mentindo?

Fernando se aproxima de Helena, rosto com rosto. Está mais
calmo e fala serenamente.

FERNANDO
Você sabe que eu sou inocente. Lá
no fundo, eu sei que você sabe. E
também sei que lá no fundo, você
ainda me ama. Eu sou o mesmo
Fernando de antes. Eu errei
muito, é verdade, mas to aqui pra
consertar tudo o que eu fiz de
errado…

HELENA
Nem tudo tem conserto, Fernando.
Nem tudo.

FERNANDO
Eu vou reconquistar tudo o que eu
perdi, Helena. Você vai ver. Não
importa quanto tempo isso demore.
Um dia você vai enxergar a
verdade. E eu vou ta esperando
por você nesse dia.

HELENA
A verdade é a que eu conheço. É a
que me fez sofrer durante todos
esses anos. Essa é a verdade pra
mim.

Helena se levanta.

HELENA
Agora eu tenho que ir. Tchau.
Helena sai. Fernando fica sentado, observando Helena se
afastar. Música marca. Corta para:

CENA 10 – FACULDADE – VESTIARIO – INTERIOR – DIA

Julio, Alex, Lucas, Bruno e Gabriel estão sem camisa e
suados, preparando-se para tomar banho. Há outros caras no
vestiário também.

ALEX
Galera, não tem pra ninguém. Eu
jogo melhor que vocês!

LUCAS
Até parece!

GABRIEL
Tu ta falando isso porque o
Ricardo não veio hoje, né!

BRUNO
É mesmo! E falando nele, onde ele
tá? Você sabe, Julio?

JULIO
Pô, ele foi fazer um teste.

BRUNO
Teste? Que teste?

JULIO
Pra jogar futebol. Num clube.
Acho que foi no Botafogo. Ou
Madureira. Agora não sei ao
certo… Só sei que tem um tal de
Alberto por trás disso tudo, o
cara que arrumou esse teste pra
ele.

LUCAS
É o tal olheiro. Já vi esse cara
por aqui algumas vezes.

JULIO
Pois é. Ele mesmo. Só que esse
cara não é flor que se cheire!

GABRIEL
Ué! E por que?

JULIO (desconversa)
Nada não. Deixa pra lá!
Julio vai tomar banho, mas ouve-se um barulho de celular.

JULIO
É o meu.
Julio pega seu celular dentro da bolsa, que está ali por
perto e atende. Enquanto isso, Alex, Lucas, Bruno e
Gabriel vão tirando a roupa e indo pro chuveiro. Alterna
entre Julio e Ricardo, que está na porta do Botafogo e
louco de tanta felicidade.

JULIO
Alo!

RICARDO
Cara, você não vai acreditar!

JULIO
O que aconteceu, cara? Fala!

RICARDO
Muleque, eu passei no teste!

JULIO
O que?

RICARDO
É isso mesmo, muleque! Você tá
falando com o mais novo
contratado do Botafogo!

Julio se surpreende com a notícia.

JULIO
Que isso, cara? Ta falando
sério?!

RICARDO
To, pô. Já to indo pra casa. Avisa
aí pro pessoal da facul que a
gente vai comemorar hoje à noite!
Vô ter que desligar agora! Valeu!

Júlio desliga o celular. Júlio fala alto para todos (Alex,
Lucas, Bruno e Gabriel; que estão tomando banho)
escutarem.

JULIO
Galera, era o Ricardo no celular.
Ele passou!

Alex, Lucas, Bruno e Gabriel aparecem na porta do
compartimento onde tomam banho para poderem escutar Julio.

GABRIEL
O que? Tá falando sério?

JULIO
Sério. Ele vai jogar pelo
Botafogo! Ele conseguiu o que ele
queria!

Todos ficam muito felizes com a noticia.

ALEX
Pô. To muito feliz. O Ricardo tá
correndo atrás disso há mó
tempão!

LUCAS
E a gente não vai comemorar essa
notícia?

JULIO
Vamo sim. O Ricardo me falou que
sim. Mas ainda não sabemos o
lugar. Vocês tem alguma sugestão?

ALEX
Eu tenho. Por que não vamos lá
naquele bar novo que abriu ali na
Lapa? Me falaram que lá só dá
mulher gostosa!

LUCAS
É uma boa. Pode crer.

JULIO
Por mim, tudo bem.

ALEX (p/ Bruno e Gabriel)
E vocês, o que acham?

BRUNO
Pô, pra mim não vai dar. Tenho
que sair com meu pai hoje a
noite.

ALEX
Ah, Bruno! Tu sempre inventa uma
desculpa quando tem que sair com
a gente! Você e o Gabriel!

JULIO
É verdade. E você, Gabriel? Qual
vai ser a desculpa dessa vez?

GABRIEL
Não vô dar desculpa nenhuma.
Simplesmente não to afim de ir!

JULIO
Ah! Deixa de ser gay! Que não tá
afim o quê! A gente vai comemorar
uma conquista de um amigo nosso,
cara! E você vai fazer essa
desfeita?!

Gabriel pensa um pouco.

GABRIEL
Tá bom. Eu vou.
Bruno, surpreso.

BRUNO
Vai?

GABRIEL (p/ Bruno)
Vou! (p/ Julio) Só me diz a hora
que eu vou tá lá!

JULIO
Muito bem, Gabriel! É assim que
se fala! (p/ todos) Eu ligo pra
vocês mais tarde pra gente marcar
a hora certa.

Todos voltam a tomar banho. Júlio tira a roupa e vai pro
chuveiro também. Gabriel, que toma banho na cabine ao lado
da de Bruno, fala com ele, discretamente.

GABRIEL
Você vai também!!

BRUNO
Eu?!

GABRIEL
Sim, você!!

Gabriel decidido a levar Bruno. Música marca. Corta para:

CENA 11 – BAR – INTERIOR – NOITE

Música ao fundo. Esse é um bar de estilo rústico. Há um
grande balcão onde os barman’s fazem os drinks. Há também
um palco e aqueles canos típicos de boates (mas não há
ninguém dançando neles, ainda). É tipo um pub, mas um
pouco maior. Há no ambiente homens e mulheres, todos muito
bonitos.

Numa mesa redonda, situada mais num canto do bar, estão
Gabriel, Bruno, Alex, Lucas, Julio e Ricardo. Há algumas
latas de cerveja sobre a grande mesa e também há alguns
petiscos. Ricardo, entusiasmado. Música diminui.

ALEX
Conta pra gente, cara! Quando
você vai estrear no Botafogo?
RICARDO
Sabe como é né! A gente tá no
meio do Brasileirão! O técnico
quer que eu jogue o mais rápido
possível, mas o presidente do
clube falou que eu vou ficar um
mês me preparando fisicamente pra
poder estrear. Ele acha que eu
preciso ter ritmo de jogo, me
acostumar a jogar 45 minutos
seguidos, essas coisas.

JULIO
Mas tu ta ansioso, né?

RICARDO
Claro! Muito! Não vejo a hora de
poder jogar logo! Já imaginou eu
fazendo um gol no Maracanã?! A
galera indo à loucura! Vai ser
demais!

GABRIEL
Pô, Ricardo! Parabéns, cara! Tudo
vai dar certo e você vai fazer
muitos gols! Se bem que eu
preferia que você jogasse pelo
Flamengo, né!

LUCAS
É verdade. O mengão é o mengão,
né! Sem comparação!

RICARDO
É, galera. Eu sou flamenguista
também. Mas agora o que importa é
o clube que me deu a oportunidade
que eu queria! Infelizmente, se
eu tiver que marcar um gol no
Flamengo, eu vou ter que marcar!
Sinto muito!

BRUNO
E tu já contou pros teus pais
essa novidade?

RICARDO
Já liguei pra eles. Ficaram
felizaços! Mas, eles só vão
acreditar mesmo quando me verem
no campo jogando! Aí sim! Por
falar neles, sinto falta dos meus
velhos…

GABRIEL
Não dá pra você ir lá visitar
eles?

RICARDO
Não sei, to sem tempo por causa
da facul. E ainda mais agora. Mas
vou ver se dou um pulo lá!

JULIO
Eles nem moram tão longe! Pelo
menos ainda é dentro do Rio.

RICARDO
Eu acho longe, sim! Campos é
quase saindo do Rio. Pra mim, é
longe! Preciso de tempo. Queria
ir pra passar uma semana. Mas vai
dar tudo certo, com o dinheiro
que vou ganhar jogando futebol,
vou comprar uma casa pra eles
aqui no Rio.

BRUNO
Mas cara, deixa eu te fazer uma
pergunta indiscreta?

RICARDO
Diz ae!

BRUNO
A pergunta que não quer calar: a
grana que eles vão te pagar é
boa?

RICARDO
Bom, eu não tenho noção dessas
coisa. Por isso mesmo, que talvez
precise de algum empresário…
Mas é uma grana maneira!

A conversa continua, enquanto um garçom põe mais cervejas
na mesa. Bruno percebe nesse momento que há um homem e uma
mulher numa outra mesa (são namorados), mas o cara não
pára de encará-lo. Bruno desvia o olhar por um momento,
mas volta a olhar para a tal mesa e o homem continua
encarando-o (a mulher não percebe, é claro). O cara pisca
com um olho para Bruno, fala alguma coisa com a mulher, dá
um beijo em sua boca e se levanta. Bruno disfarça, mas vê
que o homem foi em direção ao banheiro. Música. Neste
momento, todos que estão na mesa voltam a atenção às
mulheres de corpos esculturais que sobem nos tais canos e
dançam, ao som de música bem provocante. Os homens deliram
e as mulheres que estão ali (que geralmente são namoradas
dos caras) têm reações diversas: algumas acham um pouco de
graça, outras admiram e outras fecham a cara. Ricardo,
Alex, Lucas e Júlio babam pelas mulheres dançando,
provocativamente. Gabriel também admirando as mulheres.

RICARDO
Vai ser gostosa assim lá em casa!

Bruno se levanta, falando somente com Gabriel.

BRUNO
Vou no banheiro. Já volto.

GABRIEL (olhando para as mulheres)
Tá bom.

Bruno vai em direção ao banheiro.

CENA 12 – BAR – BANHEIRO MASCULINO – INTERIOR – NOITE

Bruno entra no banheiro e encontra o tal cara mijando no
mictório. Bruno vai até a pia e lava as mãos e o rosto, e
olha no imenso espelho que há perto da pia e vê, através
do espelho, que o cara entra em uma das cabines olhando.
para Bruno. Não há mais ninguém no banheiro a não ser os
dois. Bruno vai até a tal cabine onde está o cara, entra e
fecha a porta.

A mesma música da cena anterior. Neste momento,
alternância de imagens: as mulheres dançando no cano, no
bar; e Bruno e o tal Homem, que se beijam e se amassam,
freneticamente na cabine do banheiro. As imagens vão se
alternando a medida que as ações vão se acentuando (a
dança das mulheres vai ficando cada vez mais provocativa,
enquanto que o amasso entre Bruno e o Homem se
intensifica). Ficamos por 1 min. aprox. nessa alternância
de imagens. Música cessa. No bar, as mulheres param de
dançar. Os homens aplaudem.

No banheiro, o Homem, finalmente, pára de beijar Bruno.

HOMEM (sussurrando)
Eu tenho que ir agora. Minha
esposa tá me esperando. Você é
uma delicia, sabia?

O Homem sai da cabine e quando sai finalmente do banheiro,
entra Ricardo, que vai para o mictório. Bruno, ainda sem
fôlego, sai da cabine e se surpreende ao ver Ricardo.

BRUNO
Ué! Você tava aí?

RICARDO
Vim agora no banheiro. O ruim da
cerveja é que você quer mijar o
tempo todo…

Bruno vai em direção à pia de novo e lava as mãos e o
rosto. Ricardo se aproxima e faz o mesmo.

RICARDO
Vambora, cara!

BRUNO
Vai lá que eu já vou indo.

RICARDO
Beleza.

Ricardo sai do banheiro. Bruno continua frente ao espelho,
com o rosto molhado.

BRUNO
Essa foi por pouco…

Música marca. Corta para:

CENA 13 – RIO DE JANEIRO – EXTERIOR – NOITE/DIA

Música [Single – NKOTB And Ne-Yo]

Paisagens da cidade de dia e de noite.

(1 mês depois…)

CENA 14 – APTO. DE PEDRO – SALA – INTERIOR – DIA

Pedro, Lenita e John tomando café quando toca o telefone.
Pedro está vestido com bermuda, camiseta e tênis. Lenita
também está vestida desta maneira.

LENITA
Quem será uma hora dessas?

JOHN
Hora normal, mãe. Nós é que
acordamos tarde! Já são quase
nove e meia.

LENITA
Você atende, Pedro?

PEDRO
Claro!

Pedro atende o telefone (que é sem fio).

PEDRO
Alo! (escuta) Oi! Tudo bem? Poxa
que bom que você ligou! (escuta)
Claro, claro! Que horas então?
(escuta) Tá ótimo. Beijo. Tchau.

Pedro volta à mesa. Lenita tenta controlar sua
curiosidade.

PEDRO
Era pra mim.

LENITA
Isso eu percebi.

PEDRO
Era a Helena. Aquela amiga minha
que eu te apresentei no hospital
naquele dia. Lembra?

LENITA
Vagamente. (pensa um pouco) E o
que ela queria?

PEDRO
Nada em especial. Só ligou pra
saber como eu to. Já faz um mês
que eu to no Rio e a gente ainda
nem fez nenhum programinha, não
conversamos nem nada…

LENITA
Hum… e ela te ligou… pra
conversar, então?!

PEDRO
Isso. Marcamos um encontro. Um
jantar. Você não se importa, né?!

LENITA (tentando não ser ciumenta)
Não, nem um pouco. Mas… não
poderíamos jantar todos juntos?
Eu, você, essa tal de Helena e o
marido dela?

PEDRO
Ela não tem marido. Pelo que ela
me disse, tá divorciada.

LENITA
Ah tá. (pensativa) Divorciada…

PEDRO
Por isso que vamos jantar só eu e
ela. Não tem nada demais. Fomos
amigos de infância!

LENITA
Tudo bem. Eu entendo. Não to
falando nada!

PEDRO
John, e temos que arranjar uma
ocupação pra você! Tava pensando
em te colocar lá na empresa do
Antonio.

JOHN
Trabalhar?

PEDRO
Sim. Por que não?

JOHN
Mas eu nunca trabalhei!

PEDRO
Por isso mesmo! Talvez já esteja
na hora de você começar!
Trabalhar é bom, meu filho. A
gente passa a valorizar mais o
dinheiro que a gente tem quando
ele sai do nosso bolso.

JOHN
Ta querendo dizer que eu não
valorizo o dinheiro que nós
temos?

PEDRO
Não, John. Não é isso que eu
estou falando. Por favor, não
comece botando palavras na minha
boca! Só estou dizendo que
trabalhar é bom porque a gente
passa a valorizar ainda mais o
dinheiro que temos. Acredito que
isso vai ser bom pra você. Como
crescimento pessoal.

JOHN
Você sempre acha o que é melhor
pra mim, né! Impressionante! Como
se eu fosse um boneco, um
brinquedo sem vontade própria que
só faz o que lhe mandam… Não é
assim que funciona, pai! Eu não
sou um brinquedinho seu! Eu sou
seu filho. Eu tenho as minhas
vontades. Você nem sequer me
consulta! Oh, aviso logo, eu não
vou trabalhar!

PEDRO
Tá bom, John. Eu não vou discutir
com você. Faz o que você achar
melhor. Eu só to dando uma ideia,
a minha opinião, mas como sempre
eu faço tudo errado. Eu nunca vou
conseguir te agradar, né, John!
Nunca vou fazer algo de bom pra
você, né! Mas tudo bem, eu vou
continuar tentando. (p/ John e
Lenita) Com licença.

Pedro se levanta, tira a camisa e vai em direção à porta.

LENITA
Perae, Pedro! Aonde que você vai?
Eu já to indo!

PEDRO
To te esperando lá embaixo.
Pedro sai.

LENITA
Pensa melhor sobre essa historia
de trabalhar, filho. Pensa com
calma.

JOHN
Eu não tenho que pensar, mãe. Eu
não quero e pronto!

Close em John, decidido. Corta para:

CENA 15 – PRAIA – EXTERIOR – DIA

Música [Crystal Ball – Pink]

Pedro parado no calçadão, fazendo alongamento,
olhando para a areia da praia. De repente, chega Lenita.
Beijam-se. Música diminui.

LENITA
Vamos?

PEDRO
Vamos. Até o Forte de Copacabana,
lá daquele lado. Topa?

LENITA
Nossa! Tão longe!

PEDRO
Ah, Lenita! Não acredito que você
vai desistir? Não era você quem
sempre participava da Maratona de
Nova York?

LENITA (sorri)
Sim, a que sempre participava e a
que nunca completou todo o
percurso! Sempre desisti antes do
final da prova, Pedro!

PEDRO
Vambora! Daqui até ali não é
nada!

LENITA
Tá bom, vamos. Com você do meu
lado, eu aguento qualquer distancia.

Música sobe. Pedro e Lenita se beijam novamente e começam
a caminhar, num ritmo normal rumo ao Forte de Copacabana.
Ficamos com eles. Como sempre, no calçadão há de tudo:
vendedores ambulantes, aquelas pessoas passeando com
cachorros, muitas bicicletas na ciclovia, idosos e gente
de todas as idades também por ali caminhando e correndo.
Pedro e Lenita vão caminhando, mas ao mesmo tempo vão
observando tudo o que vêem e se encantam com o que estão
vendo. Fazem comentários um com o outro que não escutamos.

Corte de continuidade.

Pedro e Lenita param num quiosque e
compram duas águas de coco. Estão suados e cansados,
parecendo já terem andado muito. Eles já chegaram até o
Forte de Copacabana.

LENITA
Até que andamos rápido!

PEDRO
É verdade, mas temos que diminuir
o nosso tempo.

LENITA
Mas to tão cansada! Que calor que
essa cidade faz, meu Deus!

PEDRO
Vamos terminar esse coco e voltar
correndo?! O que você acha?

LENITA
Você tá louco! Não consigo nem
andar! Imagina correr!

PEDRO
Eu te levo no colo. Você quer?

LENITA (toda meiga)
Ah, então você aceitar. Se você
me leva no colinho…

Pedro e Lenita se beijam.

LENITA
Eu te amo, sabia? Não quero nunca
te perder!

PEDRO
Você nunca vai me perder!

Beijam-se novamente.

PEDRO
Já acabou de beber?

LENITA
Já.

PEDRO
Então vamo voltar.

Pedro e Lenita jogam fora os cocos numa cesta de lixo e
voltam a caminhar na direção contrária. Corta para:30.

CENA 16 – MÉIER – RUA / ONIBUS – EXTERIOR – DIA

Música de suspense. Alicia sai de sua casa e caminha até
um ponto de ônibus. Fernando a está observando de longe e
a segue. Alicia entra no ônibus e Fernando consegue entrar
no mesmo ônibus, sentando-se atrás, onde pode observá-la.
De repente, entra um jovem de mais ou menos 22 anos no
ônibus, que paga a passagem normalmente, mas que logo após
passar na roleta, revela-se um assaltante, apontando uma
pistola para os passageiros numa mão e segurando uma
grande sacola na outra.

ASSALTANTE
Olha só! Isso aqui é um assalto!
Podem entregando tudo que vocês
tem! Eu vou levar a porra toda!
Relógio, celular, o caralho!
Dinheiro também, é claro!
Primeiro a senhora, minha tia,
passa tudo que é de valor!

O pânico paira no ônibus. Algumas mulheres começam a
chorar de medo e outras gritam. Algumas pessoas começam a
orar a Deus. Fernando só observa e não esboça nenhuma
reação de medo. O Assaltante não tem muita paciência com
quem demora a entregar o que tem de valor.

ASSALTANTE (grita com um passageiro)
Vambora porra! Entrega logo tudo!
Tá demorando muito!

O Assaltante vai ameaçando todos os passageiros, até que
chega na vez de Alicia, que carrega consigo uma bolsa
média.

ASSALTANTE
Passa tudo, gata!

Alicia tenta argumentar, ainda que esteja um pouco
nervosa.

ALICIA
Eu não trouxe meu celular! E na
minha bolsa só tem minha roupa de
dança! Pode olhar! (mostra)

O Assaltante se irrita.

ASSALTANTE
Como é que é? Tá achando que eu
to brincando, é? E dinheiro? Vai
dizer que não tem? Mó cara de
grã-fina! (grita) Passa a bolsa
toda! Agora!

Alicia (nervosa)
Não posso! É a minha roupa de
dança!

O Assaltante põe a arma na cabeça de Alicia, que por sua
vez se desespera e começa a chorar.

ASSALTANTE
Entrega essa merda dessa bolsa
agora, sua desgraçada!

Alicia chorando muito, desesperada.

ALICIA
Tá bom. Toma.

Neste momento, quando Alicia está prestes a entregar a
bolsa ao assaltante, Fernando se levanta e vai até onde o
Assaltante está.

FERNANDO (p/ Alicia)
Não entrega nada!

ASSALTANTE (gritando p/ Fernando)
Tá maluco? Quer tomar um tiro no
meio da cara? Eu te mato!

FERNANDO
Então, mata! Atira agora! Anda!
Atira! Me mata se tu é homem de
verdade! Nem assaltar a porra de
um ônibus você sabe! Seu merda!

Fernando dá um soco no Assaltante, que cai e bate com a
cabeça no chão do ônibus. O Assaltante está com medo de
Fernando, que está agora com arma apontada para ele.

ALICIA (p/ Fernando)
Não! Não mata ele! Por favor,
não!! Chama a policia! Mas não
mata!

Fernando continua com a arma apontada para o Assaltante,
que treme de medo de Fernando e que está com a cabeça
sangrando.

FERNANDO (p/ Alicia mas apontando a
arma para o Assaltante)
Pega a sacola no chão e devolve
as coisas que ele roubou pros
donos.

Alicia pega a tal sacola no chão.

FERNANDO
Fica tranquila que eu não vou
matar esse cara! Essa arma tá
descarregada! (começa a rir,
ironizando o bandido)
Descarregada!

Fernando aperta o gatilho e de fato não há bala.

FERNANDO (p/ Assaltante)
Você devia ter vergonha de fazer
isso com os outros! Todo mundo
aqui é trabalhador! Ninguém aqui
é vagabundo que nem você, não!
Todo mundo aqui rala o mês
inteiro pra ganhar um dinheirinho
qualquer. E pra que? Pra vir um
babaca feito você assaltar? Sorte
sua não ter bala nesse revolver,
senão eu te matava agora mesmo!

Fernando chuta o Assaltante no abdômen, deixando-o sem
forças no chão.

FERNANDO (p/ os passageiros)
Chamem a policia! Esse cara não
vai a lugar algum! Agora vai
pensar duas vezes antes de querer
assaltar alguém!

Alicia entrega a sacola aos passageiros e eles vão aos
poucos pegando os seus pertences de volta. O ônibus pára e
sobe um policial, que leva o Assaltante algemado. Os
passageiros começam a agradecer a Fernando.

FERNANDO
Eu não fiz nada demais! Só fiz a
coisa certa. (p/ motorista)

Motorista, pode continuar a
viagem!

O ônibus começa a andar e Fernando volta pro seu lugar, na
parte de trás do ônibus. Alicia vai até ele e senta-se ao
seu lado.

ALICIA
Brigada por ter me salvado!

FERNANDO
Não precisa agradecer! E eu não
te salvei coisa nenhuma! Ele não
ia te matar simplesmente porque a
arma tava descarregada! Mas nem
sempre é assim… Esse aí é sem
experiência! Se fosse um
assaltante de verdade, poderíamos
estar todos mortos agora. Porque
eles não se contentam só em nos
roubar. Eles querem roubar e
matar. Esse mundo tá perdido
mesmo!

ALICIA
Você é tão valente! Corajoso! Não
importa que ele não ia fazer
nada! Você me ajudou, sim! E eu
vou ser eternamente grata a você.
Qual o seu nome?

FERNANDO (pensa um pouco)
Roberto. Prazer! (aperta a mão de
Alicia) E o seu?

ALICIA
Alicia.

FERNANDO
Bonito nome. Eu sempre quis que
minha filha tivesse esse nome…

ALICIA
E qual o nome dela?

FERNANDO
Não sei. Não a conheci.
(disfarça) É uma longa
história…

ALICIA
Entendo.

FERNANDO
Então você dança?

ALICIAComo você sabe?
FERNANDO
Você não disse ao assaltante que
só tinha na sua bolsa a sua roupa
de dança?

ALICIA
Ah, é! Eu faço dança
contemporânea! (olha pro lado de
fora do ônibus) Aliás, eu já
tenho que descer! Foi um prazer!
Brigada mesmo! Tchau.

FERNANDO
Não foi nada. Tchau.
Alicia dá sinal, o ônibus pára e ela desce. Ainda dá tempo
de Fernando ver Alicia entrando na escola de dança. O
ônibus volta a andar.

FERNANDO (emocionado, falando
sozinho) Minha filha é linda!

Fernando, pensativo. Música marca. Corta.

FIM DESTE EPISÓDIO

CRÉDITOS FINAIS

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