Amores Proibidos

Série – Texto em Roteiro

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EPISÓDIO 9 – O ASSASSINATO

Posted by amoresproibidos em 10/07/2009

Assassinato

CENA 01 – ESCOLA DE DANÇA – SALA DE DANÇA – INTERIOR – DIA

Música. [Leona Lewis – Run]

Alicia está dançando conforme sua professora lhe vai ensinando. Há outros alunos também. Várias coreografias, que a professora vai ensinando e que os alunos vão repetindo. Ficamos com Alicia por alguns instantes. Do lado de fora no vidro, está Fernando, que a observa atentamente.

PROFESSORA DE DANÇA (para a música)
Gente, por hoje já tá bom. Amanhã
a gente continua. Rafael e
Tereza, muito boa a execução de
vocês! Tão de parabéns! E Alicia,
tá ótima a sua abertura de perna!
Muito bom mesmo! Podem ir!

Todos os alunos pegam suas bolsas que estão num canto da sala e vão saindo da sala de dança. Alicia vai andando e Fernando não está mais ali, está escondido e observa Alicia se afastando. Corta rápido para:

CENA 02 – ESCOLA DE DANÇA – LANCHONETE – EXTERIOR – DIA

Alicia vai até o balcão da lanchonete.

ALICIA
Me “ve” um suco de laranja. Bem
gelado, por favor!

Alicia senta numa das mesas que há por ali. Fernando continua observando-a de longe, até que finalmente cria coragem e vai até ela.

FERNANDO
Alicia!

Alicia se vira e dá de cara com Fernando. Está surpresa.

ALICIA
Você?! O homem do ônibus… O que
faz aqui? É Roberto, o seu nome,
não é?

FERNANDO (hesita um pouco)
Não. Meu nome não é Roberto. Eu
menti pra você. Meu nome é Fernando.

ALICIA
Fernando?! E por que mentiu,
Fernando? Vergonha do próprio
nome?
FERNANDO (ri um pouco)
Antes fosse…

ALICIA
Senta aí!

Fernando se senta. Está nervoso, meio constrangido.

ALICIA
E então? Bebe alguma coisa?

FERNANDO
Não, brigado.

ALICIA
Eu te fiz uma pergunta e você não
me respondeu. O que faz aqui? Não
vai me dizer que você também
dança?

FERNANDO
Não, eu não danço.

ALICIA
Então… não há motivos pra você
estar aqui…

FERNANDO
É. Talvez não haja mesmo…

ALICIA (muda o tom repentinamente – um pouco ríspida)
Olha aqui! Eu não sou idiota!

FERNANDO
Do que você tá falando?

Neste momento, o garçom traz o suco que Alicia havia pedido.

ALICIA (p/ o garçom – tom cordial)
Brigada!

O garçom sai. Alicia retorna com Fernando no mesmo tom meio agressivo de antes.

ALICIA
Você acha que eu sou boba? Você
me seguiu. Desceu do ônibus e me
seguiu. O que você quer? Gratidão
você já tem. Afinal, você me
livrou de um assalto! Mas é só
isso! Eu não sou esse tipo de
mulher que você tá achando que eu
sou!

FERNANDO (se altera também)
E eu não sou o tipo de homem que
você acha que eu sou! Como é que
você pode julgar os outros dessa
maneira? Então, eu não posso
conversar com você que significa
que eu to interessado? É isso?

ALICIA (um pouco mais calma)
Desculpa! Mas é que… sei lá.
Tem tanto louco nesse mundo!
Fernando começa a rir. Alicia não entende.

ALICIA
O que foi? Por que tá rindo?

FERNANDO
Você é igual a sua mãe. Até no
modo de falar.

ALICIA (surpresa)
Igual a minha mãe? Perai! Você
conhece a minha mãe?

FERNANDO
Conheço.

ALICIA (volta a ficar nervosa)
De onde? Que brincadeira é essa?
Você entra no ônibus que eu to,
me livra de um assalto, mente
sobre o próprio nome, me segue
até aqui e agora diz que conhece
a minha mãe… Quem é você
afinal?

FERNANDO
Eu sou o seu pai.

Música marca. Reação de Alicia, que está chocada.
CENA 03 – ESCOLA DE DANÇA – LANCHONETE – EXTERIOR – DIA

Continuação da cena anterior.

ALICIA
Não pode ser! Você tá de
brincadeira comigo! Você só pode
tá brincando!

FERNANDO
Eu não to brincando, Alicia. Eu
sou o seu pai. O pai que ficou
longe de você por 18 anos. Você
era uma garotinha quando eu te vi
pela ultima vez.

ALICIA
Você não é meu pai! Meu pai tá
preso! A minha mãe me disse. Ele
tá preso.

FERNANDO
E o que mais a tua mãe te disse,
hein, Alicia?! A tua mãe não é a
pessoa mais confiável desse
mundo. Aposto que ela inventou
varias historias a meu respeito.
Aposto que ela deve ter te
envenenado contra mim! O que mais
a tua mãe te contou?

ALICIA
Que meu pai tá preso. E que ele é
um assassino!

FERNANDO
Claro. Chegamos ao ponto central
da história. O assassinato! Pois
fique sabendo que a sua mãe te
enganou! Eu tava preso sim. Mas
já estou livre há algumas semanas
e ela, inclusive, já se encontrou
comigo. Pra me ofender, é claro!

ALICIA (chocada, perplexa)
Não pode ser! Então, você é meu
pai…

FERNANDO
Sou o seu pai, minha filha. É por
isso que eu te segui. Eu queria
te conhecer, te ver… Mas a sua
mãe não deixou. Eu cheguei a ir
até a sua casa. Mas ela nem me
deixou passar da porta!

Alicia está emocionada e chora. Mal pode acreditar no que Fernando lhe diz.

ALICIA (chora um pouco)
Meu Deus! Não acredito que isso
tá acontecendo!

FERNANDO
Posso te dar um abraço, minha filha?

Fernando, também emocionado, se levanta, sorri e abre os braços.

ALICIA (hesita um pouco)
Pode.

Música [Kelly Clarkson – Save You]

Fernando abraça Alicia bem forte. Estão os dois emocionados. Alicia chorando um pouco e Fernando também. Após o longo abraço, sentam-se novamente, um do lado do outro, mais próximos. Música diminui.

ALICIA
Eu nem consigo acreditar! É o que
eu sempre quis. Um pai!

FERNANDO
Agora você tem um. E eu vou
tentar recuperar todo o tempo perdido.

ALICIA
Eu espero… Mas eu tenho algumas
perguntas. Eu preciso saber de
algumas coisas que aconteceram no
passado.

FERNANDO
Eu vou te contar tudo. Toda a
verdade. A verdade! E não o que
andam dizendo por aí… Você pode
perguntar o que você quiser.

ALICIA (pensa um pouco antes de falar)
Desculpa tocar nesse assunto logo
de cara, mas é que a minha mãe me
contou que você foi condenado por
assassinato. Mas não quis entrar
em detalhes… Ela falou que eu
não deveria saber toda a verdade.
Mas eu preciso saber o que, de
fato, aconteceu! Você me entende?
Eu preciso saber. Minha mãe
sempre me escondeu essa historia,
mas eu preciso conhecer a
verdade!

FERNANDO
Eu vou te contar tudo. Mas antes
eu preciso te dizer uma coisa.

ALICIA
O que?

FERNANDO
Eu não sou um assassino.

ALICIA
Tudo bem, Fernando… Não precisa
se justificar…

FERNANDO
Me chame de pai. Por favor.

ALICIA (fala mas soa forçado)
Pai, eu não to aqui pra te
julgar. Não cabe a mim fazer
isso. Você já foi julgado,
condenado e já cumpriu a sua
pena. Não precisa justificar
nada. Eu só quero ouvir a
verdade. Só isso!

FERNANDO
Não. Você não tá entendendo! Eu
fui julgado, condenado e cumpri a
pena de um crime que eu não
cometi. Essa é a verdade!

ALICIA
Como assim? Como não cometeu? Que
história é essa?!

FERNANDO
Ninguém acredita. A sua mãe
também não acredita. Mas eu vou
provar, Alicia. Vou provar que eu
sou inocente. Eu não matei
ninguém e você precisa acreditar
em mim!

ALICIA
Eu não posso acreditar em você
nem muito menos duvidar se eu não
souber exatamente o que
aconteceu! Minha mãe só me disse
que você tinha assassinado um
homem…

FLASHBACK DA CENA 02 DO EPISÓDIO 05:

ALICIA
O que tem o meu pai, mãe? O que
foi que ele fez pra tá preso?
Não, porque até ontem ele tava
morto! Agora não tá mais!

HELENA (alterada)
Filha, esquece essa história! Por
favor! Finge que você não ouviu
nada! Vamos fazer de conta que
nada aconteceu. Pra que falar do
teu pai numa hora dessas? Pra
que? Ele nunca fez falta! Ou fez?
Não fui eu quem te criei? Não fui
eu que fiz tudo por você? Então!
Pra que essa palhaçada de pai?!
Pai, pai… pai uma ova! Eu sou
seu pai! Eu sou sua mãe! Eu sou
sua avó! Eu sou a sua família!
Você só tem a mim e eu a você!
Não tá bom assim?

ALICIA
Eu tenho o direito de saber, mãe!

HELENA (direta)
Teu pai é um assassino. Matou um
homem. Satisfeita? É isso que
você queria saber?

FIM DESTE FLASHBACK.

FERNANDO (surpreso)
O que? A tua mãe te disse isso?
Que eu matei um homem?

ALICIA
Disse. Qual o problema?

FERNANDO
Tem certeza que ela te disse isso?

ALICIA
Claro que eu tenho. Por que?

FERNANDO
É mais uma mentira da tua mãe!

ALICIA
Você vai continuar com essa
historia de que é inocente?!

FERNANDO
Houve um crime. Isso não se pode
negar. Mas a sua mãe errou quando
te contou sobre a pessoa que
morreu. Não foi um homem que foi
assassinado. Foi uma mulher.

ALICIA
Ah! Ela deve ter errado ou se
confundido na hora de me contar!
Isso pode acontecer com qualquer
pessoa! O que não lhe dá o
direito de chamar minha mãe de
mentirosa!

FERNANDO
Mentirosa sim! Ela te enganou!

ALICIA
E que diferença faz se foi um
homem ou uma mulher? O fato é que
você matou, não foi?

FERNANDO
A diferença que faz é que a
mulher que foi assassinada era a
irmã dela.

Música marca.

ALICIA
O quê?

FERNANDO
A mulher assassinada de que
estamos falando é a irmã da sua
mãe. Sua tia. Você acha que a
Helena esqueceria que a própria
irmã dela foi assassinada? Acha
que ela ia se confundir? Era a
única irmã! Entende agora? Ela
mentiu pra você!

Alicia fica pensando no que acabou de ouvir.

ALICIA (perplexa)
Então, você teria matado a
cunhada? A própria cunhada…
Minha mãe nunca comentou isso
comigo!

FERNANDO
Mentiu pra você esse tempo todo.
Sempre te escondeu o que
aconteceu no passado.

ALICIA (direta)
Então, me conta tudo! Agora que
começou, vá até o final! Quero
saber exatamente tudo o que
aconteceu. Chega de mentiras!9.

FERNANDO
Eu vou te contar…

Fusão para:

CENA 04 – MEIER – RUA – EXTERIOR – DIA

Música [Jack Johnson – Angel]

Estamos no passado, há 18 anos atrás. Uma rua do Méier enfeitada para um casamento que se realizará ali. Decoração bem bonita. Muitos bancos e lá na frente um altar para o padre. Muitos convidados presentes, todos muito elegantes. A cerimônia acontecerá na porta da casa de Helena, que tem dois andares.

Corta para:

CENA 05 – CASA DE HELENA – QUARTO DE HELENA- INTERIOR – DIA

(Essa casa de Helena é outra casa. Os quartos estão localizados na parte superior da casa.) Helena está vestida de noiva frente a um grande espelho, admirando-se. Não parece muito feliz e tem lágrimas nos olhos. Estela, sua mãe, está ao seu lado.

HELENA JOVEM (desanimada)
Estou bonita, mamãe?

ESTELA
Você está linda, minha filha.
Mais do que nunca!

HELENA JOVEM
Acha mesmo?

ESTELA
Mas é claro! (percebe o olhar
triste de Helena) O que foi,
Helena? Você parece triste! Até
parece que não quer mais se casar!

HELENA JOVEM
Mãe, sejamos sinceras! Tudo isso
é uma farsa! A Alicia já tem dois
anos. Já sou casada no papel. Pra
que essa festa toda?

ESTELA
Pra que? E você ainda pergunta?
Temos uma tradição nessa família!
Todas as mulheres da nossa
família sempre se casaram na
igreja, como manda o figurino. O
casamento é um sacramento, minha
filha. Você devia era estar feliz
do padre Joaquim ter aceitado
presidir essa cerimônia!

HELENA JOVEM
Eu não ligo pra isso. Tradição!
Grande coisa!

ESTELA
Não fale assim, Helena! Assim
você me ofende! E o pior, ofende
a Deus!

HELENA JOVEM (grita, chorando)
Olha pra mim! Será que a senhora
não vê que nesses dois anos de
casada com o Fernando eu não fui
feliz?! Eu não sou feliz, mamãe!
Nem um pouco!

ESTELA
Não fala isso! Daqui a pouco o
Fernando chega. Ele pode acabar
escutando! Ele tá tão empolgado
com essa história de se casar na
igreja! Não foi até ideia dele?

HELENA JOVEM
A senhora não entende. Nunca
entenderia… Por mim, eu não
casaria de novo. Pediria o divórcio!

ESTELA
Bate na boca! Nem ouse repetir
isso de novo! Você não é uma
qualquer! Você tem um marido que
te ama muito e vocês têm uma
filha, que vai precisar muito de vocês!

Batem na porta.

ESTELA
Limpa esse choro! (grita para
fora) Entra!

Fernando entra com Alicia (que tem dois anos) no colo. Ela está chorando.

FERNANDO JOVEM
Dá licença! Só vim trazer a
Alicia. Ela não vai com ninguém.
Só chora o tempo todo!

ESTELA
Me dá ela aqui! (pega no colo) E
sai do quarto! Dá má sorte ver a
noiva antes da cerimônia!

FERNANDO JOVEM
Eu já vou indo. Mas é que… (se
aproxima de Helena) Você tá linda
com esse vestido!

HELENA JOVEM (cabisbaixa)
Você também tá muito bem…

Helena, ainda um pouco abatida, encara Fernando, enquanto Estela se afasta com Alicia no colo, tentando fazê-la parar de chorar.

HELENA JOVEM
Me responde uma coisa.

FERNANDO JOVEM
Claro, meu amor. O que você quiser…

HELENA JOVEM
Você me ama?

FERNANDO JOVEM
Claro que eu te amo! Mas que
pergunta é essa?

HELENA JOVEM
Nada. As vezes eu tenho duvidas.
Mas não liga. Eu que sou insegura
mesmo…

FERNANDO JOVEM
Eu te amo mais que tudo nessa
vida!

HELENA JOVEM
Sei… (pensa um pouco) E a
Beatriz?

FERNANDO JOVEM
O quê que tem a sua irmã?

HELENA JOVEM
Não se faça de idiota! Você sabe
muito bem do que eu to falando!

FERNANDO JOVEM
Eu realmente não sei do que você
ta falando. Mas agora eu tenho
que ir. A cerimônia vai começar
daqui a pouco. Depois a gente
conversa. Acaba de se arrumar!

Fernando sai, rapidamente.

HELENA JOVEM (grita)
Fernando, volta aqui! Fernando!

Fernando já saiu. Helena, pensativa, olhando para o espelho. Corta rápido para:

CENA 06 – CASA DE HELENA – QUARTO DE BEATRIZ – INTERIOR – DIA

Beatriz (20 anos) olhando a janela quando Fernando entra, apressado.

BEATRIZ
Nossa! Que demora!

FERNANDO JOVEM
Eu preciso falar com você!
Rápido!

BEATRIZ
Não vai nem me dar um beijo antes?

FERNANDO JOVEM
Não dá! Já falei que a gente não
pode ficar se arriscando desse
jeito. Mas eu vim te falar uma
coisa.

BEATRIZ
O que foi dessa vez? Não vai me
dizer que você vai desistir do
nosso plano mais uma vez!

FERNANDO JOVEM
Não dá! Você tem que entender! A
Helena tá desconfiada. Ainda
agora mesmo ela me pareceu
estranha. Eu não quero nem pensar
se ela descobrir toda a verdade!
Se ela descobrir que na verdade é
você quem eu amo. Que na verdade
é com você que eu gostaria de tá
junto, pra sempre… Mas não dá
mais pra gente continuar nessa
situação. A Helena não merece o
que a gente tá fazendo. Hoje é o
dia do nosso casamento e eu vim
aqui te dizer que… tá tudo
acabado entre nós! Seremos só
cunhados! Como deveríamos ser!

BEATRIZ
Que casamento?! Não tem casamento
algum! Vocês já estão casados!
Você tá louco! Isso aí embaixo é
uma palhaçada que mamãe inventou!
Só pra dar satisfação aos
vizinhos! Claro! A filha querida
engravida sem tá casada na
igreja! Um absurdo pruma mãe tão
católica! Mas me admira você…
levando tão a sério esse circo!

FERNANDO JOVEM
Não fala assim! Já que tenho que
estar casado com a Helena, não
quero estar pela metade! Chega!
Por mais que eu te ame, esse
sentimento vai passar! Tem que
passar! Eu e a sua irmã temos uma
filha. E vamos criá-la juntos!

BEATRIZ
Não pode ser verdade o que você
tá me dizendo! Não pode ser! E o
que eu sinto? Não conta?

FERNANDO JOVEM
Trate de esquecer. Que eu vou
fazer o mesmo.

BEATRIZ
Já sei o porque disso tudo! É o
de sempre, não é?! É falta de
dinheiro! É isso! Você combinou
de fugir comigo pra bem longe
daqui! Mas como sempre… cadê o
dinheiro? Não tem! Isso é que dá
gostar de pobre!

FERNANDO JOVEM
Cala essa sua boca! Quando você
tiver um filho, você vai ver o
que é ter gastos… E quer saber?
Com o pouco de dinheiro que eu
tenho, a gente não chegaria nem
no Centro!

BEATRIZ
Cadê aquele seu amigo? O Antonio.
Vocês não abriram juntos uma
empresa? Um negocio de carro que
eu ouvi falar… Cadê a grana?
Não sei que tanto que você
trabalha e tá sempre sem
dinheiro!

FERNANDO JOVEM
Não fala nele! A gente brigou.
Ontem, por sinal. Não dá pra
dividir nada com o Antonio. Ele é
egoísta, quer tudo só pra ele! É
por isso que eu continuo sem
dinheiro. Enquanto ele vai
fazendo o pé-de-meia dele. Mas se
ele aparecer na minha frente, eu
acabo com esse desgraçado!

Beatriz se aproxima de Fernando.

BEATRIZ
Presta atenção! Ele tá aí
embaixo. Veio assistir ao seu casamento.

FERNANDO JOVEM (surpreso)
Não pode ser! Como é que você
sabe?

BEATRIZ
Eu vi a hora que ele chegou. Eu
tava na janela!

FERNANDO JOVEM
Eu acabo com esse desgraçado!

BEATRIZ
Deixa de ser burro! Ruim com ele,
pior sem ele! Ele não é do tipo
de amizade que se dispense!
Conversa com ele! Façam as pazes!
Volta pra essa sociedade! Faz
isso pela gente, pelo nosso amor.
Sem dinheiro, a gente nunca vai
conseguir fugir e viver a nossa
vida!

Fernando está inseguro.

FERNANDO JOVEM
Não sei… Ele é muito orgulhoso.
E eu também! E você… parece que
é surda! (grita) Acabou tudo
entre nós! Eu vou embora!

BEATRIZ
Espera! Um ultimo beijo!
Beatriz e Fernando se beijam rapidamente.

FERNANDO JOVEM
Eu tenho que ir agora. Você desce
depois.

BEATRIZ
Eu não vou descer. Vou assistir
tudo daqui de cima.

FERNANDO JOVEM
Você que sabe.

Fernando sai. Beatriz volta para a janela. Corta para:

CENA 07 – MEIER – RUA – EXTERIOR – DIA

Música [Jack Johnson – Angel]

Fernando sai de casa e está na rua onde tudo está pronto para a cerimônia. Muitos o saúdam. Fernando agradece a todos que falam com ele, rapidamente, mas está preocupado, procurando por alguém. Já há muitos convidados, praticamente todos. Encontra Estela, que está com Alicia no colo.

FERNANDO JOVEM
Dona Estela, a senhora viu o
Antonio? Aquele amigo meu que vem
sempre aqui…

ESTELA
Antonio? Aquele que abriu uma
loja contigo?

FERNANDO JOVEM
Isso. Ele mesmo. Onde que ele tá?

ESTELA
Ué! Mas você ainda não falou com ele?

FERNANDO JOVEM
Não. Por que?

ESTELA
Porque ele entrou lá em casa há
poucos minutos, perguntando por
você. Eu falei que não sabia onde
você tava. Ele falou que ia
esperar por você.

FERNANDO JOVEM
Esperar por mim? Mas eu acabei de
sair e não vi ninguém lá dentro!

ESTELA
Então vai ver ele já foi embora…

FERNANDO JOVEM
Brigado.

Fernando fica intrigado e entra de novo em casa.

Corta rápido para:

CENA 08 – CASA DE HELENA – SALA / CORREDOR / QUARTO DE BEATRIZ – INTERIOR – DIA

Fernando entra em casa e reina um silencio. Anda pela imensa sala, pensativo.

FERNANDO JOVEM (falando sozinho)
O que eu to fazendo aqui? Não tem
ninguém nessa casa!

Quando Fernando está prestes a sair novamente, ouve-se um tiro. (O tiro só foi ouvido dentro da casa, pois há música do lado de fora).

FERNANDO JOVEM
Um tiro! Lá em cima!

Música [Adele – Hometown Glory]

Fernando sai correndo, desesperado, atravessa a imensa sala, sobe as escadas quase tropeçando e entra no corredor que dá acesso aos quartos. Vê que o quarto de Beatriz é o único que está aberto e vai até ele (é o ultimo quarto do corredor). Ao chegar no tal quarto, vê Beatriz caída no chão, ensanguentada e morta, com um tiro no peito. Uma arma jogada ao lado do corpo. Fernando grita de desespero ao ver Beatriz, no chão.

FERNANDO JOVEM (gritando, desesperado)
Beatriz! Não! Beatriz!

Fernando mexe no corpo tentando animar Beatriz. Não consegue acreditar que ela está morta. (Fernando vai se sujando de sangue enquanto abraça e beija Beatriz). Chora muito, desesperadamente.

FERNANDO JOVEM
Beatriz! Meu amor! Acorda!
Acorda, Beatriz! Eu te amo! Eu te
amo! Quem foi que fez isso com
você, hein? Diz pra mim! Quem
foi? Diz pra mim! (bate no rosto
de Beatriz de leve) Fala comigo!
(grita) Fala comigo!

Fernando chora, desesperado, abraçado junto ao corpo de Beatriz. De repente, olha para o lado e vê a arma. Fernando treme de tão nervoso que está. Pega a arma e fica olhando para ela, fixamente.

FERNANDO JOVEM
Essa é minha arma! Minha! Mas
como? Como que veio parar aqui?
Não pode ser, meu Deus! Eu
escondi essa arma! A única pessoa
que sabia o esconderijo dessa
arma era… (pára e pensa – vai
juntando as peças) o Antonio!
Claro! Foi ele! (p/ Beatriz) Foi
ele que te matou, meu amor?! Foi
ele, não foi? Diz pra mim! Foi
ele? (joga a arma longe) Claro
que foi ele! (chora) Por que? Por
que ele fez isso? Por que?
Helena chama por Fernando.

HELENA JOVEM (OFF)
Fernando, cadê você? Você tá aí
em cima? Fernando!

A voz vai se aproximando cada vez mais até que Helena aparece diante do quarto de Beatriz e a vê morta no colo de Fernando. Helena se desespera.

HELENA JOVEM
Meu Deus! Beatriz! O que você
fez com ela?

FERNANDO JOVEM (em estado de choque)
Ela tá morta.

HELENA JOVEM (desesperada)
Morta?! Tem certeza? Mas o que
você fez? Assassino! Você matou
a minha irmãzinha! A minha única
irmã! Você matou a minha irmã!
Assassino! Monstro!

Fernando se levanta e se aproxima de Helena.

FERNANDO JOVEM
Não, Helena! Eu não fiz nada! Eu
juro que eu não fiz nada! Eu sou
inocente. Eu cheguei aqui e ela
já tava assim… alguém fez isso
pra me incriminar, Helena! Você
precisa acreditar em mim!,

HELENA JOVEM
Como não foi você? Olha aí você
cheio de sangue! E aquela arma?
Vai dizer que não é sua? Quantas
vezes eu já tinha te pedido pra
se livrar daquela arma! Olha o
que ela fez! Olha o que você fez
com ela! Você matou a minha irmã!
E eu nunca vou te perdoar por
isso! Eu vou chamar a polícia!

Fernando segura forte o braço de Helena. Está desesperado.

FERNANDO JOVEM
Acredita em mim, Helena! Não fui
eu quem matou a sua irmã! Você
tem que acreditar em mim!

HELENA JOVEM
Você tá me assustando! (grita) Me
solta! Assassino!

Fernando solta Helena, que desce correndo, chorando muito. Fernando chora e leva as mãos a cabeça.

FERNANDO JOVEM
Meu Deus! O que tá acontecendo
comigo?! Eu não fiz nada! Eu sou
inocente! Eu não vou ser preso!
Eu sou inocente!

Fernando, num impulso, sai do quarto correndo.

Corta rápido para:

CENA 09 – CASA DE HELENA – BANHEIRO – INTERIOR – DIA

Música [Adele – Hometown Glory]

Fernando entra rápido e tranca o banheiro. Olha para uma janela de vidro. Procura algo e encontra uma vassoura e bate umas três vezes até quebrar a janela. Sai pela janela e se corta um pouco, ficando ainda mais sujo de sangue.

CENA 10 – MEIER – RUA – EXTERIOR – DIA

A mesma música. Fernando passa pela janela com certa dificuldade e pula num quintal que dá pros fundos da casa. Pula o muro para a casa vizinha e pula outro muro um pouco mais baixo e sai já numa rua bem movimentada. Seu aspecto é feio, pois sua roupa está muito suja de sangue e está suado e cansado. Corre desesperadamente pela rua, esbarrando em algumas pessoas, até sumir de vista.

Corta.

FIM DESTA SEQUENCIA. DE VOLTA AO PRESENTE:

CENA 11 – ESCOLA DE DANÇA – LANCHONETE – EXTERIOR – DIA

Alicia atenta ao que Fernando lhe conta.

FERNANDO
A pior coisa que eu podia ter
feito foi ter fugido. Foi como
uma confissão. Quem acreditaria
que eu era inocente se eu tinha
ficado uma semana foragido?

ALICIA
Mas se você era realmente
inocente, então por que fugiu?

FERNANDO
Eu tive medo. Foi por isso que eu
fugi! Por medo! Mas quando me
acharam, me prenderam. Eu fui
julgado e condenado. Todos foram
contra mim…

ALICIA
Tá bom. Eu entendi o que
aconteceu. Mas então você ta
querendo me dizer que foi o
Antonio e não você, quem matou a
irmã da minha mãe! É isso?

FERNANDO
Como eu já te contei! A sua avó
foi a ultima pessoa que o viu e
ela me afirmou que o tinha visto
entrar na casa…

ALICIA
Mas por que ele faria isso?

FERNANDO
E por que a sua vó mentiria?

ALICIA
Olha, não mete a minha vó nessa
historia que ela nem tá mais
entre nós…

FERNANDO (sentido)
Não sabia. Me desculpa. (pensa um
pouco) Mas é a verdade. Ela viu e
me disse. Tanto que eu voltei pra
casa. Mas no dia do julgamento,
ela também foi contra mim.

ALICIA
Mas é claro! Ela achava que você
tinha matado a filha dela! Presta
atenção! Você mesmo não viu o
Antonio lá…. não foi?

FERNANDO (hesita um pouco e assume, cabisbaixo)
Foi. Eu não vi o Antonio…

ALICIA
E não passa pela sua cabeça que
não possa ter sido ele?

FERNANDO
Mas a Beatriz o viu! Ela me
disse!

ALICIA
Mas isso é um absurdo! Ele não
faria isso!

FERNANDO
E eu faria, Alicia? Faria? Eu
mataria a mulher que eu amava?

ALICIA
Não sei! Muita gente mata por
amor!

FERNANDO
Mas não eu!

ALICIA
Não há motivos para o Antonio ter
cometido esse crime… Eu repito
a minha pergunta: por que ele
faria isso?

FERNANDO
Mas não é obvio? Pra me
incriminar! Só assim ele
conseguiria assumir os negócios
sozinho! Ele sempre foi egoísta!
E ele era o amigo que eu mais
confiava! O único! E por isso
mesmo, só ele sabia do
esconderijo daquela arma!

ALICIA
E por que você tinha uma arma em casa?

FERNANDO
E eu não podia ter uma arma em
casa pra proteger a minha
família? Todos têm!

ALICIA
Você vai me desculpar… Mas o
que você ta me contando é um
absurdo! Acusar uma pessoa de um
crime depois de tanto tempo! Não!
O Antonio não é um criminoso! Não
pode ser!

FERNANDO
E eu posso? O seu próprio pai
pode ser um criminoso e o Antonio
não? Por que? Só porque ele é
rico? Só porque ele é um cara
legal, carismático? Ele pode
enganar todo mundo… Aliás, isso
ele tira de letra! Mas só eu
conheço a verdadeira face daquele
monstro! E você o defende… fala
como se o conhecesse!

ALICIA
Mas eu o conheço!

FERNANDO (surpreso)
Você o que?

ALICIA
Eu conheço o Antonio e eu
frequento a casa dele se você
quer saber… Eu sou amiga do
filho dele.

FERNANDO (ri)
Que ironia do destino! Minha
filha amiga do filho dele…

ALICIA
É tão difícil de acreditar! É
muito difícil pra mim aceitar
tudo isso de uma vez só… Você,
o pai que eu nunca tive, que eu
pensei estar até morto,
reaparece! E reaparece dizendo
que foi condenado injustamente!
Fernando, olha, eu não vô te
julgar pelo que você fez…

FERNANDO (interrompe)
Me chama de pai! Por favor! Não
me chama pelo nome…

ALICIA
É que não é fácil de se
acostumar…

FERNANDO
Eu sei. Eu entendo. Com o tempo
você consegue.

ALICIA
Espero conseguir.

O garçom vem retirar o copo de Alicia.

ALICIA
Mas o que eu tava falando é que
eu não vou te julgar pelo que
aconteceu. O que passou, passou.
Não me interessa! Vamos viver a
nossa vida daqui pra frente! Sem
remexer nessa historia. Acho que
vai ser melhor pra todo mundo.

FERNANDO
Mas eu quero mexer nessa
historia! Não estou disposto a
esquecer. Só eu sei tudo o que eu
passei!

ALICIA
Ok, você que sabe. (pensativa)
Mas então, era dela que você
gostava? E não da minha mãe…

FERNANDO
O nosso amor era proibido. Mas
não é verdade que eu não gostava
da Helena. Eu gostava. E muito!
Talvez ainda goste. E é por isso
que eu to aqui, na sua frente, te
contando toda a verdade. Acho que
podemos voltar a ser uma família
de verdade. Mas antes, preciso
provar a minha inocência. Só
assim a sua mãe vai me perdoar!

ALICIA
Talvez seja tarde demais.

FERNANDO
Nunca é tarde pra se fazer
justiça, Alicia. Nunca!

ALICIA
Olha, Fernando! Não consigo
chamar você de pai… A gente
acabou de se conhecer. Me dá um
tempo!

FERNANDO
Tudo bem.

ALICIA
Então, Fernando… Eu to muito
cansada e eu tenho que ir embora
agora.

Alicia, visivelmente abalada com tudo o que ouviu, se levanta da mesa.

FERNANDO
Vai com Deus! Toma cuidado! Mas
não conta pra sua mãe que a gente
se encontrou, ta?

ALICIA
E por que eu esconderia isso
dela?

FERNANDO
Ela não vai gostar de saber. Vai
por mim. É melhor esconder.

ALICIA
Ok. Isso depois eu decido. Tchau!

Alicia vai andando até que Fernando a chama.

FERNANDO
Espera!

Alicia para.

ALICIA
Fala!

FERNANDO
Não vai nem me dar um abraço?

ALICIA
Claro!

Alicia abraça Fernando, mas está abalada, desconfortável de certa forma.

FERNANDO
Eu te amo muito, minha filha!
Nunca esqueça disso!

Fernando pega no bolso um papel e uma caneta e anota rapidamente algo no papel.

FERNANDO (entra o papel p/ Alicia)
Toma meu telefone. Qualquer
coisa, me liga!

ALICIA
Ta bom. Tchau.

Música [Kelly Clarkson – Save you]

Alicia vai andando e se afastando, enquanto Fernando a observa de longe. Tela escurece. Corta para:

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continuação: EPISÓDIO 9 – O ASSASSINATO

Posted by amoresproibidos em 09/07/2009

Pedro e Gabriel

CENA 12 – STOCK SHOT – EXTERIOR – DIA/NOITE

Outra música [Maysa – O barquinho]

Anoitecer no Rio de Janeiro.

CENA 13 – APTO. DE PEDRO – QUARTO DE LENITA – INTERIOR – NOITE

Pedro está frente a um espelho terminando de abotoar um botão da camisa. Está pronto para sair. Lenita entra no quarto.

LENITA
Oi, meu amor!

PEDRO (fala sem parar de se olhar no espelho)
Oi!

LENITA
Nossa! Tudo isso prum jantar?

PEDRO
Que nada! Nem to muito arrumado.

Pedro sai da frente do espelho.

PEDRO
Bom, eu já vou indo.

LENITA
Tem certeza que você tem que ir a
esse jantar?

PEDRO
Mas é claro! Por que não iria? Eu
e a Helena somos velhos amigos.
Normal que nós jantemos. Não vejo
nenhum problema nisso.

LENITA
Mas eu não posso ir com você?

PEDRO (impaciente)
Já não conversamos sobre isso?

LENITA
Ta bom, desculpa. Vai com Deus!
(pensa em não falar, mas acaba
falando) Vai voltar que horas?
PEDRO
(pensa um pouco)
Não sei. Mas não precisa se
preocupar.

LENITA
Não to preocupada. Só perguntei
por perguntar…

PEDRO (a beija na boca, rapidamente)
Tchau.

LENITA
Tchau, meu amor.

Pedro sai do quarto e ouvimos o barulho da porta da sala se fechando. Música de suspense. Lenita desfaz o ar de tranquila que tinha e fica nervosa, preocupada. Começa a andar de um lado para o outro.

LENITA
Não posso ficar aqui sem fazer
nada! Mas o que eu posso fazer,
também?! O Pedro faz o que quer,
não posso impedir! (pensa algo –
pára de andar) Quer saber? Eu vou
atrás dele!

Lenita pega uma bolsa sua que já estava em cima da cama e sai, decidida.
Corta rápido para:

CENA 14 – COPACABANA – EXTERIOR – NOITE

A mesma música da cena anterior. Lenita sai do Condomínio e vê que Pedro acabou de sair com seu carro. Imediatamente, faz sinal para um taxi que passa no momento. O taxi pára e Lenita entra.

LENITA (p/ motorista de taxi)
Segue aquele carro ali, por favor!

O taxista parte em velocidade. Corta para:

CENA 15 – CASA DE ALICIA – SALA – INTERIOR – NOITE

Alicia está pensativa, vendo tv, quando Helena aparece, deslumbrante.

HELENA
Como estou?

ALICIA
Linda como sempre! Mas confesso
que hoje você se superou! Pra
quem é tudo isso? Posso saber?
Helena ri, um pouco tímida.

HELENA
Ai, Alicia! Eu fico tão sem graça
de te contar!

ALICIA
Ah, conta!

HELENA
É que eu vou encontrar um
ex-namorado meu! Tem muitos anos
que eu não o vejo. A ultima vez
você ainda nem tinha nascido.

ALICIA
Tá explicado, então!

HELENA
Ele tá lindo. O tempo não passou
pra ele. Você tem que ver! Ele
era um homem maravilhoso, espero
que não tenha mudado… Eu já to
indo. Pareço uma adolescente te
pedindo isso… mas, me deseje
sorte!
ALICIA (sorri)
Sorte!

Helena beija Alicia na testa e percebe algo de diferente nela.

HELENA

Alicia, olha pra mim! Tá tudo bem
com você?

ALICIA
Tá sim. Tudo normal. Por que?

Helena (a observa)
Não sei. Você parece diferente…

ALICIA
Impressão sua, mãe. Vai lá.
Aproveita o jantar e depois me
conta tudo!

HELENA
Tem certeza que tá tudo bem?

ALICIA
Já falei que sim, dona Helena!
Pode ir. Eu vou ficar bem.

HELENA
Você que sabe. Qualquer coisa me liga!

ALICIA (sorrindo)
Nunca eu te ligaria! Parece até
que não me conhecesse! Não vou
estragar esse jantar por nada
nesse mundo! Pode ficar
tranquila!

HELENA
Você é muito boba! Te amo, filha!

ALICIA
Também te amo!

Helena sai. Alicia mostra finalmente sua preocupação.

ALICIA (falando sozinha)
Será que o Fernando tava falando
a verdade?

Música marca. Close em Alicia, preocupada. Corta para:

CENA 16 – APTO. DE GABRIEL – QUARTO DE GABRIEL – INTERIOR – NOITE

Gabriel está teclando com alguém no pc quando toca seu celular. É Bruno. Fusão dos dois conversando.

GABRIEL
Alo!

BRUNO
E aí, cara! Tudo bem?

GABRIEL
Ta tudo indo. O de sempre.

BRUNO
Gabriel, hoje a gente vai sair,
escutou? Hoje a gente vai dançar
horrores! Você merece se
divertir! Beijar um pouco na
boca!

GABRIEL
To tão sem ânimo, Bruno… Você
nem queira saber!

BRUNO
Que sem ânimo o que? Vai sair
comigo sim e tá decidido! Chega
de ficar curtindo fossa em casa!
Esquece esse Pedro! E liga pro
Henrique! Marca dele te encontrar
lá na boate! Vambora, amigo, você
precisa viver! A vida continua!

GABRIEL
Eu sei. Você tá certo. Você tá
sempre certo, amigo. Não sei o
que seria de mim sem você…

BRUNO
Você não seria nada!(ri) Vai, se
arruma logo! Vou ficar te
esperando aqui em casa! Beijo!

GABRIEL
Daqui a pouco eu passo aí. Beijo!

Gabriel desliga o celular. Corta para:

CENA 17 – RESTAURANTE – INTERIOR – NOITE

Música ao fundo. Pedro está sentado a mesa, esperando por Helena. Olha no relógio e continua esperando. Esse restaurante possui vidros transparentes, de modo que do lado de fora se vê tudo o que ocorre dentro do restaurante.

CENA 18 – RUA – EXTERIOR – NOITE

Do lado de fora do restaurante, dentro do taxi, se encontra Lenita (e de onde ela está, consegue ver à mesa que Pedro está sentado).

TAXISTA
É aqui que a senhora vai ficar?

LENITA
Isso. Mas espera um pouco!

Lenita fica olhando atentamente para a porta do restaurante, quando de repente, Helena chega num taxi e entra.

LENITA
É essa a vagabunda que ele veio
encontrar!

O taxista parece meio impaciente.

TAXISTA
Minha senhora, a gente vai ficar
mesmo parada aqui? Eu tenho que
fazer outros serviços essa noite!29.

LENITA
Nós vamos ficar aqui e o senhor
não vai a lugar algum!

TAXISTA
Mas, minha senhora…

Lenita rapidamente pega duas notas de 100 reais na carteira e joga em cima do Taxista.

LENITA
Eu pago! O quanto for necessário!
Só peço que o senhor fique aqui
até a hora que eu quiser!
Entendeu bem?

O Taxista pega as duas notas, sem graça.

TAXISTA
Ok. Entendi.

LENITA
Que bom! Gosto de quem entende as
coisas rápido!

Lenita continua olhando em direção ao restaurante.

CENA 19 – RESTAURANTE – INTERIOR – NOITE

Helena entra no restaurante e desperta os olhares dos homens ali presente, de tão deslumbrante que está. Com Pedro não é diferente, que quando a vê, se levanta e fica boquiaberto.

PEDRO
Nossa! Nem tenho palavras!

HELENA
Pra que?

PEDRO
Pra dizer o quanto você tá linda!

HELENA
Não começa com seus galanteios!

PEDRO
Não estou te cantando, fica
tranquila! Só estou te falando a
verdade. E a verdade tem que ser
dita.

HELENA
Sei… A verdade, nessa história
toda é que você não mudou nada!
Continua aquele garoto de alguns
anos atrás.

PEDRO
Nisso você tem razão. Ainda sou
um garoto.

Se encaram por alguns instantes e se cumprimentam com um beijo no rosto.

PEDRO
Senta!

Helena se senta e Pedro, de frente para ela. Imediatamente, o garçom traz os menus e sai. Helena e Pedro conversam enquanto vão olhando no menu o que querem comer.

HELENA
Nem sei o que eu vou querer.

PEDRO
Também não. Na verdade, pra mim,
o mais importante dessa noite é
poder te ver.

HELENA
Ah, é? Que bom! Também fico muito
feliz em te ver!

PEDRO
To falando serio! Aquele dia que
a gente se encontrou no hospital
não conta! O ambiente era péssimo
e o meu filho não tava bem,
enfim… Nem deu pra gente
conversar muito.

HELENA
Verdade. Também ali não era lugar
pra isso!

PEDRO
Mas me conta de você… Como
tá a sua vida?

HELENA
Tá indo. Depois que você embarcou
pros Estados Unidos, eu conheci
outra pessoa. Um cara. E a gente
acabou tendo uma filha e tivemos
que nos casar, no civil.

PEDRO
Então, você tem uma filha?

HELENA
Tenho sim. O nome dela é Alicia.
Ela é linda, você tem que ver!

PEDRO
Alicia! Bonito nome! Eu também
tenho um filho. Ele se chama
John, é mais novo que ela, vai
fazer 19.

HELENA
Eu vi o seu filho lá no hospital.
Vi de longe. Mas já deu pra ver
que ele herdou toda a sua beleza.

PEDRO
Assim você vai me deixar sem
graça…

HELENA
Mas é verdade. Seu filho é muito
bonito. Que nem você. Por que
seria diferente? A Alicia também
é linda, espero que você a
conheça um dia.

PEDRO
Com certeza, não faltarão
oportunidades pra isso! Mas conta
mais de você…

HELENA
Basicamente, é isso. Eu crio a
minha filha sozinha e trabalho
numa clinica de estética. E
continuo morando no Méier. E
você?

PEDRO
Minha vida tá estranha no
momento. Voltei pro Brasil com o
meu filho e com a minha mulher
pra tentar esquecer um pouco as
brigas e as discussões que
tínhamos nos Estados Unidos. Eu
pensava que aqui tudo seria
diferente. Mas vejo que pouca
coisa mudou! Pra te dizer a
verdade, meu casamento tá indo de
mal a pior…

HELENA
Nossa, que chato! Mas vai
melhorar!

Neste momento, Helena segura na mão de Pedro e fica alisando.

PEDRO
Não sei se vai. Tem dias que eu
acho que sim, mas tem outros que
eu acho que não tem mais jeito.32.

HELENA
Sempre tem um jeito! Se você ama
a sua mulher, corre atrás! Faz de
tudo pra tentar salvar esse
casamento!

PEDRO
Talvez seja esse o problema…
Talvez eu não a ame mais.

Corta pro lado de fora, dentro do taxi. Lenita, muito nervosa, continua observando Pedro e Helena, que conversam como se fosse um casal. Helena segurando a mão de Pedro por cima da mesa. O garçom se aproxima da mesa e conversa algo com eles. Lenita quase explode de tanto ódio.

LENITA
Fica aqui! O senhor não vai a
lugar algum!! Entendeu? Eu vou
entrar naquele restaurante
rapidinho! Não demoro nem cinco
minutos!

TAXISTA
Eu espero.

LENITA
Acho bom mesmo!

Lenita abre a porta do taxi e sai, batendo a porta com fúria. Atravessa correndo a rua e entra no restaurante. Enquanto isso, Pedro e Helena já acabam de fazer seus pedidos ao garçom.

PEDRO
E pra acompanhar, vamos querer
esse vinho aqui! (mostra na
carta)

O garçom anota o pedido e já sai.

HELENA
Esse vinho é o meu preferido.

PEDRO
Eu sei. Acha que eu esqueci?

HELENA
Você sempre pensando em tudo!
Helena volta a alisar a mão de Pedro. Nisso, escuta-se
palmas. É Lenita, que chega falando alto para todos
ouvirem.

LENITA (batendo palmas)
Bravo!! Bravo! Que linda cena!
Parece filme! Que romântico!

Pedro vê que é Lenita e fica surpreso. Se levanta para falar com Lenita. Helena só observa.

PEDRO
O que você ta fazendo aqui, Lenita?

LENITA
O que eu to fazendo aqui? Ah!
Então é essa a pergunta? Não,
Pedro! Não interessa o que eu
estou fazendo aqui! Interessa o
que você está fazendo aqui com
ela! Que palhaçada é essa aqui
hein, Pedro?

PEDRO
Pára de gritar, Lenita! Se acalma
que a gente conversa!

LENITA (grita)
Não! Eu não quero me acalmar! Eu
tenho o direito de sentir raiva,
não tenho? Pelo menos isso, acho
que eu ainda posso sentir! Eu só
quero saber… que palhaçada é
essa aqui? Hein? Restaurante
caro! Mãozinhas dadas! O que ta
acontecendo, Pedro? Você tá me
traindo na cara de pau? É isso!
Assim, na frente de todo mundo? É
isso? Não é? Eu to sendo feita de
palhaça!

PEDRO
Não é nada disso! Você sabe que
não é! Eu não to aqui escondido
de você! Tanto que você sabia que
eu estaria aqui, jantando com a
Helena! Pára de fazer drama! E
vai embora!

LENITA
Como é que é? Você tá me mandando
embora? (sorri, irônica) Você que
vai embora comigo e é agora!

PEDRO
Não! De jeito nenhum! Eu não
mandei você vir atrás de mim!
Veio porque quis! Então vai
embora sozinha!

LENITA
Eu não posso acreditar nisso que
eu estou escutando!

PEDRO (grita)
Vai embora! E acho bom você ir
agora mesmo! Porque se você não
sair por bem, eu vou mandar o
gerente te colocar pra fora!!

LENITA
Você ta me mandando embora pra
ficar com essa daí?

PEDRO (grita)
Vai embora, Lenita! Não vou falar
de novo!

Lenita está explodindo de ódio e chora um pouco de tanta raiva.

LENITA (finge estar calma)
Eu vou embora. Se é isso que o
senhor quer… Eu vou! Eu vou…
Lenita se aproxima da mesa que Pedro está, aparentando
calma e, impulsivamente, tem um ataque de fúria e puxa a
toalha da mesa, jogando assim tudo que está em cima da
mesa no chão, fazendo um grande barulho. Todo o
restaurante pára para ver. Pedro está sem ação.

LENITA
Agora eu vou embora. Tenha um bom
jantar com essa vagabunda!

No que fala isso, Lenita sai do restaurante. Pedro está muito preocupado, morto de vergonha. Fala com o Gerente.

PEDRO
Desculpa por tudo isso no seu
restaurante! Pode trazer a conta
que eu pago tudo que ela quebrou!
Pedro se aproxima de Helena, que está de pé.

PEDRO
Desculpe, Helena! Eu não queria
que tivesse sido assim.

HELENA
Tudo bem, Pedro. A gente se vê
outro dia.

PEDRO
Mil desculpas. Você não sabe a
vergonha que eu to sentindo…
Mas isso é pra você ter uma ideia
do que eu to vivendo há alguns
anos já! Esse é o meu casamento.
Eu não agüento mais! Chega!

Close em Pedro, decidido. Corta rápido para:

CENA 20 – APTO. DE PEDRO – QUARTO DE LENITA – INTERIOR – NOITE

Lenita chega no quarto e vai abrindo o armário. Pega uma
mala e põe todas as roupas de Pedro na mala. Vai jogando
todas as roupas. Lenita chora um pouco, mas é movida pela
raiva que está sentindo. Pedro chega logo em seguida e vem
desde a sala chamando por Lenita, que não o responde.

PEDRO (OFF)
Lenita! Lenita! Eu quero falar
com você!

Pedro entra no quarto e a encontra pondo suas roupas na mala.

PEDRO
O que você ta fazendo?
Lenita não lhe responde e continua ponto as roupas na
mala. Pedro se aproxima de Lenita e a segura pelo braço.

PEDRO
Eu to falando com você!

LENITA
Eu não tenho nada pra falar com
você!

PEDRO
Por que essa mala, Lenita?

LENITA
Porque você tá de saída dessa
casa! E eu to fazendo a sua mala!
Você vai sair dessa casa agora
mesmo!

PEDRO
Lenita, pára de palhaçada! Você
ta abusando da minha paciência!
Eu não vou a lugar algum! Pode
desfazer essa mala! Anda, Lenita!
Desfaz essa mala! Eu não vou
embora!

LENITA
Você vai embora sim! Não vai
dormir em casa essa noite! Vai
dormir com aquela vadia! Vai!
Procura a Helena! Vai pedir
abrigo na casa dela!

PEDRO
Você ta passando dos limites!

LENITA
Vai embora, Pedro! Vai embora! Eu
não quero mais olhar na tua cara!

PEDRO (chega no limite)
Pois então, fique sabendo que eu
vou! Acabou o nosso casamento a
partir desse momento! Ouviu bem?
Acabou, Lenita! Acabou essa merda
de casamento! Essa merda de vida!
Nunca mais eu vou ter que olhar
pra tua cara! Nunca mais eu vou
me sentir infeliz! Você não sabe
a alegria que eu to sentindo
nesse momento! Você só sabe
estragar tudo aquilo que você põe
a mão! Você estraga tudo! Tudo!
Peca pelo excesso! Amor demais!
Ciúme demais! Agressiva demais!
Vingativa demais! Eu não agüento
mais viver do teu lado! Eu não
agüento, juro que não agüento! E
eu que pensei que podia dar
certo… Me da essa mala! Eu vou
embora dessa casa!

Lenita chora muito ao ouvir tudo isso de Pedro. Pedro por sua vez também tem lagrimas nos olhos, mas tenta se manter forte. Lenita pega a mala ainda aberta, mas não a entrega a Pedro.

LENITA (c/ raiva e lágrimas nos olhos)
Você quer as suas roupas? Então,
vai buscar!

Lenita pega a mala, se aproxima da janela e a abre, jogando toda a roupa de Pedro na rua. Por fim, joga a mala também.

PEDRO
Olha o que você fez! Sua doente!

LENITA
Vai buscar a sua roupa! E some da
minha frente! Vai procurar a
Helena, vai! Aquela vadia! Vai
ficar com ela!

PEDRO
Eu tenho pena de você…

Pedro sai. Lenita se joga na cama e chora muito.

Corta para:

CENA 21 – COPACABANA – EXTERIOR – NOITE

Música [One Republic – All we are]

Pedro sai do Condomínio e encontra sua mala e as roupas pelo chão, todas espalhadas. Vai catando uma a uma e guardando na mala de novo. Quando finalmente termina, fecha a mala e fica olhando para a praia, pensativo, ainda com lágrimas nos olhos.

PEDRO
Preciso arranjar um lugar pra
dormir…

Corta para:

CENA 22 – BOATE – INTERIOR – NOITE

Música [Kat DeLuna feat. Elephant Man – Whine Up]

Tomada geral da boate. Bruno dançando com um cara na pista de dança e Gabriel e Henrique se beijando, freneticamente, num canto. Henrique pára de beijar e fica acariciando o rosto de Gabriel. Música diminui.

HENRIQUE
Pensei que você nem fosse vir.

GABRIEL
Por que pensou isso?

HENRIQUE
Na verdade, pensei que a gente
nem fosse ficar de novo.

GABRIEL
Mas por que?

HENRIQUE
Sei lá. Você tem me evitado esses
dias todos. Eu te chamo pra sair
direto e você nem me dá bola…

GABRIEL
Não fala isso que não é verdade!
Eu só to evitando me envolver,
entende? Eu não to num bom
momento. Preciso superar algumas
questões. O problema sou eu. Não
é você! Nem poderia! Você é
perfeito, Henrique! Lindo,
inteligente, compreensível,
carinhoso, beija bem! Que mais eu
posso querer? Você é tudo de bom!38.

HENRIQUE (sorri)
Assim eu vou começar a me achar!

GABRIEL
Mas você sabe que eu to falando a
verdade. Mas é que não rola nada
mais sério entre nós… Talvez
num outro momento. Mas não agora.

HENRIQUE
Tudo bem. Eu espero por você o
tempo que for preciso.

GABRIEL
Não, Henrique! Não me espere, por
favor! Cada um tem o seu tempo.
Eu nunca me envolvi a sério com
ninguém. Não sei se estou
preparado pra isso.

HENRIQUE
Gabriel, você gosta de outra
pessoa, não é?

GABRIEL (pensa um pouco mas disfarça)
Não! De onde você tirou isso?

HENRIQUE
Não sei. Mas você fala de um
jeito… parece que tá sofrendo.
Você gosta de alguém?

GABRIEL
Não quero falar disso. Desculpa!
Isso não importa! O que importa é
que eu quero ficar aqui com você
e curtir esse momento!

HENRIQUE
Eu também! Adorei ter te
conhecido!

Henrique beija Gabriel. Música sobe. Corta para:

CENA 23 – APTO. DE GABRIEL – QUARTO DE ANTONIO – INTERIOR – NOITE

Antonio e Maria já deitados na cama, prontos para dormir.

ANTONIO
Nossa! Hoje o dia foi corrido,
hein!

MARIA
É verdade. Mas vamos dormir que
já tá tarde e amanhã tem mais! O
trabalho não acaba,
impressionante!

ANTONIO
E o Gabriel? Onde tá?

MARIA
Saiu. Só volta amanhã de manhã.

ANTONIO
Sabe se ele tá namorando?

MARIA
Pelo que eu sei, não tá não. Mas
sei lá, mesmo se tivesse, não
ficaríamos sabendo. O Gabriel não
gosta que se metam na vida
dele… E eu, como mãe, respeito
isso, é claro! Por que?

ANTONIO
Por nada não. É que ele nunca
trouxe nenhuma namorada aqui…

MARIA
Do jeito que ele é, só vai
apresentar aquela que for para
casar. E nem quero também que ele
fique trazendo qualquer uma aqui
pra dentro de casa!

ANTONIO
É. Você tem razão. Pra família só
se apresenta aquela que vale a
pena.

Tocam a campanhia.

MARIA
Quem será uma hora dessas?

ANTONIO
Ta esperando alguém?

MARIA
Eu não! Letícia também saiu. Ta
na casa do Edu!

ANTONIO
Deixa que eu abro.

Tocam a campanhia novamente.

ANTONIO
Já vai!

Antonio sai para abrir a porta. Corta rápido para:

CENA 24 – APTO. DE GABRIEL – SALA – INTERIOR – NOITE

Antonio abre a porta e é Pedro, que está com uma mala.

ANTONIO
Pedro! Entra, meu amigo! O que
aconteceu?

Pedro entra. Está arrasado.

PEDRO
Antonio, eu preciso da sua ajuda!
Me deixa dormir aqui essa noite?
Eu e a Lenita brigamos. Dessa vez
não tem volta. E eu não tenho pra
onde ir!

Maria vem lá do quarto.

ANTONIO
Mas é claro que pode! E nem
precisava perguntar! Pode ficar
aqui em casa o que tempo que você
quiser!

MARIA
Oi, Pedro! Me da a sua mala que
eu vou guardar.

Pedro entrega a mala.

PEDRO
Brigado.

MARIA
Vai tomar um banho, Pedro. Você
vai ver como você vai relaxar!
Quer comer alguma coisa?

PEDRO
Não, brigado. To sem fome.
Brigado mesmo pela ajuda de
vocês! Eu nem sei o que seria de
mim sem vocês!

ANTONIO
Que nada, cara! Amigos são pra
essas coisas!

PEDRO
Eu posso dormir em qualquer
lugar. Aqui na sala mesmo! Só não
quero atrapalhar!

ANTONIO
Que dormir na sala, o que! Você
pode dormir no quarto do Gabriel.
Tem espaço pra você lá.

Pedro fica pensativo.

PEDRO
No quarto do Gabriel?

ANTONIO
Sim. Pra que dormir na sala
quando se tem um quarto?

PEDRO
Acho que não é uma boa ideia. Não
quero atrapalhar. O Gabriel já tá
dormindo e ele pode acabar
acordando…

MARIA
Ele não tá em casa. Só volta de
manhã. O quarto tá lá vazio. Vai
lá!

Pedro se sente aliviado por Gabriel não estar em casa, mas tenta disfarçar.

PEDRO
Tá bom, então. Onde é que é o
quarto dele?

Antonio e Maria levam Pedro até o quarto de Gabriel.

CENA 25 – APTO. DE GABRIEL – QUARTO DE GABRIEL – INTERIOR – NOITE

Pedro entra no quarto de Gabriel.

ANTONIO
Fica a vontade! Ali é o banheiro!
E aqui debaixo da cama você puxa
outra. Tem roupa de cama dentro
do armário. Mexe no que você
quiser! Já te falei que essa casa
é sua!

PEDRO
Valeu mesmo.

ANTONIO
Se quiser também ligar o ar
condicionado… Enfim, sinta-se a
vontade! Boa noite!

MARIA
Boa noite, Pedro!

PEDRO
Boa noite! Antonio, amanha eu te
conto a historia toda!
ANTONIO
Relaxa! Só descansa!

Antonio e Maria saem.

Música [One Republic – All we are]

Pedro vai observando o quarto de Gabriel. Há umas fotos de Gabriel em cima da mesa do computador, que Pedro fica olhando, por algum tempo. Lembra-se do primeiro beijo entre os dois.

FLASHBACK DA CENA 15 DO EPISODIO 04:

PEDRO
Engraçado! Eu tava pensando em
você quando tava tomando banho. E
do nada, saio do chuveiro e
encontro você no meu quarto…

GABRIEL
Eu não devia tá aqui. To indo
embora…

Gabriel vai em direção a porta do quarto.

PEDRO (direto)
Do que você tem medo, Gabriel?

Gabriel pára, pensa um pouco (está de costas para Pedro). Vira-se e volta para perto de Pedro e o encara fixamente.

GABRIEL
Quem foi que disse que eu to com medo?

Gabriel beija Pedro. Um beijo bem selvagem, como se um quisesse devorar o outro.

FIM DESTE FLASHBACK.

Pedro está sorrindo e larga as fotos de Gabriel, tira a roupa e vai pro banheiro. Ao entrar, ouvimos o barulho do chuveiro aberto. Corta para:

CENA 26 – RIO DE JANEIRO – EXTERIOR – NOITE

Música [New Kids on the Block and Ne-yo – Single]

Imagens da cidade toda iluminada.

CENA 27 – APTO. DE GABRIEL – SALA – INTERIOR – NOITE

Gabriel chega da rua, passa a chave na porta e sem fazer muito barulho vai direto para o seu quarto. Todos na casa estão dormindo. Ainda está de madrugada (não amanheceu).

CENA 28 – APTO. DE GABRIEL – QUARTO DE GABRIEL – INTERIOR – NOITE

Gabriel entra em seu quarto e a luz está apagada. Ao acender, Gabriel encontra Pedro, dormindo na cama ao lado da sua (é uma cama mais baixa, quase que perto do chão). Pedro está coberto com um edredom até a cintura. Gabriel não entende o que vê.

GABRIEL
Pedro? Dormindo no meu quarto?
Que brincadeira é essa, meu
Deus?!

Por causa da luz, que foi acesa, Pedro acaba acordando.

PEDRO
Oi, Gabriel!

Pedro se senta, deixando aparecer que está sem roupa debaixo do edredom. Gabriel se aproxima de Pedro.

GABRIEL
O que você tá fazendo aqui?

PEDRO
Quer que eu vá embora?

GABRIEL
É claro que eu não quero! O que
eu mais quero é ter você aqui
comigo! Só não to entendendo
nada… Como você entrou?

PEDRO
Pela porta! Normal. Seus pais
sabem! Depois eu te conto o que
aconteceu. Mas o que importa é
que eu to aqui.

GABRIEL (observa o corpo de Pedro)
Você tá sem roupa aí embaixo?

PEDRO
To. A minha roupa ta toda suja.
Foi jogada na rua! Enfim, depois
te conto essa história. Mas eu
também prefiro dormir assim. E
como você também é homem, achei
que não teria problema. Ou tem?
Se quiser, eu posso por um short.
Se você me emprestar algum, é
claro!

GABRIEL
Você parece que gosta de me
provocar… Não devia brincar com
o que eu sinto!

PEDRO
Mas eu não to brincando, Gabriel.

GABRIEL
Me diz! O que foi que aconteceu?
Brigou com a Lenita?

PEDRO
Não quero falar disso!

GABRIEL (desabafa)
Mas eu quero! Será que você não
percebe? Eu tenho sofrido esse
tempo todo! Por você! Não consigo
te esquecer! Em nenhum momento do
dia! Não tenha nada que eu faça
que não me lembre você! Eu tenho
te respeitado e respeitado a sua
decisão de retomar seu casamento.
Nunca mais cheguei perto de você!
Eu to fazendo a minha parte! Mas
e você? Na primeira oportunidade
que tem, você vem dormir no meu
quarto! Você acha que eu vou
aguentar essa situação?

Pedro se aproxima ainda mais de Gabriel e põe o dedo em sua boca.

PEDRO
Cala a boca! Não fala mais nada!
Se encaram por alguns instantes.

PEDRO (fala baixinho, quase um sussurro)
Eu quero você!

Música [One Republic – All we are]

Pedro puxa Gabriel para si e se beijam, desesperadamente, os dois loucos de desejo.

CORTA.

FIM DESTE EPISODIO
CRÉDITOS FINAIS

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