Amores Proibidos

Série – Texto em Roteiro

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EPISÓDIO 11 – A DOR DA NÃO-ACEITAÇÃO

Posted by amoresproibidos em 27/08/2009

CENA 01 – RIO DE JANEIRO – EXTERIOR – DIA

Música [I’d like to – Corinne Bailey Rae]

Está um dia ensolarado e quente, mas do nada surgem nuvens escuras no céu. Começa a ventar. Tempestade à vista. Tempo totalmente fechado. Mostrar a mudança repentina do clima em vários pontos da cidade. Corta para:

CENA 02 – SHOPPING – LOJA DE ROUPAS – INTERIOR – DIA

A mesma música

Cristian é vendedor numa loja de roupas do shopping e está atendendo a uma garota atraente, loira e alta, que exibe um decote provocador. Essa loja é uma daquelas de marca, que vende roupas para homens e para mulheres, voltada para o público jovem. Cristian vai mostrando-lhe as roupas com toda a paciência. Neste momento, vê-se que Juliana está do lado de fora da loja e não gosta nem um pouco do que está vendo. Tenta se controlar e olhar para outro lugar, mas acaba voltando a olhar para Cristian e para a tal garota. Caminha até a loja e entra. Cristian a vê e dá um sorriso, sem deixar de atender a tal garota. Juliana permanece séria, só observando.

CRISTIAN
E então, você gostou dessa blusa?

GAROTA
Não sei. Você acha que fica bem em mim?

A Garota põe a blusa na frente do corpo, como que se estivesse experimentando. Cristian acaba olhando para os seios da garota, que são bem chamativos, mas disfarça.

CRISTIAN
Acho. Você vai ficar linda nessa blusa.

GAROTA
Se você gostou eu vou levar. Vou confiar em você. Você parece ter bom gosto.

Neste momento, Juliana se aproxima, se entrometendo na conversa.

JULIANA
Bom gosto ele tem mesmo. Não é a toa que ele tá comigo!

A Garota fica sem graça.

GAROTA
(p/ Cristian)
Onde que eu pago?

CRISTIAN
(aponta para o caixa)
Ali! Brigado, hein! Meu nome é Cristian. Sempre que quiser, procura por mim.

GAROTA
(provocativa)
Com certeza eu vou te procurar.

A Garota sai. Juliana está com a cara fechada.

CRISTIAN
Que foi, Ju? Por que você tá assim?

JULIANA
Nada não. Pega suas coisas pra gente ir embora. Depois a gente conversa.

CRISTIAN
Me espera que eu já volto.

Cristian vai até atrás do balcão do caixa e pega uma mochila média.

CRISTIAN
Tchau, galera! Até amanhã!

Todos os vendedores da loja (só há uns 4: 2 homens e 2 mulheres) se despedem de Cristian.

CRISTIAN
Vamo, Ju!

Cristian e Juliana saem da loja. Corta rápido para:

CENA 03 – SHOPPING – ESTACIONAMENTO – INTERIOR – DIA

Cristian está prestes a subir em sua moto, quando percebe que Juliana continua com a cara fechada. (Cristian carrega a tal mochila nas costas).

CRISTIAN
O que tá acontecendo? Por que voce tá com essa cara? Eu te fiz alguma coisa?

JULIANA
Voce não fez nada porque não deu tempo, né? Porque eu cheguei bem na hora!

CRISTIAN
Peraí! Do que você tá falando?

JULIANA
Eu vi o jeito que você tava tratando aquela menina.

CRISTIAN
Qual foi, Juliana? É o meu trabalho! Eu preciso ser simpático com os clientes!

JULIANA
Mas não precisa ser tanto, né? Tava na cara que ela tava te dando mole! E você lá, elogiando ela! Não! Eu não aguento isso!

CRISTIAN
(perde a paciência)
Para de palhaçada! Olha aqui! Eu não to aqui de brincadeira não, tá! Eu to aqui ralando muito pra conseguir juntar uma grana boa pra gente viver junto! Só que eu não posso continuar com os seus ciúmes! Não dá! Não dá! Todo dia agora é essa palhaçada! Fixação em traição! Eu não vou te trair! Nunca! Põe isso na tua cabeça!

JULIANA
Então o meu sentimento é uma palhaçada? É isso? Você acha que o que eu sinto não tem importância alguma? É isso? Fala!

CRISTIAN
Chega! Não aguento mais discutir com você! É sempre pelo mesmo motivo! Sempre por esse ciúme doentio que você tem!

JULIANA
Ciúme doentio?!

CRISTIAN
Doentio sim! Ciúme não é prova de amor. Prova de amor é confiança! Eu confio em você, Juliana! Voce devia pelo menos tentar confiar em mim! Mas o mais engraçado… é que eu nunca, mas nunca te dei motivos pra você ter ciúmes de mim!

JULIANA
Como não? E essas suas amigas do trabalho que ficam te ligando? E essas menininhas que ficam indo à loja só pra te ver? Você acha que eu tô errada, não acha? Que eu sou doente… só porque eu amo demais…?

CRISTIAN
O seu ciume não tem fundamento algum. Eu nunca olhei pra nenhuma outra garota!

JULIANA
Duvido! Mas eu duvido muito! Sabe o que eu acho? Que você já me traiu várias vezes! Várias!

CRISTIAN
Tá bom, Juliana. Pensa o que você quiser! Pra mim, chega! Você tá cada dia pior! Insuportável! Eu não to mais aguentando voce! Quer saber? Eu que sou idiota de nunca ter te traído! Pelo menos agora, eu estaria levando a fama por algo que eu teria feito!

JULIANA
Como você é cínico! Fala como se nunca tivesse feito nada nas minhas costas!

CRISTIAN
(grita)
Chega, Juliana! Eu não quero mais ouvir a sua voz! Acabou tudo entre nós! Voce merece ficar sozinha! Você e o seu ciúme!

JULIANA
(sentida)
Você tá terminando comigo?

CRISTIAN
Tô sim. Pra mim, chega! Eu faço de tudo pra relevar, eu tenho muita paciência, mas você tá acabando com ela.

JULIANA
Mas eu vim aqui no seu trabalho só pra te ver e pra gente voltar pra casa junto…

CRISTIAN
(sem forças para discutir)
Chega, Juliana! Não dá mais!

Cristian sobe na moto e a liga.

JULIANA
Por que você tá fazendo isso comigo? Você tem alguém?

CRISTIAN
Não tenho ninguém. Mas eu juro que eu vou procurar!

Juliana começa a chorar e a bater em Cristian, que não revida.

JULIANA
Cachorro! Babaca! E eu que pensei que podia ser feliz do seu lado! Vai embora, vai! Pode ir!

CRISTIAN
Eu não vou te deixar aqui. Vem comigo que eu te deixo em casa.

JULIANA
Nunca! Eu nunca mais subo nessa moto. Eu nunca mais quero olhar na sua cara. Nunca mais!

Juliana sai correndo pelo estacionamento.

CRISTIAN
(grita)
Espera, Juliana!

JULIANA
Não vem atrás de mim!

Juliana continua correndo e quase é atropelada por um carro. Está chorando bastante e um pouco desesperada. Cristian está muito nervoso e disca no celular para Gabriel, mas ele não atende.

CRISTIAN
Droga! Mas eu vou lá assim mesmo!

Cristian põe o capacete e parte com a moto. Corta para:

CENA 04 – APTO. DE BRUNO – QUARTO DE BRUNO – INTERIOR – DIA

(Continuação da cena 27 do episódio anterior).

Bruno muito sem graça, coberto até a cintura com um edredon. Felipe cobrindo com as mãos as suas partes íntimas, muito sem graça também. Otávio, furioso, se aproxima de Felipe batendo nele com força. Otavio lhe da socos do rosto e tenta asfixia-lo também. Felipe tenta se desvicular, mas não consegue. Seu nariz está sangrando. Bruno tenta separar os dois. Muita gritaria.

OTAVIO
(vai batendo e gritando)
Vai embora daqui! Vai!! Some! Antes que eu te mate! Vai embora daqui!!!!

BRUNO
Larga ele, pai!

OTAVIO
Cala essa sua boca que com você eu já resolvo!

Otavio continua batendo, mas Felipe consegue sair, rapidamente. Só da tempo de pegar as suas roupas e sai com elas na mão. Música marcando. Otavio agora observa Bruno, com um olhar de desprezo. Bruno está nu e rapidamente veste uma cueca.

OTAVIO
Então é disso que você gosta?

BRUNO
Pai, eu nem sei o que dizer…

OTAVIO
(grita, furioso)
Não diga nada! Você não precisa dizer nada! Eu vi tudo! Eu vi o meu filho na cama com um… (pausa) dá nojo só de pensar!

BRUNO
Pai, eu já queria contar há muito tempo. Mas eu nunca consegui!

OTAVIO
Ótimo! E então você espera eu e sua mãe sairmos de casa pra você trazer… um homem pra cá?! É isso?

BRUNO
Desculpa! Não vai acontecer de novo!

OTAVIO
Mas não vai mesmo! Sabe por que, Bruno? Porque eu não aceito isso! Eu não criei filho pra isso! Não criei filho pra ele se deitar com outro homem, pra ele… (pensa bem) dar pra outro homem!

Otavio joga uns livros que estão em cima da mesa do computador no chão, furioso. Otavio anda de um lado pro outro.

OTAVIO
Eu tenho vontade de te matar! Que desgosto, meu Deus! Que desgosto!

Otavio se aproxima de Bruno.

OTAVIO
Olha pra mim! Olha nos meus olhos! Tem certeza que voce gosta disso?

BRUNO
Gosto, pai.

OTAVIO
Não! Impossível! Isso não tá certo! Por que, meu filho? Por que? Só me diz o motivo! Por que? Nunca te faltou nada! Eu e a sua mãe sempre te demos tudo o que você quis! Por que, Bruno?

BRUNO
Não tem um porquê. Eu sou assim.

OTAVIO
Não! Não! Não aceito isso como resposta!

BRUNO
Eu sempre fui assim. Sempre gostei de homem, se voce quer saber! Sempre olhei os caras que passam na rua, os caras da faculdade, os atores da tv! Sempre! Sempre senti desejo por homens, pai! E isso não vai mudar só porque você quer!

Otavio, boquiaberto, ao ouvir isso de Bruno. Chora discretamente. Treme de raiva e de nervosismo. Bruno continua falando.

BRUNO
Eu gosto de homem. Gosto muito! E isso não vai mudar!

OTAVIO
(grita)
Chega! Não quero ouvir mais nada!

BRUNO
Eu sou gay, pai! E não há nada que você possa fazer!

Otavio bate na cara de Bruno com muita força. Música marcando a todo momento. Bruno não revida e leva a mão ao rosto. Otavio está transtornado.

OTAVIO
Não repete isso de novo, senão eu te arrebento! Ouviu, Bruno?

BRUNO
(grita)

Repito sim! Eu sou gay! E voce tem que aceitar isso! Eu não vou mudar porque você quer! Eu sou assim, pai. E você tem que me aceitar do jeito que eu sou!

OTAVIO
Nunca! Não! Não vou aceitar! Eu não aceito!

BRUNO
Eu não posso mudar. Eu nasci assim, pai. Mas não mudou nada. Eu sou o mesmo Bruno de antes. Só que agora você sabe da verdade. Não preciso mais ficar me escondendo!

OTAVIO
Como que não precisa mais ficar se escondendo?! Do que você ta falando? E vai fazer o que agora? Vai sair pela rua vestido de mulher?! Ou então, vai começar a trazer homem aqui pra dentro de casa? Você é muito cara de pau! Tem a coragem de dizer que não mudou nada! Claro que mudou, Bruno! Mudou tudo! E a primeira coisa que mudou é que eu não quero mais você nessa casa!

Música marca. Bruno, surpreso e ao mesmo tempo desesperado.

BRUNO
O que?

OTAVIO
É isso mesmo que você ouviu. A partir de hoje, não quero mais você nessa casa.

BRUNO
Como assim, pai? Vai me expulsar de casa?

OTAVIO
(enfático)
Voce tá surdo? Como eu acabei de falar! A partir de hoje, você não mora mais nessa casa!

BRUNO
(se desespera)
Pai, não faz isso comigo! Por favor! Voce tá nervoso! Pensa melhor! Não faz isso comigo!

OTAVIO
Eu não tô nervoso, Bruno. Eu tô até calmo demais! E minha decisão já está tomada. Voce deixa essa casa agora.

BRUNO
Agora?! Mas, pai, eu não tenho pra onde ir! Pra onde que eu vou? Onde que eu vou morar?

OTAVIO
Se vira! Dá seu jeito! Onde é que estão os seus homens agora? Onde estão eles, Hein? Os outros que você também se deita… Vai procurar por eles! Vai viver a sua vida com eles! Aqui em casa, não! Aqui é uma casa de familia e você não merece mais ficar aqui!

BRUNO
Você tá me tratando como se eu fosse uma vagabunda! Como se eu vendesse o meu corpo…

OTAVIO
E não é isso o que voce faz?

Bruno sente muito o que seu pai lhe fala e chora, mas lhe responde, revoltadíssimo.

BRUNO
Não, pai! A diferença entre eu e uma vagabunda é que eu faço o que faço porque eu gosto! E não por dinheiro!

OTAVIO
Voce tá me provocando! Some da minha frente antes que eu te arrebente, Bruno! Eu acabo com você!

BRUNO
Não! Nunca mais você vai me encostar um dedo! Eu não vou mais deixar! Esse tapa na cara foi o último que você me deu. Eu não sou mais criança! Se você me bater de novo, voce vai levar!

OTAVIO
(grita)
Vai embora! Some dessa casa! Vai embora!

Bruno puxa uma mala de debaixo da cama e abre o guarda-roupas e vai tirando umas peças e jogando em cima da cama.

OTAVIO
O que voce pensa que tá fazendo?

Bruno para de jogar as roupas na cama.

BRUNO
Eu tô arrumando minha mala. Como você mesmo disse.

OTAVIO
Não. Eu não disse pra você arrumar mala alguma. Eu disse pra você sair dessa casa imediatamente!

BRUNO
E as minhas roupas?

OTAVIO
Você não entendeu ainda? Você não vai levar nada daqui! Nenhuma roupa! Só a do corpo! E nenhum dinheiro nem nenhum cartão! Pode deixando todos eles aqui. Anda! Não tenho todo o tempo do mundo.

Bruno está arrasado.

BRUNO
Voce vai me deixar na rua sem nada? Como se eu fosse um mendigo? Como se eu não tivesse familia? É isso?

OTAVIO
Você não tem mais familia! Vou tirar teu nome do testamento. Não vai receber um centavo do que eu tenho!

BRUNO
(se revolta)
Eu to me lixando pro teu dinheiro! Enfia ele onde voce quiser! E faça bom aproveito! Mas olha só… isso que você ta fazendo comigo, não é atitude de um pai! Você ainda vai se arrepender disso!

OTAVIO
Jamais! Nunca estive tão certo de uma decisão!

BRUNO
Voce ainda vai pedir pra eu voltar! O que você tá fazendo não se faz com ninguém! Mas eu vou embora. Agora quem não quer ficar nem mais um minuto nessa casa sou eu!

OTAVIO
Não demora! Vou abrir a porta pra voce.

Otavio sai.

Música [Stay with me – Colbie Caillat]

Sozinho

Bruno chora muito. Abre a carteira e joga os cartões em cima da mesa do computador. Veste uma calça comprida jeans, uma camisa e um tenis. Limpa as lágrimas. Quando termina, olha bem o quarto por uma última vez, e sai. Corta rápido para:

CENA 05 – APTO. DE BRUNO – SALA – INTERIOR – DIA

Bruno vem do quarto, cabisbaixo. Faz de tudo para não chorar. Otávio também está sofrendo por dentro, mas não da o braço a torcer. Abre a porta para Bruno.

OTAVIO
Boa sorte!

Bruno olha para Otavio fixamente, mas não responde nada. Sai. Otávio fecha a porta.

Música [Stay with me – Colbie Caillat]

Otavio chora muito, também desabando. Senta no sofá e fica ali chorando muito por tudo o que viu e ouviu. Está sofrendo muito. Pega seu celular e disca. Música diminui.

OTAVIO
Alô! Cancela a reunião, por favor! Aconteceu um problema de familia! Não posso viajar agora! (escuta) Obrigado!

Otavio disca de novo.

OTAVIO
Denise, vem pra casa agora! Aconteceu algo muito sério!

Música marca. Corta para:

CENA 06 – FRENTE DO CONDOMÍNIO DE BRUNO – EXTERIOR – DIA

Está um temporal. A chuva está muito forte e há muito vento também. Bruno chora muito e está arrasado.

BRUNO
O que eu vou fazer da minha vida, meu Deus?

Bruno pensa um pouco e põe a mão no bolso e descobre o celular.

BRUNO
Gabriel, voce é a minha única salvação!

Bruno disca para Gabriel. Os dois conversando.

GABRIEL
Oi, amigo! Tá tudo bem?

BRUNO
Não tá nada bem! Meu pai descobriu e me expulsou de casa!

GABRIEL
Meu Deus! E você tá onde agora?

BRUNO
Tô na frente do meu condomínio. Eu não tenho dinheiro. Ele me tirou tudo.

GABRIEL
Não tem problema. Pega um taxi e vem pra cá! Quando voce chegar, eu acerto.

BRUNO
Tá bom, to indo. Brigado.

GABRIEL
De nada. Vem logo! Vou tá te esperando!

Bruno desliga o celular, faz sinal para um taxi e entra. Corta para:

CENA 07 – RIO DE JANEIRO – EXTERIOR – DIA

Música [We are Broken – Paramore]

Temporal na cidade. Ruas começando a alagar. Chuva que não para. E muito vento. Corta para:

CENA 08 – APTO. DE PEDRO – SALA – INTERIOR – DIA

John chega da rua, todo ensopado, com aquela roupa de caminhada. Lenita está no sofá, vendo tv.

LENITA
Oi, filho! Ainda bem que você chegou. Já tava ficando preocupada com esse tempo e com você na rua!

JOHN
Pois é. Não entendi nada! Tava mó sol e do nada as nuvens apareceram e o céu ficou escuro! Parece noite lá fora! Ah! E eu ainda peguei chuva né… Eu tava lá no posto 5, não adiantava correr até aqui! Então vim caminhando mesmo.

LENITA
Toma uma banho e tira essa roupa pra você não se resfriar.

JOHN
Pode deixar. Ah! E o meu pai? Tem notícias dele?

LENITA
(sorri)
Você tava certo o tempo todo. Ele voltou. Tá lá no quarto. A gente decidiu retomar o casamento. Dessa vez vai ser tudo diferente, John. Tenho fé que vai!

JOHN
Tomara, né, mãe! Vou tomar um banho e depois vou lá falar com meu pai que eu vou aceitar o emprego na empresa do Antonio.

LENITA
(feliz)
Vai aceitar? Sério, filho? Mas que alegria receber essa notícia! E quando foi que você mudou de ideia?

JOHN
Ainda agora enquanto eu caminhava. Fiquei pensando que poderia ser uma boa oportunidade pra mim. Por isso, vou aceitar a vaga.

LENITA
Que bom, John! Fico muito feliz em saber. Nossa! De verdade. Acho que vai ser ótimo pra você! E também acho que o Pedro vai adorar a notícia.

JOHN
Assim eu espero. Já volto.

John sai em direção ao seu quarto e Lenita volta a ver a tv. Corta para:

CENA 09 – COPACABANA – EXTERIOR – DIA

Música [Stay with me – Colbie Caillat]

Chove. Cristian está dirigindo a sua moto na Av. Atlântica, em direção ao apartamento de Gabriel. Mais a frente, na mesma avenida, está o táxi que Bruno pegou na porta de seu condominio. Corta rápido para:

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CONTINUAÇÃO: a dor da não-aceitação

Posted by amoresproibidos em 26/08/2009

CENA 10 – TÁXI / PRAIA DE COPA – EXTERIOR – DIA

Tempestade no mar

A mesma música continua. O táxi vai bem devagar por causa do trânsito e por fim, para num sinal. Bruno está sentado no banco de trás do taxi e chorando muito. Lembra-se de uma parte da discussão que teve com seu pai. FLASHBACK DA CENA 04 DESTE EPISÓDIO:

BRUNO
Eu gosto de homem. Gosto muito! E isso não vai mudar!

OTAVIO
(grita)
Chega! Não quero ouvir mais nada!

BRUNO
Eu sou gay, pai! E não há nada que você possa fazer!

Otavio bate na cara de Bruno com muita força. Música marcando a todo momento. Bruno não revida e leva a mão ao rosto. Otavio está transtornado.

OTAVIO
Não repete isso de novo, senão eu te arrebento! Ouviu, Bruno?

BRUNO
Repito sim! Eu sou gay! E você tem que aceitar isso! Eu não vou mudar porque você quer! Eu sou assim, pai. E você tem que me aceitar do jeito que eu sou!

OTAVIO
Nunca! Não! Não vou aceitar! Eu não aceito!

FIM DESTE FLASHBACK.

Bruno observa que o sinal ainda continua vermelho. Olha para o mar e vê que ele está bem agitado, com ondas muito grandes. Está pensativo e hesitante. Seu coração está acelerado. Num movimento brusco, abre a porta do taxi e sai correndo em direção a praia. O taxista se desespera.

TAXISTA
(grita)
Ei! Volta aqui! Meu dinheiro!

Bruno continua correndo pela areia da praia em direção a água. Chora muito e está fora de si, como num transe. A atitude de Bruno faz as pessoas olharem na direção do mar, que está com ondas cada vez maiores. Cristian observa tudo, preocupado. Bruno chega perto da água da praia e chora desesperadamente. Tira o tênis. As águas já tocam seus pés. As ondas são enormes, chove muito e venta também.

BRUNO
Se meus pais não me aceitam, eu prefiro morrer…

Música de suspense. Bruno entra nas águas do mar e vai nadando pra longe da areia. As ondas começam a quebrar onde ele está e ele vai perdendo as forças aos poucos. Vai tentando ir cada vez pro mais fundo possível. Cristian não aguenta ver isso.

CRISTIAN
Um cara entrou na agua com esse tempo e ninguem faz nada?!

Cristian larga a moto de qualquer jeito e corre em direção ao mar, onde Bruno está. Bruno, por sua vez, vai sendo derrubado por cada onda e afunda sempre. Sobe, pega um pouco de ar, mas não desiste em tentar se matar. Já está sem forças. Mais uma onda quebra em cima dele. Bruno afunda, mas sobe logo em seguida. Já está lhe faltando o ar. Cristian entra na agua, com roupa e tudo. Avista Bruno e vai nadando até onde ele está. Bruno não vê Cristian. Cristian nada valentemente contra as fortes ondas, afunda com algumas mas continua procurando por Bruno. O avista e vê que está perto dele. Bruno está com muito medo e nervoso e está afundando. Começa a ficar totalmente desesperado. Uma onda forte faz Bruno afundar e desmaiar. Cristian imediatamente o segura e tenta trazê-lo, com muita dificuldade, para fora da água. Cristian ainda enfrenta a correnteza que os puxa, mas vai aos poucos conseguindo e por fim, Cristian cai com Bruno na areia. Cristian está esgotadíssimo e sua respiração está muito ofegante. Bruno está desacordado. Música de suspense cessa. Cristian se desespera ao reconhecer Bruno.

CRISTIAN
Meu Deus! É o amigo do Gabriel!

Cristian olha para um lado e para outro, mas não avista nenhum salva-vidas.

CRISTIAN
(dá uns tapinhas no rosto de Bruno)
Voce precisa acordar!

Cristian tira a camisa de Bruno e escuta o seu coração. Faz respiração boca a boca em Bruno e faz pressão no seu peito. Bruno não reage. Repete o procedimento mais duas vezes. Bruno continua sem reagir. Cristian se desespera.

CRISTIAN
(desesperado)
Sempre funciona! Por que não tá funcionando dessa vez?!

Cristian tenta mais uma vez e Bruno finalmente acorda, cuspindo muita agua e tossindo muito também. Bruno está muito fraco e fica paralizado ao ver Cristian ali.

BRUNO
Cristian?! É voce?

CRISTIAN
(sorri)
Sim, sou eu. Eu te salvei.

Bruno mal consegue acreditar no que ve. Se encaram. Música marca. Corta.

ABERTURA DA SÉRIE

CENA 11 – PRAIA – EXTERIOR – DIA

(Continuação da cena anterior).
Bruno se senta um pouco com ajuda de Cristian. Está um pouco debilitado e fala devagar (vai se recuperando aos poucos).

BRUNO
Por que voce fez isso?

CRISTIAN
Isso o que?

BRUNO
Me tirar de lá… Você não devia ter ido lá me salvar.

CRISTIAN
Mas é claro que eu devia! E eu ia te deixar morrer por causa de que? De um problema? Problema todos nós temos. A gente pode superar os problemas! Não vale a pena perder a vida por causa deles!

Bruna pensa um pouco. Silêncio por alguns instantes.

BRUNO
Brigado pelo que você fez. E eu nem tenho como te agradecer direito. Você se arriscou! Podia ter morrido tentando me tirar de lá. Eu queria morrer! Você não!

CRISTIAN
Eu fiz o que eu achei que era certo. Se voce se jogar no mar de novo e eu tiver por perto, eu entro de novo e te salvo. Faria isso por qualquer pessoa. Mesmo que eu morresse, eu ia morrer fazendo o que é certo.

BRUNO
Brigado mesmo!

CRISTIAN
Para de agradecer! Não foi nada.

BRUNO
E o que você tava fazendo aqui, nessa praia, com esse tempo?

CRISTIAN
Eu tava indo pra casa do Gabriel. Sei lá. Eu queria desabafar com alguém. Terminei meu namoro hoje. Tava meio mal. E foi quando eu vi alguém, saltando desesperado do carro e se atirando no mar… com aquelas ondas… e ninguém fazendo nada pra evitar. Não tive escolha. A não ser te tirar de lá.

BRUNO
Que coincidência! Eu também tava indo pra casa do Gabriel. Mas quando eu vi o mar, pensei em acabar com tudo de uma vez… Mas foi o destino que quis que você tivesse passando por aqui. Foi Deus que te colocou no meu caminho!

CRISTIAN
Pode ter sido… Mas quando eu entrei no mar, eu não fazia ideia de quem você era. Eu nunca podia imaginar que era você, fazendo aquilo…

BRUNO
por que? Achou que eu não seria capaz?

CRISTIAN
Sei lá. Mas foi um choque muito grande saber que você era amigo de um grande amigo meu e que você podia morrer. Não sei explicar!

Bruno olha fixo pro mar e caem lágrimas dos seus olhos. Silencio novamente por alguns instantes.

CRISTIAN
Olha! Eu sei que você está passando por alguma situação dificil. E sei que provavelmente eu não vou poder te ajudar, mas se voce quiser, eu posso te ouvir.

Bruno olha para Cristian e vai limpando as lágrimas, enquanto vai falando.

BRUNO
Eu não tenho mais ninguém. Eu tô sozinho. Sem dinheiro e sem onde morar.

CRISTIAN
E a sua família? O que aconteceu com ela?

BRUNO
Meu pai me expulsou de casa…

CRISTIAN
Que chato isso, cara!

Cristian fica um pouco pensativo.

BRUNO
… Porque eu sou gay.

Cristian encara Bruno.

CRISTIAN
Foi por isso então?

BRUNO
Por isso que eu entrei no mar. O que vai ser da minha vida agora? Seria melhor ter morrido…

CRISTIAN
Não fala isso! Eu disse que só te escutaria e que nao poderia te ajudar, mas não é verdade… Eu posso te ajudar, sim!

BRUNO
Pode? Como?

CRISTIAN
Por que você não mora um tempo lá em casa?

BRUNO
(surpreso)
Eu? Na sua casa?!

CRISTIAN
É! Quê que tem? Você pode ficar lá o tempo que você precisar. E eu… posso tentar conseguir um emprego pra você lá na loja onde eu trabalho! O que você acha?

Bruno não sabe o que dizer. Apenas ri.

BRUNO
Eu nem acredito que eu to ouvindo isso!

CRISTIAN
E então, você aceita?

BRUNO
Mas você mora sozinho?

CRISTIAN
Não. Com a minha mãe. Mas ela é tranquilona! Você vai gostar dela! O Gabriel também já passou uns tempos lá em casa e ela nem ligou! E outra! A casa também é minha!

BRUNO
Jura que não tem nenhum problema?

CRISTIAN
Nenhum!

BRUNO
Então eu aceito!

Bruno puxa Cristian e o abraça forte. Cristian abraça, mas fica meio sem jeito.

BRUNO
Muito obrigado! Muito obrigado mesmo! Você tá sendo um anjo na minha vida!

CRISTIAN
Nada a ver! Eu vou te ajudar porque você é amigo do Gabriel. E se é amigo do Gabriel, é meu amigo também!

Bruno sorri e está mais feliz.

CRISTIAN
Viu? Não te falei que sempre há uma solução pros problemas?!

BRUNO
Você tá certo. Eu não devia ter feito o que eu fiz…

CRISTIAN
Deixa esse assunto pra lá.

BRUNO
Tá bom. Vou tentar esquecer.

CRISTIAN
É melhor a gente ir embora então. Ou senão vamos pegar um resfriado. Como se não bastasse o banho de mar, a gente tá conversando debaixo da chuva!

BRUNO
É verdade!

CRISTIAN
Voce tá se sentindo bem?

BRUNO
To sim.

CRISTIAN
Então, vamos.

Música [Stay with me – Colbie Caillat]

Cristian se levanta e ajuda Bruno a se levantar e vão caminhando devagar em direção à Avenida Atlantica. E a chuva continua. Corta para:

CENA 12 – APTO DE BRUNO – SALA – INTERIOR – DIA

Denise e Otavio tensos. Denise de costas para Otavio, com lágrimas nos olhos.

Briga de Casal

DENISE
Não pode ser! Não! O meu filho, não!

OTAVIO
Mas é a verdade. É exatamente como que te contei. Eu encontrei o Bruno aqui, na nossa casa, transando com um… (pensa muito) homem.

DENISE
(desesperada)
Não! O Bruno não é gay. Pode ser uma fase. Ele pode mudar. Quem garante que isso vai durar pra sempre? Vai que amanhã ele muda de ideia? Você não pode tirar essas conclusões!

Otavio altera o tom. Estão ambos muito nervosos.

OTAVIO
Eu não tô tirando conclusões, Denise. Você não estava aqui! Você não ouviu metade do que eu ouvi! Fique sabendo que o seu filho falou em alto e bom som que é gay sim e que nunca vai mudar! Nunca! Me disse olhando nos olhos que gosta de homem, desde criança! Como você acha que eu fiquei, ouvindo isso de um filho?! Eu não tô inventando nada, pelo amor de Deus! Você tem que acreditar que o Bruno não é perfeito como você insiste em achar que é!

DENISE
E onde ele tá? Eu quero falar com ele agora! (grita) Agora! (chama por Bruno) Bruno! Bruno! Vem aqui que eu quero falar com você!

OTAVIO
Ele não tá em casa.

DENISE
Como nao tá em casa? E tá aonde? Voce não devia ter deixado ele sair até eu chegar em casa!

OTAVIO
Eu não deixei ele sair. Eu o expulsei de casa.

Choque de Denise ao ouvir isso. Música marca.

DENISE
O que foi que você disse? Repete!

OTAVIO
Eu coloquei ele pra fora sim! Não quero um filho gay dentro de casa. Pra que? Pra trazer homem aqui pra dentro? Pra nos envergonhar? E os vizinhos, Denise? O que eles vão pensar, hein?

DENISE
Você não podia ter feito isso, Otavio!

OTAVIO
Então você vai agora ficar passando a mão na cabeça dele? Protegendo ele? É isso?

DENISE
Eu não tô passando a mão na cabeça de ninguém, mas não acho certo o que você fez. Você não podia ter tomado essa decisão sozinho! E eu? Eu não mando em nada nessa casa?! Não é assim que funciona! Expulsar o Bruno não vai mudar nada! Nada! Você só fez isso pra se livrar do peso, do problema… Você sempre fez isso! Um covarde. Prefere afastar os problemas em vez de resolvê-los! É você que tá preocupado com os vizinhos. Porque eu to me lixando pra eles! Eu só quero saber onde tá o meu filho!

OTAVIO
Então eu sou covarde?! (ri) Mas eu aposto que você já sabia. Tá aceitando muito fácil. Confessa, Denise! Você já sabia dessa pouca vergonha, não é? Você já sabia que o Bruno era desse jeito, né?

DENISE
Não! Eu não sabia. Juro que eu não sabia. Não pense você que eu não to chocada. Eu to sim! Mas… de certa forma, lá dentro, eu já imaginava isso, não sei explicar, mas parece que eu já pensava, mas nunca quis realmente enxergar…

OTAVIO
Então você suspeitava e nunca me disse nada?

DENISE
Como, Otavio? Se você só trabalha! Só viaja o tempo todo! Como eu ia te contar?! Em que momento eu ia falar sobre o Bruno se a gente não fala nem da gente?!

OTAVIO
Eu já sei porque ele é assim. A culpa é sua!

DENISE
Minha?! Peraí! Deixa eu ver se eu escutei direito! Você ta me acusando de que o fato de o Bruno ser gay é minha culpa?! Mas isso é um absurdo! Voce é rídículo, Otavio. Ridículo!

OTAVIO
É sua culpa, sim! Olha o jeito como você sempre tratou esse menino! Como se fosse uma moça! Sempre dava tudo na hora, cheia de cuidados… depois de adolescente continuou mimando, tratando o garoto feito criança! Olha só no que deu a sua super criação!

Denise chora ao ouvir isso, mas está revoltadíssima e vai pra cima de Otávio, e põe o dedo na cara dele.

DENISE
Escuta aqui! Eu fiz o melhor que eu pude. Ao contrário de você, que sempre foi ausente! Para de querer culpar os outros! Você é o que menos pode falar! Se pelo menos tivesse mais tempo pra ficar em casa, ia ver o que tava se passando aqui dentro. Ia poder conversar com o Bruno! Quando vocês conversaram sobre coisas de homem? Nunca! Quando foi que vocês sairam juntos, só pai e filho? Nunca! Eu acho que a culpa não é só minha. Não é justo você me acusar!

Denise vai andando, chorando, em direção ao quarto. Otavio se arrepende do que disse e está mais calmo.

OTAVIO
Denise! Desculpa! Eu não devia ter falado o que eu falei!

DENISE
Não se preocupa comigo que eu vou ficar bem. Eu só quero encontrar o meu filho. O que você fez não tem perdão! Você afastou o meu filho de mim! Onde ele tá agora? Será que tem dinheiro, fome ou frio? Nessa chuva! Você não sabe, né? Como você vai conseguir dormir, hein?! Tem que ser muito insensível pra fazer o que você fez!

OTAVIO
Eu fiz a coisa certa. Um dia você ainda vai me agradecer.

Denise se aproxima de Otavio novamente e aponta-lhe o dedo. Está revoltadíssima, mas também muito triste.

DENISE
Se acontecer alguma coisa ao meu filho, a culpa é sua! Ouviu bem?!(grita) A culpa é sua!!!

Denise sai andando para o quarto. Otavio está arrasado e pensativo. Corta para:

CENA 13 – MEIER – EXTERIOR – DIA

Música [Stay with me – Colbie Caillat]

Céu abrindo

O temporal já virou chuvisco. Cristian dirigindo sua moto e Bruno atrás de Cristian. Passam por algumas ruas, até que chegam à casa de Cristian. Cristian para a moto e eles descem. Entram na casa. Corta rápido para:

CENA 14 – CASA DE CRISTIAN – SALA – INTERIOR – DIA

Cristian e Bruno entram em casa. Bruno está um pouco sem graça.

CRISTIAN
Entra, cara! Fica a vontade! Essa é a sua nova casa!

BRUNO
Brigado! Qual o nome da sua mãe?

CRISTIAN
Beth! Mas essa hora ela não tá em casa. Tá no trabalho.

BRUNO
No trabalho?! Ainda bem!

CRISTIAN
Por que?

BRUNO
Porque ela não estando eu fico menos sem graça.

Cristian sorri.

CRISTIAN
Mas não precisa ficar sem graça não. Já te falei pra ficar a vontade!

Cristian tira a camisa. Bruno fica observando o peitoral de Cristian, mas tenta disfarçar, olhando em outra direção. Bruno está ficando excitado, mas tenta se controlar.

CRISTIAN
O Rio de Janeiro tem dessas coisas! Cai um temporal e o calor continua.

BRUNO
(sem graça)
É verdade…

CRISTIAN
Tem que tirar a roupa porque ela tá encharcada. Ficar com roupa molhada no corpo não é bom não!

Bruno nem responde nada de tão sem graça e ao mesmo tempo, de tão excitado. Cristian, alheio ao que Bruno sente, tira agora a bermuda, ficando só de cueca, sendo que esta está molhada pela chuva e ve-se nela nitidamente a marca das “partes” de Cristian. Bruno fica olhando, quase que sem ar, mas se controla ao máximo para não fazer nada.

CRISTIAN
Voce não vai tirar a roupa?

BRUNO
(sem graça – acorda do transe)
Vou… vou sim. Onde que é o banheiro?

CRISTIAN
(aponta)
Naquela direção. Depois do segundo quarto.

BRUNO
Brigado.

CRISTIAN
Cara, tira a roupa e toma um banho. É sério o que eu to falando! Voce pode pegar uma pneumonia!

BRUNO
Pode deixar.

Bruno vai em direção ao banheiro. Corta rápido para:

CENA 15 – CASA DE CRISTIAN – BANHEIRO – INTERIOR – DIA

Música [Stay with me – Colbie Caillat]

Bruno entra no banheiro, tira a roupa e entra no chuveiro, tomando um banho relaxante e demorado. Bruno vai se ensaboando e se enxaguando, mas está pensativo e sorridente. Corta para:

CENA 16 STOCK SHOT – EXTERIOR – DIA/NOITE

A mesma música…
Já não chove mais. Anoitecer no Rio de Janeiro.

CENA 17 – CASA DE CRISTIAN – SALA – INTERIOR – NOITE

Cristian e Bruno vendo tv, quando tocam a campanhia.

BRUNO
Será que é o Gabriel?

CRISTIAN
Pode ser. Ele falou que já tava vindo. Mas também pode ser a minha mãe.

BRUNO
(um pouco nervoso)
A sua mãe?

CRISTIAN
Calma, cara! Fica tranquilo!

Tocam a campanhia de novo. Cristian atende a porta e é Beth (sua mãe), que entra já falando com Cristian e nem se dá conta de que Bruno está ali.

BETH
Oi, filho! Tudo bem? Ai, hoje eu esqueci a chave em cima da mesinha de cabeceira lá do quarto. Acredita? Mas me conta! Como voce tá? E o trabalho? Como foi lá hoje?

CRISTIAN
Foi tudo bem, mãe. Mas é que eu queria falar sobre ele…

BETH
Ele?! (vê Bruno) Oi! Tudo bem?

BRUNO
Tudo otimo.

BETH
Quem é ele? Não to entendendo nada!

CRISTIAN
Ele é um amigo meu que vai passar uns tempos aqui em casa. O nome dele é Bruno.

Beth vai cumprimentar Bruno mais de perto com um beijo no rosto e um abraço.

BETH
Muito prazer, Bruno! Sou Elizabeth, mãe do Cristian. Mas ninguém me chama assim… Todos me chamam de Beth! Oh! Fica a vontade! Se o Cristian te trouxe pra cá é porque ele confia em você e é porque você é uma boa pessoa. O que ele decide, tá decidido! A casa é sua, tá, meu anjo?!

Bruno sorri. Está mais tranquilo.

BRUNO
Tá bom. Muito obrigado.

BETH
Imagina! (observa Bruno) Voce é tão bonito! Deve fazer um sucesso com as garotas! Voce deve dar trabalho hein!

BRUNO
Que nada!

BETH
Não tô te cantando não, tá? Pelo amor de Deus! Eu tenho idade pra ser tua mãe! Mas que voce é lindo, é! Ele não é uma graça, Cristian?!

CRISTIAN
Ihh! Qual foi, mãe? Vê se eu vou achar homem bonito!

BETH
Ai, tá bom! Voces homens são uns hipócritas! Não podem achar homem bonito… que mal há nisso?! Voce não vai deixar de ser homem só porque reconhece que um outro cara é bonito! Não tem nada a ver uma coisa com a outra!

BRUNO
(fala olhando p/ Cristian)
Eu concordo. Não tenho medo de achar um cara bonito. O Cristian, por exemplo, é um…

Beth ignora o que ouve e continua falando. Cristian entendeu a mensagem. Olha para Bruno, dá um sorriso e desvia o olhar.

BETH
Eu acho algumas mulheres bonitas. E meu filho, pode ter certeza que de mulher eu não gosto não! Gosto muito de homem!

Bruno só ri. Cristian, meio sem graça.

CRISTIAN
Mãe, para de falar um pouco! O garoto vai ficar tonto!

BRUNO
Deixa, Cristian! Gostei da sua mãe! Ela é divertida.

BETH
Ah! Que bom que voce gostou de mim! Também te adorei! Mas deixa eu ir pra cozinha preparar algo rápido pra gente comer. Com licença!

Beth vai para a cozinha. Cristian senta num sofá para ver tv e Bruno senta em outro, mas fica observando Cristian, que está sem camisa. Corta para:

CENA 18 – APTO. DE PEDRO – SALA – INTERIOR – NOITE

Pedro vem do quarto e encontra Lenita no sofá, vendo tv. Pedro está calmo, mas trata Lenita de maneira fria.

LENITA
Oi, meu amor! Tava aqui pensando da gente jantar fora hoje. O que você acha?

PEDRO
Pode ser. Mas então me espera. É que eu tenho que conversar com o Antonio. Tudo bem ou você já ta com fome?

LENITA
Nao! Eu te espero. Não tem pressa alguma! Aproveita então, que você vai lá e chama a Maria e o Antonio também! A gente vai prum restaurante legal… e faz um programinha diferente!

PEDRO
Ótima ideia! Já volto.

Pedro sai. Corta para:

CENA 19 – APTO. DE GABRIEL – SALA – INTERIOR – NOITE

Tocam a campanhia. Gabriel está arrumado para sair.

GABRIEL
(grita p/ Antonio)
Deixa que eu atendo, pai!

Gabriel vai até a porta e quando a abre, da de cara com Pedro. Se encaram por alguns instantes. Gabriel fica feliz em ver Pedro.

GABRIEL
Oi, Pedro! Entra! Veio falar com o meu pai?

PEDRO
Não só pra isso. Também vim porque eu queria te ver.

Gabriel sorri. Pedro e Gabriel conversam baixo, quase que sussurrando. Pedro ainda está na porta, do lado de fora.

GABRIEL
Eu também queria, Pedro. Muito! Você não sabe o quanto eu te desejo! Quando a gente vai ficar junto de novo?

PEDRO
Amanhã eu vou dar um jeito nisso. Sem falta.

GABRIEL
Tá. Vô ficar te esperando então. Queria poder te beijar agora…

PEDRO
Não dá. Teu pai não tá aí?!

GABRIEL
Tá sim. Mas tá tomando banho… Se voce me beijar rapidinho, ele não vai nem ver…

Gabriel, provocando, abre a porta e Pedro finalmente entra. Gabriel fecha a porta.

PEDRO
E a sua mãe?

GABRIEL
Tá no quarto. Me dá um beijo?

Pedro tem medo.

PEDRO
Não, Gabriel!

Gabriel, provocante, se aproxima de Pedro e vai beijando o seu pescoço bem devagar.

GABRIEL
Por que não?! Voce não quer?

Pedro resiste e se afasta de Gabriel.

PEDRO
Não é que eu não queira. Eu não posso! Alguém pode ver!

Música [Mercy – OneRepublic]

Gabriel se aproxima de Pedro novamente, abraçando-o e o beija. Estão os dois excitadíssimos, beijando-se desesperadamente. De repente, Pedro para de beijar e se afasta rapidamente de Gabriel. Música cessa. Segundos depois, Antonio aparece na sala. Estão os dois sem graça e olham para Antonio com cara de assustados.

antonio
(surpreso)
Ué! Pedro?!

PEDRO
(sem graça)
Oi, Antonio! Vim aqui pra conversar com você.

Antonio olha para Gabriel.

ANTONIO
(p/ Gabriel)
Por que voce não me disse que era o Pedro e que ele queria falar comigo?!

Gabriel está paralizado, sem saber o que dizer. Está sem graça e com medo. Pedro observa tudo discretamente. Música marca. Corta.

FIM DESTE EPISODIO

CREDITOS FINAIS

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